A Desapropriação – R$ 1.6 milhão na conta e energia cortada
Como esperado, de fato 80% do valor da desapropriação do terreno do Guarani às margens da Rodovia dos Bandeirantes foi liberado, mas por que 80%? Simples, como de praxe nestas questões, 20% ficam retidos para o caso de contestações de valores de avaliação entre outros (hoje estão penhorados).
Mas isso aconteceu apenas no final do mês de novembro de 2013. Ninguém sabia dessa possibilidade, apenas o Departamento Jurídico, o presidente e eu, e foi uma surpresa quando o anúncio foi feito, mas lembram-se que empréstimos não eram receitas? Além de pagar salários, contas de consumo e fornecimento há muito vencidas, era preciso pagar parte daqueles empréstimos conseguidos desde o mês de abril e que mantiveram os salários dos atletas minimamente em ordem.
Chegou o dia 20 de novembro e recebi a informação, o crédito dos valores vindos da desapropriação havia sido liberado, cairia na conta do Clube no dia seguinte, que alívio, mas como tudo no Guarani, sempre tem um detalhe, chegando ao clube para o expediente, a CPFL, por falta de pagamento, cortou a energia. Santo Deus, com cinco folhas de pagamento para fechar, inúmeras outras ordens de pagamento por fazer, contas e mais contas por pagar e não havia energia elétrica.
Só restava uma coisa a fazer, levei os dois colaboradores do Departamento Pessoal e RH para minha casa e de lá preparamos as folhas, junto com a planilha de pagamentos a serem autorizados. Só um detalhe, era eu quem definia o contas a pagar do dia sim, as despesas diárias, os fornecedores, enfim, tudo aquilo que era consumido pelo Guarani passava por mim para ser autorizado, mas a decisão de pagar era da Diretoria Executiva, só quatro pessoas podiam assinar e emitir cheques em nome do Clube, o presidente, o primeiro vice e os vices financeiro e administrativo, cada cheque precisava de duas assinaturas para poder ser compensado.
Faltando 15 minutos para o fechamento do banco saímos rumo à agência, lá chegando estavam o presidente, a colaboradora do Departamento Financeiro e chegando para assinar o cheque estava o vice administrativo, Dr. Palmeron Mendes Filho, que acabara de ser comunicado da liberação dos valores. Sinceramente, esse foi um dos dias mais comemorados de todo este período, pena que chegou um pouco tarde, o time já não havia subido para a Série B, infelizmente.
Hoje o assunto causa polêmica, recentemente foi trazido à tona novamente, e há uma decisão da Judicial que obriga o Clube a devolver os valores à Justiça, ainda é uma decisão sobre a qual cabe recurso, à época a Justiça do Trabalho recebeu e analisou uma planilha enviada pelo Clube com todos os comprovantes anexados dos pagamentos efetuados.
Questão jurídica, só os advogados poderão resolver.
Marcos Ortiz
Planeta Guarani

