Siga-nos

Marcos Ortiz

Opinião: Quando é que jogador virou ser superior? Eu preferia quando era só gente

Publicado

em

Ontem quando cheguei ao Brinco, logo ao subir as escadas dei de cara com o Douglas Leite, sim, Douglas, ex-goleiro que subiu com a gente em 2009, permaneceu em 2010 e depois seguiu sua carreira. Hoje com carreira de goleiro encerrada e uma nova carreira de treinador começando, confesso que o sorriso que vi no rosto dele e o abraço me fizeram voltar no tempo.

Começamos ali uma conversa, faltava quase uma hora pro começo do jogo e eu preciso dizer a vocês o quanto minha relação com aquele grupo de 2009 era grande, diferente, e isso não tem nada a ver com os resultados, tem a ver com a formação do grupo, com a escolha dos jogadores que foi feita em pouco mais de 15 dias e casou, mas casou por alguns quesitos específicos.

Nós tínhamos ali uma espécie de convivência espontânea, todos se procuravam, quando não era eu quem procurava os jogadores, eles me procuravam pra conversar, pra ouvir conversas, histórias sobre o Guarani e assim fomos construindo uma união, um grupo focado, comprometido, com todos respeitando o único ponto que tínhamos em comum, o Guarani. E isso não aconteceu só comigo não, vários outros Bugrinos vivenciaram a mesma situação.

Quando encontrei o Douglas e conversamos ontem, filmes passaram pelas nossas cabeças, histórias, momentos, jogos decisivos, conversas após derrotas e o pedido que todos eles todos faziam pra gente, independente do momento que o time vivesse na competição: “Não desistam da gente, a gente vai subir, acredite na gente, acredite no Guarani”. Cara, era comum jogador me procurar após os jogos pra dizer isso, mas isso acontecia principalmente após as derrotas.

Por que estou falando sobre isso com vocês hoje? Por saudosismo? Pra dizer que eu sou “fodão” porque vivi essas coisas? Não! Pelo contrário, estou dizendo isso pra lembrar de um tempo em que jogador de futebol era gente como a gente e isso não faz muito tempo, foi há 10 anos.

Ah, mas o problema não é o jogador, é quem manda, é diretoria, é o diretor de futebol? Então vamos lá, quem mandava era Leonel e não preciso dizer a vocês como foi minha relação com ele durante sua gestão, preciso? O diretor de futebol era o Seo João Secco, um dia quando ele ainda era diretor da base tivemos uma discussão tão séria que seguranças saíram correndo pra ver o que estava acontecendo.

E foi assim, nesse ambiente, cercado de gente que não gostava muito de mim e de quem eu também não gostava tanto assim que isso tudo conseguiu acontecer.

Uma pergunta foi comum e foi feita tanto por mim quanto pelo Douglas: Como é que esse time vai jogar um dérbi? Que moral, que equilíbrio emocional eles vão ter pra entrar em campo, e hoje com o agravante de só ter uma torcida em campo?

Vocês querem saber quando foi que essa relação de família acabou? Acabou em 2010 quando o elenco que disputaria a Série A começou a chegar.. sabem quais foram as primeiras providências? Cercar a área e estacionamento com grades pra ninguém ter acesso aos jogadores, e ai nem eu nem ninguém tinha mais acesso a eles, nem mesmo aos que permaneceram daquele grupo de 2009, a gente comentava, nossa, olha como mudou o nível dos carros, era só carrão e gente preocupada com tudo, menos com um distintivo, uma camisa.

Era Série A, né? A gente não servia mais, eles eram profissionais, não aceitavam as conversas fiadas de Torcedor, não tinham tempo pra conhecer o Guarani, sua história, suas histórias e estórias. O que aconteceu todos nós sabemos, o Guarani foi rebaixado, todo o esforço feito um ano antes caiu pelo ralo e a gente talvez não consiga se recuperar e voltar a disputar essa tão sonhada tal de Série A, com outros conceitos talvez consigamos, no conceito atual de Guarani? Dificilmente.

Aquele vestiário de 2009 tinha alguns pais, Vadão, Gersinho e Serapião, o meu grande e velho amigo “Sera” de tantas e tantas conversas perto do seu baú do Guarani onde ele guarda todas as relíquias de suas passagens pelo Bugre, a primeira delas terminou como Campeão Brasileiro em 1978.

Hoje quem tem acesso aos nossos jogadores? Entrevistas são só coletivas, jogador quando conversa com a Torcida, briga, vira escândalo de repercussão nacional com direito até a matéria em portais esportivos nacionais.

Vou fazer só algumas pergunta: Será que tem jogador mexendo no celular durante a preleção antes do jogo ou a conversa antes de cada treino?

Será que tem jogador preocupado com redes sociais, corte de cabelo, cabelo descolorido?

E a última, quantos será que estão neste momento preocupados com o fato e o Guarani ter que jogar a Série C em 2020 e quantos estarão já preocupados com o próximo contrato e o clube que defenderão depois que passarem pelo Guarani na Série B de 2019?

E olha que na conversa com o Douglas nem deu tempo de lembrar que ele me deve a camisa do acesso lá do jogo contra o Bahia que ele me prometeu.. teria sido a primeira camisa que eu ganharia de um jogador de futebol do Guarani, porque todas as “poucas” que eu tenho foram compradas ou ganhas de pessoas próximas.

Boleirada, Torcida não é só pra aplaudir, vaiar, xingar, elogiar e brigar não, Torcida é seu primeiro aliado, é gente como vocês que defende esse distintivo por paixão, não por contrato, salário e projeção.

Sabe do pior? Até Torcida acaba cansando…

 

Marcos Ortiz

Advertisement
Advertisement
Advertisement

A volta da Capa do Gigante


	
	
	

Clique para ativar o som

Próxima Partida – 22/11 21:30

+ Recentes

Copyright © Planeta Guarani - Todos os Direitos Reservados - Permitida Divulgação Apenas com Preservação da Fonte - Desenvolvido por: OZ Sites.