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Marcos Ortiz

Opinião: Guarani, uma aldeia de tribos distintas com línguas diferentes

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“Quero dizer que sempre tive muita dificuldade aglutinar os sócios e em formar uma diretoria, tanto é que fui eleito sete vezes presidente. Sempre tivemos oposição no Guarani”. Pompeo de Vito - Fundador do Guarani.

A noite foi longa e conturbada, como de fato são todos os momentos decisivos da história do Guarani. É sempre assim, vira e mexe surge a “solução pros nossos problemas” para alguns e a “derrocada definitiva” para outros. Como resolver a celeuma? Simples, convoquemos uma reunião e pessoas adultas, movidas pela paixão ao clube e consequentemente interessados apenas no melhor, decidirão!

– O que aconteceu? Renunciou? Não, ameaçou, mas não renunciou.

– Foi por telefone?

– Sim, por telefone a um Conselheiro que imediatamente comunicou o presidente da reunião do Conselho do fato.

Assim foi quando por volta das 21:30 recebi a informação. Palmeron Mendes Filho renunciou à presidência do Conselho de Administração por telefone. Renunciou porque o Conselho cancelou a Assembleia de Sócios marcada para o próximo dia 13 onde as propostas entregues ao clube para a “gestão compartilhada” do departamento de futebol, que de fato não trazem gestão compartilhada e sim uma terceirização, seriam analisadas e votadas para decidirem se o Guarani aceitaria a proposta A, a proposta B ou nenhuma delas.

Bom, vamos atrás da informação… Graças a Deus hoje temos WhatsApp, senão a conta telefônica teria estourado. Depois de algum tempo consigo contato com alguém do Conselho de Administração, o advogado Ricardo Moisés e pergunto: Pode me explicar o que está acontecendo?

Claro, esperava de tudo. Calejado com as coisas do Bugre desde 2004 quando comecei a viver isso tudo mais de perto, tudo poderia vir como resposta, e veio:

– Não renunciou. A frase veio seguida de um telefonema onde a versão foi dita:

Na verdade o presidente do CA disse a um Conselheiro próximo (Rodrigo Oliveira, responsável pelo programa Sócio Campeão) que se a Assembleia marcada para o próximo dia 13 fosse cancelada pelo Conselho Deliberativo, renunciaria ao cargo. O fato foi comunicado à mesa, mais precisamente ao presidente da Reunião e pronto, as redes sociais viraram um verdadeiro “inferno” com informações de renúncia, textos resumindo a passagem de Palmeron pelo CA, sucessor após a renúncia, mas e a Torcida?

Sim, e a Torcida? O que dizer a ela que é a única razão de existir do Guarani FC?

O que pensar? Temos um jogo decisivo em casa no sábado simplesmente contra o líder do campeonato e que pode sacramentar nossa entrada no G4 da Série B em caso de vitória. O pedido é para o comparecimento em grande número, a expectativa do Torcedor é pra um grande jogo, uma atuação convincente e vitoriosa e um início de noite de festa…

Não, não é apenas a Torcida que sofre… imaginem a cabeça de um atleta? De um integrante da Comissão Técnica? De um dirigente contratado do Departamento de Futebol? Todos deveriam estar ali, focados, na ante véspera do jogo e com o último treinamento marcado para hoje, mas recebendo informações de renúncias de dirigentes, vendo uma decisão diretamente ligada ao trabalho deles (terceirização), que, se é correta ou não o futuro dirá, terminar desta maneira.

É brasileiro decidindo o futuro do Brasil com gente que fala turco de um lado e japonês do outro… absolutamente não se entendem…

Final da história: Não houve renúncia. Sequência da história: A Assembleia, segundo informações, será cancelada de fato e novamente convocada respeitando os prazos estatutários, mas não decidirá nada, apenas conhecerá a proposta. Alias isso é algo que deveria ter sido feito na noite de ontem durante a reunião do Conselho. A pauta previa a apresentação por cerca de meia hora de cada uma das propostas pelos seus representantes e sequer isso foi feito.

Simples amigos,  isso é o Guarani sendo Guarani… Uma aldeia indígena (no melhor contexto da palavra), onde diversas tribos se reúnem, cada um pensando no seu problema, ou na sua solução. A tribo A quer autorização pra ir ao pronto ocorro na cidade, a tribo B quer que o pronto socorro da cidade mande uma equipe médica até a aldeia para atender seus índios e a tribo C não quer que os índios sejam atendidos pelos médicos, quer que os índios doentes sejam tratados respeitando seus rituais antigos, como fizeram seus antepassados.

Enquanto eles discutiam, cada um defendendo, com razão, a sua razão e tentavam impor a sua vontade, os doentes todos morreram… não houve tempo, os médicos não vieram, eles não puderam ir aos médicos e sequer os pajés puderam realizar seus rituais de cura porque os líderes das tribos já estavam reunidos há semanas discutindo qual era a melhor solução.

Meus amigos, todos vocês (ou ao menos a grande maioria) me conhecem há alguns anos e já leram textos contundentes onde eu defendia a minha razão, a minha opinião e pregava que ela fosse a verdade absoluta. Nada mais prestava além do que eu pensava, como eu pensava e como eu achava que tinha que ser. Não sei se melhorei ou piorei, mas mudei…

Hoje eu descobri que sempre defendi a união de todos os Bugrinos, mas era eu o primeiro a separá-los como formador de opinião, e fazia isso para que a minha opinião fosse respeitada. Adiantou alguma coisa? Não!

Passei algum tempo no Guarani, vivi de perto situações parecidas, outras muito piores do que essa vivenciada na noite passada, senti na pele o ambiente conturbado dos funcionários sem saber qual seria seu futuro, dos atletas me parando pelo caminho dentro do clube para perguntar o que estava acontecendo, do treinador dizendo aos jogadores que tudo estava sob controle, para 10 minutos depois da conversa me chamar e perguntar o que estava acontecendo e como ficaria dali em diante e dos Torcedores querendo saber o que de fato estava acontecendo, cada um com seus medos e dúvidas.

Hoje, mais de quatro anos depois de ter deixado o clube vejo que nada, ou pouca coisa mudou. Continuamos discutindo se vamos ao médico, se o médico virá até nós, ou se não vamos procurar médicos e vamos ser tratados como sempre fomos no passado.

Será que o doente sobreviverá até que alguma decisão seja tomada?

Querem a minha opinião? Não vou negá-la… eu sou um dos que se agradaria em ser tratado como sempre fomos, afinal nossa aldeia chegou até aqui, completou 107 anos de existência andando com as próprias pernas e se responsabilizando, ou sendo responsabilizada pelas decisões certas ou erradas que tomamos, mas tomamos.

Querem os médicos? Ok, chamem os médicos ou vão até eles, mas façam alguma coisa, decidam, tragam luz ao Torcedor, aos funcionários, aos atletas, às comissões técnicas, seja pelo caminho A, B ou C.

E sabem por que penso assim? Simples, porque qualquer que seja a decisão, a Tribo A continuará dizendo que deveríamos ter ido ao médico, a Tribo B continuará dizendo que os médicos deveriam ter vindo até nós e a Tribo C continuará dizendo que não precisamos de médicos, nossos pajés resolverão, como sempre foi feito…

O Guarani é o Guarani, e provavelmente jamais mudará… Pompeo de Vito disse em entrevista:

Quero dizer que sempre tive muita dificuldade aglutinar os sócios e em formar uma diretoria, tanto é que fui eleito sete vezes presidente. Sempre tivemos oposição no Guarani”.

Viva a situação, viva a oposição, viva o Torcedor, mas viva e sobreviva, Guarani, com qualquer que seja o caminho tomado, caminhe, mas respeite e principalmente se respeite!

Vamos ao jogo? Sábado tem Guarani x Fortaleza às 16:30 e a gente se vê lá.

Grande abraço.

 

Marcos Ortiz

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