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Marcos Ortiz

Opinião: Clima tenso e quase vias de fato no Brinco

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A situação é delicada, a má campanha da equipe, os bastidores turbulentos e a sequência de cinco derrotas consecutivas na Série B do Campeonato Brasileiro transformaram o dia do Guarani em algo muito difícil pra descrever, quem dirá pra viver.

Pela manhã a notícia das pichações no escritório do presidente do Conselho de Administração Palmeron Mendes Filho, à tarde uma discussão imensa pelas redes sociais porque o presidente do Conselho de Administração, em troca de mensagens vazada na internet disse que usaria funcionários e material do clube para reparar os danos causados ao seu escritório. Isso já é o suficiente pra super expor demais a entidade, quem dirá o que veio depois.

O time treinava no CT, o caminho entre o centro de treinamentos e o Brinco de Ouro é feito a pé pela proximidade e ao chegar ao estádio um grupo de Torcedores estava postado, aguardando a chegada. Não acompanhei o fato, tive acesso, como a maioria de vocês, a um vídeo que está circulando pelas redes sociais e o que vi me causou profunda tristeza.

Alvo de contestação dos Torcedores, o zagueiro Ferreira não aceitou as cobranças que recebeu e respondeu partindo pra cima do ou dos Torcedores que lá estavam. Palavrões, palavras de ordem, promessas de lado a lado e os seguranças do clube agiram retirando o jogador do bolo que se formou.

Não vou aqui compartilhar ou expor o vídeo, as redes sociais já o fizeram e expuseram demais o Guarani Futebol Clube.

Infelizmente para o jogador, o código de honra entre Entidade x Torcida foi rompido de uma forma irreparável. Não cabe a mim julgar quem acertou ou quem errou, quem viveu o fato pessoalmente saberá, quem assistiu o vídeo, saberá, ou tirará suas conclusões, o que posso escrever é simplesmente que este é o caminho certo para o rebaixamento e ele tem vários personagens.

Junte a um clube que durante anos trabalhou recebendo jogadores de empresários e colocando no elenco, um departamento de futebol que não conseguiu, depois de romper os laços com esses empresários, apresentar um planejamento suficiente para a contratação de atletas a altura da camisa Bugrina. Acrescente a isso a negação por parte da direção em aceitar, ou ao menos ouvir oque diziam seus Torcedores quando do início do planejamento, e isso se repetiu, pois já havia acontecido antes do início do Paulistão quando da chegada de Osmar Loss e acabou acontecendo novamente quando o clube se preparava pra virar a chave e pensar no Campeonato Brasileiro e, mesmo com os alertas, a preocupação e até certo desespero da maioria dos Torcedores, insistiu na contratação de Vinícius Eutrópio.

Resultado: Vinícius Eutrópio  se foi, antes dele Osmar Loss havia ido, mas seus legados ficaram e se livrar deles não é e não será tarefa das mais fáceis para o Guarani, seus Torcedores, seus dirigentes e até mesmo para seus jogadores.

Mas há que se lembrar que jogador não é Torcedor, por mais vínculo que tenha, ele é contratado, presta serviços à entidade, e como tal deve respeito a todos, inclusive aos Torcedores que o criticam. Justifica a crítica? Não sei,mas não justifica a reação, Torcedor é e sempre será Torcedor.

Sem conversar com ninguém, contando apenas com a experiência de quem desde pequeno acompanha o Guarani como Torcedor e há cerca de 15 anos vive o dia a dia deste clube trazendo notícias, informações, coberturas e opiniões, Roberto Fonseca que até hoje contava com Ferreira entre os titulares, dificilmente continuará contando e terá que encontrar solução pra substituí-lo. O laço, o vínculo, o encanto acabou, o ambiente acabou.

Culpados são muitos, desde dirigentes até treinadores que por aqui passaram, além de jogadores, mas as consequências serão sentidas por todos os que não se remuneram do clube. Os dirigentes estão vivendo dias de caos, o elenco e a comissão técnica também devem estar, o problema é que a outra ponta, o Torcedor é quem terá que pagar o preço disso tudo.

Sim, aconteça o que acontecer quem vai pagar é o “Seu João” de 65 anos que vai aos jogos e torce para o Guarani desde pequeno, o “Seo Pedro” de 55 anos que não vai mais, mas que assiste pela TV ou ouve todos os jogos e notícias pelo rádio, o “Paulo” que aos 40 anos leva seu filho orgulhoso pras arquibancadas, o “Sérgio” que aos 30 anos vai com sua esposa, o “Felipe” que aos 20 anos não para de cantar o jogo inteiro nas arquibancadas e o “André” de 15 anos, filho do “Paulo” que vai pra casa com o pai depois dos jogos e no caminho não pára de falar sobre o que aconteceu dentro de campo com o time que não consegue jogar bola.

Senhores, chegamos ao limite, é hora de o Guarani, das pessoas que cuidam e se importam com ele e de todos nós, Bugrinos que somos, sermos maiores que tudo isso em nome de uma única coisa: O Guarani.

Só há um caminho possível para reverter o que se desenha e ele passa por todos falarem e pensarem na mesma língua. Passa por quem errou assumir o erro e fazer o possível pra corrigi-lo, passa por quem representa os Torcedores dentro de campo vestindo a camisa do Guarani Futebol Clube mostrar que é capaz de bem representar esta entidade e passa por todos os que amam essa entidade tentarem mudar alguma coisa, nem que pra isso seja preciso diminuir pra que o Guarani cresça.

Só uma coisa nos une, o GUARANI, todas as outras podem nos desunir ou se tornarem motivo pra isso, mas só uma coisa é capaz de nos unir, o GUARANI. É possível reverter este caminho? Possível é, provável, dificilmente seja, mas aconteça o que acontecer quem sentirá o peso será o TORCEDOR BUGRINO.

Honrar a camisa é respeitá-la, não medir esforços, não aceitar derrotas, não se conformar com más atuações, não negar seus erros, mas ACIMA DE TUDO É RESPEITAR O TORCEDOR, porque quando tudo ou todos passarem quem colherá os frutos, sejam festivos ou temerosos, será ele, o Torcedor. Se alguém não estiver satisfeito com isso ou não se achar em condições de respeitar esta camisa, honra-la, dedicar cada centímetro, cada gota de suor ou de sangue pelo Guarani que peça pra ir embora agora mesmo, porque pra sair do buraco em que nos meteram só com homens na verdadeira tradução desta palavra.

 

Marcos Ortiz

 

 

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