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Marcos Ortiz

Opinião: Futebol x Resultado, os dois ou o resultado? Exerçamos o privilégio da dúvida

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Elenco e comissão comemoram a vitória sobre o Santo André por 2x1 - Foto: Facebook - Guarani FC.

O Guarani iniciou a disputa do Paulistão sob os olhares da desconfiança total, imprensa, Torcida, enfim, quase todos apontavam o elenco montado pelo Guarani como uma incógnita total e não estavam errados porque incógnita significa “algo desconhecido que se busca saber”.

Então a desconfiança era justificada, afinal, poucos dos contratados eram conhecidos, a não ser que tivéssemos assistido eventualmente um jogo ou outro nos quais atuaram. A questão não é a desconfiança, a questão é que nós, na grande maioria, não nos damos o privilégio da dúvida, cravamos: PRESTA ou NÃO PRESTA e pronto.

Durante aquele período meu comentário mais ouvido na programação da Radio Planeta Guarani era: “É um elenco muito mais de sorte do que de juízo”, e eu também estava errado, porque se analisarmos a situação e as dificuldades enfrentadas pelo Guarani no seu dia a dia, sou obrigado a dizer que juízo foi o que mais tiveram na montagem do elenco. Nenhum ponto fora da curva, nenhum jogador astronomicamente desproporcional aos demais atletas. O clube fechou um orçamento, dispôs esse orçamento pra contratações e tratou de manter os números sobre controle, isso não é falta de juízo, pelo contrário.

E a sorte? Existe ou não existe? Deixo isso pra você determinar, mas vamos falar do “casamento” que ainda está em tratativas, digamos, com um termo muito praticado recentemente na vida política nacional, estamos em um noivado, tempo de conhecimento e convencimento que acontece antes do casamento de fato acontecer.

Fato 1: O Guarani apresentou um futebol muito mais organizado do que o que todos esperávamos. Organizado e em muitos momentos, bom! Foi muito bom o futebol apresentado em Limeira, foi bom o futebol apresentado contra o Santos e foi bom o futebol apresentado contra o Mirassol. Em Limeira uma vitória incontestável que imediatamente foi atribuída à uma potencial fraqueza do adversário, mas ha o futebol… este mágico esporte nos proporciona grandes surpresas, não é mesmo? A Internacional venceu o Red Bull em Bragança Paulista e na última rodada venceu outro time do interior que constantemente tem elogios rasgados vindos da imprensa, na maioria das vezes desmerecidos. Era fraca? Se era, está no nível dos demais times da competição. Custa dizer que o Guarani é surpreendente, no mínimo?

Fato 2: Contra o Santos o time pagou por acreditar no seu potencial, quando todos esperavam um Guarani recuado, sendo agredido pelo Santos e torcendo pro placar não se dilatar, o que vimos em campo foi o contrário, um time com um jogador a menos que se reinventou em campo, buscou um empate que já parecia muito bom, mas que não mostrava ser o suficiente pra um time corajoso que, mesmo com um jogador a menos, não aceitou jogar tradicionalmente. Poderia ter vencido e no final, numa série de erros individuais que se transformam em coletivos, pagou o preço nos minutos finais do jogo com um gol contra de Pablo.

Fato 3: Pronto, perdeu o jogo e lá se foi o Guarani pra Mirassol novamente sob os olhos da desconfiança. O fato de o time ter tido coragem, pra muitos valeu pouco, prevaleceu o resultado. Dentro de campo mais uma boa atuação, mais um time bem equilibrado e mais uma vez a vitória escapou entre os dedos. Gols perdidos e o placar de 1×0 mostrou-se insuficiente pra trazer a vitória, veio o empate que, fora de casa é sempre considerado bom resultado. Eu preferi ver e analisar o futebol, me aborreci sim com o empate, mas me surpreendi novamente com o futebol. O “fraco” pra muitos Mirassol meteu meia dúzia ontem à noite jogando fora de casa…

Fato 4: Voltamos pra casa, chuva torrencial, gramado pesado, bola “mais esperta” com a água e pronto, o equilíbrio do time não se repetiu. das quatro partidas esta foi, sem sombra de dúvidas a menos equilibrada que o time disputou e ai entrou em campo algo que não pode ser menosprezado: A vontade, a superação, outra vez não aceitar o empate e, mesmo sem a organização demonstrada nos jogos anteriores, o Guarani buscou a vitória até o fim. Desta vez a coragem foi premiada, o gol sofrido no apagar das luzes contra o Santos se repetiu, mas desta vez foi nosso. Bidu aos 48 minutos do segundo tempo, Guarani 2×1 Santo André.

O que nós queremos então? Bom futebol ou resultado? Claro, queremos os dois, mas entre um e outro qual vale mais? Não sei dizer… bom futebol encanta e motiva, mas vitórias magras, apertadas e suadas também motivam.

O fato maior é que o privilégio da dúvida que não foi dado ao Guarani durante a montagem do elenco é cobrado agora quando constatamos que a campanha é boa. E agora, temos que duvidar do que estamos vivendo, ao menos nesse começo de Paulistão, ou temos que acreditar naqueles que dizem que temos que duvidar, quando eles não duvidaram ao dizerem que o Guarani lutaria única e exclusivamente contra o rebaixamento no Paulistão?

Temos o tamanho que acreditamos ter, e acreditem, se da porta do vestiário pra fora jogadores e o treinador Carpini concordam humildemente quando as perguntas direcionadas dizem que o Guarani está perto de se livrar do rebaixamento, não duvidem, daquela porta do vestiário pra dentro o discurso é completamente outro, é rebaixamento porra nenhuma, nós queremos a vaga, e isso está, ao menos até agora, sendo mostrado dentro de campo com o nível do futebol ou da entrega dentro de campo apresentados até aqui.

Mas como estamos falando de Guarani, claro, o privilégio da dúvida é direito de todos, já a empolgação, essa é privilégio único e exclusivo de nós, os Torcedores Bugrinos.

Pode desandar, pode dar tudo errado daqui pra frente, mas inegavelmente até aqui o Guarani mostrou que não apostou na sorte, apostou no juízo, e está dando certo. Faltam peças ainda, o campeonato é curto, já se foi um terço do Paulistão e isso acaba não sendo ruim, nessa primeira terça parte o Guarani está entre os melhores quando muita gente dizia e outro tanto queria que ele estivesse lá embaixo.

Não, não é uma guerra de nós contra eles, é sim uma caminhada de nós e entre nós. Lá no fim pode dar certo (ou não), mas a gente de fato só tem a gente.

Marcos Ortiz

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