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Marcos Ortiz

Opinião: No “verbo do dérbi”, eu, tu, eles é igual a nós, os Torcedores…

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Foto: Toninho Correia (cortesia).

Eu torci, vocês jogaram e… nós perdemos?

Essa tem sido a conjugação do fictício verbo dérbi quando falamos dos últimos confrontos que o Guarani disputou. Depois de um intervalo de alguns anos em que, por incompetência nossa, o dérbi não foi disputado entre os anos de 2013 e 2018, os quatro últimos confrontos, salvo um minguado empate por 0x0 no segundo turno da Série B do ano passado, o Guarani conjugou o verbo perder dérbi, e o pior, perder pelos seus próprios erros. Tudo o que a Torcida fez não foi suficiente.

Ano passado o personagem foi Bruno Nazário, candidato a craque do jogo que amarelou, pipocou, sentiu o peso do dérbi e depois pagou o preço se tornando o alvo para quem foram direcionadas as chacotas feitas pelo adversário. Perdemos em casa por 3×2, mas o placar foi mais apertado do que o jogo. A Torcida? Essa esteve presente antes e durante, fez festa, recebeu seus jogadores como heróis e deixou o Brinco sentindo que ela esteve acima da média num mar e mediocridade.

Depois a gente subiu a avenida pra conquistar o “melhor resultado” nestes quatro recentes jogos, um empate por 0x0 onde, se ninguém brilhou, ao menos ninguém destoou, mas comemorar empate por 0x0 é muito pouco pro Guarani. Mais uma vez lá esteve a Torcida, mesmo proibida de estar nas arquibancadas, foi levar seu apoio, seu incentivo, dar calor humano a um time que, se vencesse o jogo, estaria muito vivo na briga pelo acesso, mas isso também não foi suficiente pra um time que poderia ter se consagrado na história do Guarani e abriu mão desse papel.

Veio o Paulistão e a gente subiu a avenida de novo, outra paulada, outra derrota dolorida por 3×0 em um jogo onde só um time brigava por alguma coisa na competição e era o Guarani, mas isso não foi motivo suficiente pro time comandado por Osmar Loss se motivar. A Torcida, mais uma vez retirada da festa das arquibancadas, também tinha estado lá, cantado, vibrado, levado mais calor humano, gastou “vela boa com defunto ruim”.

E agora chegamos numa semana de dérbi com um cenário assim desenhado, de um lado um time que vinha de cinco jogos ruins, sem vencer, despencando pela tabela de classificação e do outro o Guarani que, longe de mostrar um futebol de encher os olhos, vinha de sete pontos conquistados em três jogos. Claro, os resultados forma muito melhores que o futebol, a tão falada e cantada evolução do time não aconteceu não, o que aconteceu foram vitórias e pontos importantes, mas o Guarani havia sofrido contra o São bento, sofrido no Recife até que no final do jogo teve a chance de vencer o jogo e desperdiçou e depois ganhou do Red Bull no Brinco num jogo de muitas chances pro adversário, muitos gols perdidos por eles e um aproveitamento quase de 100% pelos lados do Guarani que, nas poucas chances que teve, mandou uma pro fundo do gol e ganhou.

Sabem o que aconteceu? Nosso time considerou isso uma evolução, encheu o peito, nós somos os caras e vamos lá jogar mais um jogo. Não era um jogo, era um dérbi. Jogamos mal? Não, jogamos na média do jogo, a diferença do placar foi muito mais pelos nossos erros do que por acertos do adversário, e cá entre nós, como nós erramos…

E depois de perder mais um dérbi, o quarto nos últimos três disputados, chega aos meus olhos uma frase dita pelo nosso treinador a um Torcedor pelas redes sociais chamando-o de “Torcedor de resultados”… Caramba, tudo o que o Bugrino não comemora nos últimos tempos são resultados positivos em dérbis e a gente sempre está lá fazendo a nossa parte, seja nas arquibancadas, seja fora delas, tentando passar ao time o que significa esse jogo. Chamar Bugrino de “Torcedor de resultados” logo após uma derrota em dérbi mostra como realmente a partida não foi tratada como deveria ter sido porque o dérbi supera o campeonato, empatar por 0x0 fora de casa nesse caso não é resultado a ser comemorado, é evitar comemoração do adversário.

Mas o que seria então um “Torcedor de resultados” num dérbi? Seria um Bugrino querer a vitória no dérbi? Seria um Bugrino lamentar uma derrota? Professor, quando o senhor não for mais técnico do Guarani a gente ainda vai estar ouvindo aqui que perdeu o dérbi por 1×0. O senhor sabe o que levou aquela Torcida toda à saída de um simples ônibus pra um hotel? Foi o desejo de voltar a vencer um dérbi, só a vontade e o desejo de vencer o dérbi, não foi o futebol que o time jogou nos jogos anteriores, pode ter certeza, se o time viesse de três derrotas a Torcida estaria lá do mesmo jeito e depois do jogo ela cobraria a derrota, do mesmo jeito.

Depois do jogo ouvi o treinador dizer que o time não jogou como treinou, que não agrediu o adversário como havia treinado, que não havia feito o que tinha trabalhado nos treinamentos. Fica a pergunta, quando é que o time fez isso em campo naquele jogo? Na segunda metade do segundo tempo quando o senhor finalmente enxergou o problema crônico que o time tinha, seu lado esquerdo de marcação.

Não é comentar depois do resultado não, é constatar depois do jogo que o que eu passei a semana inteira falando, aconteceu. Era tão claro, tínhamos um lateral direito que quando jogou na direita mostrou muita melhora em relação ao que Lenon vinha jogando, tínhamos um lateral esquerdo de posição, algo que não tínhamos desde a lesão de Armero, o que devia ser feito? Escalar o melhor lateral direito na direita e escalar um lateral esquerdo na esquerda, mas não, o senhor escalou o melhor lateral direito na esquerda, manteve Lenon no time titular e quando mexeu (tarde aliás), mexeu errado, o senhor teve a chance de corrigir na volta do intervalo, a sua primeira alteração teria que ser a saída de Lenon, deslocando Bruno Souza pra direita e a entrada de Thallyson na esquerda.

Era arrumar a casinha professor. Bady entrou e melhorou? Sim, mas essa entrada poderia ter acontecido um pouco depois, a gente teria ganhado em campo a boa marcação e os bons avanços de Thallyson pela esquerda e o Bruninho estaria jogando do lado que sabe jogar, só isso já nos teria dado um equilíbrio maior em campo, ou Vitor Feijão não passou a jogar depois da entrada do Thallyson?

Sabe qual é a verdade professor? Depois de ouvir a crítica de que o time não poderia continuar jogando com três atacantes, o senhor não engoliu e quis enfiar goela abaixo esse mesmo esquema, só que disfarçado com o Davó vestindo a camisa 10. Ele não é e nunca será armador, professor, ele é atacante, se posiciona bem na área , tem velocidade pra arrancadas, mas não vai nunca armar o time dentro de campo, a verdade não pode ser escondida, o senhor apostou no Ricardinho como meia armador e apostou errado, colocou Brunno Lima e Deivid marcando no meio pra que Ricardinho armasse as jogadas pros três atacantes, Davó, Feijão e Michel Douglas.

O que aconteceu? Michel Douglas não viu a cor da bola…

Não, a gente não é “Torcedor de resultados”, a gente é Bugrino e como Bugrino sempre vai exigir que o Guarani vença um dérbi, ainda que ele seja disputado em Marte, Vênus ou no planeta XQCGF322 e se o senhor não sabia disso, desculpe, mas o senhor não sabia o que era um dérbi, e mais uma vez sem saber o que era um dérbi quem pagou o preço? Nós, os Torcedores.

Agora só resta ao Guarani jogar 23 rodadas pra fugir do rebaixamento, a última chance de volar ao campeonato foi perdida ontem, já que a gente deve disputar um dérbi como mais um jogo do campeonato, a gente não conseguiu isso também.

Dérbi: A gente torce direito, o time joga errado e… nós Torcedores é que perdemos. Tá desequilibrada essa balança, não tá não?

 

Marcos Ortiz

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