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Marcos Ortiz

Sérgio Neri o craque, o ídolo X Sérgio Neri, o homem depois do futebol

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Todos nós acompanhamos neste final de semana o drama trazido pela TV Record envolvendo o ex-goleiro e ídolo do Bugre na década de 1980, Sérgio Neri. Excelente goleiro, excepcional na sua profissão e um dos responsáveis diretos por três finais de campeonato disputadas pelo Guarani, ao lado de tantos outros nomes como Evair, João Paulo, Ricardo Rocha e até mesmo Tite, hoje treinador da Seleção Brasileira de futebol.

Sérgio Neri substituiu outro grande goleiro na camisa 1 Bugrina, Waldir Peres que três anos antes estava vestindo a camisa 1 da Seleção Brasileira mais lembrada de toda a história, o Brasil da Copa do Mundo da Espanha de 1982. Pouco após a saída de Waldir Peres ao final de 1985, Wilson Coimbra assumiu a camisa titular do Guarani durante a disputa do Campeonato Paulista de 1986 e poucos jogos depois era substituído por Sérgio Neri.

Sérgio Neri, ícone de três finais consecutivas num Guarani Gigante.

Cara, como eu gritei seu nome lá no mundo dos sonhos das arquibancadas, como eu comemorei cada defesa sua e como eu chorei contigo cada vez que a bola não conseguiu ficar nas suas mãos. Você é parte de um Guarani vencedor, o Bugre vice Campeão Brasileiro de 1986, Vice Campeão Brasileiro de 1987 e Vice Campeão Paulista de 1988.

Hoje, conforme podemos ver na matéria da TV Record, envolvido em dívidas e no vício da bebida, Sérgio Neri é tema de algo que expõe claramente muito mais do que um problema ligado ao futebol, expõe a questão do ídolo e de como o tratamos, nos mostra o quanto somos pequenos na lida com essas pessoas que por tantos e tantos anos nos deram alegrias, tiveram seus nomes gritados por nós nas arquibancadas e nos encheram de orgulho construindo capítulos importante desta história de 107 anos.

O nome hoje é de Sérgio Neri, mas há outros tantos. Como esquecer da situação na qual vive o ex-zagueiro Eraldo, “o zagueiro que parou Pelé” na década de 1960? Eraldo hoje vive de doações, com uma aposentadoria pequena e com a saúde já muito mais do que debilitada.

Vamos olhar um pouco mais atrás, Jorge Mendonça! Craque, pra mim, o maior jogador que ví jogar com a camisa Bugrina e que perdeu tudo o que tinha na vida depois de abandonar os gramados. Se entregou ao mesmo vício, a bebida, viveu o drama de não ter onde morar e foi acolhido pelo Guarani no início dos anos 2000, trabalhando no Projeto Bugrinho até os últimos dias de sua vida.

Há poucos dias perdemos Zé Carlos, ídolo, Campeão Brasileiro em 1978 que sofreu um AVC, teve sequelas duríssimas e um final de vida muito diferente daquele jogador talentoso que desfilava com sua maturidade e categoria pelos gramados enquanto jogou futebol. Zé Carlos precisou, recebeu ajuda financeira de torcedores do Cruzeiro-MG e de tantos outros jogadores com quem atuou pela sua carreira.

Cito esses quatro casos pra dividir com vocês a minha incapacidade de fazer algo, infelizmente este é um problema social enraizado no mundo do futebol, essa fábrica de sonhos capaz e tirar jovens de comunidades carentes, de níveis sociais dos mais diminutos possíveis e transforma-los em ídolos, em craques, em “deuses” da bola para todas as torcidas do Brasil, mas que não consegue interferir na forma como esses atletas lidam com o fim de suas carreiras.

Ganharam dinheiro, colecionaram títulos e jogos importantes no seu curriculum, mas um dia todos vão parar de jogar, vão viver a aposentadoria numa idade em que nós estamos plenos a produzir em nossas profissões. Quanto tempo dura a carreira de um jogador de futebol? 15, 20 anos? E depois, o que fazer?

A aposentadoria chega, os salários não caem mais na conta ao final do mês, e muitas vezes conviveram com o grande problema do futebol brasileiro que é jogar e sequer receber…mas qual é a estrutura criada para o atleta poder sobreviver depois da aposentadoria? Qual é o programa criado pela vida de atleta capaz de fazê-los sobreviverem longe dos holofotes, da mídia, do grito da torcida?

Nenhum! Param e viram história, cedo demais, mas suas histórias e vidas seguem por tantos e tantos anos após o final da vida esportiva. Para nós são ídolos, são referências, mas para eles e suas famílias são homens, são pessoas. Nós nos lembramos deles pelos grandes feitos, eu confesso que até hoje assisto aquela partida final do Brasileiro de 1986 e quando ouço o narrador Luís Alberto Volpe da TV Cultura na última cobrança chegar a dizer “defendeu Sérgio Neri, não, é gol…”, choro como se daquilo dependesse a minha própria vida.

Me pego torcendo por Sérgio Neri, Marco Antônio, Ricardo Rocha, Valdir Carioca e Zé Mário; Tosin, Tite e Boiadeiro; Catatau, Evair e João Paulo.

Hoje a única coisa que posso fazer é continuar torcendo, em outros campos, no campo da vida, da saúde, e finalmente olhar para o homem Sérgio Neri com todos os seus problemas e ver o “deus” de carne e osso, o homem despido da sua armadura de uniforme com aquele escudo e aquele número 1 estampado nas costas.

Hoje é Sérgio Neri, mas também já foram Zé Carlos e Jorge Mendonça, ainda é Eraldo e são tantos outros dos quais não temos conhecimento, todos ídolos de suas gerações que nos fazem sentir no fundo da nossa alma essa dor da impotência, do não poder, num toque de mágica, transformá-los naquilo que nas nossas retinas eles serão sempre, os heróis do manto Bugrino, aqueles invencíveis e imbatíveis que lá da arquibancada tiravam os nossos gritos, os nossos sorrisos, os nossos choros, ora de alegria por uma grande partida ou conquista, ora de tristeza por uma decepção esportiva. Para nós eles sempre serão aquilo, os heróis de carne e osso, homens inalcançáveis para a nossa humilde condição de Torcedor, portanto apenas idolatrados por tudo aquilo que fizeram em suas histórias!

Claro, vamos ajuda-lo com aquilo que pudermos, mas breve surgirão outros Neris, Zé Carlos, Mendonças, Eraldos…

Dói ver um ídolo passar por essa situação, machuca a alma vê-lo frágil sem sua armadura de craque, mas nada do que nós sentirmos superará a dor e o drama pessoal vivido por ele mesmo, o grande Sérgio Neri, um dos maiores goleiros da história do Guarani Futebol Clube.

Dentro daquilo que nos for possível vamos divulgar campanhas e ações para amenizar o problema, mas mais do que isso agora devemos torcer para que o ser humano Sérgio Neri vença a mais difícil de todas as partidas que já disputou e supere algo maior que qualquer artilheiro que um dia enfrentou embaixo dos três paus da sua meta.

Força Sérgio, pega mais essa! Por você e por todos nós que estaremos aqui torcendo por você! Você consegue e nós te esperaremos aqui um dia pra aquilo que sabemos fazer: Agradecer por tudo o que fez com essa camisa pesada e histórica que você defendeu em três finais de campeonatos seguidas. Olhe pra você mesmo e encontre forças, nós estaremos aqui, orando, rezando, ou seja qual for a nossa fé individual, para que você possa vencer mais essa e conquistar o maior título da sua vida: RECUPERAR O HOMEM SÉRGIO NERI QUE PARA NÓS É E SEMPRE SERÁ O HERÓI DA ARMADURA BUGRINA!

Coragem, homem! Estaremos, dentro do que pudermos, contigo!

 

Marcos Ortiz

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