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Marcos Ortiz

Opinião: Brasil-RS 0x0 Guarani e uma constatação – Carpini é técnico, não milagreiro

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Foto: Toninho Correa - Planeta Guarani

Ele não vai usar isso internamente jamais, esse discurso fica pra nós que, seja como Torcedores ou como pessoas que escrevem matérias, fazemos análises de jogos. A partida da noite de sexta feira deixou algumas coisas claras, e outras que surgiram como pulguinhas atrás da orelha do Torcedor.

Thiago Carpini, o cara que assumiu o comando da equipe e está conseguindo salvar o Bugre de um rebaixamento que era dado como certo, não faz milagre. Ele achou um grupo de 14 jogadores, parece pouco, mas não é. Num ambiente de 40 atletas, conseguimos juntar 14, mais do que isso fica sendo difícil.

E tem mais, durante os jogos ele tem usado algumas peças que me permitem estender isso pra 16, exagerando 18 jogadores. A escalação do Guarani titular de Carpini, salvo exceções, fica fácil na cabeça, é Kléver; Lenon, Luiz Gustavo, Giaretta e Thallyson; Deivid, Igor Henrique, Arthur Rezende e Lucas Crispim; Davó e Michel Douglas, outros titulares são Bruno Souza, Ricardinho, Felipe Guedes, Renanzinho e o recém contratado Nando, esses jogadores ou foram titulares, ou entraram durante todas as partidas desde que ficaram à disposição.

Mais que isso… Não tem, não adianta. O resultado conquistado em Pelotas foi bom, um empate fora de casa, time ganhou uma, talvez até duas posições na classificação, então por que estou escrevendo isso depois de um bom resultado?

Simples, porque vi em campo ontem um time que não repetiu a boa sequência de jogos, e estou falando de jogos, não só de resultados. O Bugre até poderia ter voltado com a vitória, aquela tal uma bola apareceu duas vezes pelo menos, uma com Michel Douglas que explodiu no travessão, outra com Ricardinho, cara a cara com o goleiro e o chute que saiu fraco acabou defensável. Se elas tivessem entrado, o Bugre teria repetido o que fez contra o Criciúma, por exemplo e nós estaríamos aqui comemorando a quarta vitória seguida neste momento, mas o “se” não entra em campo.

Terra arrasada? Longe disso, território ainda fértil, diria eu, mas com a necessidade de aparar algumas ervas em volta da colheita. Ao escalar o time Carpini fez exatamente o que eu esperava que fizesse, levou três volantes a campo, mostrou ao Brasil que não queria ser atacado e, apostando em boas atuações de Crispim e Davó, também queria atacar. Deu certo, mas deu certo por pouco tempo, e foi a mesma coisa que aconteceu no jogo anterior contra o Criciúma no Brinco, o time jogou por um determinado tempo do primeiro tempo, depois sofreu bastante pra segurar o ímpeto do adversário e no segundo tempo conseguiu trabalhar a tal “uma bola”.

Acreditem, ontem foi igualzinho, o problema é que a “uma bola” até apareceu, mas não entrou.

E por que estou escrevendo isso então? Simples, porque sou Torcedor, e como Torcedor, ao ver em campo Vitor Feijão, Deivid Souza e Rondinelly, o trauma do Z4 me veio à cabeça de novo. Rondinelly mostrou que realmente são tolos aqueles que conseguem ainda apostar em algo vindo dele (acreditem, eu fui um deles até ontem). Deivid Souza e Vitor Feijão são resquícios das escalações de Eutrópio e Fonseca, é como sexta feira 13, não acontece nada, mas só de lembrar, a gente já fica pensativo…

Mas nem tudo foi ruim, a atuação de Ferreira, por exemplo, foi sólida, consistente, e com isso o Guarani pode ter encontrado mais um segundo titular quando as necessidades surgirem. Ricardinho não decepcionou, pelo contrário, se apareceu como elemento surpresa e conseguiu ter duas chances de gol é sinal que fez em campo aquilo que se esperava dele, Felipe Guedes também, bom jogador, talvez o melhor substituto atualmente pra Arthur Rezende. Qual foi o problema então?

Pra mim o problema foi não ter confiado nos tais segundos titulares que tem sido usados. Nando estava no banco, teria, sem dúvida, sido melhor opção do que Feijão ou Deivid Souza. Tirar Davó me assustou porque tirou do Guarani o único jogador que incomodava o adversário, e olha que ele não estava numa grande partida, mas era o único que estava ali toda hora pressionando saída de bola, marcando no campo de ataque e aparecendo como opção pra receber a bola.

Tá certo, eu entendo, a opção de Carpini foi tentar montar um time com velocidade pra tentar encaixar o contra ataque e decidir o jogo… entendo, e estava certo, só que apostou errado. Renanzinho teria feito melhor do que Deivid Souza, por exemplo, e Nando, nas vezes em que esteve em campo foi tudo, menos atacante de referência, jogou mais pelos lados do campo do que na grande área.

Fica a constatação: O elenco é inchado, mas é curto demais, e Carpini deve apostar cada vez mais naqueles jogadores que tem usado constantemente. Voltar às opções que outros técnicos usaram trará ao Torcedor Bugrino o trauma de praticamente um turno inteiro no Z4, algo que a gente quer esquecer.

Tem muito crédito ainda, e vai conseguir livrar o time. Voltamos à realidade e ao único objetivo que nos restava: escapar do rebaixamento, e a conta que pedia quase impossíveis 10 vitórias em 17 jogos, agora nos exige apenas cinco ou seis em 13.

Melhorou muito, e esse mérito é de Carpini e seus 14, exagerando 18 jogadores. Não mais que isso.

Vamos firmes, faltam cinco ou seis vitórias e temos sete jogos em casa. Com isso o Guarani escapa do rebaixamento, o que, pelo que passamos até pouquíssimo tempo atrás, é um acesso.

Marcos Ortiz

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