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Marcos Ortiz

Opinião: Umberto e Luciano saíram, quando demitiremos quem montou o elenco?

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Foto: Letícia Martins - Guarani Press.

Vamos falar das saídas anunciadas na tarde e ontem? É, a Série B já acabou, não de fato, mas por falta de interesse, os dois jogos finais do Guarani terão a mesma importância que tem um campeonato de bairro disputado entre a Rua A x a Rua B.

Com isso a direção decidiu: O Superintendente de Futebol, Luciano Dias, contratado com a missão de formar elencos e ser o homem forte do futebol Bugrino ainda em 2017 não terá a mesma função a partir de agora.

O que isso representa? Pode representar muito, ou pode representar pouco, e não vou falar aqui sobre contratos de cogestão ou qualquer outro tema, vou falar apenas da atribuição estatutária do Superintendente de Futebol.

Ele é uma espécie de “presidente remunerado do futebol”, seja profissional ou de base, no caso de Luciano Dias o clube decidiu pela contratação de um treinador de futebol, antes a função era desempenhada por um associado, mas vale a pena lembrar que a chegada de Luciano ao Guarani ainda em 2017 não foi para ocupar este cargo, ele chegou como Supervisor de Futebol, só foi promovido à nova função quando da saída de Anailson Neves e, na minha opinião, é um profissional sério, que já esteve à beira do campo comandando nosso time num acesso importante conquistado em 2008 e que abriu as portas para que no ano seguinte o clube voltasse à elite do futebol nacional pela última vez na sua história em 2010.

Mas não é o chamado “executivo de futebol”, o manager tão em prática no futebol moderno, o cara que faz toda a gestão do departamento, não apenas do vestiário. Onde eu quero chegar? Simples, o Guarani pode dar um salto de qualidade na sua gestão se agora optar pela contratação de um executivo para o cargo, a este executivo impor metas, objetivos claros, limites orçamentários e diretrizes de trabalho, este é o conceito da atuação do Conselho de Administração, contratar, delegar, dar rumo ao trabalho, sem no entanto desempenhar funções executivas.

E quando o clube errará? Simples também, errará se trouxer uma pessoa para a função que é estatutária, portanto obrigatória, que não tenha tais virtudes em seu curriculum. Gestão é diferente de atuação em vestiário, gestão é tudo, cuidar desde o transporte do time Sub-15 para o jogo da quarta feira, sua alimentação, até a cobrança (no sentido de prestação de contas) com a comissão técnica profissional, essa sim, responsável pela gestão de pessoal do elenco profissional.

Claro que isso custa dinheiro, claro que o orçamento é curto, claro que a estrutura é deficitária, claro que o clube tem problemas e dificuldades, mas a função do Superintendente de Futebol é exatamente administrar, implementar e até mesmo estruturar seu departamento, e observem, o cargo não é Superintendente de Futebol Profissional, é Superintendente de Futebol, ou seja, todo o futebol Bugrino.

Que a decisão correta seja tomada, mas não veremos essa decisão tomada nos próximos dias, isso só virá depois da decisão sobre as propostas de cogestão, só lembro a todos que o Superintendente de Futebol é um profissional (ou colaborador) ligado à estrutura interna do clube, não a um parceiro gestor. Pode até ser, mas estará diretamente subordinado ao Conselho de Administração por determinação estatutária.

Quanto custa? Não sei, custa o tamanho do projeto que o Guarani tem para 2019 no seu futebol.

Umberto Louzer

Junto com Luciano, Umberto deixou o comando do time e para falar sobre sua saída é preciso lembrar da sua posse no cargo, poucos dias antes do início da Série A2. O contexto era totalmente diferente, o elenco também, Umberto assumiu o time com a proposta de mostrar trabalho em cinco jogos, disso dependeria a continuidade na função e esse foi seu maior trunfo na disputa da Série A2, por que?

Por que naquele momento todos se fecharam em torno do então auxiliar promovido à função de técnico. Todo o elenco naquele momento jogou por Umberto, isso é mérito dele, claro, naquele momento se mostrou um grande gestor de pessoas, conseguiu aglutinar um grupo todo a um objetivo.

Dentro de campo ele acertou e errou, mas o time evoluiu fase a fase, chegou ao objetivo de acesso e foi além, buscou o título da Série A2, e seja de qual competição for, é muito difícil ser campeão.

Começando a Série B Umberto teve alguns momentos distintos, tinha nas suas mãos um time base montado, perdeu poucas peças no início e lá foi ele cuidar da gestão de pessoas, tanto atletas profissionais quanto funcionários do clube ligados ao seu trabalho e, por que não, administrar os anseios dos Torcedores. Pronto, ai os problemas começaram, o time começou a competição ganhando em casa e perdendo fora, muito parecido com o início da Série A2, mas logo no início veio a prova de fogo, o dérbi na quarta rodada, jogado no Brinco de Ouro.

O resultado todos sabemos, o time perdeu, jogou abaixo do esperado, a Torcida, claro, ficou insatisfeita, mas em seguida, ao contrário do que se esperava, o time reagiu, brigou, conseguiu resultados importantes, achou um sistema de jogo que deu resultado, mas veio outro problema, o time perdeu titulares negociados exatamente quando se firmava na disputa da Série B, coincidentemente quase todos os negociados (a exceção foi Bruno Nazário) não eram ligados a nenhum dos dois grupos de empresários que em seguida trariam um novo problema à sua gestão de pessoal.

Lá foi Umberto remontar seu time, seu esquema de jogo (detalhe, ele não escolheu quase nenhum dos jogadores contratados, recebeu um pacote de empresários e com este pacote teve que dar um jeito) e depois de uma instabilidade o time parecia ter encaixado de novo, voltou a pontuar bem, voltou a vencer jogos importantes e no exato momento em que tudo caminhava pra uma competição vitoriosa Umberto resolveu mudar o esquema, saíram os três volantes, entraram os três meias. Qual foi seu grande erro? Não ver que seu time sabia jogar se defendendo com mais proteção e com um meio de campo mais liberado pra atacar, pronto, outra crise, séries de resultados ruins, insatisfação, críticas e neste momento surgiu o maior bombardeio de todos, o clube anunciou que pretendia assinar um contrato de “Gestão Compartilhada” no meio da competição, no mês de agosto.

Inocente quem diz que isso não interferiu no andamento do time, interferiu sim, e negativamente, mas vamos voltar a falar de Umberto Louzer.

Errou, errou muito, errou no sistema de jogo, errou na escalação e insistência com jogadores que já não correspondiam dentro de campo, mas errou principalmente ao não detectar com quais jogadores poderia contar a partir dali, resumidamente ele errou ao apostar que atletas que em algum momento renderam voltariam a render, com isso os jogos foram passando, os resultados foram não acontecendo e ai aconteceu o maior de todos os erros.

Ele tinha duas opções, ou rompia com o que entendia como time ideal e arriscava mudar por um objetivo maior, a conquista de resultados, ou mantinha no time jogadores desinteressados, é a decisão não era fácil, mas precisava ser tomada. Pergunto, por que não admitimos que diante de todos os jogadores disponíveis na posição, Marcílio era o melhor? Simples, porque ele errou muito no dérbi e custou a derrota, mas Pará custou tantas outras derrotas depois até ser substituído por Romário que não conseguiu mostrar em absolutamente nenhum jogo que disputou qualquer melhora de nível na posição mais carente do elenco.

Por que não vimos o volante Fabrício Bigode jogar enquanto vimos um desinteressado e errando muito Willian Oliveira em campo? Por que mantivemos um deslumbrado Matheus Oliveira em campo por tanto tempo para nas rodadas finais voltarmos ao esquema de jogo com três volantes, um deles, Denner, mais adiantado? Por que insistimos tanto com Rafael Longuine que jogou enquanto quis e depois simplesmente parece que parou de querer? Curioso, os três jogadores pertencem à mesma empresa e são ligados ao mesmo clube…

Mais ainda, por que temos no elenco Georgemy, Romisson e Douglas Silva? Georgemy todos vimos o que fez, os outros dois sequer jogaram, sequer opções de banco de reservas foram, por que estavam no elenco então?

Cabem outros casos como Oliveira, Edson Silva, Éwerton Alemão, Anderson (se contundiu), Guilherme, Caíque e Marcão, Bruno Xavier (se contundiu)? Exceção a Marcão, todos os outros pertencem ao Grupo A ou ao Grupo B, assim como praticamente todos os titulares e reservas usados na maioria dos jogos. Quem não pertence? Ricardinho, Rondinelly e Marcão.

É, a vida de Umberto não foi fácil, eu não queria estar no lugar dele não. Agora pergunto, ele pagou pelos seus erros e foi demitido, sim, tardiamente porque talvez se saísse antes poderia ter dado espaço a um treinador com discurso diferente, postura diferente e talvez esse outro treinador conseguisse fazer ao menos 15 jogadores do atual elenco Bugrino jogarem futebol, mas percebam, estou falando de 15 num elenco de 40, e os outros 25?

Pronto, Umberto foi demitido, o Guarani não conseguiu chegar brigando nas rodadas finais e eu só faço uma pergunta (reconheço que era o momento de ele sair, que fique claro):

QUANDO DEMITIREMOS QUEM MONTOU O TIME? QUANDO DEMITIREMOS QUEM FORMOU UM ELENCO DE 40 JOGADORES ONDE QUANDO PRECISAMOS NÃO ACHAMOS 15?

Sinceramente, se isso não mudar as saídas de Umberto e Luciano Dias só farão mudar as moscas. Tem uma conversa de bastidores muito antiga que diz que empresário te cede um jogador bom, mas te obriga a aceitar dois ruim de contrapeso, acho que no nosso caso a cota foi maior que essa, porque no final das contas só sobrou o Ricardinho, que por coincidência não pertence a nenhum dos dois grupos.

Boa sorte Umberto, que seu futuro seja tão grande quanto foi a conquista da Série A2 e a volta do Guarani à Copa do Brasil, porque na Série B seus problemas foram tantos que ficou difícil conseguir pensar com clareza no que deveria ser feito, e sem conseguir pensar os erros foram muito maiores que os acertos, como será todas as vezes em nossas vidas que passarmos por situações parecidas.

Em tempo: Não sou um tolo ou inocente que acredita que se faça futebol no Brasil sem contar com a participação de empresários na formação de elencos pelo contrário, acho isso muito saudável, só penso que quando as contratações e formações de elenco passam diretamente pelas mãos de um único empresário ele deva arcar com as consequências do que fez.

Sinto muito se não falei o que você esperava, mas eu não preciso escrever para você concordar, preciso sim que você leia e pense, não que concorde, mas pense sobre o assunto.

 

Marcos Ortiz

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