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Marcos Ortiz

Opinião: O tiozão também é Hoje e Sempre Guarani

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O Guarani tem uma partida decisiva nesta quinta feira no Brinco de Ouro da Princesa, recebe o Juventude às 21:00 e precisa vencer, retórica? Não, fato!

Precisa vencer pra superar a barreira dos 40 pontos, precisa vencer pra se manter na briga por uma das quatro vagas, mas mais do que isso, precisa vencer pra que sua Torcida continue acreditando no time e com isso crie finalmente um ambiente de envolvimento com uma campanha que pode levar a equipe de volta à Série A do Campeonato Brasileiro depois de 8 longos anos, com gostinho de 14.

A última vez que o Bugre disputou a Série A foi em 2010 numa campanha estranha que teve um início empolgante, um meio sofrível e um final decepcionante. Começou brigando lá em cima, mas não teve fôlego para se manter quando a competição se afunilou e, depois de 13 rodadas sem vencer, acabou rebaixado com duas rodadas de antecedência, mas isso aconteceu depois de uma série de cinco anos longe da elite, foi frustrante demais ver o clube voltar e cair logo em seguida, principalmente depois de todo o envolvimento entre a coletividade Bugrina na campanha de 2009 e na própria disputa da Série A de 2010, por isso digo que o gostinho dos oito anos é de 14 anos, porque o desejo é de toda uma geração de Bugrinos.

Senão veja, um Torcedor do Guarani hoje com 20 anos de idade pode ter registros na memória, mas com 12 anos não era tão ativo nas arquibancadas quanto é hoje, em 2010 essa era sua idade e em 2004, ano em que o clube foi rebaixado depois de sua última grande sequência na elite do futebol brasileiro tinha apenas seis anos, muito pouco pra se lembrar.

Vamos um pouco além nessa viagem? Considerando que o último rebaixamento (e único até então, porque Taça de Prata (1981) não era disputada por rebaixamentos e sim pelo critério de colocação no seu campeonato estadual, aconteceu em 1989 com o time subindo em 1991, o Guarani jogou a Série A entre 1992 e 2004, foram 13 temporadas consecutivas e antes vinha de uma série de 08 anos (1973 – 1980), seguidos por mais oito, porque me recuso a tratar 1987 como rebaixamento, pois a equipe é considerada vice campeã brasileira da Série A daquela temporada (1982 – 1989).

Sim, entre 1973 quando disputou o Campeonato Brasileiro pela primeira vez e 2004 quando foi rebaixado pela segunda foram 29 disputas de Série A e três disputas de Série B num intervalo de 32 temporadas.

Com mais uma participação em 2010 o clube arredondou 30 temporadas de elite nacional e depois disso veio o abismo histórico. Rebaixado em 2004 o Bugre jogou a Série B nos anos de 2005 e 2006, a Série C nos anos de 2007 e 2008, a Série B em 2009, a Série A em 2010, a Série B em 2011 e 2012, a Série C em 2013, 2014, 2015 e 2016 e a Série B em 2017 e agora em 2018, ou seja, nas últimas 14 temporadas foram sete Séries B, seis Séries C e uma Série A

Olhando isso a gente até se surpreende, não é mesmo? A última geração de Bugrinos que viu seu time brigar entre os grandes hoje beira, pra não dizer que tem mais de 30 anos de idade, os mais jovens até viram, na sua infância. Quem tem 30 anos nasceu em 1988, provavelmente passou a frequentar as arquibancadas mais ativamente por volta dos 12, 13 anos e viu o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, depois cresceu diferente de mim, que pertenço a uma geração anterior, tendo que torcer por acessos e não por classificações.

É isso o que devemos às novas gerações, um Guarani próximo àquele que aprendemos a ver, pelo qual nos acostumamos a torcer e que hoje contamos a todos nas nossas lembranças.

Quer um exemplo? Simples… tenho 47 anos de idade, nasci em 1971, comecei a frequentar as arquibancadas em 1976 e vi tudo isso que conto pra vocês, minha noiva, todos sabem, é jovem, tem 25 anos, nasceu em 1993, uma Bugrina fanática, incapaz de perder um jogo em casa e sempre ávida por uma viagem para um jogo fora que frequenta as arquibancadas desde quando? 12, 13 anos? Pois bem, viu a partir de 2005 (Série B) e vivencia exatamente toda essa fase que eu hoje trato como abismo histórico.

Perceberam o que quero dizer? É por vocês que nós os mais velhos brigamos, é pra que vocês possam conhecer aquilo que nós conhecemos que tanto lutamos, cantamos, pulamos, registramos, e queremos que vocês parem de ouvir as nossas histórias e vivam as suas próprias

Sinceramente? Pros Bugrinos da minha geração e das anteriores o Guarani deve muito pouco, nós, ainda que em memórias cada dia mais saudosistas, vivemos muita coisa boa, já pros Bugrinos da sua geração que está nesta faixa entre 25/30 anos, deve muito.

E você não pode nunca deixar que este desejo deixe de existir ai dentro, você meu amigo que neste momento está achando um monte de “baboseira” o que este “tiozão” está escrevendo e não sabe por que está lendo isso até agora neste quase livro cansativo e enjoativo que este texto está se tornando, não pode deixar de querer seu time grande de novo entre os grandes.

Quando você olhar pro seu lado e ver um “tiozão” como eu e muitos outros que estão lá não tão empolgados como você está, não se revolte com ele, porque ele pode estar tão revoltado quanto você por não conseguir te ver assistindo aquilo que ele assistiu. Provavelmente quando ele fecha os olhos ele vê o Bugre de 1978 conquistando o título, o de 1979 brigando pela Libertadores, o de 1981 com Jorge Mendonça e Careca entre outros, conquistando a Taça de Prata, o de 1982 com Jorge Mendonça, Lúcio e Careca sendo eliminado na semifinal pelo Flamengo num Brinco de Ouro superlotado. Mais ainda, ele às vezes fecha os olhos e vê joão Paulo em 1986, 87 e 88 descendo pela esquerda, infernizando a defesa adversária e rolando a bola pra Evair marcar mais uma vez e sair com os braços abertos comemorando mais um gol com a camisa Bugrina, ou relembrar Neto com seu talento natural de bater na bola como poucos em 1987 e 1988.

E quando ele vê seu time ser atacado e fica transtornado, não se assuste, certamente ele está vendo a zaga com Júlio César na metade dos anos 1980, alguns até com Amaral na década de 1970, outros vendo Ricardo Rocha, alguns vendo Jorge Luís, Sorley, Sangaletti e outros vão estar revendo mentalmente a magia de Amoroso, Djalminha e Luisão, Sony Anderson, Ailton Queixada, ah, chega, tem muita gente grande de fora dessa lista ai.

Entenda, esse é o Guarani que queremos que você conheça, não nas nossas histórias, mas nas suas retinas.

E o jogo contra o Juventude, o CSA, o Vila Nova, o São Bento, o Avaí, o Boa Esporte, o Oeste, o Coritiba, o Figueirense, o Paysandu, o Brasil de Pelotas e o Londrina? São estágios, na cabeça desse “tiozão” eles são como um voo cheio de escalas ou uma viagem de ônibus que para muito em outras cidades até chegar ao destino final: A Série A.

E se não acontecer? Simples… o “tiozão” continuará esbravejando, fechando os olhos, resmungando como bom velho que está virando, e fechando os olhos e revendo esses e outros tantos craques, e sonhando que no ano que vem você vai conseguir ver por si aquilo que ele viu e que precisará cada dia menos das suas histórias velhas, porque estará escrevendo uma história nova, toda sua, das quais muitos desses “tiozões” não participarão porque terão ido torcer em outros lugares, como muitos dos que vocês conheceram e acompanharam em estádios também já foram, afinal a idade chega pra todos, mas antes de irmos contaremos as nossas histórias, e depois que nos formos vocês também continuarão contando as histórias que contamos acrescentadas das suas, mas lembrem-se, os “tiozões” só querem que você tenha direito àquilo que ele teve.

Confesso que esse texto não começou pra ser nada disso que acabou sendo, mas já que virou, que assim seja, e que bom que você chegou até aqui na leitura, hoje é dia dos tiozões estarem dos seus lados sonhando com o mesmo Guarani Gigante que você!

Grande abraço

 

Marcos Ortiz

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Marcos Ortiz

Opinião: Cinco jogos e três gols marcados, isso pede mudança pra todos

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Faltavam pouco mais de 30 dias pro início da Série B quando o Guarani começou a discutir a contratação de seu novo treinador após a saída de Osmar Loss na catástrofe vivida pelo clube na partida que culminou com a saída do então treinador.

Os nomes foram surgindo, muitos nomes divulgados pela imprensa, muita especulação, até que surgiu Vinícius Eutrópio. Aceitação? Quase nenhuma. Assim como no anúncio de Loss, a Torcida rejeitou fortemente o nome do novo técnico e o fez embasada muito mais no histórico recente de Eutrópio que tem tido passagens rápidas nos clubes que comandou.

Agora passados 60 dias de sua chegada o time se encontra à beira da disputa da sexta rodada da Série B, a campanha? Cinco jogos, 02 derrotas, 02 empates e 01 vitória. Se chegou prometendo o termo da moda, o tal DNA ofensivo, o time de Eutrópio entregou tudo, menos isso, os gols são minguados e o aproveitamento é de apenas 33,33%, a famosa faixa de um terço que leva equipes ao rebaixamento nas competições, senão vejamos, são 38 rodadas, 114 pontos em disputa e um terço desses pontos são exatos 38, pontuação de rebaixamento com folga, já que o número mágico pra uma equipe evitar riscos na parte de baixo da tabela é 46 pontos.

Em cinco jogos o time marcou apenas três gols, mas pior do que isso é que os três gols foram marcados em apenas uma partida, a vitória sobre o Vitória por 3×2 no Brinco de Ouro. O “DNA ofensivo” prometido, por enquanto, está apenas nisso, na promessa. O Bugre não marca gols, e foi assim em quatro das cinco partidas disputadas até aqui, uma derrota por 1×0 em Barueri, um empate por 0x0 com o Figueirense em casa, outro empate fora de casa com o Paraná e culminou com a derrota por 1×0 para o Criciúma na última terça feira.

E agora? A culpa é toda do treinador? Não, toda não é, mas boa parte sim.

Vinícius Eutrópio tem um perfil de diálogo, de conversa, de conversar com a boleirada, algo que jogador gosta, mas dificilmente aproveita, porém este perfil de trabalho pede um elenco equilibrado, coisa que ele não tem, mas isso não pode mascarar um equivoco que o treinador comete, ele é adepto da improvisação na escalação, o que só comprova que o elenco é desequilibrado, no sentido de carente de peças.

Improvisou Bruno Lima, zagueiro, como lateral direito por duas rodadas, a justificativa era a má fase de Léo Príncipe, o resultado? Uma derrota e um empate em casa, um jogador já contestado pela Torcida, mesmo tendo jogado fora de sua posição. Quer mais improviso? Éder Luís é atacante, não me lembro de ter jogado como meia em nenhuma das equipes onde despontou com bom futebol, mas no Guarani ele é meia, Deivid Souza, Mateusinho, todos atacantes deslocados para a meia e Diego Cardoso, segundo atacante, jogando como referência desde sua chegada ao Guarani.

Até agora não consegui chegar a uma conclusão sobre a zaga do Guarani, se o problema está em Ferreira ou na falta de ritmo de jogo de Xandão, mas penso, se faltava ritmo, cinco jogos são suficientes para que ele chegue. Faltam opções? Talvez testar Xandão jogando pela direita ao lado de Giaretta… e Thalisson Kélven? São meses de sua chegada ao Bugre sem nenhuma atuação até o momento.

Quando as opções são raras, todas as opções precisam ser testadas antes que qualquer reforço chegue. O Guarani contratou o volante Igor Henrique, na minha opinião já tem camisa titular no time ao lado de Ricardinho, mas o Guarani ainda tem duas boas opções vindas da base onde Pedro Acorsi e Felipe pedem passagem.

A lateral esquerda é crônica, com a saída de William Matheus, Inácio assumiu a posição e, se não tinha condição de jogo contra o Criciúma, o Guarani perdeu a grande chance de lançar Matheus Bidu no time profissional. Mas ele não foi relacionado… simples, diante do problema constatado, acredito que o próprio Bidu teria ficado feliz por viajar às pressas para Criciúma e entrar em campo na terça feira, mas não, a solução foi a mesma já tentada na direita e que não deu resultado, improvisar um zagueiro.

Para a partida da próxima semana o time perdeu Mateusinho, que alias havia perdido a posição de titular em Criciúma, o que deve fazer Eutrópio? Como o Guarani não tem opções e as que tem não mostraram qualidade suficiente, Renan, jovem jogador da base pede passagem no time titular pela primeira vez e para isso o futebol precisa ser simplificado, sem sopa de números, esquema simples e básico de jogo, ou é 4-4-2 ou é 4-3-3.

Inácio precisa descansar mais uma vez? Hora de ter coragem e escalar Bidu… Deivid Souza não produziu o que se esperava? Hora de Renan. Tempo pra preparar o time tem, a semana será inteira de preparação, o time se reapresenta hoje à tarde e treina até segunda feira, véspera do jogo.

Um time que deixaria o Torcedor Bugrino com boa expectativa teria, e apesar das críticas, neste momento não dá pra arriscar no gol, Giovanni; Lenon, Xandão, Diego Giaretta e Bidu; Igor Henrique, Ricardinho, Arthur Rezende e Felipe Amorim; Renan e Diego Cardoso.

É suficiente pra mudar o panorama atual? Não, não é, mas restam três jogos até a paralisação para a disputa da Copa América quando a diretoria promete a chegada de reforços. Justifico:

Bidu é sonho de consumo do Torcedor, entregue a ele o que ele deseja. Igor Henrique é reforço, tem que jogar, está em condições físicas, tem ritmo de jogo e está registrado no BID, Felipe Amorim rendeu bem quando atuou ao lado de Arthur Rezende na estreia contra o Figueirense e entrou bem no tempo que teve de jogo contra o Criciúma, já Renan é a maior promessa de todos os jogadores que subiram do Sub-20 após a Copa São Paulo, além de ser outro sonho de consumo da Torcida exatamente por ser jogador da base.

O que fará Eutrópio? O tempo dirá, mas uma coisa é certa, sua permanência será ainda mais questionada se o resultado não vier na próxima partida e o Guarani corre o risco de chegar ao período de paralisação para a Copa América sem treinador, ou com treinador recém contratado recebendo um elenco que não montou.

Isso é receita pra que? A gente já conhece… mas eu não vou dizer a frase que todos esperam, ou melhor, vou dizer sim, a gente avisou.

Em tempo: O maior prejuízo trazido durante a passagem de Osmar Loss ainda é sentido pelo Guarani e demorará um pouco pra ser superado, é o preparo físico. A metodologia de Loss e seu preparador deixaram a preparação muitos níveis abaixo do necessário e isso terá que ser corrigido, mas o trabalho não acontecerá de um dia pro outro, será algo de médio prazo, talvez sanável apenas após este período de paralisação para a Copa América.

 

Marcos Ortiz

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Marcos Ortiz

Opinião: O Guarani ainda se importa?

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2.387 foram ao Brinco na tarde do sábado, 27/04/2019, assistirem a estreia do Bugre na Série B. Foto: Marcos Ortiz - Planeta Guarani.

Agora vamos ao outro lado da moeda, a primeira pergunta foi destinada ao Torcedor Bugrino, você ainda consegue? Agora a segunda pergunta é direcionada ao Guarani, e quem responde pelo clube são os seus gestores.

Me desculpem, mas o ato tolo de elevar o preço de ingressos forçando uma adesão a um programa de fidelidade se transformou num dos maiores fatores de afastamento de público no Brinco de Ouro da Princesa e não, eu não sou contrário ao programa Sócio Campeão, pelo contrário, as duas únicas propagandas que faço no Planeta Guarani são do programa e da loja virtual.

Mas não será impondo restrições financeiras que conquistaremos. Não é impondo que se conquista algo, é conquistando. O Guarani Futebol Clube precisa mostrar o quanto é importante ter seu Torcedor ao seu lado, o quando o Clube precisa do apoio e considera relevante ter as arquibancadas cheias, e me desculpem, mas vou usar um exemplo distante.

Na estreia do Campeonato Brasileiro da Série B que aconteceu ontem o Coritiba fez algo impensável, abriu mão da bilheteria e, em homenagem a um ídolo recém falecido, distribuiu ingressos aos seus torcedores. resultado: 33 mil pessoas no Couto Pereira, celebrando seu ídolo sim, mas extrapolando a paixão pelo seu clube, pelo seu time. Resultado: Mídia positiva, marketing positivo, exposição positiva.

Senhores, há muito tempo o nosso futebol, exceção a alguns poucos clubes que detém uma das novas arenas, não vive de arrecadação de bilheteria. Sim, todos os clubes mantem programas de fidelização de torcedores, mas eles chegaram a números expressivos por conquistas, não por imposição. O Torcedor precisa ser conquistado, não merece ser “chantageado”, ou nós vamos continuar não vendo o marketing negativo que as arquibancadas vazias estão nos trazendo?

O Torcedor Bugrino precisa estabelecer uma relação de troca, um ganha-ganha com o Clube para se tornar Sócio Campeão, essa adesão não vai acontecer por coação, a coação vai continuar nos dando o que tem nos dado, estádio vazio, arquibancadas entristecidas, time sem apoio, Torcida distante até o dia em que o Torcedor se acostumar definitivamente a não ir mais ao estádio, tirar esse ritual do seu dia a dia e se entregar a outros prazeres.

Fidelização De torcedor acontece dentro de campo, com time aguerrido, buscando e conquistando resultados. O Torcedor precisa ter orgulho do que vê em campo e das notícias que recebe do seu Clube, é esse orgulho que fará o Torcedor se fidelizar, se ele não teve até hoje, talvez o erro não seja do Torcedor, talvez seja do ambiente, talvez seja do nosso discurso, talvez seja pelas notícias que ele recebe e que, muitas das vezes, não trazem a menor alegria.

Me desculpem, mas tivemos uma renda divulgada de pouco mais R$ 40 mil no último sábado com 2.300 pagantes, se tivéssemos ingressos sendo vendidos a R$ 20,00 e R$ 10,00 a meia entrada, fiscalizando a venda de meias entradas somente a quem de fato tem direito e tivéssemos 4.600 Torcedores presentes, teríamos tido uma renda de R$ 69 mil considerando que metade dos Torcedores pagou meia e metade pagou inteira (R$ 23 mil de meia entrada e R$ 46 mil de entradas inteiras). E ainda assim teríamos os Sócios Campeões no estádio, porque estes pagam pela comodidade de não comprarem ingressos.

Torcedor no estádio é marketing positivo, é aumento de valor da marca, é valorização na hora de uma negociação de patrocínio ou de publicidade, mas é, acima de tudo, motivo de orgulho pra jogadores e, principalmente, pra Torcedores. Este é o momento em que o Guarani precisa de todos, sem distinção, todos são bem vindos e todos são necessários.

Um jogador pilhado pela Torcida consegue jogar mais do que pode, um jogador sem o apoio do seu Torcedor vai jogar, no máximo, o que pode. As pessoas precisam recuperar o temor do Brinco de Ouro da Princesa e da Torcida do Guarani e se eu sou um dos poucos que defende a ideia de que o Torcedor vai ganhar dinheiro aderindo ao Sócio Campeão e vou morrer dizendo isso, também vou morrer dizendo que não podemos abrir mão do Torcedor mais humilde, o futebol elitizado não pode chegar ao Brinco de Ouro , essas arquibancadas precisam continuar sendo abertas a todos os públicos, a todos os bolsos, ou os R$ 80,00 que um Torcedor Bugrino pagar de ingressos a quatro jogos num mesmo mês pagando R$ 20,00 por ingresso valem menos do que os R$ 50,00 que ele pagar de mensalidade ao Sócio Campeão?

Nós não podemos nos dar ao luxo de perder o apoio do nosso Torcedor, não será brigando pela adesão ao Sócio Campeão que conquistaremos lugares preenchidos nas arquibancadas. Se esta política foi tentada e não surtiu resultado, é inteligente mudar, reverter, voltar, dar um passo atrás para poder avançar lá adiante.

R$ 20 é pouco? Que seja R$ 30 então, tá de bom tamanho,mas estendam as mãos aos seus Torcedores, estabeleçam uma relação de respeito, de justiça e ai sim, vamos juntos cobrar a presença e mais e mais Torcedores nos jogos.

Eu conheço um pouco melhor essa conta de borderôs de jogos, por isso me permito fazer uma conta um pouco mais simples. Vamos supor que o ingresso do Sócio Campeão seja taxado pela CBF em R$ 5,00 por jogo? Se tivermos a presença e 2 mil Sócios Campeões no estádio eles custarão ao Clube R$ 10 mil. Seguindo na mesma conta, se o Sócio Campeão for aos quatro jogos que terá direito no mês sua mensalidade de R$ 50,00 terá deixado R$ 20,00 no custeio do ingresso e nós teremos ganho com este Sócio Campeão apenas R$ 30,00 no mês.

Infelizmente nosso programa de fidelização é um dos poucos que dá direito ao ingresso nos jogos, a maioria dá facilidade na aquisição, preço diferenciado, mas cobra ingressos. Vocês sabem o que isso significa, significa que o borderô financeiro trará prejuízo, e só trará lucro quando vendermos ingressos suficientes para cobrir as despesas do jogo.

Não, o Sócio campeão não deve acabar, pelo contrário, ele deve crescer cada dia mais porque seu crescimento terá representado a satisfação do Torcedor com o produto que ele recebe, significará que o Torcedor tem orgulho da sua carteirinha e ainda economiza dinheiro vendo seu time jogar.

Hoje os Sócios Campeões do Guarani Futebol Clube e as pessoas que administram ou trabalham no programa são verdadeiros heróis, trabalham ou pagam pra poderem ir a um estádio vazio, sem festa, sem alma, sem alegria e ainda assim não desistem de pagar. Imaginem o quanto ele ficará feliz se pagar por um ambiente festivo, vendo um time incentivado pela sua Torcida e essa Torcida, aos poucos, mas por orgulho e vontade de fazer parte do programa, aumentar o número de Sócios Campeões?

A pergunta é simples: O Guarani ainda se importa com a presença do seu Torcedor no estádio? A resposta é SIM ou NÃO, e se for sim, a resposta virá com atos, não com discursos.

Fidelização de torcedor é reflexo de conquista, o que nós estamos conseguindo é afastar uma parte do público e não estamos conseguindo aumentar a outra parte. O que faremos? Continuaremos assim?

Marcos Ortiz

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Marcos Ortiz

Opinião: Você ainda consegue?

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2.387 foram ao Brinco na tarde do sábado, 27/04/2019, assistirem a estreia do Bugre na Série B. Foto: Marcos Ortiz - Planeta Guarani.

Começou em 2001, aquele fatídico jogo contra a Portuguesa Santista numa tarde de domingo no Brinco de Ouro da Princesa estabeleceu um marco histórico, o Guarani se dividiu em antes e depois daquele Campeonato Paulista de 2001 quando pela primeira vez na sua história terminou um Paulistão entre os times rebaixados, e nem mesmo o fato de não ter jogado a Série A2 diminuiu o impacto.

Logo no ano seguinte veio o Torneio Rio-São Paulo e o caminho foi o mesmo.

Foram passando os anos, veio 2004 e a Série A do Brasileiro ficava distante, depois veio 2006 e quem ficou distante foram a Série A1 e a Série B e isso foi se tornando um círculo vicioso, um cai e sobe, um festejar acessos e lamentar quedas constantes.

Eu vi a Torcida Bugrina se levantar tantas e tantas vezes que isso me fez acreditar que nada conseguiria abalá-la, tolo, eu estava errado. As demonstrações de 2016 e depois de 2018 hoje me parecem mais como fatos esporádicos. Antes quando o Guarani precisava de um resultado, ainda que pra não cair, ele juntava 8, 9 mil pessoas no Brinco, hoje quando precisa do mesmo resultado pra evitar a mesma consequência ele junta 4, 5, 6 mil pessoas.

Um clube de futebol tem o tamanho da sua Torcida, mas não o tamanho da sua Torcida no todo, o tamanho dos seus Torcedores que ainda se importam com ele ao ponto de desmarcar qualquer compromisso ou organizar sua agenda de modo a que, no dia do jogo, o compromisso maior seja o jogo.

Claro, vivemos momentos difíceis, dias estranhos, marcados por um distanciamento de discursos e gestos. Administrações contestadas, gestões conturbadas, ambiente político instável, isso pra ser suave com as palavras, mas uma coisa mudou, e não adianta me dizer que não mudou, porque mudou sim.

Até 2012 quando chegou à final do Campeonato Paulista nós jurávamos amor, hoje nós destrinchamos apenas ódio. Hoje eu leio discursos nas redes sociais mais ou menos assim: “Apesar de tudo, continuamos aqui”, antes dessas tais redes sociais se transformarem na febre que hoje são eu lia discursos diferentes, algo como: “Eu te amo e nunca vou te abandonar”.

Parece piegas, parece discurso barato, mas a pergunta é simples, você meu amigo Bugrino, é, você mesmo, ainda consegue fazer uma declaração de amor ao Guarani? Você consegue deixar claro aos seus amigos, sejam eles virtuais ou reais que o Guarani é importante demais na sua vida, isso é fato, mas você consegue fazer uma declaração de amor?

Pare pra pensar qual foi a última vez que você externou isso com essa intensidade, pergunte-se qual foi a última vez que você usou exatamente essas palavras: “Eu te amo, Guarani!”. sabe aquela relação que com o passar dos anos vai fazendo a gente pensar que o fato de estar junto já mostra que ama? Não, não mostra, estar junto mostra só que a gente está junto, é como acompanhar a namorada, a noiva, a esposa num “chá de bebê”, a gente tá junto, isso mostra que a gente ama? Não, isso mostra que a gente tá junto,mas é preciso dizer que ama.

Nada substitui a palavra, nenhum gesto substitui externar o sentimento. Faz um teste simples ai, olha pra sua namorada, seu namorado, sua esposa, seu esposo e solta, do nada, um “eu te amo”. O sorriso brota na hora e a resposta quase sempre acaba sendo um “eu te amo também”, o dia fica mais manso, o ambiente mais calmo e os gestos de carinho, ao menos naquele instante, se tornam mais intensos.

Eu te amo são as palavras chave. Claro que o amor tem variedades e uma delas é a instabilidade, que casal não vive momentos de distanciamento, momentos de tensão? Qual é a relação que não tem suas crises? Mas se tem amor ela segue adiante, os dois se dão as mãos e seguem o caminho juntos.

No final dos anos 90 eu ouvia muita gente dizer que só voltaria ao Guarani quando Beto Zini não fosse mais presidente, na metade da década de 2000 eu ouvia muita gente dizer que só voltava ao Guarani quando Lourencetti não fosse mais presidente, no começo da década de 2010 eu ouvia que só voltaria ao Guarani quando Leonel não fosse mais presidente, depois ouvi o Mesmo sobre Mingone, Álvaro Negrão, Horley Senna e agora ouço sobre Palmeron.

Sabe o que eu quero dizer com isso? Nós estamos odiando o gestor, será que ainda estamos amando a instituição?

O Guarani tem um patrimônio gigantesco que nunca vai acabar, esse patrimônio é a sua Torcida. Esse era o meu pensamento até alguns anos atrás, mas hoje, olhando as arquibancadas cada vez mais vazias eu me pergunto, será que perder o patrimônio físico foi a única consequência de todos esses anos que se sucederam? Será que essas pessoas que diziam que só voltariam ao Guarani desde a gestão Beto Zini decidiram mesmo não voltar mais?

Será que a gente ainda consegue montar o ritual de “dia de jogo”?

Será que o ódio ao gestor está conseguindo acabar com o fundamental, o amor à instituição?

Todas as gestões acabam, as consequências do que elas fizeram permanecem, mas a gestão acaba. As pessoas passam, os nomes vão caindo no esquecimento, mas o que nós devemos nos perguntar é: Nós ainda conseguimos superar tudo isso e simplesmente ir a um estádio?

Não, eu não estou falando com os que ainda vão, eu estou falando com você que por algum motivo não tem mais este ritual. Será que isso não faz mais falta na sua vida?

Esfriamento: ato ou efeito de esfriar;
Ex: Eu amo o Guarani, mas não piso mais no Brinco enquanto as coisas estiverem assim.

Avivamento: ato ou efeito de avivar-se;
Ex: Eu amo o Guarani e nada vai me fazer deixar de amar, nem mesmo o modo como as coisas estão.

Você ainda consegue fazer uma declaração de amor ao Guarani?

Te amo, Bugrão!

 

Marcos Ortiz

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Assista o Papo de Bugrino 5 – Criciúma x Guarani


	
	
	

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Próxima Partida – 28/05 21:30

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