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Marcos Ortiz

Opinião: Os intermináveis dérbis sem torcida visitante – Quando jogadores e comissões são a única Torcida

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Foto: Gabriel Uchida - FotoTorcida.

Qual é o peso de uma torcida na vitória do seu time? Não sei, não sabemos, e alias, já que a ciência evoluiu tanto, principalmente a ciência do rendimento esportivo, alguém poderia fazer um estudo sobre isso. O que, é, o que significa, o que representa o torcedor para um atleta de futebol e quanto isso repercute no seu rendimento dentro de campo?

Nem sempre a evolução é boa, vejam o caso da “evolução da segurança pública” por exemplo. Aqui em São Paulo ela levou os especialistas a entenderem que clássico merece uma torcida só, a do time mandante e ai remetem o time visitante ao estádio do adversário onde, em tese, estará sujeito a todo tipo de coação, repulsa, ofensas ou até mesmo à agressão física. Sim, a segurança pública de São Paulo retira do torcedor o seu direito de ir e vir, ela proíbe que um simples torcedor se dirija a um estádio de futebol pra ver seu time jogar, é uma aberração, mas os especialistas entendem que isso evita violência.

Ai ficou chato demais, não há mais duelo de arquibancadas, acabou o “abafar os caras”, seu time deve se sujeitar a jogar sem o apoio da sua torcida. A mesma segurança pública que nos tirou das arquibancadas de São Paulo a festa das bandeiras de mastro e de tantos outros acessórios que faziam do futebol uma festa popular, agora afastou dos clássicos o torcedor visitante. Acreditem, um dia ela tirará do estádio as duas torcidas, o que alias já quase aconteceu no Rio de Janeiro quando da final da Taça Guanabara entre Vasco x Fluminense.
Sim, foi no Rio de Janeiro, mas que um dia a segurança pública paulista aprenda com o exemplo das cenas vividas nas cercanias do maracanã que tirar torcedor do estádio não diminui violência, pelo contrário, propaga a violência para os arredores do estádio, para os bairros, para os terminais, para as ruas. É um pavio estendido só esperando uma fagulha pra ser aceso e levar fogo ao barril de pólvora.

E como resolver o problema da segurança então? Não sei, os especialistas que o digam, eu sou especialista em torcer pro meu time, só isso, e isso eu não posso fazer. Ah, você torce pro outro time e tá achando engraçado né? Coitadinho do Bugrino, tá reclamando de não poder ir ao dérbi… então lembre-se, você também não poderá ir quando ele for jogado no Brinco e se não enxerga que seu direito também foi tirado de você, desculpe, você faz jus ao mascote do seu time, não pensa como Homem, animal racional.

Como esquecer do primeiro dérbi no “xiqueiro”? Como esquecer que assisti o jogo da cabeceira do portão principal com meu pai e minha mãe. Como esquecer de tantos outros que vieram depois, alguns ganhamos, outros perdemos, outros empatamos, mas cada um deles deixou marcada a lembrança. Houve violência? Sim em muitos houve, mas pra que servem os especialistas em segurança quando eles não garantem a sua segurança? Mais ainda, se não garantem, simplesmente proíbem.

Como esquecer o gol de bicicleta do Edmilson, como esquecer o que fez Amoroso, como esquecer Luizão, o Terror do Chiqueirão, como esquecer o golaço de Caíque logo a um minuto de jogo?
É, no futebol “gourmetizado” não cabe mais torcida visitante, e pra poupar vocês do palavrão vou escrever: Galhofas, o que vocês fizeram com o futebol? Nesta semana estaríamos vivendo as filas pra comprar um dos poucos ingressos pro dérbi, a Torcida Bugrina estaria se preparando pra fazer mais um espetáculo, seus bandeirôes estariam sendo preparados e na sexta feira à noite o povo já começaria a se concentrar em frente ao Brinco porque não aguentava mais a ansiedade de esperar a hora do jogo.

Como esquecer tudo isso? Não dá! Nem eu nem você, nenhum de nós poderá estar lá. Claro, alguns estarão de corpo presente, mas a alma terá que se esconder, a comemoração do gol, do lance bonito, do carrinho bem dado, do chutão que aliviou o perigo da grande área, da grande defesa feita pelo goleiro, daquela bola que passou raspando ou explodiu na trave.

E agora, o que resta? Resta aos nossos jogadores entenderem que nós fomos tirados da festa, proibidos de estar lá ao lado deles e transformarem todas as adversidades em combustível. Resta a eles nos representarem da forma que torcedor gosta de ser representado engolindo o adversário e a cada conquista dentro de campo lembrar do Torcedor Bugrino que estará em casa, em bares ou reunidos com seus amigos em tantos outros lugares assistindo o jogo, outros tantos estarão com um radinho colado no ouvido tentando enxergar o jogo pela voz dos narradores, repórteres e comentaristas.

Sabe aquele povo “chato” que alguns de vocês reclamaram das vaias durante os jogos? O Guarani é tão importante pra ele que o simples fato de não poder estar ao lado de vocês em um jogo causa um verdadeiro transtorno na sua vida.

O que passou, passou e isso não pode mudar, o que pode mudar é o que vai acontecer e isso depende exclusivamente de vocês. Não, não joguem por nós, joguem por vocês e pela oportunidade de levarem o Guarani a uma vitória em dérbi fora de casa, se vocês imaginam o que isso significa pra nós, esqueçam, vocês não tem noção, multipliquem por 100 e talvez cheguem perto de saber como o Bugrino trata seu jogador que ganhou um dérbi, agora, imaginem então um que ganhou um dérbi fora de casa e longe da sua Torcida?

A bola está com vocês, desta vez nós só poderemos torcer, e de longe… e vocês são nosso único recurso.

Quem quer que entre em campo, faça desse jogo o jogo, porque nós não esperamos nada menos que isso de cada um de vocês. Quando a gente podia ir pra arquibancada eu chamava aquele espaço da torcida visitante de “quintal do Brinco”, muitos de vocês devem ter nas suas memória que as melhores festas que já tiveram com suas famílias aconteceram exatamente nos quintais, com grana curta, cadeiras improvisadas e estas são as mais prazerosas.

Desta vez será só com vocês, porque pela segurança pública eu, ele, ela, eles, todos nós não poderemos estar lá, mas vocês estarão, então sejam nossos jogadores e nossa Torcida, a festa é de vocês.

 

Marcos Ortiz

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