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Marcos Ortiz

Opinião: Estava tudo bem até que aconteceu uma coisa chata com o Edu Dracena

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Matheus Davó comemora o gol da virada Bugrina sobre o Palmeiras - Foto: Letícia Martins - Guarani FC.

Hoje eu quero falar de um negocio meio chato que aconteceu ontem envolvendo o zagueiro Edu Dracena, jogador revelado nas categorias de base do Guarani, entre eles o grande e saudoso Dioguinho, o Lídio, seu treinador, alguns dos responsáveis pela permanência e promoção de um menino que sonhava ser jogador de futebol profissional e escolheu o Guarani como celeiro.

Edu Dracena treinou nos mesmos campos ruins que os meninos do Bugre hoje treinam, dormiu nos mesmos alojamentos, teve seu tempo debaixo das arquibancadas. Também enfrentou a fila do refeitório pra comer a comida feita pela Angelina, pela Dona Maria e servida pelo querido Seu João, e era de bandejão.

Mas a coisa chata a que me refiro aconteceu aos 38 minutos do segundo tempo. Um menino de 20 anos que dorme no mesmo alojamento, come no mesmo lugar e até outro dia treinava de vez em quando no campo do CT olhando pro Brinco de Ouro e desejando vestir aquela camisa, entrar em campo e dizer “prazer futebol, esse sou eu”, judiou do envelhecido zagueiro que outrora frequentou o mesmo espaço.

No confronto de pratas da casa deu Davó! E deu Davó com sobras! Pedalada, cabeça erguida, passos firmes e objetivos, o menino de 20 anos levantou a cabeça, encarou o outrora zagueiro formado nas categorias de base do Bugre e sequer pensou duas vezes, fez aquilo que sabe fazer, aquilo que gosta, entortou um zagueiro e meteu a bola na cabeça do companheiro pra fazer o gol.

Naquele momento o zagueiro não tinha nome, como dizia Garrincha, era mais um João, e que falta isso faz ao futebol.

Em rede social, zagueiro lembra da dívida, mas não de quem participou da sua formação. Imagem: Reprodução.

E o Dracena? Um dia jogou aqui, um dia vestiu a camisa ainda com carimbo de DA (Departamento Amador) e um dia sonhou. Claro, ele conquistou, ele se fez jogando no Brasil e no exterior, conquistou títulos, jogou ao lado de grandes jogadores, foi comandado por grandes treinadores. Esteve nos melhores estádios do futebol brasileiro e mundial, fez fama e fortuna, mas deixou de receber, segundo ele, a parte que o Guarani lhe devia quando da sua transferência (confira na postagem que ele fez em sua rede social).

Não, isso não é pouca coisa. Na cabeça dele sua ida para o Olympiacos da Grécia ou ao Cruzeiro logo depois de perder um pênalti aos 45 minutos do segundo tempo em um dérbi pelo Rio-São Paulo e no ano anterior ter estado no time que causou ao clube que o revelou para o futebol mundial seu primeiro rebaixamento na sua história em um Campeonato Paulista, o deixou marcas apenas financeiras, nenhuma emocional ou sentimental.

Não Edu Dracena não agradeceu ao Guarani por ter investido nele, não, Edu Dracena não se lembrou de tudo e de todos os que passaram pela sua vida antes de ser o Edu Dracena, quando o Eduardo Luis, grandão, levemente desengonçado, mas com bom posicionamento na defesa chamou a atenção das pessoas que cuidavam das categorias de base do Guarani, ele se lembrou do que não recebeu. Está errado? Não, não está, o dinheiro era seu, era ele quem sabia naquele momento a falta que aquele dinheiro o fazia, mas ele se esqueceu que sem o Guarani não existiria o Edu Dracena, já o Guarani, sem o Edu Dracena, continuou sua história, sua trajetória e um dia o reencontrou.

Nesse reencontro o Guarani mostrou a Edu Dracena que continua vivo, não porque venceu o Palmeiras num mero jogo amistoso, mas porque, ao se confrontar com um menino que como ele um dia sonhou, esse menino sequer tomou conhecimento de seus títulos, os clubes pelos quais jogou, os estádios por onde andou. Viu ali mais um João e o tratou como tal (com todo o respeito aos que se chamam João, é apenas a forma como Garrincha se dirigia aos seus marcadores).

Pô Davó, deve ter doído muito, porque ao final do jogo o tal João que se chama Edu Dracena até esqueceu que fez um gol na partida, apenas seu terceiro gol pelo time em que hoje atua e preferiu dizer que jamais encerraria sua carreira por aqui.

Pobre Edu Dracena, grande no tamanho, grande na carreira, mas pequeno no gesto. Tenho certeza que hoje ele não repetiria as mesmas palavras, deve ter dormido, deve ter sonhado com o alojamento, a cama dura, a fila do refeitório e o gramado duro do CT. E se não sonhou teve pesadelo então, porque passou a noite inteira vendo uma camisa banca vestida por um menino habilidoso que tinha o distintivo do Guarani Futebol Clube no peito. O estádio era o mesmo onde ele sonhava jogar, o menino Davó tem o mesmo desejo do hoje envelhecido Edu Dracena, mas o distintivo do Guarani marcará a carreira de ambos , como marcou a de tantos outros.

Edu, não precisa encerrar sua carreira aqui, o Guarani hoje vive uma realidade diferente da que vivia quando o revelou e provavelmente passaria a te dever ainda mais dinheiro, como deve e deveu a tantos outros atletas que por aqui passaram, mas eu deixo aqui os parabéns ao Diogo, ao Lígio e todos os outros que participaram da sua formação como atleta, pena que o homem Edu não se lembre disso.

É, foi chato (pra ele) o que aconteceu aos 38 minutos do segundo tempo, o que aconteceu depois foi só mais uma declaração de mais um dos muitos que não tem a grandeza e olhar pra trás e lembrar, agradecer e reconhecer a importância de quem fez parte da sua vida.

O Guarani formou um grande atleta chamado Edu Dracena, a vida não teve a mesma sorte para formar um homem capaz de reconhecer e agradecer por quem o fez ser o que ele hoje é.

Paciência, passar bem Edu, o Davó e a Torcida Bugrina te mandam lembranças. Já quanto a encerrar sua carreira por aqui, desculpe, a gente hoje tem outras prioridades além de ver gente sem objetivos vestindo nossas camisas, temos um clube pra reconstruir até pra podermos revelar outros Dracenas, Amorosos, João Paulos, Carecas e Davós.

 

Marcos Ortiz

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