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Marcos Ortiz

Opinião: Carpini, elenco, pedidos de paz, tumulto político e o imponderável a nosso favor. Até quando?

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Foi difícil, foi sofrido, foi duro demais o Campeonato Brasileiro da Série B que ainda nem acabou, mas cujo objetivo final foi atingido neste sábado pelo nosso Bugre ao vencer o Operário-PR em casa por 1×0 e safar-se matematicamente de qualquer risco de rebaixamento para a Série C.

Alívio, sim, muito alívio! O Guarani pode tratar este fato como um acesso, pois já estava rebaixado ao final do primeiro turno e, num daqueles fatos inesperados, quando parecia que nada mais daria certo ao Bugre, veio a redenção. Quem não se lembra das manchetes? “René Simões recusa proposta do Guarani”, “Depois de recusar proposta do Guarani, Gilson Kleina assume a xxx para buscar o acesso”, “Jorginho não aceita proposta do Guarani e encerra negociações“.

É, o momento era duro, ai veio a solução caseira temporária, assumiu o comando da equipe o novato auxiliar técnico fixo do Guarani Thiago Carpini. Depois de ouvir de Roberto Fonseca que o time não tinha mais nada a dar na competição e essa fala não é minha, é do presidente do Conselho de Administração do Guarani Ricardo Moisés quando esteve participando do nosso programa na Radio Planeta Guarani, foi Carpini quem disse o contrário, pediu confiança na equipe, no grupo e assim conseguiu, claro, de forma muito difícil, reverter a situação e livrar o Guarani de um rebaixamento certo, com um elenco condenado pelo comandante anterior.

O que isso nos mostra? Simples, mostra que o Guarani é pra poucos e pra loucos. Na loucura pura, sem conseguir contratar um treinador, e depois de ouvir a condenação feita pelo então comandante, o Guarani só tinha Carpini, não foi por opção, foi exatamente o contrário, foi por falta de opção.

Não quero me estender nesta coluna, prometo, quero apenas pontuar e dizer algumas coisas agora que o Guarani se livrou dos riscos de rebaixamento.

Primeiro, apesar de discordar de muitas de suas decisões em escalações, substituições e até mesmo na super valorização de empates desastrosos. muito obrigado, Thiago Carpini, um grande gestor de grupos e de pessoas. Foi assim, gerindo o grupo, muito mais do que trabalhando tática e tecnicamente que você conseguiu conduzir o Guarani ao “impossível”, que cá entre nós, continua sendo apenas questão de opinião. Era hora do imponderável, era hora de vir de quem menos se esperava a solução, e ela veio e o imponderável estava lá.

O imponderável tem nome: Thiago Carpini. Obrigado, você deu um acesso ao Guarani da Série C para a Série B do Campeonato Brasileiro, e o fez em apenas um turno da competição, pois em 19 jogos exatos tirou o time da lanterna e colocou na posição que ele hoje ocupa. Parabéns, muito, muito, muito obrigado.

Quero também agradecer a estes jogadores tão contestados, limitados, criticados (alguns justa, outros injustamente) por terem se comprometido, pois sem comprometimento isso não teria acontecido, e não vou citar nenhum nome, os méritos são de todos vocês que acreditaram em vocês como time. Só aceitando as próprias limitações e se despindo de vaidades é possível buscar algo que pra grande maioria era impossível de ser conquistado. Parabéns e muito, muito, muito obrigado por livrarem o Guarani de um desastre que poderia comprometer qualquer pretensão futura de recuperação deste clube, um dia gigante na Série A, hoje mero coadjuvante na Série B.

Mas eu quero usar o final desta coluna pra outras coisas além de parabenizações, cumprimentos e agradecimentos. Primeiro preciso reconhecer que o jeito discreto de Ricardo Moisés fez muito bem ao Guarani nestes últimos meses e claro, vou agradecê-lo por isso também. Sei das lutas que travou e ainda travará até o último dia da competição. Torço pra que supere todos os problemas que encontrou e possa seguir seu trabalho discreto, mas inegavelmente competente no objetivo de livrar a equipe do rebaixamento.

Dito isto, vamos falar de Guarani então? Senhores, não podemos nos esquecer que nossos jogadores tiveram que ir a público pedir paz pra poderem trabalhar. Será que nos esquecemos que eles foram até criticados por alguns por terem tido esta atitude? Tá ai, com um pouco de paz eles conseguiram realizar o “impossível” e o Guarani terá calendário completo na próxima temporada, alias, pode não ser completo, pode faltar a Copa do Brasil que foi mais uma vergonha na história do Guarani nesta temporada.

Agora vamos traçar um marco, o daqui pra frente e o daqui pra trás. Daqui pra trás, nosso reconhecimento e agradecimento pelos esforços e superações de todos vocês, mas daqui pra frente não dá mais pra aceitar um Guarani tão “inho”.

Eu não vou mais aceitar e me calar diante da falta de planejamento e da exposição negativa que isso traz ao Guarani. A partir de agora, que sirva de lição e que a gente aprenda essa lição, o Guarani é grande demais, sua história é grande demais, sua Torcida é grande demais pra aceitar tamanha pequenez.

Expor o Guarani a 17 rodadas na zona do rebaixamento, oito delas na lanterna da competição, aos comentários escabrosos que a imprensa, e não estou falando apenas da local, falo da nacional mesmo, fez, ao ponto de um senhor chamado Paulo César Vasconcelos (isso é apenas um desabafo pessoal) do todo poderoso Grupo Globo afirmar em alto e bom som pra todos ouvirem em seus comentários que dos times que estavam na zona do rebaixamento em certo momento da competição, apenas um não teria forças para escapar, era o Guarani, diante de tamanha campanha ridícula desempenhada até ali.

Não ouvi de tal senhor entendido de futebol nenhuma frase ou fala em contrário depois que o Bugre deixou o Z4, e veja senhor Paulo, apenas o Guarani, daqueles que ocupavam o Z4 naquele momento, se livrou do rebaixamento. Gostaria de ouvir de si algo como um pedido de desculpas, mas não posso julgá-lo, porque parte da nossa própria Torcida disse o mesmo.

Não vou aceitar um Guarani ridicularizado, apequenado, desestruturado, sem planejamento, seja desportivo ou financeiro. Quero saber imediatamente qual é o planejamento do Guarani para daqui pra frente. Quais as fontes de receita, quais os valores envolvidos, qual a forma de arrecadação, de onde virão, quais são as fontes e qual será o caminho para que o clube possa em 2020 não passar mais perto do que passou nesta temporada?

Sim, me calei, optei por aderir àqueles que dizem que falar sobre isso num momento difícil piora as coisas. Pois bem, o fiz, mas agora chegou a hora de me darem o contrário, me mostrarem qual é o caminho.

Senhores que estão à frente do Guarani hoje, senhores que vivem o ambiente político do Guarani, seja como situação ou oposição, não me importa, será que dá pra deixarem seus problemas e desavenças serem menores que a instituição? Será que dá pra alguém finalmente entender que o Guarani está acima de todos nós? Será que é possível tratarmos o Guarani com a decência e a dignidade que ele merece e precisa? Ou teremos novamente que ver jogadores virem a público lembrá-los disso?

É possível desinflar os egos? É possível desvincular o Guarani de pessoas, grupos, tendências e vinculá-lo ao trabalho de todos pelo clube, pela entidade, pelo resgate do que um dia foi o Guarani Futebol Clube?

É possível que alguém finalmente me diga, e que me desculpem as trocentas comissões internas do clube, quando será cumprido o acordo judicial entre Magnum, Justiça do Trabalho e Guarani no que tange a construção de um centro de treinamentos? Ou este compromisso não será cumprido? Não obrigamos ninguém a assumir este compromisso, ele foi assumido num momento em que era preciso fazer uma determinada proposta ser considerada melhor que outra, não foi um favor ao Guarani, foi uma proposta feita em juízo para que a proposta fosse aceita, como de fato foi.

Enfim, pra não me estender muito, esse é apenas o começo de um novo ciclo em relação ao Guarani Futebol Clube. A partir daqui, que a gente veja mais prática, menos discursos, promessas, falácias, bravatas, acordos e desacordos. Se o Guarani é viável apenas com a presença deste ou daquele grupo algo está errado, todos os grupos devem prestar compromissos ao Guarani, não apenas a eles, os grupos. O Guarani não pertence a situação, oposição ou os cambaus de bicos que sejam, o Guarani pertence à coletividade Bugrina e aqui fica meu último registro neste momento, e este é apenas o primeiro momento:

Coletividade Bugrina, precisamos aprender a zelar pelo Guarani, senão teremos este que todos amamos exposto cada vez mais a ridículas 17 rodadas entre os rebaixados e jamais voltaremos ao lugar ao qual pertencemos. Ou nós (TODOS NÓS) lutamos pelo Guarani juntos, ou seremos eternamente reféns de fulanos, sicranos e beltranos. Isso é muito pouco, é muito pequeno diante da grandeza do GUARANI FUTEBOL CLUBE.

Escapamos! Estamos felizes? Neste momento sim, satisfeitos? Espero que não, pois o GUARANI FUTEBOL CLUBE precisa e merece mais, muito mais do que se conformar com tragédias evitadas, precisa e merece brigar por conquistas cada vez maiores, mas pra isso é preciso que cada Bugrino se comprometa única e exclusivamente com o GUARANI FUTEBOL CLUBE.

Graças a Deus passamos as 17 rodadas intermediárias no Z4 e não as 17 rodadas finais. Então que isto sirva de exemplo e de lição para que todos nós cobremos um Guarani minimamente organizado, livre de grupos, interesses e acordos.

Hoje nos livramos de um rebaixamento, que isso sirva de lição pra que amanhã a gente comemore um acesso, mas senhores, lembrem-se: A bola não entra por acaso e nem sempre teremos o imponderável a nosso favor.

A gente se fala

Marcos Ortiz

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Próxima Partida – 22/11 21:30

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