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Marcos Ortiz

Opinião: Não é só um jogo, é dérbi!

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Foto original: Marcos Ríboli (Globo Esporte).

Tá chegando a hora! Ao escrever faltam dois dias, quando você ler pode faltar menos ainda, mas a hora tá chegando e não dá pra disfarçar a ansiedade, o dérbi finalmente chegou!!!

Ganhar é importante demais, jogador do Guarani que vence um dérbi se coloca no ponto mais alto da pirâmide do clássico municipal, recebe todas as reverências dos seus Torcedores e ganha um status que é importante demais para a sequência da carreira. O contraponto também acontece, quem perde dérbi, por mais que se destaque depois, terá sempre a mácula da derrota no jogo mais esperado pela torcida, a vitória traz assédio, a derrota, um doloroso desprezo.

Qual o lado escolher depende apenas de quem entra em campo porque dérbi vai muito além de saber ou não jogar bola, passa obrigatoriamente por querer ganhar, mesmo que com futebol limitado. Um gol de canela traz o mesmo resultado que um gol de bicicleta, e num dérbi um carrinho também vale gol quando evita uma jogada do adversário.

Dérbi é jogo de pilha, é jogo nervoso, mas que, mesmo com todo nervosismo natural da partida, não permite nem admite erros, não dá tempo de respirar, é hora de lidar com a emoção dentro de campo e ainda assim conseguir colocar na pratica tudo aquilo que foi treinado, seu posicionamento não pode estar dois milímetros fora daquele que foi praticado incansavelmente durante todos os dias de preparação.

Torcedor Bugrino em dérbi quer ver seu jogador dar mais do que tem, quer ver vontade, quer ver coragem e gana nos olhos, mesmo que os olhos do jogador estejam longe das arquibancadas  o Torcedor Bugrino consegue ver ali, de longe, a expressão do jogador.

Há pouco tempo, no jogo do Guarani contra o Luverdense pela Série B do ano passado, tive o prazer de assistir a partida ao lado do Medina e, mesmo já tendo conversado muito com ele sobre tanta coisa, tinha uma pergunta que sempre quis fazer, não pensei, fiz: – Medina, o que você sentiu quando o Fuma se machucou e o Vadão te chamou pra entrar?

E ele respondeu sem pensar, as palavras não foram exatamente essas, mas o sentido, foi: – Cara eu queria muito jogar, mas na hora eu pensei, caramba, eu vou entrar no lugar do Fumagalli, se der tudo errado vai cair nas minhas costas.

Não me aprofundei no assunto, mas quando cheguei em casa fiquei pensando naquilo e vi que ele tinha razão. O Bugre tinha vindo de duas grandes vitórias sobre o Palmeiras e o cara, o craque do time naquele Paulistão era ele, Fumagalli, e de repente você tem que entrar no lugar desse cara e mais, pouco tempo depois de entrar o time toma um gol e vai pro vestiário com o placar de 1×0 nas costas.

Sim, hoje a gente sabe um pouco do que aconteceu ali nos vestiários, de repente o Fabinho soltou a frase – quem quiser ganhar o jogo sobe comigo, quem não quiser pode ficar por aqui mesmo. E todo mundo subiu! Lá dos vestiários eles ouviam a Torcida Bugrina que estava enlouquecida nas arquibancadas naquele intervalo de jogo, teve sinalizador, teve descida do Bandeirão, enfim, durante todos os 15 minutos do intervalo nenhum Bugrino parou de cantar, e quando o time subiu o último degrau pra entrar em campo recebeu aquele calor, aquela confiança, aquela garra, aquele algo mais que faltava.

Ai a gente viu Danilo Sacramento participar dos três gols, a gente viu Fabinho alucinado em campo, a gente viu Fábio Bahia marcar o gol de empate, o Brinco explodir e o time crescer ainda mais, até que a bola, num rápido contra ataque, cruzada pelo Sacramento foi parar lá, nos pés do Medina. Sim, ele mesmo, o menino (sim, menino, Medina tinha 21 anos, faria 22 10 dias depois do jogo) e ele, vestido no melhor espírito do dérbi, não deu chance, fez aquilo que se esperava dele, meteu a bola no cantinho, sem chance de defesa e saiu correndo.

Incrédulo? Não, embriagado é o melhor termo! O menino saiu embriagado com o delicioso gosto do sucesso no corpo todo, o Bugre tinha virado o jogo e poderia ter simplesmente administrado o resultado que já o levaria para a final, mas não foi nada disso, o time cresceu ainda mais, passou a criar oportunidades seguidas, deu um verdadeiro calor nos caras e a Torcida Bugrina cresceu junto e quando a missão já parecia cumprida outra vez Danilo Sacramento cruza a bola, dessa vez no alto, e do alto dos seus 1,71 metros de altura ele parecia um gigante, subiu mais que a zaga e cabeceou com raiva, com determinação, com todo aquele peso de substituir Fumagalli e ter que fazer a Torcida cantar de alegria.

40 minutos do segundo tempo, Medina fez Guarani 3×1, de virada, num Brinco de Ouro absolutamente enlouquecido, parecia jogo de torcida única, parecia não, era, só tinha uma Torcida ali, era a nossa, o resto assistia o jogo e torcida pra acabar logo.

Dois jogadores que estarão em campo já jogaram dérbis e estarão do nosso lado. Baraka (infelizmente na pior fase da sua carreira jogando pelo rival) e Bruno Mendes que, mesmo ainda garoto, era o garoto de 17 anos daquele time de 2012 e viveu tudo aquilo de dentro do campo. A missão desses dois jogadores é simples, um terá que contar o como viveu o dérbi do outro lado (Baraka esteve em campo no último dérbi), e Bruno Mendes (esteve em campo no dérbi do século) pelo Guarani. Ambos ganharam dérbis.

Meninos? Jovens? Podem sentir o peso do jogo? Nada disso, caberiam tantos outros exemplos como os de Careca, Amoroso, Luizão e outros jogadores jovens que vestiram a camisa Bugrina em dérbis e escreveram seus nomes na história desse confronto ainda quase sem barba no rosto.

Agora é com vocês, tudo o que a gente puder fazer, a gente vai fazer, mas tudo o que a gente fizer de lá das arquibancadas vai depender exclusivamente daquilo que vocês fizerem lá dentro do campo. Façam o Brinco de Ouro explodir, façam a Torcida Bugrina chorar de alegria, tragam de presente a vitória neste dérbi que é especial e pelo qual a gente passou cinco longos anos lutando muito pra voltar a jogar.

Agora é com vocês, a gente só pode torcer, mas vocês podem fazer! Não pensem, façam! Vão, vejam e conquistem, vocês já nos deram um título, agora nos deem um dérbi. Por tudo o que a gente passou, a gente merece!

Respira Bugrino! Guarda fôlego porque sábado você vai precisar, será o dérbi 191 e cada um deles teve uma história diferente do outro, a gente só quer que o final seja o da maioria desses jogos, uma vitória Bugrina!

Até sábado à tarde, no Brinco! O dérbi já começou, e depende de todos nós pra acabar bem, vamos ao dérbi!

 

Marcos Ortiz

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Marcos Ortiz

Opinião: Cinco jogos e três gols marcados, isso pede mudança pra todos

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Faltavam pouco mais de 30 dias pro início da Série B quando o Guarani começou a discutir a contratação de seu novo treinador após a saída de Osmar Loss na catástrofe vivida pelo clube na partida que culminou com a saída do então treinador.

Os nomes foram surgindo, muitos nomes divulgados pela imprensa, muita especulação, até que surgiu Vinícius Eutrópio. Aceitação? Quase nenhuma. Assim como no anúncio de Loss, a Torcida rejeitou fortemente o nome do novo técnico e o fez embasada muito mais no histórico recente de Eutrópio que tem tido passagens rápidas nos clubes que comandou.

Agora passados 60 dias de sua chegada o time se encontra à beira da disputa da sexta rodada da Série B, a campanha? Cinco jogos, 02 derrotas, 02 empates e 01 vitória. Se chegou prometendo o termo da moda, o tal DNA ofensivo, o time de Eutrópio entregou tudo, menos isso, os gols são minguados e o aproveitamento é de apenas 33,33%, a famosa faixa de um terço que leva equipes ao rebaixamento nas competições, senão vejamos, são 38 rodadas, 114 pontos em disputa e um terço desses pontos são exatos 38, pontuação de rebaixamento com folga, já que o número mágico pra uma equipe evitar riscos na parte de baixo da tabela é 46 pontos.

Em cinco jogos o time marcou apenas três gols, mas pior do que isso é que os três gols foram marcados em apenas uma partida, a vitória sobre o Vitória por 3×2 no Brinco de Ouro. O “DNA ofensivo” prometido, por enquanto, está apenas nisso, na promessa. O Bugre não marca gols, e foi assim em quatro das cinco partidas disputadas até aqui, uma derrota por 1×0 em Barueri, um empate por 0x0 com o Figueirense em casa, outro empate fora de casa com o Paraná e culminou com a derrota por 1×0 para o Criciúma na última terça feira.

E agora? A culpa é toda do treinador? Não, toda não é, mas boa parte sim.

Vinícius Eutrópio tem um perfil de diálogo, de conversa, de conversar com a boleirada, algo que jogador gosta, mas dificilmente aproveita, porém este perfil de trabalho pede um elenco equilibrado, coisa que ele não tem, mas isso não pode mascarar um equivoco que o treinador comete, ele é adepto da improvisação na escalação, o que só comprova que o elenco é desequilibrado, no sentido de carente de peças.

Improvisou Bruno Lima, zagueiro, como lateral direito por duas rodadas, a justificativa era a má fase de Léo Príncipe, o resultado? Uma derrota e um empate em casa, um jogador já contestado pela Torcida, mesmo tendo jogado fora de sua posição. Quer mais improviso? Éder Luís é atacante, não me lembro de ter jogado como meia em nenhuma das equipes onde despontou com bom futebol, mas no Guarani ele é meia, Deivid Souza, Mateusinho, todos atacantes deslocados para a meia e Diego Cardoso, segundo atacante, jogando como referência desde sua chegada ao Guarani.

Até agora não consegui chegar a uma conclusão sobre a zaga do Guarani, se o problema está em Ferreira ou na falta de ritmo de jogo de Xandão, mas penso, se faltava ritmo, cinco jogos são suficientes para que ele chegue. Faltam opções? Talvez testar Xandão jogando pela direita ao lado de Giaretta… e Thalisson Kélven? São meses de sua chegada ao Bugre sem nenhuma atuação até o momento.

Quando as opções são raras, todas as opções precisam ser testadas antes que qualquer reforço chegue. O Guarani contratou o volante Igor Henrique, na minha opinião já tem camisa titular no time ao lado de Ricardinho, mas o Guarani ainda tem duas boas opções vindas da base onde Pedro Acorsi e Felipe pedem passagem.

A lateral esquerda é crônica, com a saída de William Matheus, Inácio assumiu a posição e, se não tinha condição de jogo contra o Criciúma, o Guarani perdeu a grande chance de lançar Matheus Bidu no time profissional. Mas ele não foi relacionado… simples, diante do problema constatado, acredito que o próprio Bidu teria ficado feliz por viajar às pressas para Criciúma e entrar em campo na terça feira, mas não, a solução foi a mesma já tentada na direita e que não deu resultado, improvisar um zagueiro.

Para a partida da próxima semana o time perdeu Mateusinho, que alias havia perdido a posição de titular em Criciúma, o que deve fazer Eutrópio? Como o Guarani não tem opções e as que tem não mostraram qualidade suficiente, Renan, jovem jogador da base pede passagem no time titular pela primeira vez e para isso o futebol precisa ser simplificado, sem sopa de números, esquema simples e básico de jogo, ou é 4-4-2 ou é 4-3-3.

Inácio precisa descansar mais uma vez? Hora de ter coragem e escalar Bidu… Deivid Souza não produziu o que se esperava? Hora de Renan. Tempo pra preparar o time tem, a semana será inteira de preparação, o time se reapresenta hoje à tarde e treina até segunda feira, véspera do jogo.

Um time que deixaria o Torcedor Bugrino com boa expectativa teria, e apesar das críticas, neste momento não dá pra arriscar no gol, Giovanni; Lenon, Xandão, Diego Giaretta e Bidu; Igor Henrique, Ricardinho, Arthur Rezende e Felipe Amorim; Renan e Diego Cardoso.

É suficiente pra mudar o panorama atual? Não, não é, mas restam três jogos até a paralisação para a disputa da Copa América quando a diretoria promete a chegada de reforços. Justifico:

Bidu é sonho de consumo do Torcedor, entregue a ele o que ele deseja. Igor Henrique é reforço, tem que jogar, está em condições físicas, tem ritmo de jogo e está registrado no BID, Felipe Amorim rendeu bem quando atuou ao lado de Arthur Rezende na estreia contra o Figueirense e entrou bem no tempo que teve de jogo contra o Criciúma, já Renan é a maior promessa de todos os jogadores que subiram do Sub-20 após a Copa São Paulo, além de ser outro sonho de consumo da Torcida exatamente por ser jogador da base.

O que fará Eutrópio? O tempo dirá, mas uma coisa é certa, sua permanência será ainda mais questionada se o resultado não vier na próxima partida e o Guarani corre o risco de chegar ao período de paralisação para a Copa América sem treinador, ou com treinador recém contratado recebendo um elenco que não montou.

Isso é receita pra que? A gente já conhece… mas eu não vou dizer a frase que todos esperam, ou melhor, vou dizer sim, a gente avisou.

Em tempo: O maior prejuízo trazido durante a passagem de Osmar Loss ainda é sentido pelo Guarani e demorará um pouco pra ser superado, é o preparo físico. A metodologia de Loss e seu preparador deixaram a preparação muitos níveis abaixo do necessário e isso terá que ser corrigido, mas o trabalho não acontecerá de um dia pro outro, será algo de médio prazo, talvez sanável apenas após este período de paralisação para a Copa América.

 

Marcos Ortiz

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Marcos Ortiz

Opinião: O Guarani ainda se importa?

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2.387 foram ao Brinco na tarde do sábado, 27/04/2019, assistirem a estreia do Bugre na Série B. Foto: Marcos Ortiz - Planeta Guarani.

Agora vamos ao outro lado da moeda, a primeira pergunta foi destinada ao Torcedor Bugrino, você ainda consegue? Agora a segunda pergunta é direcionada ao Guarani, e quem responde pelo clube são os seus gestores.

Me desculpem, mas o ato tolo de elevar o preço de ingressos forçando uma adesão a um programa de fidelidade se transformou num dos maiores fatores de afastamento de público no Brinco de Ouro da Princesa e não, eu não sou contrário ao programa Sócio Campeão, pelo contrário, as duas únicas propagandas que faço no Planeta Guarani são do programa e da loja virtual.

Mas não será impondo restrições financeiras que conquistaremos. Não é impondo que se conquista algo, é conquistando. O Guarani Futebol Clube precisa mostrar o quanto é importante ter seu Torcedor ao seu lado, o quando o Clube precisa do apoio e considera relevante ter as arquibancadas cheias, e me desculpem, mas vou usar um exemplo distante.

Na estreia do Campeonato Brasileiro da Série B que aconteceu ontem o Coritiba fez algo impensável, abriu mão da bilheteria e, em homenagem a um ídolo recém falecido, distribuiu ingressos aos seus torcedores. resultado: 33 mil pessoas no Couto Pereira, celebrando seu ídolo sim, mas extrapolando a paixão pelo seu clube, pelo seu time. Resultado: Mídia positiva, marketing positivo, exposição positiva.

Senhores, há muito tempo o nosso futebol, exceção a alguns poucos clubes que detém uma das novas arenas, não vive de arrecadação de bilheteria. Sim, todos os clubes mantem programas de fidelização de torcedores, mas eles chegaram a números expressivos por conquistas, não por imposição. O Torcedor precisa ser conquistado, não merece ser “chantageado”, ou nós vamos continuar não vendo o marketing negativo que as arquibancadas vazias estão nos trazendo?

O Torcedor Bugrino precisa estabelecer uma relação de troca, um ganha-ganha com o Clube para se tornar Sócio Campeão, essa adesão não vai acontecer por coação, a coação vai continuar nos dando o que tem nos dado, estádio vazio, arquibancadas entristecidas, time sem apoio, Torcida distante até o dia em que o Torcedor se acostumar definitivamente a não ir mais ao estádio, tirar esse ritual do seu dia a dia e se entregar a outros prazeres.

Fidelização De torcedor acontece dentro de campo, com time aguerrido, buscando e conquistando resultados. O Torcedor precisa ter orgulho do que vê em campo e das notícias que recebe do seu Clube, é esse orgulho que fará o Torcedor se fidelizar, se ele não teve até hoje, talvez o erro não seja do Torcedor, talvez seja do ambiente, talvez seja do nosso discurso, talvez seja pelas notícias que ele recebe e que, muitas das vezes, não trazem a menor alegria.

Me desculpem, mas tivemos uma renda divulgada de pouco mais R$ 40 mil no último sábado com 2.300 pagantes, se tivéssemos ingressos sendo vendidos a R$ 20,00 e R$ 10,00 a meia entrada, fiscalizando a venda de meias entradas somente a quem de fato tem direito e tivéssemos 4.600 Torcedores presentes, teríamos tido uma renda de R$ 69 mil considerando que metade dos Torcedores pagou meia e metade pagou inteira (R$ 23 mil de meia entrada e R$ 46 mil de entradas inteiras). E ainda assim teríamos os Sócios Campeões no estádio, porque estes pagam pela comodidade de não comprarem ingressos.

Torcedor no estádio é marketing positivo, é aumento de valor da marca, é valorização na hora de uma negociação de patrocínio ou de publicidade, mas é, acima de tudo, motivo de orgulho pra jogadores e, principalmente, pra Torcedores. Este é o momento em que o Guarani precisa de todos, sem distinção, todos são bem vindos e todos são necessários.

Um jogador pilhado pela Torcida consegue jogar mais do que pode, um jogador sem o apoio do seu Torcedor vai jogar, no máximo, o que pode. As pessoas precisam recuperar o temor do Brinco de Ouro da Princesa e da Torcida do Guarani e se eu sou um dos poucos que defende a ideia de que o Torcedor vai ganhar dinheiro aderindo ao Sócio Campeão e vou morrer dizendo isso, também vou morrer dizendo que não podemos abrir mão do Torcedor mais humilde, o futebol elitizado não pode chegar ao Brinco de Ouro , essas arquibancadas precisam continuar sendo abertas a todos os públicos, a todos os bolsos, ou os R$ 80,00 que um Torcedor Bugrino pagar de ingressos a quatro jogos num mesmo mês pagando R$ 20,00 por ingresso valem menos do que os R$ 50,00 que ele pagar de mensalidade ao Sócio Campeão?

Nós não podemos nos dar ao luxo de perder o apoio do nosso Torcedor, não será brigando pela adesão ao Sócio Campeão que conquistaremos lugares preenchidos nas arquibancadas. Se esta política foi tentada e não surtiu resultado, é inteligente mudar, reverter, voltar, dar um passo atrás para poder avançar lá adiante.

R$ 20 é pouco? Que seja R$ 30 então, tá de bom tamanho,mas estendam as mãos aos seus Torcedores, estabeleçam uma relação de respeito, de justiça e ai sim, vamos juntos cobrar a presença e mais e mais Torcedores nos jogos.

Eu conheço um pouco melhor essa conta de borderôs de jogos, por isso me permito fazer uma conta um pouco mais simples. Vamos supor que o ingresso do Sócio Campeão seja taxado pela CBF em R$ 5,00 por jogo? Se tivermos a presença e 2 mil Sócios Campeões no estádio eles custarão ao Clube R$ 10 mil. Seguindo na mesma conta, se o Sócio Campeão for aos quatro jogos que terá direito no mês sua mensalidade de R$ 50,00 terá deixado R$ 20,00 no custeio do ingresso e nós teremos ganho com este Sócio Campeão apenas R$ 30,00 no mês.

Infelizmente nosso programa de fidelização é um dos poucos que dá direito ao ingresso nos jogos, a maioria dá facilidade na aquisição, preço diferenciado, mas cobra ingressos. Vocês sabem o que isso significa, significa que o borderô financeiro trará prejuízo, e só trará lucro quando vendermos ingressos suficientes para cobrir as despesas do jogo.

Não, o Sócio campeão não deve acabar, pelo contrário, ele deve crescer cada dia mais porque seu crescimento terá representado a satisfação do Torcedor com o produto que ele recebe, significará que o Torcedor tem orgulho da sua carteirinha e ainda economiza dinheiro vendo seu time jogar.

Hoje os Sócios Campeões do Guarani Futebol Clube e as pessoas que administram ou trabalham no programa são verdadeiros heróis, trabalham ou pagam pra poderem ir a um estádio vazio, sem festa, sem alma, sem alegria e ainda assim não desistem de pagar. Imaginem o quanto ele ficará feliz se pagar por um ambiente festivo, vendo um time incentivado pela sua Torcida e essa Torcida, aos poucos, mas por orgulho e vontade de fazer parte do programa, aumentar o número de Sócios Campeões?

A pergunta é simples: O Guarani ainda se importa com a presença do seu Torcedor no estádio? A resposta é SIM ou NÃO, e se for sim, a resposta virá com atos, não com discursos.

Fidelização de torcedor é reflexo de conquista, o que nós estamos conseguindo é afastar uma parte do público e não estamos conseguindo aumentar a outra parte. O que faremos? Continuaremos assim?

Marcos Ortiz

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Marcos Ortiz

Opinião: Você ainda consegue?

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2.387 foram ao Brinco na tarde do sábado, 27/04/2019, assistirem a estreia do Bugre na Série B. Foto: Marcos Ortiz - Planeta Guarani.

Começou em 2001, aquele fatídico jogo contra a Portuguesa Santista numa tarde de domingo no Brinco de Ouro da Princesa estabeleceu um marco histórico, o Guarani se dividiu em antes e depois daquele Campeonato Paulista de 2001 quando pela primeira vez na sua história terminou um Paulistão entre os times rebaixados, e nem mesmo o fato de não ter jogado a Série A2 diminuiu o impacto.

Logo no ano seguinte veio o Torneio Rio-São Paulo e o caminho foi o mesmo.

Foram passando os anos, veio 2004 e a Série A do Brasileiro ficava distante, depois veio 2006 e quem ficou distante foram a Série A1 e a Série B e isso foi se tornando um círculo vicioso, um cai e sobe, um festejar acessos e lamentar quedas constantes.

Eu vi a Torcida Bugrina se levantar tantas e tantas vezes que isso me fez acreditar que nada conseguiria abalá-la, tolo, eu estava errado. As demonstrações de 2016 e depois de 2018 hoje me parecem mais como fatos esporádicos. Antes quando o Guarani precisava de um resultado, ainda que pra não cair, ele juntava 8, 9 mil pessoas no Brinco, hoje quando precisa do mesmo resultado pra evitar a mesma consequência ele junta 4, 5, 6 mil pessoas.

Um clube de futebol tem o tamanho da sua Torcida, mas não o tamanho da sua Torcida no todo, o tamanho dos seus Torcedores que ainda se importam com ele ao ponto de desmarcar qualquer compromisso ou organizar sua agenda de modo a que, no dia do jogo, o compromisso maior seja o jogo.

Claro, vivemos momentos difíceis, dias estranhos, marcados por um distanciamento de discursos e gestos. Administrações contestadas, gestões conturbadas, ambiente político instável, isso pra ser suave com as palavras, mas uma coisa mudou, e não adianta me dizer que não mudou, porque mudou sim.

Até 2012 quando chegou à final do Campeonato Paulista nós jurávamos amor, hoje nós destrinchamos apenas ódio. Hoje eu leio discursos nas redes sociais mais ou menos assim: “Apesar de tudo, continuamos aqui”, antes dessas tais redes sociais se transformarem na febre que hoje são eu lia discursos diferentes, algo como: “Eu te amo e nunca vou te abandonar”.

Parece piegas, parece discurso barato, mas a pergunta é simples, você meu amigo Bugrino, é, você mesmo, ainda consegue fazer uma declaração de amor ao Guarani? Você consegue deixar claro aos seus amigos, sejam eles virtuais ou reais que o Guarani é importante demais na sua vida, isso é fato, mas você consegue fazer uma declaração de amor?

Pare pra pensar qual foi a última vez que você externou isso com essa intensidade, pergunte-se qual foi a última vez que você usou exatamente essas palavras: “Eu te amo, Guarani!”. sabe aquela relação que com o passar dos anos vai fazendo a gente pensar que o fato de estar junto já mostra que ama? Não, não mostra, estar junto mostra só que a gente está junto, é como acompanhar a namorada, a noiva, a esposa num “chá de bebê”, a gente tá junto, isso mostra que a gente ama? Não, isso mostra que a gente tá junto,mas é preciso dizer que ama.

Nada substitui a palavra, nenhum gesto substitui externar o sentimento. Faz um teste simples ai, olha pra sua namorada, seu namorado, sua esposa, seu esposo e solta, do nada, um “eu te amo”. O sorriso brota na hora e a resposta quase sempre acaba sendo um “eu te amo também”, o dia fica mais manso, o ambiente mais calmo e os gestos de carinho, ao menos naquele instante, se tornam mais intensos.

Eu te amo são as palavras chave. Claro que o amor tem variedades e uma delas é a instabilidade, que casal não vive momentos de distanciamento, momentos de tensão? Qual é a relação que não tem suas crises? Mas se tem amor ela segue adiante, os dois se dão as mãos e seguem o caminho juntos.

No final dos anos 90 eu ouvia muita gente dizer que só voltaria ao Guarani quando Beto Zini não fosse mais presidente, na metade da década de 2000 eu ouvia muita gente dizer que só voltava ao Guarani quando Lourencetti não fosse mais presidente, no começo da década de 2010 eu ouvia que só voltaria ao Guarani quando Leonel não fosse mais presidente, depois ouvi o Mesmo sobre Mingone, Álvaro Negrão, Horley Senna e agora ouço sobre Palmeron.

Sabe o que eu quero dizer com isso? Nós estamos odiando o gestor, será que ainda estamos amando a instituição?

O Guarani tem um patrimônio gigantesco que nunca vai acabar, esse patrimônio é a sua Torcida. Esse era o meu pensamento até alguns anos atrás, mas hoje, olhando as arquibancadas cada vez mais vazias eu me pergunto, será que perder o patrimônio físico foi a única consequência de todos esses anos que se sucederam? Será que essas pessoas que diziam que só voltariam ao Guarani desde a gestão Beto Zini decidiram mesmo não voltar mais?

Será que a gente ainda consegue montar o ritual de “dia de jogo”?

Será que o ódio ao gestor está conseguindo acabar com o fundamental, o amor à instituição?

Todas as gestões acabam, as consequências do que elas fizeram permanecem, mas a gestão acaba. As pessoas passam, os nomes vão caindo no esquecimento, mas o que nós devemos nos perguntar é: Nós ainda conseguimos superar tudo isso e simplesmente ir a um estádio?

Não, eu não estou falando com os que ainda vão, eu estou falando com você que por algum motivo não tem mais este ritual. Será que isso não faz mais falta na sua vida?

Esfriamento: ato ou efeito de esfriar;
Ex: Eu amo o Guarani, mas não piso mais no Brinco enquanto as coisas estiverem assim.

Avivamento: ato ou efeito de avivar-se;
Ex: Eu amo o Guarani e nada vai me fazer deixar de amar, nem mesmo o modo como as coisas estão.

Você ainda consegue fazer uma declaração de amor ao Guarani?

Te amo, Bugrão!

 

Marcos Ortiz

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Assista o Papo de Bugrino 5 – Criciúma x Guarani


	
	
	

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