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Marcos Ortiz

Opinião: Arrecadando 1 pra pagar 18 não haverá futuro para o Guarani

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Na tarde de ontem, pela rede social Linkedin, tive acesso ao material divulgado por Fernando Ferreira, representante do Grupo PLURI Esportes e Entretenimento, um grupo sério, um verdadeiro oásis na atual falta de embasamento usada para abordar assuntos extremamente necessários, mas para os quais o torcedor pouco olha, a saúde (e nesse caso é doença) financeira dos clubes do Brasil.

Por ordem alfabética chegou a vez de falarem sobre o Guarani no trabalho que analisa os balanços patrimoniais dos 35 maiores clubes do futebol brasileiro e sim, a PLURI é a mesma empresa que em 2013, graças ao trabalho dedicado, entre outros, do então presidente do Conselho Fiscal do Guarani Caio Fagundes, ao qual tive o privilégio de contribuir, deu ao Guarani o selo de Top 3 em termos de transparência de números e gestão, porem facilmente constatamos que transparência não significa saúde financeira, significa que naquela época divulgávamos como poucos a realidade do clube.

Pois bem, vou citar integralmente a atribuição dada ao Guarani pela PLURI, que também pode ser conferido na postagem referida CLICANDO AQUI. Ao final vou fazer uma abordagem que é impossível ser feita rapidamente, vamos lá?

O Guarani

Uma catástrofe! Essa é a melhor definição do balanço do Guarani, clube mais endividado do País, com R$ 18,01 em dívidas para cada R$ 1,00 em Receitas. O elevado endividamento gera uma despesa financeira impagável para um clube com uma receita tão baixa, perpetuando prejuízos e mantendo o clube prisioneiro em seu fatal ciclo vicioso. E não há como recorrer a Patrimônio, pois o mesmo é negativo em R$ 105 milhões e o que existe de ativos está penhorado em débitos tributários e trabalhistas. A situação financeira do clube é inviável neste momento, não vemos outra saída a não ser a busca de um parceiro (sério) que aporte recursos no clube, em contrapartida à implantação de uma gestão radicalmente profissional, retirando completamente os poderes dos políticos (Diretores e conselheiros) que conduziram o clube a essa situação.

– Receita subiu 3%, para R$ 14,9 Milhões, maior nível desde 2013 evidenciando o apequenamento do clube. Nos últimos 5 anos a receita acumula queda de 9%, e alta de 45% em 10 anos;
– A alta ocorreu em função do aumento das receitas com Negociações de atletas em 471%, para R$ 2,7 Milhões. Por outro lado, as Receitas de TV caíram 9% para R$ 7,0 Milhões;
– Do total de Receitas do clube, apenas 14% vem diretamente de seu torcedor (Sócios, bilheteria, licenciamento, loterias, pay per view, etc), patamar muito abaixo da média do mercado;
– Se excluirmos as receitas com atletas, haveria queda de 13% para R$ 12,3 Milhões;
– Houve alta de 95% nas Despesas, para R$ 40,5 Milhões, bem acima da alta nas receitas, impactada pelo aumento de 11% nas Despesas com o Futebol e pela explosão das despesas financeiras líquidas, que atingiram R$ 18,6 Milhões;
– Despesa Financeira líquida passou de R$ 0 para incríveis R$ 18,6 Milhões (125% da Receita bruta), acumulando R$ 53 Milhões em 10 anos, equivalente a 20% do endividamento líquido total, o maior patamar entre os clubes Brasileiros;
– Necessidade de Capital de Giro subiu 2% para R$ 121,9 Milhões, equivalente a 817% das receitas totais, contra 823% em 2017;
– Clube teve déficit de R$ 25,6 Milhões (o 12º consecutivo), acumulando perdas de R$ 61 Milhões em 5 anos e perdas de R$ 173 Milhões em 10 anos;
– Desconsiderando venda de atletas haveria déficit de R$ 28,2 Milhões;
– Margem líquida negativa em 171,2% da receita Bruta;
– Passivo Circulante (Patrimônio Líquido negativo) caiu 32% para – R$ 105,5 Milhões;
– Dívida de curto prazo representa 45% da dívida total, contra 49% no ano anterior;
– Dívida líquida subiu 9%, para R$ 268,8 Milhões, maior nível da história e 19% superior ao de 5 anos atrás;
– A relação entre Dívida líquida / Receitas subiu 6%, de 16,9x para 18,0x em função da alta da dívida;
– Composição das Dívidas: Empréstimos e Financiamentos 2%, Tributária 24%, Trabalhista 73%, Dívidas com aquisição de atletas 0%, outras 1%.

Opinião

Os números de fato são alarmantes, temos que pontuar que a análise se restringe aos últimos 10 anos, portanto, fala do Guarani de 2008 até 2018 e esclareço, o balanço patrimonial divulgado no ano vigente sempre se refere ao ano de exercício anterior, mas ela destaca que em 12 anos o clube repete pelo 12º ano seguido déficit entre receitas e despesas, portanto, o último ano em que o balanço patrimonial do Guarani não apresentou déficit foi 2006, de lá pra cá sempre gastou mais do que arrecadou, mas é preciso destacar um recorte que a análise não faz, dois dos dez balanços analisados foram reprovados pelos associados, os de 2011 e 2012, o que certamente piora ainda mais o quadro.

O Guarani passou neste período por três presidentes e três Conselhos de Administração, ou seja, foram seis gestões. Leonel Martins de Oliveira assumiu em junho de 2006, foi sucedido por Marcelo Mingone em novembro de 2011 que foi sucedido por Álvaro Negrão em dezembro de 2012 e ali encerrou o ciclo de presidentes, passando a ser administrado por um Conselho de Administração composto de sete pessoas, sendo entre eles um conselheiro eleito presidente, mas não do clube e sim do Conselho de Administração.

O primeiro CA assumiu o clube em abril de 2014 e permaneceu apenas até setembro de 2014, o segundo assumiu em novembro de 2014 e permaneceu até agosto de 2017 e o terceiro e atual assumiu em agosto de 2017 e terá mandato até abril de 2020.

Senhores, o que temos ai constatado é algo muito sério que precisa, por mais que você ache isso desnecessário, ser tratado, abordado, discutido e resolvido, sob pena de em dado momento restar apenas a decisão de apagar a luz, e ao constatarmos que 45% das dívidas do clube são de curto prazo, na contabilidade são dívidas vencendo em até um ano, na leitura de um balanço dizem que ativos circulantes precisam ser convertidos em dinheiro, ou seja, patrimônio vendido, mas como vender? O Guarani não tem mais patrimônio neste momento.

O que constatamos? Simples, o remédio falhou, ao menos até aqui, da forma como foi utilizada, a negociação do patrimônio feita com a empresa Magnum não trouxe saúde financeira ao Guarani, pelo contrário, está aumentando a dívida, pois o Guarani não consegue gerar receitas próprias, recorre a empréstimos e adiantamentos daquilo que conhecemos como VGV para suprir todo tipo de despesas, das mais básicas diárias até as mais complexas como pagamentos de dívidas trabalhistas.

Mais uma constatação, 73% da dívida total do Guarani refere-se à esfera Trabalhista, portanto, temos que admitir que o problema não está sanado, pelo contrário, é latente no meio de toda a estrutura.

Sim, a proporção é essa mesmo, o Guarani Futebol Clube deve R$ 18,00 para carda R$ 1,00 que arrecada, apenas para enfrentar a dívida a receita deveria ser 18 vezes maior que a atual, ou seja, se a receita atual é de R$ 14,9 milhões conforme balanço de 2018, ela deveria ser no mínimo de 268,2 milhões apenas para enfrentar as dívidas.

O que isso nos deixa de mensagem? Olhando esses dados e esse recorte analítico só me resta dizer que o parecer da PLURI é correto. O que fazer? Eu não sei, não sou profissional da área, mas a solução passa diretamente pela conclusão trazida pela empresa ao final da sua análise, à qual copio integralmente abaixo:

A situação financeira do clube é inviável neste momento, não vemos outra saída a não ser a busca de um parceiro (sério) que aporte recursos no clube, em contrapartida à implantação de uma gestão radicalmente profissional, retirando completamente os poderes dos políticos (Diretores e conselheiros) que conduziram o clube a essa situação”.

É preciso desapegar, é preciso entender que a saúde do clube está acima das convicções pessoais e só será resgatada, se é que será, com a profissionalização da gestão, com envolvimento e instalação de um sistema de gestão profissional de médio pra longo prazo condicionado a metas e objetivos para que o Guarani consiga, se é que é possível, se restruturar.

Quem já gastou ao menos cinco minutos conversando comigo desde 2013 quando estive no clube já ouviu de mim a frase que vou escrever agora: O menor dos problemas do Guarani neste momento é o futebol, é triste dizer isso, por que pra nós Torcedores Bugrinos o futebol é e sempre será o maior de todos os problemas.

Como é que vamos resolver isso? Não sei, profissionais talvez saibam e consigam, mas eu sei como é que não vamos conseguir e é fazendo exatamente o que estamos fazendo até agora, segregando, defendendo fulano ou sicrano, conturbando, criando grupos e mais grupos políticos de frentes diferentes, alas e apontando o dedo.

Quase todos nós já tentamos e não conseguimos, que tal todos tentarmos juntos acreditar que profissionais consigam? Isso o que estamos constatando pela análise da PLURI não é problema ou erro de um, é problema e erro de todos, cada um a seu tempo, mas tempo é tudo o que o Guarani não tem.

 

Marcos Ortiz

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