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Na Vitória ou na Derrota

Na Vitória ou na Derrota – Final – Da Série A para o abismo

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Neste oitavo e último capítulo da nossa série vamos analisar os piores períodos da história do Guarani. Vamos iniciar a Série com o Bugre jogando a Série A do Campeonato Brasileiro e Série A2 do Paulista, passar por dois vice campeonatos Paulistas (A1 e A2) e terminar com o Bugre jogando a Série C nacional e novamente a Série A2, ufa, vamos a eles, e já aviso, esta será a mais longa de todas as partes, até por isso mudei um pouco a apresentação e algumas partes importantes viraram conteúdos à parte, com links de acesso, porque vou encerrar o retrospecto de qualquer maneira, e por ter certeza que ficará muito grande, não teremos nesta parte a colocação de fotos ou imagens, pois tornaria este conteúdo em um infindável livro de quase 100 páginas (não que tenha ficado muito menor que isso)…

Portanto, se você procura uma leitura rápida, não conseguirá. Por favor, acesse este conteúdo apenas com muito tempo de sobra para poder conferir todos os detalhes deste capítulo final.

Na parte anterior deixamos o Bugre num momento único, cheio de esperanças e prestes a conseguir um objetivo buscado há anos, jogar as duas primeiras divisões, tanto no Paulista quanto no Brasileiro, mas esta esperança não se concretizaria e muita coisa aconteceria nos fatos a seguir.

O Bugre tinha dois objetivos em 2010, no primeiro semestre subir na Série A2, uma tarefa tida como simples, se considerarmos que o time vice campeão da Série B estava quase mantido, e se manter entre os 16 melhores do Brasileirão no segundo semestre. Pequenos, mas importantíssimos. Era a hora de carimbar o passaporte de volta! Confira no link como foi a campanha na Série A2 de 2010.

Vadão foi mantido, o time teve algumas alterações e a Torcida, imprensa, enfim, todo mundo tinha certeza que este seria o último degrau do Guarani para voltar ao seu devido lugar. Faltava só mais um acesso para esta imensa e sofrida Torcida comemorar as primeiras divisões no estadual e no nacional novamente, mas dentro de campo o favoritismo não se confirmou, pior ainda, até as últimas rodadas a equipe lutou contra um impensável rebaixamento para a Série A3 que foi afastado quando ao final a acanhada e distante 14ª colocação, garantiu a permanência na A2, uma vergonha a menos.

Na Copa do Brasil o adversário era um desconhecido Araguaína-TO, e sem facilidades, mas com duas vitórias (1×0 fora e 2×1 em casa), avançamos para o confronto contra o Fortaleza pela segunda fase. e chegou a hora de pegar o Fortaleza pela Copa do Brasil.

No jogo de ida uma derrota por 2×0 parecia sacramentar a eliminação do Bugre, mas duas semanas depois o Bugre, em uma partida emocionante, conseguiria sua classificação para a terceira fase vencendo o jogo no Brinco por 2×0 e vencendo nas penalidades por 4×3. Alegria, que mais adiante se transformaria em uma grande vergonha, afinal o adversário da terceira fase era o Santos.

Não havia mais clima, e mesmo depois de vencer o Fortaleza (a partida aconteceu três dias depois do final da Série A2), Oswaldo Alvarez encerrava mais uma passagem pelo Brinco, mas o Guarani ainda tinha um jogo importante pela frente antes de iniciar o Campeonato Brasileiro da Série A. Restava ao Bugre jogar contra o Santos na Vila Belmiro e assim foi, já comandado interinamente por Waguinho Dias que outra grande vergonha aconteceu.

Jogando com Juliano; Cássio, Dão e Valdir; Alex Cruz (Léo Mineiro), Cléber Goiano, Maycon, Walter Minhoca (Moreno), Fabinho e Fabinho Almeida; Anderson Costa (Da Silva), o Guarani sofreu uma goleada vexatória por 8×1 e a Torcida teve certeza, teria sido muito melhor ser eliminado pelo Fortaleza e evitar mais esta vergonha. Duas semanas depois o Bugre apenas cumpria tabela enfrentando um time reserva do Santos, venceria a partida por 3×2 com dois gols de Richard Falcão nos minutos finais da partida, mas não havia o que comemorar, era hora de pensar na Série A do Brasileiro que já batia às portas.

Sem conseguir o acesso, a empolgação da Torcida após a excelente campanha do final de 2009 havia sido trocada pela intolerância, ninguém mais aguentava tanta instabilidade no futebol, que só não complicava ainda mais as coisas porque o Bugre ainda tinha direito a uma boa “mesada” vinda do Clube dos 13. Ainda assim a Torcida Bugrina esperava ansiosamente por dias melhores, pois depois de cinco temporadas (2005, 2005, 2007, 2008 e 2009) o Guarani encerrava seu período de maior ausência até então longe da elite nacional. Antes disso apenas em 1992 o Clube havia passado as temporadas de 1990 e 1991 jogando a Série B, mas sem jamais pensar em Série C e tantos outros sofrimentos.

Um pouco antes da decisão da Série A2, no dia 12 de abril um fato marcaria os bastidores e o futuro do futebol brasileiro. O Clube dos 13 passaria por um processo eleitoral e a briga ia muito além do nome do novo presidente, de um lado estava Fabio Koof, do outro estava Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo, que vinha apoiado pela CBF e pela Rede Globo, a mãe do Clube dos 13, e a eleição teve de tudo nos bastidores, até data antecipada de novembro para abril, mas o que o Guarani tem a ver com isso? Simples, depois desta eleição, aliado à Rede Globo e à CBF, o ex-presidente do Corinthians, Andres Sanches comandou o movimento que explodiu e acabou com o Clube dos 13, passando aos clubes a negociação direta com a emissora sobre seus valores de direitos de transmissões.

Mas, mais do que isso, o grupo de oposição lamentou muito, pois contava com três votos, o do Guarani, através de Leonel, da Portuguesa e do Flamengo, ex-clube de Kleber Leite, comandado por Patricia Amorin. A eleição terminou 12 x 8 para Fábio Koof, com estes três votos ela seria outra, mas o presidente Bugrino (e estas informações são de bastidores da época, não são nem nunca serão confirmadas por ninguém), teria se comprometido com o outro grupo e decidiu voltar atrás, votando a favor da reeleição de Koof. Nem precisa dizer que a briga entre Guarani e Rede Globo aumentou ainda mais a partir deste momento.

Série A de 2010 – Sonho que virou pesadelo para o Bugre

Para a Série A do Brasileiro a decisão da diretoria foi trazer Vagner Mancini para comandar a equipe, e o Bugre apostou em um elenco com vários jogadores experientes, com destaque para o atacante Roger, que mesmo tendo um passado negro em sua carreira, tornaria-se o principal destaque da equipe no início do Brasileiro, outro destaque nestes jogos iniciais (a competição seria interrompida para a disputa da Copa do Mundo) era Mazola, jovem revelado pelo São Paulo, mesmo clube de Roger (confira como foi a participação Bugrina na Série A de 2010 no link ao lado).

Dentro de campo veio mais um rebaixamento, depois de passar 13 jogos sem vencer nas últimas 13 rodadas da competição, o Bugre ,que chegou a brigar por uma vaga na Libertadores da América no início da Série A, depois da paralisação para a Copa do Mundo desabou e foi rebaixado com três rodadas de antecedência.

O Clube que estava a um passo de voltar ao seu devido lugar, em uma única temporada havia dado dois passos para trás. Permaneceria mais um ano na Série A2 e passaria o ano do seu centenário jogando também a Série B do Brasileiro. Mas a diretoria ainda se viu no direito de organizar um jantar para comemorar o encerramento do ano. Sim, iríamos comemorar a permanência na Série A2 e o rebaixamento na Série A do Brasileiro, e alguns comemoraram… Por criticar esta decisão, recebi várias ameaças. No Guarani a promessa era de me processarem por formação de quadrilha caso eu realizasse o protesto isolado que divulguei de comparecer à frente do Brinco uniformizado e comer uma marmitex em homenagem aos que entrassem para o jantar de encerramento. Não pude ir, fui surpreendido à noite com uma viatura da Polícia Militar na porta da minha casa, sem nenhum motivo, e só consegui sair bem mais tarde. Passei por lá, encontrei três amigos, conversamos no antigo Ka Dog que existia em frente ao portão principal e fui me embora, porque a dor ainda era grande.

O Centenário e o fim de uma era

Chegou 2011, o ano do Centenário do Guarani Futebol Clube, mas antes disso duas coisas aconteceriam. Primeiro o Guarani voltava à disputa da Série A2 buscando seu acesso no Paulista, depois, no meio disso tudo, no dia 01 de março, o Clube passaria por um processo eleitoral mais uma vez. Ano de expectativas, e mesmo vivendo tudo o que vivemos nos anos recentes, era preciso abrir mão da dor para homenagear e celebrar os cem anos da nossa paixão e agradecer àqueles que em 1911 criaram o Guarani Futebol Clube de tantas glórias e histórias (convido vocês a lerem o conteúdo referente à Festa Popular do Centenário no link ao lado).

Dentro de campo o Bugre apostou em Argel Fucks, ex-zagueiro que estava começando sua carreira como treinador há poucos anos e teria a missão de levar o Bugre ao seu acesso. Um início de competição muito bom, uma vitória em casa sobre o São Bento por 3×0. O time bastante diferente, afinal as “estrelas” trazidas para a Série A jamais permaneceriam para disputarem uma Série A2 e o Bugre foi a campo com a seguinte escalação: Emerson; Chiquinho (Rodrigo Heffner), Aislan, Aílson e Brida; Carlos, Dadá, Rodrigo César (Leânderson) e Márcio Guerreiro (Fabinho); Marcos Dener e Bruno Rangel.

E foi um início de Série A2 muito bom, o time seguiu invicto por sete rodadas, colecionando cinco vitórias (São Bento 3×0, Atlético Sorocaba 2×1, PAEC 1×0, Rio Branco 1×0 e RedBull 2×1) e dois empates (Palmeiras B 0x0 e XV de Piracicaba 1×1). Pronto, o Bugre de Argel era líder do Grupo 2 da Série A2 ao final da sétima rodada e parecia caminhar tranquilo rumo ao acesso.

A primeira derrota veio na rodada seguinte quando o Bugre perderia por 3×1 para o São José, fora de casa, mas logo na rodada seguinte o time reagiu e venceu em casa o União Barbarense por 2×0. Hora de parar para disputar a Copa do Brasil.

O adversário seria o União Rondonópolis-MT, e a expectativa era que o Bugre conseguisse eliminar o jogo de volta para poder se concentrar na Série A2. Começou o jogo e parecia que tudo aconteceria como o script. Com gols de Ronaldo, Marcos Dener e Dadá, aos 14 minutos de jogo o Bugre já vencia o adversário por 3×0, e precisava apenas de dois gols de diferença para conseguir a vaga. Ainda no primeiro tempo o Rondonópolis diminuiu o placar aos 27 minutos, mas o Bugre estava avassalador e aos 37 minutos Flávio marcava o quarto gol. Bugre 4×1, era só segurar ou até mesmo ampliar o placar e voltar para casa classificado porque no fim de semana tinha Série A2. Quem disse? Tinha ainda o segundo tempo…

O Bugre sofreu uma pane em campo, aos 09 minutos o União marcou o segundo gol e um minuto depois marcou o terceiro. Que coisa, mas ainda dava para tentar marcar mais um golzinho e assegurar a vaga. Que nada, completamente apático em campo, o Guarani viu Maricá cobrar uma falta aos 22 minutos e empatar a partida por 4×4, e restou ao Bugre segurar o jogo e por pouco não sofrer o quinto gol. Mesmo com este resultado ruim, a folga era grande, o Guarani só não poderia perder em casa, qualquer empate até o limite de três gols daria a vaga, e no jogo de volta na semana seguinte um horroroso empate por 0x0 no Brinco de Ouro cravou o Guarani na segunda fase da Copa do Brasil.

No Paulista a campanha já não seria mais a mesma, a equipe que iniciara a competição atropelando, passou a alternar derrotas (2) e empates (2), mas era preciso mais um capítulo negativo para que a “era Argel” se encerrasse.

Nos bastidores, com a promessa de uma “cobrança de penalidade” (o que depois saberia-se ter se tratado de um tremendo blefe, pois a negociação envolvendo o patrimônio do clube em troca de R$ 230 milhões, mais um estádio, clube e CT novos…), Leonel Martins de Oliveira, com cerca de 80% dos votos, venceria a eleição disputada com Horley Senna e ganhava um mandato de mais três anos que jamais seria completado por ele e seus pares. O grande trunfo usado durante a campanha foi finalmente a conclusão de negociações que já duravam mais de três anos. Segundo Leonel, mas das quais pouco sabia-se publicamente, pois tudo era tratado a portas fechadas, com a participação de poucos interessados e três pessoas, Leonel e seus vices Zezo dos Santos e Jurandir.

A diretoria do Guarani comandada por Leonel era formada pelo seu primeiro vice, Zezo; o vice financeiro, Jurandir Assis; o vice administrativo, Oduvaldo Luiz de Camargo; o vice comercial, Walter Caetano, o vice patrimonial, Luiz Ferrari, e o vice social Diamantino Mendes.

Voltando ao campo, com as eleições realizadas em uma terça-feira de muita chuva, na mesma noite o time entrou em campo e venceu o Palmeiras B por 2×0 no Brinco, chegando ao 2º lugar do Grupo. Esta partida havia sido adiada, e valia pela segunda rodada do segundo turno.

Foi em São Paulo, no campo do Nacional, que o vexame aconteceu. Na rodada seguinte o Bugre foi enfrentar o PAEC, adversário que já havia vencido no primeiro turno e sofreu um verdadeiro banho. Final de jogo, PAEC 5×0 Guarani e a última escalação de Argel Fuks comandando o Guarani teve Emerson; Thiago Maciel, Neto, Guilherme Mattis e Brida; Carlos, Ronaldo, Rodrigo Paulista (Luís Gustavo) e Márcio Guerreiro (Carlinhos); Marcos Dener e Flávio (Dairo). Após a partida, quando todos esperavam a entrevista coletiva de Argel, quem apareceu foi o presidente Leonel Martins de Oliveira, que além do péssimo jogo, da humilhante goleada sofrida e dos resultados que já não eram tão bons, justificou a saída do treinador que gostava de conversar com samambaias por outro motivo: “Ele vem comandar o Guarani vestindo camisa preta?”.

Após perder para o PAEC o Bugre cairia para a quarta colocação no seu grupo, ocupando exatamente a última vaga entre as equipes que se classificariam para disputar o acesso, e o escolhido para comandar a equipe na sequência foi outro ex-jogador. Quem chegava era Vilson Tadei, meia que até havia jogado pelo Bugre na década de 1980, já classificado e fazendo sua estreia na segunda fase da Série A2 (a classificação veio com a quarta colocação conquistada após o empate por 1×1 com o Barbarense, fora de casa, no dia 27 de março, um domingo pela manhã).

Antes, porém, mais uma decepção dentro de campo, pela Copa do Brasil. Depois do sufoco de ter cedido o empate por 4×4 e conquistado a vaga na segunda fase com um sofrível empate por 0x0 no Brinco, o Bugre enfrentaria o Horizonte-CE em duas partidas, tentando chegar à terceira fase, mas dentro de campo o favoritismo nunca se confirmou. Fora de casa um resultado que, pelo regulamento, poderia ser considerado bom, afinal o Bugre empatou por 1×1 e poderia até empatar por 0x0 no Brinco para avançar, desastrosamente empatou em casa por 2×2 e acabou eliminado por uma equipe completamente desconhecida no cenário futebolístico.

Ao menos o foco estaria voltado apenas à Série A2, pensava-se, e o Bugre estava no grupo ao lado de São José, Rio Preto e Comercial, e com quatro vitórias (São José 2×0 e 3×2 e Rio Preto 3×1 e 4×2, e dois empates, (Comercial 1×1 e 3×3) chegava à final da Série A 2 contra o XV, em Piracicaba. A festa do acesso já estava garantida, era uma partida de festa mas por quê não tentar comemorar um título?

Na final, um espetáculo nas arquibancadas, uma arbitragem desastrosa, um time jogando com um homem a menos, corajoso, guerreiro e que sofreu o segundo empate na partida apenas aos 31 minutos do segundo tempo, para a prorrogação e depois às penalidades. O marco ficou para todo o tempo de duração da prorrogação, quando de pé, todos os mais de 2 mil Bugrinos presentes ao Barão de Serra Negra cantaram sem parar, dando o fôlego e o empurrão que o time dentro de campo, por ter um homem a menos, não tinha mais. EMOCIONANTE e INESQUECÍVEL, porém o título não veio. O time que empatou por 2×2 no tempo normal, 0x0 na prorrogação e perdeu para o XV nas penalidades por 4×2 teve: Emerson; Neto, Aílson e Aislan; Chiquinho (Thiago Maciel), Carlos (Bruno Rangel), Dadá, Rodrigo Paulista e Carlinhos; Fabinho e Marcos Dener (Luís Gustavo). Técnico: Vilson Tadei.

Pronto, a Série A1 já era realidade. Agora era brigar pelo acesso na Série B do Brasileiro e voltar à elite, o lugar do Bugre no cenário do futebol brasileiro. Problema: entrevistado logo após o acesso, ainda em Piracicaba, as declarações de Leonel Martins de Oliveira acabaram com o resto de tolerância que ainda havia entre a Torcida e a diretoria. Em meio à festa do acesso, vendo a grande presença de público em Piracicaba e a força que todos criaram naquele momento, ele falou: “Agora nossa preocupação é não sermos rebaixados novamente no ano que vem, o Guarani já começa o Paulista como candidato ao rebaixamento”. Pronto, acabou!

E para piorar, a sina de uma boa campanha, seguida de outra ruim, voltaria a se fazer presente, e eu quero falar não de bola rolando, mas de toda a irresponsabilidade administrativa cometida durante todo o segundo semestre e 2011, quando o Bugre, comandado por Giba (falecido há pouco tempo), que depois de algumas rodadas ruins veio substituir Vilson Tadei, tendo no elenco HOMENS de verdade, e contando com tantos outros homens honrados como meu amigo Walter Grassmann, teve que superar um dos maiores calotes da história do futebol.

O Brasileiro da Série B começou em 21 de maio de 2011 e acabou em 26 de novembro do mesmo ano, portanto foram pouco mais de seis meses de competição, e pouco menos de sete meses incluindo os 15 dias entre a Série A2 e o início da Série B. Alguns jogadores foram mantidos do elenco anterior, outros foram recontratados, mas fora de campo o que se viu foi um verdadeiro absurdo, a Diretoria Executiva comandada por Leonel Martins de Oliveira deixou de pagar os salários de todos, atletas, comissão técnica, funcionários e prestadores de serviços do clube por sete meses seguidos, foram os meses de maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro de 2011.

Resultado: funcionários desesperados, atletas desesperados, comissões técnicas desesperadas e o Bugre exposto na mídia com toda esta situação em todo o país. Atletas não tinham dinheiro para abastecerem seus carros, outros sofriam com apreensões de veículos e teve até casamento desfeito, isso falando do time profissional, porque a situação dos funcionários do clube era desesperadora, mas mesmo com todo este processo absurdo, muitos permaneceram, e permanecem até hoje, bravamente desempenhando suas funções;

Vez ou outra “pingava um vale”.

Jogadores ameaçavam greve, e o time via um rebaixamento bater à sua porta, mas alguém tinha que comandar este verdadeiro avião sem piloto chamado Guarani. Ao menos nos vestiários, o Clube teve piloto e co-piloto: Giba e Grassmann, que contaram com a ajuda de outros pilares do elenco, mas é preciso ressaltar o maior deles, o atacante Denilson, jogador que havia feito praticamente toda sua carreira no futebol do exterior e com isso vivia uma situação privilegiada em relação aos demais no aspecto financeiro.

Foi Denilson quem partiu em auxílio a alguns companheiros mais necessitados ajudando-os financeiramente a cumprirem pequenos compromissos diários, e dentro de campo o time conseguiria superar este momento, mas fora dele alguém teria que pagar, e ao menos no campo político, pagou, Leonel Martins de Oliveira tornou-se o primeiro e único presidente destituído da história agora centenária do Guarani Futebol Clube (Confira no link ao lado um pouco dos bastidores que antecederam e que marcaram a Assembleia Geral que votou pelo impeachment).

A Assembleia Geral de Sócios que destituiu Leonel Martins de Oliveira começou às 20:00 de segunda-feira 21 de novembro e só acabou por volta das 02:30 da madrugada de terça-feira 22 de novembro de 2011 e quem assumiria o Clube até a definição de uma nova Diretoria Executiva, que segundo o estatuto social seria eleita pelo Conselho Deliberativo era o empresário Antonio Sagula, presidente do Conselho.

Com o resultado da Assembleia Geral, Leonel que havia prometido aos atletas pagar algo em torno de R$600 mil como parte dos salários atrasados, ao deixar o Clube, deixou também um ambiente de incertezas, inseguranças e desespero para todos. Naquela semana o medo da Torcida era que o time não entrasse em campo na última partida da Série B, que aconteceria no dia 26 (domingo). Os R$ 600 mil nunca apareceram, acreditava-se que estivessem nas receitas do Clube, mas jamais foi localizado este valor. Até mesmo a quota da Federação Paulista de Futebol pela disputa da Série A1 já estava praticamente toda antecipada, e não havia como solicitar nenhuma nova antecipação de valores. O Clube dos 13, a grande muleta do Guarani nos últimos 12 anos, implodira, com a decisão de outros clubes em negociarem diretamente junto à Rede Globo suas quotas pelas transmissões dos jogos do Campeonato Brasileiro.

Durante a semana os jogadores convocaram uma entrevista coletiva e ali, todos juntos, ao lado da comissão técnica, anunciaram que decidiriam isso até o final da semana, mas que naquele dia não treinariam.

Uma campanha de arrecadação de recursos até foi iniciada, sócios foram convidados a pagarem as antecipações de suas anuidades sociais, sócios torcedores a anteciparem suas mensalidades, assim como proprietários de cadeiras vitalícias e camarotes. Um dos opositores a Leonel, Horley Senna, seguiu com outras campanhas de arrecadação, e a promessa era que todos os valores ali arrecadados seriam destinados ao pagamento de parte dos salários atrasados, entregue aos atletas e comissão técnica. Pouco se arrecadou, mas a mobilização serviu ao menos para resgatar parte da confiança do time, que finalmente tinha alguma satisfação sendo prestada e decidiu entrar em campo para enfrentar o Goiás.

O Bugre venceu a partida com gols do meia Felipe e do atacante Marcelo Macedo, e outro momento inesquecível foi a comemoração de todos, jogadores e torcedores, à beira do tobogã, após o apito final. Devemos e deveremos muito sempre a esses atletas, também devemos ao saudoso Giba e ao inesquecível Walter Grassmann que hoje trabalha no futebol do oriente. Este tipo de dívida não se paga com dinheiro, só com reconhecimento. O time que venceu o Goiás: Emerson; Bruno Peres, Gabriel, Lucas Fonseca e João Paulo; Dadá (Rodrigo Paulista), Lusmar, Leandro Carvalho e Felipe (Marcelo Macedo); Fabinho (Jefferson Luís) e Denílson. Muito obrigado a eles e aos demais atletas, são campeões sem troféu, e o Bugre terminou a Série B na 12ª colocação.

Indicado e apoiado por Leonel, Marcelo Mingone assume o Guarani

A reunião extraordinária do Conselho Deliberativo foi convocada por Antonio Sagula para o dia 29 de novembro, exatamente uma semana depois da confirmação da destituição de Leonel Martins de Oliveira. Nela, em uma articulação, Leonel, que esteve presente ao ato, indicou o nome de Marcelo Mingone, até então diretor de futebol amador do Guarani para sua sucessão, e conseguiu. O Conselho, todo ele montado a partir da Chapa inscrita por Leonel, aceitou em deliberação. O Guarani que tinha um novo presidente com mandato até abril de 2014, esperava também uma vida nova.

Ao lado de Mingone foram eleitos os demais integrantes da nova Diretoria Executiva: José Pedro Silva Neto, primeiro vice-presidente; Nelson Sampaio, vice financeiro; José Ricardo Lucarelli, vice administrativo; Francisco Cirillo, vice social; Marcelo Santos, vice patrimonial, e Aparecido Donizete, vice comercial.

O Paulistão de 2012, e que Paulistão!

O Guarani não tinha tempo para muita coisa, era preciso montar um novo time para disputar a Série A1 do Paulistão, afinal o acesso conquistado agora seria enfim disputado.

Uma catástrofe prevista… mas não foi nada disso! Depois de assumir o Clube prometendo dar andamento e acelerar a negociação comandada por Leonel e seus pares, Mingone mudou o discurso e abandonou qualquer mesa de negócio, ao menos nas entrevistas. O novo presidente anunciou que o Clube seria administrado com os recursos arrecadados em parcerias e patrocínios de camisa, e teria um grande aliado a seu favor, os elencos Sub-17 e Sub-20 inteiros para serem negociados.

Para a competição, a decisão foi a mais acertada possível, e o Bugre anunciou a volta da dupla Vadão e Gersinho. Além desta notícia quem estava de volta à Diretoria de Futebol era o empresário Claudio Fernandes (Corrente), que na sua última passagem comandou o futebol Bugrino no vice campeonato Paulista de 1988, e assim, no mês de dezembro de 2011 o Bugre começa a se preparar para a disputa do Paulistão, e que Paulistão!

Com uma campanha irretocável, o Bugre conseguiu terminar a primeira fase do Paulistão na quarta colocação, venceu o Palmeiras nas quartas de final e viveu um momento inesquecível ao vencer a semifinal da competição que foi marcada por um dérbi no Brinco de Ouro da Princesa. De virada, o placar final marcou 3×1 para o Bugre, no dia em que Medina escreveu seu nome na história do Clube e do clássico.

Na hora de fazer a festa, veio a tempestade. Por decisão em reunião na Federação, Marco Polo Del Nero, o presidente do Santos e Marcelo Mingone anunciaram que por acordo entre as partes, as duas partidas seriam disputadas no estádio do Morumbi. Uma vergonha!

Mas nem mesmo essa vergonha foi capaz de diminuir o orgulho dos mais de 20 mil Bugrinos que estiveram no estádio assistindo a primeira partida dessa final. Dentro de campo, nos dois jogos, o Bugre não conseguiu o título, perdeu a primeira partida por 3×0 e a segunda por 4×2, mas festejou muito a campanha e voltou para casa com mais um troféu, o de vice-campeão Paulista de 2012. As coisas estavam voltando ao seu devido lugar. Era só subir na Série B e pronto, estaríamos no nosso lugar de direito em 2013. Era só questão de tempo!

Vocês repararam que mesmo com todos os nossos problemas e dificuldades, muitas foram as vezes que estivemos perto disso entre 2009 e 2012? O Guarani, mesmo derrapando, com dificuldades de arrecadação, com todos os problemas trabalhistas, fiscais, tributários, cíveis, judiciais e políticos, viveu a expectativa de voltar à elite, tanto no Brasileiro quanto no Paulista, mas na hora de cravar o mastro, vinha mais um passo para trás.

Não foi diferente em 2012, quando depois de conquistar o vice campeonato Paulista o Bugre não poderia deixar de ter a atribuição novamente de favorito ao acesso na Série B. O próprio Guarani acreditou tanto nesse favoritismo que acabou se esquecendo de olhar para o retrovisor e não viu que estava sendo ultrapassado durante a competição por outros adversários, mas insistia em olhar para a frente. O raciocínio até estava correto, mas a prudência pedia cuidados.

Treinador mantido, time refeito, algumas saídas, outras chegadas, mas a base da equipe vice campeã estava mantida ao início da competição. O time da estreia na Série B de 2012 menos de uma semana depois da final do Paulistão, jogando e empatando por 1×1 com o Paraná fora de casa tinha: Juliano; Bruno Peres, Rodrigo Arroz, André Leone e Bruno Recife; Wilian Favoni (Rafael Araújo), Fábio Bahia, Danilo Sacramento e Medina (Clebinho); Fabinho e Ronaldo (Emílio). Técnico: Oswaldo Alvarez.

Ao contrário das campanhas milagrosas anteriores, as primeiras rodadas não foram amigas do Guarani, apenas na quarta rodada o time conseguiu sua primeira vitória. Nos três jogos anteriores foram dois empates (Paraná 1×1 e Boa-MG 0x0) e uma derrota (Joinvile 2×0), e assim, já pressionado, o time entrou em campo para enfrentar o Ceará no Brinco de Ouro ocupando a 16ª colocação, muito cedo, mas o Bugre já estava no limite da zona do rebaixamento.

Com problemas de saúde que culminariam em uma cirurgia cardíaca (além de um desentendimento camuflado com Mingone), Claudio Fernandes se desligava da Diretoria de Futebol e Roberto Constantino que era diretor adjunto assumia o cargo.

Enfim veio a vitória por 4×1 e como a competição ainda apenas começava, os três pontos trouxeram um salto de posições e o Bugre terminou a quarta rodada na nona colocação. Era hora de buscar regularidade para se fixar no pelotão de frente, missão que Vadão conhecia bem, mas a regularidade novamente não veio. Ao contrário, veio mais uma série de jogos sem vitória, quatro ao todo, com dois empates (Barueri 2×2 e ABC 1×1) e duas derrotas (Vitória 1×0 e América-RN 1×0), pronto, na metade do primeiro turno o Guarani estava na zona do rebaixamento, ocupando a 17ª colocação.

A Torcida não entendia porque o atacante Bruno Mendes, destaque do Paulista e principal revelação das categorias de base do Bugre na época, não jogava. O jogador era constantemente convocado para a Seleção Brasileira Sub-20, e entrava em campo, mas ao voltar para o Bugre nada de jogos. Simples, ele já estava negociado, mas precisava de um arranjo jurídico para poder ser transferido. Outra perda, o Guarani negociou o atacante Fabinho, ídolo da Torcida, com o Cruzeiro-MG.

Aliás esta negociação de Fabinho não envolvia dinheiro, ao menos foi o noticiado à época, mas o Bugre teria o direito de escolher atletas do elenco cruzeirense que não estivessem nos planos da equipe para reforçar seu grupo, e ai surgiu mais uma daquelas coisas inexplicáveis. Auxiliar Técnico de Vadão, Gersinho foi para Belo Horizonte garimpar estes atletas e voltou a Campinas exatamente na semana da partida contra o América-RN, viajando para Natal com a delegação, mas não trouxe consigo nenhum jogador.

Antes do início dessa partida a imprensa divulgou e a delegação confirmou, que Gersinho teria passado mal ainda no hotel, não seguiu para o estádio com a delegação e iniciaria tratamento assim que retornasse a Campinas. Esta foi a última partida da dupla Vadão/Gersinho. Estava desfeita uma parceria de trabalho que durava mais de duas décadas. Oficialmente Gersinho teria tido um ataque de síndrome do pânico, mas nos bastidores falava-se em esquema na negociação e contratação de jogadores. Melhor encerrar o assunto por aqui, até em respeito a toda sua história anterior dentro do clube do ex-jogador revelado nas categorias de base, integrante do elenco Campeão Brasileiro em 1978, e lembrando que esta série tem o único objetivo de encontrar nossos erros para tentar corrigi-los e retomar o caminho.

Aquele definitivamente não era o campeonato do Guarani. Muito instável, a equipe vencia uma partida e passava uma sequência de jogos sem voltar a vencer. Hora de olhar no espelho, programar as próximas rodadas e evitar o risco que ninguém queria correr, afinal, era melhor adiar o sonho de voltar à Série A por mais um ano do que ter que recomeçar tudo de novo jogando a Série C. Fora de campo, o ambiente no Bugre realmente era outro, parecia que as coisas, ao menos nos bastidores, haviam voltado aos bons tempos e não se ouvia mais falar em atraso de salários, pelo contrário, eles eram pagos antes dos vencimentos, no dia 1º de todo mês.

A que preço… claro, amparado por um bom trabalho de marketing e comercial na negociação de patrocinadores para a camisa e demais setores do Clube, mas amparado também na negociação precoce de todas as promessas das categorias de base do Guarani. O Clube já havia perdido o meia Leo Citadini, Bruno Mendes estava negociado, o atacante Douglas Tanque havia tido seu contrato rescindido e se transferido para o Corinthians, o meia Rafael Gava inexplicavelmente apareceu no Inter-RS, e para fechar, os poucos restantes como o volante Eduardo, o atacante Adelino e a maior promessa de todos eles, o meia Boschilia haviam sido negociados com o São Paulo. O presidente Marcelo Mingone tentou negar quando eu trouxe a informação, me chamou de mentiroso, entre outras coisas, aos microfones das emissoras de rádio locais, mas quem compra quer receber, e uma hora, mais cedo do que eu esperava, o São Paulo veio buscar seus jogadores. Eduardo foi por empréstimo com opção de compra fixada em R$ 1.2 milhão, os demais foram vendidos por aproximadamente R$ 600 mil (cada um? Não, os dois).

O Bugre ainda tinha mais um bom talento, era o lateral-esquerdo Murilo que estava envolvido nesta mesma negociação, mas este atleta não seguiu para o Morumbi. Permaneceu no Brinco, mas infelizmente conseguiria no ano seguinte romper seu contrato pelo atraso nos salários e encargos sociais. Uma pena, tinha futebol e futuro.

Voltando ao futebol, o Guarani se aproximava da reta final do Campeonato Brasileiro da Série B, a campanha era a mesma, uma vitória aqui, uma derrota e um empate acolá, mas o discurso da comissão técnica e diretoria não mudava, o Guarani lutava pelo acesso, mesmo com chances remotas. Ninguém admitia pensar em se manter na Série B, só em subir para a Série A.

Depois de duas goleadas seguidas na 30ª e 31ª rodada, Vadão não resistiu. O Bugre perdeu no Serra Dourada por 5×0 para o Goiás e em casa para o América-MG por 3×0, e já não dava mais para falar em acesso como 14º colocado. Agora era administrar o restante dos jogos e subir ficava para o ano seguinte.

Vilson Tadei foi escolhido para substituir Vadão, e assumiu a equipe na 32ª rodada, faltando apenas sete jogos para o fim da Série B e com uma pequena gordura em relação ao 17º, primeiro time na zona do rebaixamento. Assumiu a equipe na semana da partida contra o Atlético-PR fora de casa e voltou de lá com um empate por 1×1 (o gol Bugrino foi marcado pelo goleiro Emerson, cobrando falta). Restava ao Bugre nos seis jogos finais conquistar duas vitórias e pronto, matematicamente não caia mais.

Duas derrotas seguidas, uma para o Criciúma no Brinco por 2×1, outra fora de casa para o Guaratinguetá pelo mesmo placar, e a conta estava ficando apertada. Agora faltavam quatro jogos, e era preciso vencer dois. Na rodada seguinte todo mundo respirou aliviado, o Bugre venceu o ASA-AL no Brinco de Ouro por 2×1 (coincidentemente as duas equipes eram patrocinadas pela mesma empresa, a ASA Alumínio), abriu sete pontos de vantagem para o 17º colocado e parecia ter alcançado o objetivo de estar assegurado na próxima Série B, tanto que nessa semana o presidente negociou um dos seus principais jogadores, o zagueiro Neto. Titular absoluto, foi informado logo em seguida que teria que viajar para Santos, foi levado para a Vila Belmiro, passou por exames, e no dia seguinte teve o anúncio de sua contratação oficialmente feito. O presidente achava tão impossível perder uma vantagem de sete em nove pontos possíveis, que abriu mão do jogador? E Neto ficaria sem jogar no Santos até o início da Série A1 do Campeonato Paulista.

Acabou? Ainda não, essa mesma semana seria marcada por duas coisas, dentro de campo o Bugre perdeu na sexta-feira (09/11) para o Avaí fora de casa, mas o problema maior viria no dia seguinte:

No sábado (10/11), pela manhã, todos ficaram surpresos. Meu telefone tocou ás 06h da manhã com uma informação que eu me recusei a acreditar. Preferi esperar a confirmação oficial, e ela veio, Marcelo Mingone acabava de renunciar à presidência do Guarani. Argumentos de Mingone para a renúncia: Forte pressão política de oposição e a crença de que um grupo maior e com mais poder financeiro assumiria o Clube dali em diante.

Fato: Não havia mais jogador para negociar, a base não tinha mais promessas. Neto foi o último recurso e os cerca de R$ 600 mil recebidos pela sua venda seriam usados para pagar os salários que há poucos dias haviam vencido.

Com a saída de Marcelo Mingone quem assumiu o Clube interinamente foi o advogado Rodrigo Ferreira, então presidente do Conselho Deliberativo. Dinheiro em caixa? Não havia… Surpreendentemente, ao contrário do que se imaginava, havia sim salários não pagos, despesas não cobertas e o pior, o Guarani tinha dois jogos e precisava vencer um. A boa notícia, o último jogo contra o São Caetano seria no Brinco; a má, o São Caetano brigava pelo acesso.

Na rodada seguinte, em meio a todo este ambiente conturbado, com os jogadores querendo saber como e quando receberiam seus salários, com os funcionários do Clube desesperados, já imaginando que aquilo que acontecerá até 2011 voltaria a ser prática comum, O Bugre foi a Maceió enfrentar o CRB-AL e poderia ter escapado do rebaixamento naquela partida, a penúltima da competição. Medina abriu o placar para o Bugre em um jogo cheio de pressão de bastidores, pois as duas equipes corriam risco de queda. Era ali, estava acabando o calvário da Série B de 2012, mas o destino e o futebol guardam coisas que nenhum outro lugar do mundo vai trazer. Vocês se lembram de Denilson, o jogador que partiu em auxílio aos seus companheiros na campanha da Série B de 2011? Pois bem, Denilson estava no CRB, e o Bugre, que vencia a partida até os 39 minutos do segundo tempo, viu o mesmo Denilson empatar a partida.
O empate não servia, o Guarani não havia entrado na zona do rebaixamento, estava na 16ª posição, mas precisaria vencer a última partida em casa para não ter que depender de nenhum outro resultado, mas a situação piorou quando aos 46 minutos o CRB virou o placar com gol de Paulo Victor. Placar final, CRB 2×1 Guarani.

Assim o Bugre partiu para a última semana da Série B tendo o São Caetano e um único objetivo: Vencer, vencer ou vencer.

Os 9.608 pagantes assistiram atônitos ao gol marcado por Danielzinho aos 21 minutos abrindo o placar para o São Caetano e vibraram como nunca aos 28, quando Danilo Sacramento empatou o jogo. Mais um gol e o Bugre escapava. O São Caetano já sabia, pelo sistema de som do estádio, que não subiria mais, pelos critérios de desempate não chegaria à quarta colocação, mas aos 30 minutos do segundo tempo o mesmo Danielzinho marcou o segundo gol e o sistema de som então aliado, virou carrasco. Sem conseguir reagir, o Bugre perdeu, e a combinação de resultados agora o colocava na 18ª colocação. O Vice-Campeão Paulista estava de volta à Série C por volta das 18:00 do dia 24 de novembro de 2012. Era algo inacreditável e impensável, mas era real.

Não se esqueçam, o Bugre ainda estava sem presidente. Restava uma última saída: DESPOLITIZAR!

Nos bastidores, defendido por mim à época, surgiu um movimento de coalizão, uma frente contendo todas as correntes políticas existentes no Clube que assumiria sua gestão até o encerramento do mandato que ainda era o último de eleição de Leonel Martins de Oliveira iniciado em 2011. Várias reuniões aconteceram, participei de uma delas e lembro-me bem quando Rodrigo Ferreira, então presidente em exercido disse que o Clube precisava de R$ 7 milhões apenas para fechar o ano sem dever nada. Por mais que negue, foi eu mesmo quem fez a pergunta à pessoa que se tornaria o novo presidente: Álvaro, você tem bala na agulha para isso?

Recebi como resposta um aceno positivo com a cabeça, os demais presentes também ouviram (ou viram) a resposta.

E o processo de “coalizão” teve de tudo, menos despolitização. Um dos grupos, a ONG Garra Guarani, anunciou nos últimos dias que não participaria da articulação que traria a nova gestão. Restaram os outros três, o grupo ligado ao empresário Álvaro Negrão; o grupo chamado Mude Já, ligado aos advogados Horley Senna e Palmeron Mendes, e o grupo chamado Renova Guarani, que deixou claro prestar apoio aos novos gestores, mas não aceitar nenhum cargo na gestão.

Para que a aclamação da “coalizão” acontecesse era preciso ainda mais um detalhe, a prerrogativa de eleger a nova diretoria era do Conselho Deliberativo, ele somente poderia sair entre os integrantes do Órgão, como os integrantes da chapa ligados ao Grupo Mude Já não eram Conselheiros, era preciso que todo o Conselho renunciasse, para ai sim, um novo Conselho ser eleito e uma nova diretoria nascer a partir dele, e foi assim que aconteceu.

Assembleia Geral marcada para o dia 29 de novembro, expectativa para a confirmação dos nomes e principalmente dos cargos. Mais briga, mais discussão, Claudio Corrente e Amoroso que haviam se comprometido a assumirem respectivamente o futebol profissional e amador, anunciaram que se retiravam da composição. Com a imprensa toda aguardando, chegou uma informação desencontrada: não haverá acordo, não há nome de consenso entre todos os grupos para assumir a presidência.

Pouco depois, já passado o horário de abertura da Assembleia, todos saíram do Queijo, e estava decidido, Alvaro Negrão seria o presidente, Horley Senna o primeiro vice, e os demais cargos estavam divididos entre os dois grupos: Vice Financeiro, Gustavo Tavares; Vice Administrativo, Haroldo Elias Sobrinho; Vice Comercial, Éric Keller; Vice Patrimonial, Daniel Moraes, e Vice Social, Palmeron Mendes Filho. Detalhe, de toda a nova Diretoria Executiva, apenas o presidente não era advogado.

Terminou a Assembleia, os sócios aceitaram e empossaram ali a “Chapa de Coalizão”. Veio a eleição, então, entre os novos Conselheiros, para a presidência do Conselho Deliberativo, e se candidataram ao cargo os advogados Rodrigo Ferreira, presidente do Conselho que acabara de renunciar, e Paulo Souza, à época ligado à ONG Garra Guarani. Rodrigo Ferreira foi eleito, e o natural era que Paulo Souza fosse eleito como vice presidente, mas não houve interesse dele. Surgiu um único candidato para o cargo, Rogério Giardini, que foi eleito pelos Conselheiros recém-empossados. Quem sabe agora a coisa vai…

Não foi.

Eu não ouvi, eu vivi muito do que vem a seguir

Esta é a última parte desta série, a mais difícil de ser escrita e contada, e ela será contada muitas vezes em primeira pessoa. Não escrevi essa parte para agradar ou desagradar ninguém, a intenção é apenas relatar o que vi, vivi, senti e constatei, é uma visão pessoal onde não há a intenção de nomear culpados, há o compromisso de transparecer tudo o que aconteceu num passado tão, mas tão recente ainda, que muita gente tem muito a escrever, opinar ou contrariar o que aqui constará, mas isso foi o que eu vivi.

Infelizmente não havia dinheiro suficiente, a eleição trouxe uma realidade que quem vivia os bastidores Bugrinos já conhecia, mas o Torcedor comum, aquele que vive a paixão por seu time de futebol da forma mais ampla e inocente possível, indo aos jogos, comemorando as vitórias, chorando as derrotas e voltando para casa, jamais vai aceitá-la, porque ela é dolorida.

Eu ainda mantinha o Planeta Guarani nos primeiros meses da gestão. Claro, tinha muita proximidade e fácil acesso ao Brinco e ao Queijo. Conhecia os problemas no dia a dia e, claro, me surpreendia, pois eles eram muito maiores do que os que sabia existirem.

No meu entendimento três erros marcaram este período. Três erros e um problema grave que hoje sei que jamais será resolvido e extirpado do seio do Guarani. Os erros? Fácil apontar:

1) Faltou alguém que conhecesse futebol (a saída de Claudio Corrente e Amoroso enfraqueceu o grupo neste sentido).

2) Faltou trabalho na área comercial e no marketing. Não havia planejamento financeiro para pagamentos e captação de recursos através de investimentos. Parte dos R$ 7 milhões prometidos até viriam ser aportados no Guarani, mas viriam diluídos em forma de empréstimos. Isso, aliado à pequena arrecadação com as mensalidades sociais, eram as únicas fontes de receita, mas empréstimo não é receita, é dívida.

3) Faltou comunicação. E você pode me perguntar como é possível, diante de tantos problemas e erros cometidos durante este período, atribuir à falta de comunicação uma importância desta natureza, mas sim, ela teria essa importância no processo. Era preciso manter todos, sociedade, Torcida, empresariado, enfim, todos, a par do real momento e estágio vivido pelo Guarani, e isto não foi feito.

Pela falta de alguém que entendesse de futebol, eu me permito dizer que o Guarani passou duas temporadas (2013 e 2014) sem fazer futebol. Só andou para trás, nunca para a frente. Pela falta de atuação na área comercial (e este problema não é responsabilidade de nenhuma pessoa que tenha trabalhado no departamento), o Clube não conseguiu captar qualquer tipo de recurso substancial para a manutenção de suas despesas mínimas, recorrendo aos empréstimos.
Pela falta de comunicação, o Clube não transmitiu essa informação como ela deveria ter sido transmitida, virou refém daquilo que ora um dizia, ora outro dizia, sempre publicamente. Jamais houve qualquer tipo de linha de comunicação desenvolvida, e isto também não é algo relacionado a nenhum dos grandes profissionais que trabalharam neste departamento durante o período.

Esses foram os erros, qual foi o problema? Acho que você já sabe a resposta, mas lá vai: A POLÍTICA.

O Guarani começou a gestão de coalizão disputando a Série A1 do Paulistão, mas sem os recursos da quota de transmissão pagos pela Federação Paulista. A opção era tentar uma antecipação da quota de 2014, o que foi negado com o seguinte argumento: assim que o Clube não sofrer mais nenhum risco de rebaixamento, a antecipação da quota pode ser solicitada e será feita. Pronto, a Federação também já havia deixado seu recado.

No campo administrativo era impossível tocar aquilo da forma como estava. A folha salarial, entre futebol e todos os outros departamentos do Clube, ultrapassava R$ 1.5 milhão por mês, como fazer isso sem absolutamente nenhuma receita? A solução foi óbvia, mas necessária, mesmo sem pagar indenizações rescisórias, toda a Diretoria Executiva aceitou a necessidade de dispensar elenco e grande parte dos funcionários.

Houve erros, cortaram valores, não cortaram pessoas, alguns que queriam continuar foram dispensados, outros que talvez não quisessem mais prosseguir, e tinham toda a razão, pois vinham ainda acumulando meses de salários vencidos ainda da gestão Leonel Martins de Oliveira, continuaram. Entre atletas e funcionários, a partir desta decisão, o Guarani ficou com uma despesa mensal de aproximadamente R$ 650 mil. Ainda era muito, mas já era muito menos.

Sem dinheiro e recorrendo a empresários, não só para montar o time, mas para pagar taxas de inscrição e até despesas de hospedagem, além de viagens para jogos fora de casa, o que se viu no Guarani naquele Campeonato Paulista foi uma sucessão de erros. Um time remendado, um treinador que durou apenas três jogos e não resistiu a uma derrota num dérbi em casa, pedindo demissão. Mas, mesmo apresentando outros motivos, ficou claro que a saída era motivada por questões internas. Zé Teodoro e Isaías Tinoco não conseguiam falar a mesma língua.

Aquilo não era o Guarani, o que os torcedores viam em campo não era nada parecido com a história mais que centenária do Clube. A decisão de trazer o técnico Branco, visto à época também como uma jogada de marketing, foi mais um tiro no pé, e sepultou as chances de escapar do rebaixamento logo na quarta rodada.
Branco era um grande ex-jogador, mas não era, e nunca será, um treinador. Com ele o time colecionou 7 derrotas, 2 vitórias e 4 empates, Faltando três rodadas, com o time já virtualmente rebaixado, ele convocou a imprensa para uma coletiva e anunciou sua saída. Segundo Branco, saia para que o time pudesse reagir nas mãos de outra pessoa e não cair, mas era impossível. O rebaixamento estava consolidado e o foi na rodada seguinte com mais uma derrota. A última cena desta campanha foi o Brinco de Ouro interditado pelo Corpo de Bombeiros e tendo apenas uma área de arquibancada liberada para fechar a cortina no jogo contra o Barbarense na última rodada.

A liberação só foi possível graças ao trabalho voluntário de vários Torcedores que numeraram às pressas a área embaixo do tobogã. E isso, junto à instalação de corrimões nas escadas e troca de placas de sinalização, permitiu ao clube mandar um jogo em casa para uma capacidade total de cerca de 1.500 pessoas. Mas antes, pela Copa do Brasil, o Bugre acabara eliminado jogando em Limeira, ao vencer o Confiança-SE por 1×0, mas perdendo nas penalidades por 4×2.

Foi desse jeito que começou a gestão, com uma campanha vergonhosa, sem pagar salários a jogadores e funcionários por meses e pior, com o risco de não ter o estádio Brinco de Ouro para a campanha do Brasileiro da Série C que começaria pouco tempo depois.

Quando a Torcida entra em campo é assim…

Eu ainda não fazia parte da diretoria, colaborava sim, mas sem cargo e era preciso continuar com o trabalho de numeração das arquibancadas. Não havia outro caminho, era preciso contar com a ajuda de Torcedores para terminar o que começamos.

E assim foi, durante mais de um mês, graças a um grupo de pessoas às quais jamais vou conseguir agradecer e a quem o Guarani deve muito por isso, que concluímos a numeração de 24.995 lugares, as duas cabeceiras e o tobogã. Também conseguimos como alguns outros Torcedores a doação, em troca de publicidade no site oficial do Clube, para que o material usado na confecção de todos os demais corrimões necessários fosse possível, e assim, com o Departamento de Manutenção e o grupo de Torcedores trabalhando juntos, o Brinco foi liberado para a Série C e o Bugre pôde jogar em casa diante de sua Torcida.

Eu realmente jamais conseguirei agradecer a todos eles. O Clube nem tentou…

No olho do furacão

Neste momento talvez eu tenha cometido o maior erro da minha vida ligada ao Guarani, mas era preciso. Recebi o convite para assumir a Diretoria Geral. Ninguém nunca me perguntou por quê, mas eu respondo: De todas as gestões recentes do Guarani, aquela era, sem dúvida, a mais frágil de todas, e eu, justamente eu, que tanto havia defendido uma gestão de coalizão, não poderia me recusar a participar dela.

Sim, eu estava errado. Nunca houve coalizão, de um lado Álvaro tomava suas decisões, de outro Horley tentava rebatê-las sem sucesso. No meio disso tudo? Estava só o Guarani, nada mais.

E o Guarani começou a se ver envolvido por uma enorme briga de egos, algo digno dos tempos de Leonel e Beto Zini, mas sem os principais atributos dos dois. Trocas de e-mail se tornavam públicas, problemas eram “vazados” para a imprensa, decisões eram informadas sem nenhum planejamento, e o pior, não havia plano de arrecadação de recursos e receitas. Até conseguimos criar alguma receita vendendo os poucos camarotes que estavam disponíveis e algumas cadeiras vitalícias, mas era pouco, cerca de R$ 125 mil.

Pouco sim, mas suficiente para pequenas despesas como inscrições de jogadores para a Série C, algumas despesas mensais vencidas e alguns adiantamentos salariais. Voltamos à época do “de vez em quando pingava um vale”.

Mas e o futebol, Ortiz? Bom, com tanta coisa extra campo para relatar, o futebol está disponível no link à esquerda, basta clicar e relembrar como foi o Bugre na Série C de 2013, a “Era Pugliese”.

Dinheiro só com empréstimos; receita, só mesmo a arrecadação das mensalidades sociais e um ou outro acordo publicitário que, pela situação jurídica do Clube, era sempre de valor reduzido, mas fundamental para pagar salários. Geralmente a divisão era assim: O dinheiro obtido nos empréstimos ia para pagar os atletas, o das mensalidades sociais, sócios torcedores e acordos de patrocínio ou publicidade ia para o pagamento dos salários. Começamos a conseguir cumprir alguma coisa, finalmente, mas empréstimo não é receita, lembram-se? É endividamento.

Durou pouco tempo a minha “primeira passagem”. No dia da entrega do meu relatório mensal da Diretoria Geral, uma discussão com o vice presidente financeiro e pronto, eu pedia meu desligamento. Voltei pouco depois, com a promessa de apenas colaborar durante um período de ausência por viagem do presidente Álvaro Negrão, e ai veio mais problema. Depois de ter o estádio interditado e só liberado com a atuação do mutirão entre os Torcedores e o Clube, mais uma bomba cairia sobre o Brinco:

Fomos comunicados que a Vigilância Sanitária acabara de interditar o refeitório e a cozinha do Clube. O que fazer? Havia cerca de 450 refeições diárias que tinham que ser servidas a funcionários, colaboradores e atletas profissionais e amadores. A interdição foi justa, aquilo estava uma vergonha, eram mais de 18 meses desde a última limpeza, a estocagem de alimentos estava irregular, os equipamentos de refrigeração também. Enfim, não havia o que contestar, era trabalhar, arrumar, limpar e esperar pela liberação.

Enquanto o Departamento de Manutenção trabalhava arrumando o refeitório é importante dizer que absolutamente nenhuma das refeições necessárias deixou de ser servida, e depois de quase sessenta dias, entre muitas vistorias que sempre encontravam um motivo ou outro, e depois de conseguirmos doações de equipamentos como freezers, comprarmos mesas, trocarmos forrações de azulejos por placas de aço, enfim, depois de uma nova mobilização, o refeitório finalmente foi reaberto. Que alívio.

Eu fui ficando… passou o primeiro, o segundo, o terceiro mês e eu estava lá, à frente da gestão. As atribuições estatutárias do cargo de Diretor Geral faziam do cargo uma espécie de “auxiliar do vice social”, função esta que, depois da renuncia do vice administrativo Alberto Elias Sobrinho e a nomeação do então vice social Palmeron Mendes Filho na vaga, passou a ser exercida pelo Rubão, o Rubens Vicente Junior, que sempre esteve presente exercendo suas funções, mas a presença dos demais vices era pequena e foi preciso atuar em outras áreas como a administrativa, a financeira e a de patrimônio, por exemplo.
Não era uma missão fácil, afinal eu tinha a atribuição, mas não a autonomia necessária para tomar as decisões também necessárias. É como um médico ter o diagnóstico, receitar o tratamento, mas ter que esperar pela reunião de uma junta, ou de um clínico superior, para saber se o doente poderá ou não receber o remédio… e muitas vezes a resposta era não.

Enquanto dentro de campo o time que começou a Série C atropelando todo mundo, passou 11 rodadas sem perder, 10 delas sem sequer sofrer nenhum gol, e parecia caminhar tranquilamente para um acesso, começou a derrapar, fora de campo era aquilo, os salários dos atletas até vinham sendo pagos relativamente em dia, já os funcionários… alguns acumulavam cinco meses sem receber.

Parte destes problemas acabou sendo contornado com a negociação feita em juízo pelo jogador Eduardo, que se recusou a continuar seu vínculo com o Guarani a mando de seu empresário (adivinhem quem era), mas foi, por decisão judicial, impossibilitado de treinar ou jogar por qualquer outro clube de futebol durante 30 meses. Em acordo, o Banco BMG comprou a parte pertencente ao Guarani por R$ 400 mil, e Eduardo se transferiu para o Atlético Mineiro.

Mais um desentendimento e mais uma saída. Ao final do mês de setembro estava eu fora da diretoria novamente. Duraria pouco, eu voltaria cerca de duas semanas depois, já em meio a uma crise interna pois agora, além dos atrasos nos salários dos funcionários, também os jogadores estavam sem receber.

Sim, eu já havia sido comunicado a essa altura que em alguns meses haveria dinheiro para regularizar os salários. O Guarani havia tido parte do seu terreno às margens da Rodovia dos Bandeirantes desapropriada, mas era preciso manter sigilo. A concessionaria havia consignado o valor (pouco mais de R$ 2 milhões) e se não houvesse a solicitação de penhora, ele seria liberado. Você confere os detalhes desta polêmica situação no link ao lado.

A essa altura, a convivência entre Álvaro e Horley já não existia, estava chegando o momento do processo eleitoral que aconteceria em maço de 2014 e cada um deles seguia sua “campanha eleitoral”. Os vices haviam se afastado todos. Poucas vezes, apenas para assinar cheques e curtas passagens, aparecia alguém. A gestão infelizmente estava nas mãos de duas pessoas, o presidente e eu, mas só um evidentemente tinha poder de decisão, o presidente. No futebol duas pessoas atuavam, o presidente e o Diretor de Futebol Rogério Giardini, ninguém mais da diretoria opinava.

Outra bomba? Por decisão do Corpo de Bombeiros a Federação Paulista acabara de interditar o Brinco de Ouro e as exigências agora eram monstruosas, muito mais do que era possível fazer. A interdição aconteceu no dia 10 de dezembro, entre outras coisas, por falta de saídas de emergência, exigência de barreiras anti-esmagamento em todo o tobogã, uma espécie de parapeitos de fora a fora em toda a largura do espaço, instalação de portões com travas anti-pânico, e até sistema de dutos de água para evitar incêndio, era (e ainda é) tanta exigência, que ficava difícil até pensar em por onde começar.

2014, O Brinco de Ouro não foi a nossa casa

O Guarani iniciou uma interminável negociação com o Corpo de Bombeiros. Resultado: depois de passar um jogo em 2013 com estádio interditado pela Copa do Brasil e ter seu refeitório interditado no mesmo ano, agora era o estádio todo que não poderia ser aberto para o público. Ainda no final de 2013 veio a informação, o Brinco havia sido escolhido pela Seleção da Nigéria para treinamentos durante a Copa do Mundo de 2014 e passaria por grandes reformas no seu gramado, salas do departamento de futebol profissional e vestiários. Graças a uma ideia do amigo Fernando Pereira, conseguimos incluir também o salão social nesta reforma atribuindo ao local a função de sala de imprensa.

Onde jogar? A opção única na região era Paulínia, estádio com aparente boa estrutura. O de Jaguariúna não poderia ser utilizado, pois também passaria por obras no mesmo período, e todos os demais estádios exigiam pagamentos de locação (Limeirão, Décio Vitta, Mogi Mirim, entre outros). Mas havia um problema, o estádio de Paulínia precisava de obras, nada substanciais, mas obras básicas para poder receber uma liberação do Corpo de Bombeiro que já não acontecia fazia dois anos.

Vamos reformar… tintas cedidas pelo amigo Renato Pires foram utilizadas, nosso departamento de manutenção teve que ser todo deslocado para Paulínia, e assim foi por quase um mês. Pronto, estava chegando a hora de estrear em casa na Série A2, o estádio era acanhado, a capacidade pequena, cerca de cinco mil pessoas apenas, mas era o que tínhamos. Só que, faltando pouco mais de uma semana, uma tempestade devastou o local e boa parte da cidade de Paulínia. O estádio, que estava todo reformado, teve vestiários, muros de proteção e alambrados destruídos pelas águas. Por sorte surgiu Bragança Paulista. O presidente do Bragantino, ao saber pela imprensa do problema, ofereceu o Nabi Abi Chedid para o Bugre mandar seus jogos até que a situação de Paulínia fosse resolvida, mas ao contrário de Paulínia, Bragança era relativamente longe.

Com Márcio Fernandes comandando a equipe, o Bugre estreou fora de casa, a Lupo havia encerrado seu contrato de fornecimento de material esportivo e o Clube estrearia as camisas da Kappa em Rio claro, contra o velo Clube. Detalhe, camisas confeccionadas em prazo recorde de 20 dias.

Diante de uma grande presença de Bugrinos, dentro de campo veio o primeiro sinal de que as coisas não seriam fáceis. O Bugre perdeu para o Velo Clube por 3×1. Pronto, sem casa para jogar, sem dinheiro, e com um time que mostrava limitações logo no início. O time entrou em campo nesta partida com Douglas; Medina, Gustavo Bastos, Everton Luiz e Jefferson (Roninho); Ricardo Oliveira (Andrezinho), Eduardo Eré (Everton), Diego Souza e Fumagalli; Fabinho e Giba. Técnico: Márcio Fernandes.

Em Bragança o gramado era excelente, um verdadeiro tapete, a estrutura de vestiários ótima e o time se sentia confortável, mas isso não foi suficiente para vencer. Na primeira partida disputada como mandante o time não saiu de um empate por 0x0 com o Grêmio Osasco. A primeira vitória viria na rodada seguinte, fora de casa o Guarani venceu o São José por 2×1 e confirmou a reação ao vencer em Bragança Paulista o São Caetano por 2×0. Problema: Público dos dois jogos em Bragança: 528 e 737 (sendo 167 sócios torcedores não pagantes).

Neste momento chegava ao fim o trabalho da Comissão de Estudos para a Reforma do Estatuto Social do Guarani e era hora de apresentar à Assembleia Geral de Sócios o resultado da redação daquele que seria o novo Estatuto, que previa um Conselho proporcional entre as chapas inscritas. Resultado: mais uma briga política, de um lado um grupo defendendo a mudança imediata, de outro lado um grupo defendendo que o novo Estatuto Social, ou pelo menos sua vigência, fosse deixado para depois das próximas eleições. Isso transformou novamente o ambiente do Clube num verdadeiro inferno. Na véspera da data em que havia sido marcada a Assembleia Geral, uma liminar foi concedida a um associado e ela teve que ser cancelada, apesar dos esforços para tentar cassar a liminar logo nas primeiras horas da manhã daquele sábado, que não deram resultado.

A Assembleia Geral foi remarcada para o dia 21 de fevereiro e ai sim, com a aprovação da maioria dos sócios presentes, o Guarani passou a ter um novo Estatuto Social, com vigência imediata.

Na rodada seguinte, o Guarani faria outro jogo como mandante, mas sem a opção de Bragança Paulista pois o estádio receberia uma partida do Bragantino. A única opção foi mandar este jogo para Indaiatuba, cidade bem mais próxima a Campinas. O prejuízo nesta partida foi muito menor, o público foi maior que o dos anteriores, 1.411 pagantes estiveram no estádio, mas a estrutura do local não comportava um jogo do Guarani. O gramado era ruim, as arquibancadas e vestiários, piores ainda. O resultado conseguiu ser pior que tudo isso: Guarani 0x1 Marília.

Esta derrota para o Marília acabou trazendo uma grande pressão com protestos (justos) da Torcida na saída do estádio, mas trouxe uma reação da equipe que voltaria à briga por uma das vagas. Afinal, os quatro primeiros colocados subiriam direto, sem jogos extra, era turno único e pontos corridos. Foram seis jogos invictos, infelizmente com mais empates do que vitórias. Foram 04 empates (Monte Azul 0x0, Mirassol 1×1 e Itapirense 1×1)e 03 vitórias (Baruerí 2×0, Ferroviária 2×1 e Barbarense 2×0) até que finalmente aquilo que parecia ser uma boa notícia acontecesse: finalmente as novas reformas do estádio de Paulínia haviam acabado.

Mas mesmo quando as notícias eram boas, algo acontecia e a partida contra o RedBull seria marcada por uma quase tragédia vivida nas arquibancadas do estádio Luís Perissinotto. Algo que independeu das forças de quaisquer dos envolvidos na organização da partida, a Prefeitura de Paulínia, que através do Secretário Municipal de Esportes Marcos Bortolloti não mediu esforços para ter o Bugre em sua cidade, ou o Guarani Futebol Clube. No link você confere os detalhes daquele sábado fatídico.

Em campo, o Bugre abriu 2×0 no placar, um gol no primeiro tempo e um gol no início do segundo e, mesmo em meio a uma tremenda confusão causada pela superlotação do estádio, parecia que os três pontos viriam para recolocar a equipe no G4. Só parecia, na segunda etapa a equipe sofreu dois gols e cedeu o empate, ficando muito mais afastada da zona de classificação, mas ainda tendo seis jogos para disputar.

Infelizmente, para todos nós, o time depois daquela partida não seria mais o mesmo. A partir daí, os salários deixaram de ser pagos, e sem receber não era possível esperar que os jogadores conseguissem reagir nas rodadas que ainda restavam. Vieram os quatro jogos seguintes, onde o Guarani conheceu quatro derrotas consecutivas (Guaratinguetá 3×2 e Catanduvense 3×2, ambas “fora de casa”.

Paralelo a isso era preciso ainda fazer um trabalho muito árduo, difícil mesmo, para que o processo de auditoria independente obrigatório fosse conduzido da melhor maneira possível, afinal, se este trabalho resultasse em mais uma reprovação de contas (o Clube vinha de dois anos seguidos com suas contas reprovadas) do exercício de 2013, todos os pretensos candidatos à presidência do Conselho de Administração estariam automaticamente inelegíveis pela Lei Pelé.
Este trabalho foi comandado por Rogério Giardini, profissional da área. O Guarani deve a ele a correção dos rumos financeiros do Clube, a aprovação das contas, mesmo que com ressalvas, mas infelizmente para que isso fosse possível foi preciso consolidar absolutamente tudo, e após a reapresentação dos balanços de exercício de 2011 e 2012 que haviam sido reprovados e a apresentação do balanço de exercício de 2013, com parecer favorável, porem com ressalvas, o total da dívida do Clube estava ali, eram assustadores R$ 225 milhões.

Chegamos ao dia 25 de março, data escolhida para as eleições do Clube, primeiras sob o regime do novo Estatuto Social aprovado em 21 de fevereiro e que definiriam os novos integrantes do Conselho de Administração, Conselho Fiscal e Conselho Deliberativo. Depois de muita discussão nos bastidores, duas chapas concorriam ao Conselho de Administração, a chapa “Avante Guarani”, comandada por Álvaro Negrão, e a chapa “Mude Já”, comandada por Horley Senna, mas o resultado de aparente vitória acabou sendo configurado como de fato uma derrota. Uma terceira chapa foi inscrita para concorrer apenas ao Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal.

Ao final da apuração de votos muito equilibrada, a chapa “Avante Guarani” conquistou o Conselho de Administração, mas viu a chapa concorrente, a “Mude Já”, fazer o maior número de Conselheiros Deliberativos e eleger a totalidade do Conselho Fiscal, ou seja, a Administração do Clube estava estabelecida, mas teria não só uma forte oposição, como também muita dificuldade para conseguir governabilidade, pois o novo Estatuto Social reforçara em muito os poderes dos dois outros Órgãos.

Foram eleitos para o Conselho de Administração Álvaro Negrão, Felipe Roselli, Gustavo Moura Tavares, Maria Cristina Orlando Siqueira, Adriano Hintze, Luiz Antonio Carreira Torres e Eric Keller Tavares de Camargo, mas poucos dias após a posse Eric Keller comunicaria sua renúncia ao Conselho de Administração. No Conselho Fiscal, o advogado Palmeron Mendes Filho foi eleito Presidente e no Conselho Deliberativo o também advogado Vicente de Paulo Bonaldi Souza foi eleito Presidente.

No dia seguinte à eleição, o Guarani voltou a campo e perdeu novamente, agora para o Santo André por 2×0 em Paulínia. A pressão sobre a nova gestão se tornava insuportável, mas ainda pioraria muito. Quatro dias depois voltou a campo em Paulínia para enfrentar o Capivariano e conheceu outra derrota, desta vez por 2×1.

Pela Copa do Brasil, mais melancolia. O adversário era o desconhecido Santa Rita-AL. O primeiro jogo seria fora e o segundo “em casa”. Na primeira partida, um empate por 0x0 que não era de todo ruim, pois trazia a decisão para Paulínia bastando uma vitória simples para a vaga na fase seguinte estar assegurada. Antes do jogo de volta restava ainda ao time entrar em campo pelo Paulista da Série A2, agora não mais pensando em subir, mas impensavelmente tendo que conseguir um resultado na penúltima rodada para escapar matematicamente de qualquer risco de rebaixamento.

Aqui, no dia 03 de abril eu deixo a Diretoria Geral do Guarani Futebol Clube. O novo Estatuto Social havia sido extinto, e no lugar foi criada a Superintendência Executiva, um cargo remunerado que o Conselho de Administração definiria de acordo com sua análise. Ainda volto, mas para uma curta passagem, no mês seguinte.

O Guarani foi a Batatais e saiu de campo com um placar de 0x0 sob muitos protestos por parte da torcida local que insinuava um “acordo” de bastidores. Mas polêmicas à parte, com este ponto o rebaixamento estava eliminado. Hora de vencer o Santa Rita e voltar o foco para a sequência da Copa do Brasil, não sem pensar também na formação do elenco que disputaria a Série C, ai sim, podendo brigar por um acesso.

Mas o que se viu na despedida de Márcio Fernandes do comando da equipe não foi nada disso. Dentro de campo o Bugre foi atropelado pelo time alagoano nos minutos iniciais e com dois gols, um aos 02 minutos, outro aos 07, mal viu o jogo começar e já estava perdendo por 2×0. Para seguir era preciso virar o placar, e os 457 pagantes nas arquibancadas de Paulínia viram Medina marcar, diminuindo o placar, mas apenas aos 36 minutos do segundo tempo. Final de jogo, derrota para o Santa Rita e eliminação na Copa do Brasil com a seguinte escalação: Juliano; Medina, Anderson, Wellyson e Jefferson (Tiago Cavalcanti); Eduardo Eré, Wellington Simião (Giba), Everton e Fumagalli; Fabinho e Fernando (Igor Eloy). O futebol realmente não andava, restava se despedir da Série A2 e tentar aprender com os erros cometidos até ali para poder finalmente na Série C fazer a lição de casa e buscar o acesso.

Na despedida, um time quase todo formado por jogadores das categorias de base e comandado interinamente por Carlinhos. O Guarani que perdeu para o Rio Branco em Paulínia teve Diego; Afonso (Marcinho), Anderson, Jorge Luiz e Léo Rigo; Wellyson, João Víttor, Lorran e Everton; Neto (Víctor Bandeira) e Giba (Víctor Romanini). De todos os que iniciaram a partida ou entraram no decorrer do jogo, apenas o zagueiro Jorge Luiz e o atacante Giba não eram pratas da casa. Deles, apenas Jorge Luiz terminou a partida em campo, e aquele time, mesmo perdendo o jogo, mostrou que ainda existia algum futuro, pois o Departamento Amador conseguia colocar quase um time inteiro em campo e enfrentar um jogo de igual para igual, perdendo por 3×2, mas mostrando bom futebol.

Aprendemos? Não, pelo contrário, cometemos os mesmos erros.

A primeira decisão foi anunciar a saída do diretor de futebol Rogério Giardini, sem trazer ninguém para o seu lugar. Se nos campeonatos anteriores havíamos errado ao trazer, primeiro, um time de jogadores de empresários para ser rebaixado na Série A1; recorremos à base do time da Caldense-MG para não conseguir o acesso na Série C, e novamente a empresários para montar o time que disputou a Série A2, o Guarani cometeu o mesmo erro: trouxe a base do Capivariano que havia acabado de ser campeão da Série A2 para disputar a Série C.

O técnico era o Bugrino e ex-jogador das categorias de base, Evaristo Piza. Seu pai, Julio de Toledo Piza, havia escrito uma linda história treinando equipes de base do Bugre por quase duas décadas, e Evaristo não merecia passar pelo que passaria. Do time praticamente inteiro formado na base e usado na despedida da Série A2, ninguém seria mantido, alguns treinariam com o elenco principal, mas nenhum deles seria opção para o time titular, poucas vezes ficariam entre as opções do banco e menos vezes ainda jogariam.

Com vários jogadores vindos do Capivariano e repetindo uma mescla das receitas usadas em todas as competições anteriores, o Bugre entrou em campo na sua estreia pela Série C contra o São Caetano no dia 27 de abril de 2014 e perdeu por 1×0 jogando com: Wânderson; Oliveira (Thiago Carpini), Jorge Luiz, Petterson e Pedro Henrique; Hélio, Wellington Simião (Joãozinho) e Samuel; Leleco (Ramos), Silas e Fabinho.

Na segunda rodada, o fantasma de não poder jogar no Brinco de Ouro permanecia e o Bugre agora havia firmado um acordo com a prefeitura de Americana, mandando seus jogos no estádio Décio Vitta. Era a única opção, e até mesmo em termos de presença de público, ao contrário de Bragança Paulista, traria um resultado muito melhor. Mas, logo na primeira partida como mandante, o Guarani sofreria um duro golpe e pagaria um preço caro quando após uma briga entre sua própria torcida, teria algumas rodadas depois que cumprir uma punição muito difícil: jogaria duas partidas com os portões fechados, uma delas em Bragança Paulista, outra em Americana.

Em campo nesta partida a equipe apenas empataria com o Madureira-RJ por 1×1. Saiu na frente logo aos 02 minutos com o gol marcado por Silas e sofreu o empate pouco depois, aos 18 minutos. Ao final da segunda rodada, outro fantasma já assombrava o Guarani: o Clube era o nono colocado num grupo de 10 clubes, ou seja, já convivia com o risco de rebaixamento.

No dia 06 de maio, três dias depois desta partida, voltei ao Guarani. O Clube passava por problemas documentais sérios, não podia movimentar sua conta corrente pois o novo Estatuto Social não havia sido registrado. Havia adequações necessárias para que o Cartório de Registros aceitasse seus termos, e além disso, pelo novo Estatuto Social, era necessária a presença de um Superintendente Executivo que seria também responsável pelos pagamentos e movimentações financeiras. Voltei agora como “funcionário” para viver os últimos dias de participação nesta história.

Finalmente haviam acabado as obras de reforma no gramado e nas acomodações do Brinco de Ouro. A Seleção da Nigéria chegaria para ocupar o local em poucos dias e os últimos preparativos eram necessários. Jogar em casa? Ainda impossível.

Ainda em Americana, finalmente veio a primeira vitória. Pela terceira rodada o Guarani enfrentaria o Macaé e venceria por 1×0, gol marcado pelo atacante Silas. Na rodada seguinte, um empate por 0x0 com o Juventude fora de casa e o Bugre encerrava a quarta rodada na sétima colocação. Pouco, mas suficiente para estar fora da zona do rebaixamento.

Em seguida, mais um daqueles resultados vexatórios, o Bugre entrou em campo em Americana para enfrentar o Guaratinguetá e foi atropelado. Perdeu a partida por 5×1 escalado com Wânderson; Samuel, Jorge Luiz, Tiago Bernardi e Pedro Henrique; Hélio (Renan Mota), Wellington Simião e Fumagalli; Leleco (Cassinho), Silas e Fabinho (Flávio).

Com uma pressão infernal contra a administração que havia recém começado, e principalmente contra os rumos do futebol profissional, assim o Bugre foi para o Rio de Janeiro fazer sua última partida antes da paralisação para a disputa da Copa do Mundo. Enfrentaria o Duque de Caxias, e só restava vencer para poder ter alguma tranquilidade nos 40 dias que a equipe ficaria treinando e esperando a volta dos jogos. Mais um problema, os salários dos jogadores e do departamento de futebol teriam o segundo vencimento nos próximos dias, e era preciso pagá-los, senão o rumo seria o já conhecido em todas as campanhas anteriores.

Mais um empréstimo, e com isso os salários dos atletas e comissão técnica foram depositados na sexta-feira (30/05). O time entrou em campo na segunda-feira (02/06) com os salários em dia, mas ainda assim, pela falta de credibilidade diante de tantos atrasos, teve jogador ameaçando não viajar com o grupo no sábado, pois por conta do prazo de trâmite bancário, o lançamento só seria feito em sua conta corrente na segunda-feira. Viajou e foi titular, os créditos foram todos confirmados na segunda.

Sim, a vitória veio por 2×0 com gols de Fumagalli e Leleco ainda no primeiro tempo. Foi a primeira fora de casa e o Guarani conseguia com este resultado apenas se manter na oitava colocação, a primeira fora da zona de rebaixamento para a Série D. O time teve Wânderson; Samuel, Tiago Bernardi, Jorge Luiz e Pedro Henrique (Bruno); Thiago Carpini, Wellington Simião e Fumagalli; Leleco (Cassinho), Silas e Fabinho (Oliveira).

Fora de campo, no dia seguinte ao jogo, um novo empréstimo, e com isso os salários dos meses de março e abril foram pagos aos funcionários do Clube. Erro: pagamos os funcionários, mas infelizmente não pagamos as comissões técnicas da base nem os poucos e pequenos salários dos jogadores profissionalizados. Isso seria coberto nos dias seguintes com a entrada de recursos de patrocinadores, mas não aconteceu. Restava pagar os salários do mês de maio tanto dos atletas quanto dos funcionários que venceriam na semana seguinte, portanto ainda estavam em dia.

Agora eram 40 dias de preparação para melhorar o time e na volta da Série C voltar à briga pelo acesso, mas as coisas não aconteceriam assim.

No Brinco, a Seleção da Nigéria já fazia seus treinamentos num Brinco de Ouro reformado em parte por torcedores voluntários, que complementaram as obras bancadas pelo Poder Público, deixando o Estádio com uma apresentação digna. No dia 13 de junho haveria um treinamento aberto à torcida, e depois de uma negociação entre Corpo de Bombeiros, Prefeitura e Guarani, conseguimos um AVCB provisório de sessenta dias para 4 mil pessoas e isso permitiria ao Bugre mandar ao menos os dois próximos jogos após a Copa em casa.
Neste dia, comuniquei meu desligamento ao Presidente e ao Conselho de Administração, já não havia mais ambiente para que o trabalho continuasse, mas não por pressões externas e sim por decisões erradas tomadas internamente. Sim, o novo Estatuto havia mudado a formula de gestão, mas a prática não, ainda era o Presidente, agora do Conselho de Administração, quem tomava as decisões, e elas eram, na maioria das vezes, apenas corroboradas pelos demais integrantes do Conselho de Administração.

Aqui cabe um apêndice (mais um). Amoroso havia assumido, ao lado de Roberto Constantino, a diretoria de futebol amador, mas a estrutura inexistia. Houve uma movimentação comandada basicamente por dois Torcedores, o incansável Fernando Pereira e a associada Sueli Santiago, que apresentaram patrocinadores que puderam viabilizar uma reforma nos alojamentos da equipe Sub-20. Este trabalho durou muitos dias, foi concluído no mês de julho, já um mês depois da minha saída do Clube, mas foi concluído graças à atuação destes dois e de outros Torcedores que dedicaram seus dias a ajudar, pintar, limpar, organizar e entregar tudo em condições de uso. Uma pena que no dia da limpeza final que deixaria o espaço pronto para ser utilizado, parte destes Torcedores foi barrada por questões políticas no portão de entrada do Brinco. Sim, eu cheguei pouco depois para ajuda-los naquele sábado de manhã, fui liberado para entrar, não sem antes ter sido barrado também, e mesmo sem querer saber, depois eu soube que a ordem era direta do presidente do Conselho de Administração.

Estas foram as únicas pessoas que, até aquele momento, enxergaram o obvio: Investir na base não é custo, é exatamente isso, investimento, porque só ela, a base, pode encurtar o caminho da recuperação tanto desportiva quanto financeira. Dinheiro para a base? Era lenda… jogos tinham suas despesas cobertas, muitas vezes, com recursos pessoais que seriam reembolsadas depois, as viagens e saídas para treinamentos só eram possíveis, num primeiro momento, graças à intervenção do Torcedor Renato Pires junto à empresa Novo Horizonte que cedia veículos para transporte, não só da base como do profissional e até mesmo para que os funcionários do Clube viajassem para Bragança Paulista e outras cidades onde o Bugre mandava seus jogos no Paulistão, isso durou pouco tempo, depois a base passou a ter que pagar novamente pelos ônibus, resultado: Mais dinheiro do bolso e posterior reembolso.

Na volta do Campeonato o Bugre foi a Mogi Mirim e voltou com um resultado que até pode ser considerado bom, empatou por 0x0 com o Mogi Mirim, líder do grupo, chegando à sétima posição. O time até encaixou uma série de invencibilidade, o problema é que foram três empates consecutivos.

Aqui chegamos, fora de campo, nos bastidores, a um momento decisivo para a sequência daquela gestão. Durante o mês de maio aconteceu uma Assembleia Geral de Associados, entre outros temas, fui notificado a prestar contas das exigências feitas pelo Corpo de Bombeiros para a liberação do estádio, mas o assunto mais relevante desta reunião era a apresentação das propostas ligadas ao projeto imobiliário. Havia chegado a hora de levar aos sócios aquilo que poderia ser a salvação do Clube, ou não, como entendiam alguns…

Nesta reunião me compadeci dos membros da Comissão Imobiliária que apenas puderam ler rapidamente as duas propostas então recebidas, uma do Grupo Sena, outra da Construtora PDG, ambas lidas sem que se desse muita atenção, já pelo desgaste dos debates anteriormente travados. Ali decidiu-se convocar uma série de novas Assembleias e reuniões que culminaram com a última delas acontecendo no início do mês de agosto quando uma Assembleia Geral foi convocada, para ela foram convocadas também a Comissão Imobiliária e a PRICE WatherhouseCoopers, tudo isso para que os sócios conhecessem as em detalhes as propostas oficiais que haviam sido oferecidas e ao final deliberassem sobre qual delas atendia aos interesses do Guarani, ou se nenhuma atendia.

A Assembleia foi tudo, menos tranquila. Discursos de lá, discursos de cá, expectativa, ansiedade, defesas acaloradas pela não aprovação, demonstrativos da necessidade de aprovação e o que aconteceu? Absolutamente nenhuma das três propostas apresentadas aos Sócios do Clube foi considerada boa, e a Assembleia foi encerrada, devolvendo as três propostas para novas negociações em busca de garantias, pois todas previam a demolição do estádio sem a construção de um novo.

Participaram fazendo suas propostas ao final três grupos: O Grupo Sena ofereceu R$ 400 milhões, a Construtora PDG também ofereceu R$ 400 milhões e o Grupo Magnum ofereceu uma proposta nos moldes da que foi aprovada posteriormente, eram 14% de VGV (Valor Geral de Venda) sobre o que fosse construído no espaço que hoje contém o Estádio e a sede social do Guarani Futebol Clube.

Apenas um comentário: Hoje, menos de oito meses depois, grande parte dos Bugrinos comemora uma proposta feita em juízo pelo mesmo Grupo Sena de R$ 220 milhões, ou seja, um valor R$ 180 milhões menor do que o oferecido no ano passado. Pior ainda, a Coletividade Bugrina viu seu patrimônio ser leiloado por pífios R$ 105 milhões.

Voltando a falar da bola, na rodada seguinte, o Guarani voltaria a jogar no Brinco de Ouro, chance rara para aqueles dias. O adversário era o Caxias-RS e com uma vitória o time poderia encostar no G4, mas não, diante de 3403 pagantes, frustrou sua Torcida. Até saiu na frente, mas cedeu o empate pouco depois e deixou o campo com apenas um dos três pontos desejados, perdendo mais uma colocação. O Bugre era apenas o oitavo.

Fora de casa o time encerraria o primeiro turno com mais um empate, agora com o Tupi-MG por 1×1, que seria comemorado se não fosse a situação do Clube que precisava vencer para ainda sonhar com o acesso. Restava jogar em casa contra o São Caetano, ai sim, vencer e mostrar que o segundo turno seria diferente, naquela que seria sua última partida no Brinco de Ouro, pois o AVCB provisório venceria nos próximos dias e sem conseguir fazer as obras necessárias, o Brinco não seria liberado pelo Corpo de Bombeiros, nem mesmo parcialmente.

Nesta rodada, a série de empates foi encerrada, mas não foi com uma vitória. Diante de 3452 pagantes no Brinco de Ouro, o Bugre perdeu para o São Caetano por 1×0. Detalhe, o São Caetano estava na zona de rebaixamento e durante a competição toda conseguiu apenas três vitórias, duas delas sobre o Guarani, ambas por 1×0. Resultado catastrófico que serviu apenas para manter o time na oitava colocação, cada vez mais distante do G4, cada vez mais perto do Z2, onde estariam os rebaixados para a Série D.

Após esta partida a crise estourou. Os salários dos jogadores não eram pagos desde o mês de maio e já estávamos no dia 10 de agosto, ou seja, três meses já haviam vencido e ninguém mais aguentava aquela situação. Pressionado pela Torcida, o técnico Evaristo Piza acabou revelando ainda nos vestiários que o Clube o havia pago com cheques que voltaram, alguns jogadores também haviam recebido com outros cheques devolvidos e pronto, não havia mais ambiente nem dentro, nem fora de campo.

Nas duas rodadas seguintes o Guarani saiu para dois jogos no Rio de Janeiro e voltou com dois resultados ruins, um empate por 0x0 com o Madureira e uma derrota para o Macaé por 1×0. Pronto, o time estava finalmente na zona do rebaixamento ocupando a nona colocação. A Torcida não aguentava mais, o elenco não aguentava mais, os funcionários, na sua maioria, não aguentavam mais, nem o treinador, tampouco o presidente do Conselho de Administração aguentavam mais.

Na semana que antecedeu esta partida Torcedores organizaram um protesto que ganhou as ruas e terminou em frente ao condomínio onde morava o então presidente do Conselho de Administração Álvaro Negrão, o pedido era sua saída. Após estes fatos ele pediu licença e viajou com a família para fora do país, e foi viajando que veio a decisão de demitir Evaristo Piza. Depois de um domingo tenso e de horas de reunião, o presidente em exercício, o empresário Felipe Roselli, anunciou a contratação de Vágner Benazzi, treinador conhecido pelo sucesso em tirar equipes do rebaixamento.

Sem Piza, e sem Benazzi que tinha que cumprir uma punição e estava proibido de comandar equipes em jogos oficiais, seu auxiliar, Darcy Marques, comandou o Guarani em Bragança Paulista. Mas finalmente havia chegado a hora de cumprir a punição de dois jogos com portões fechados e o Bugre voltou a Bragança Paulista para enfrentar o Juventude e finalmente voltar a vencer na Série C. Foi magrinho, o placar final marcou 1×0 com gol marcado por Silas, mas foi suficiente para o time deixar a zona do rebaixamento e voltar à oitava colocação. Esta partida aconteceu no dia 01 de setembro, uma segunda-feira à noite e este seria o último dia de gestão de Álvaro Negrão de Lima, Felipe Ramos Roselli, Maria Cristina Orlando Siqueira e Adriano Hintze, todos Conselheiros de Administração eleitos em março.

No dia seguinte, recebi um telefonema pela manhã, fui ao Brinco, e esta foi a antepenúltima vez que entrei no Queijo. Soube ali que haviam feito uma promessa aos jogadores e que haviam emitido cheques da conta corrente do Clube para quitar os salários atrasados, pois o prazo final para estes pagamentos era o final da tarde daquela terça-feira. Sai do Queijo por volta das 14:00, havia duas promessas de aporte financeiro que acabaram não sendo confirmadas, não eram novos empréstimos, uma delas era a negociação de parte dos direitos do prata da casa João Vitor, a outra era uma troca de cheques pré-datados (que graças a Deus acabou não se concretizando também, pois nenhum deles seria compensado depois).

Jogadores se recusaram a treinar, em vez disso se reuniram nos vestiários aguardando algo que jamais seria cumprido. Esperavam por um pagamento que não seria feito e a confirmação disso veio por telefone. Sim, eu estava na sala quando em um escritório de advocacia, Álvaro Negrão recebeu a última ligação negando o aporte dos recursos necessários.

Imediatamente ele pediu sua renúncia. Estavam na mesma reunião os outros três Conselheiros de Administração já citados e que seguiram a decisão do presidente. Comunicado por telefone, outro Conselheiro, Luiz Antonio Carreira Torres comunicou o grupo que não renunciaria, enquanto que Gustavo Tavares primeiro disse que queria ser incluído entre os renunciantes, o que era impossível pois não estava presente para assinar o documento. A decisão comunicada ali era que no dia seguinte ele compareceria ao Clube e também entregaria sua carta de renúncia, mas isso jamais aconteceu.

Por volta das 17h Álvaro Negrão ligou para Fumagalli, que estava com os cheques pré-datados entregues ao elenco em promessa de pagamento e o comunicou que estava renunciando à presidência do Conselho de Administração. O argumento: apenas com a renúncia seria possível fazer o time voltar a campo e no mínimo manter o Guarani na Série C do Campeonato Brasileiro. Não havia mais a possibilidade de novos empréstimos para garantir o pagamento dos salários e sem o trabalho que deveria ter sido feito para a captação de parceiros e patrocinadores, não haviam outras fontes de receita.

Pouco depois, em novo telefonema, Gustavo Tavares comunicou Álvaro Negrão e os demais que havia conseguido junto ao empresário Roberto Graziano a quantia de R$ 150 mil que serviria como um paliativo ao pagamento dos salários vencidos. Sim, Gustavo disse que não renunciaria, se reuniria naquela noite com ele e outros empresários, e pediu aos demais que não confirmassem a renúncia, mas não havia mais ambiente, nem tampouco tempo. A palavra dada aos atletas não havia sido cumprida, e outra palavra, a de renúncia, já havia sido comunicada, como não seria possível cumprir a primeira promessa, ao menos a segunda seria cumprida.

A carta de renúncia foi entregue ao responsável pela secretaria do Clube por volta das 19h e publicada no site oficial do Clube no mesmo instante, e aqui termina a série “Na Vitória ou na Derrota”. A partir daqui o Guarani conseguiu até brigar pelo acesso nas rodadas finais. Comandado por Benazzi em dois outros jogos empatou fora de casa com o Guaratinguetá por 0x0 e venceu o Duque de Caxias em Americana por 1×0. Após esta vitória ele anunciou que estava deixando o Clube para assumir a Portuguesa, e lá acabaria rebaixado à Série C naquela temporada e Marcelo Veiga assumia o comando da equipe para as três rodadas finais. Na estreia ele empatou por 3×3 com o Mogi Mirim (depois de estar perdendo por 3×0), venceu o Caxias-RS fora de casa por 1×0 e eliminou matematicamente qualquer risco de rebaixamento, ganhando como brinde a quinta colocação e a chance de até mesmo sonhar com a classificação no último jogo contra o Tupi-MG em Americana.

Era preciso vencer a partida e torcer por uma combinação de resultados. Resumindo, precisava vencer o Tupi-MG e que tanto Macaé quanto Madureira não vencessem seus confrontos, o Macaé precisava perder e o Madureira no máximo empatar. Não deu certo, o Bugre apenas empatou com o Tupi-MG por 1×1 em Americana, o Madureira venceu o Duque de Caxias e o Macaé empatou com o Juventude, ambos se classificaram para a segunda fase, e com os demais resultados da última rodada o Bugre caiu para a sétima colocação, mantendo-se na Série C para o ano de 2015.

Seria preciso muito trabalho de quem assumiria o Clube nos meses seguintes para que isto acontecesse, mas isto é uma história que não cabe aqui. Talvez seja contada brilhantemente por alguma outra pessoa no futuro, pois esta gestão e tudo o que nela acontece ainda está em andamento. Não é história, é presente.

Muito sucesso a todos e ao Guarani neste presente que vai marcar o futuro do Clube.

Conclusão?

Não cabe a mim, cabe a cada um de vocês que acompanhou toda esta série de textos. Os erros estão todos ai listados, e foram muitos. O maior deles? Até posso tentar apontar alguns:

O Guarani sentou-se sobre uma quota do Clube dos 13 e achou que isso seria suficiente para garantir seu futuro. Não foi, porque o Clube dos 13 acabou e o Guarani não tinha na sua estrutura a capacidade de encontrar um novo caminho. Pagou e paga por isso até hoje.

O segundo erro: o Guarani passou os últimos oito anos deste relato acreditando que uma negociação de seu patrimônio resolveria todos os seus problemas. Até esteve perto de concretizá-la, não concretizou por decisões políticas que o tempo dirá se foram certas ou erradas, mas por acreditar que isso aconteceria a qualquer momento, esqueceu-se de criar novas receitas, permitiu o aumento da sua dívida e acreditou que a qualquer momento ela seria paga com uma negociação que foi tratada entre 2007 e 2014 sem que ninguém conseguisse concretizá-la.

Sim, muita gente trabalhou seriamente neste projeto nos últimos anos. Muitos ainda seguem trabalhando nele, mas como eu disse antes e repito agora, se e quando isso acontecer deve ser tratado como um bônus, o algo a mais que definitivamente resolverá os problemas graves deste Clube, mas jamais deve ser tratado como o remédio para os problemas do dia a dia do Clube. E acreditem, durante todo o tempo em que estive na diretoria, esta foi a aposta para até mesmo pagar salários de funcionários e atletas.

Jamais se concretizou, resultado: salários não pagos, empréstimos confundidos com receitas, aumento das dívidas trabalhistas, tributárias, fiscais, cíveis e um Clube que já esteve entre os maiores do futebol brasileiro cada dia mais sucateado, desacreditado, mas amparado ainda por uma Torcida que o ama e apoia, ao menos na maior parte do tempo, e só por isso o mantém ativo.

Eu sempre pensei em escrever um livro, posso agora dar isso como feito, afinal, só esta parte deste texto tem 31 páginas, somadas aos apêndices históricos chegamos a 74 páginas, se acrescentadas todas as outras sete partes temos cerca de 210 páginas que tentam resumir os últimos 41 anos de história do nosso Bugre.

Espero que ao lerem isso seja possível encontrar os rumos, mas acima de tudo, que este documento encerre uma coisa responsável por tudo o que acontece e aconteceu ao Guarani: a política, o achismo, o “eu tenho razão”. Ninguém tem, todos juntos podem um dia ter, mas sozinho ninguém tem, nem nunca terá.

Termino deixando aqui um pedido pessoal de desculpas não à Torcida, porque pouco pude fazer naquilo que a interessa, a bola, mas aos funcionários e prestadores de serviços todos do Guarani Futebol Clube. Não consegui melhorar muito aquilo que eles viviam, esta certamente foi minha maior decepção deste pouco mais de um ano que vivi dentro do Bugre.

Marcos Ortiz

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Na Vitória ou na Derrota

Na vitória ou na Derrota – Um Verdadeiro Carrossel de Emoções, o sobe e desce Bugrino – 07/08

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Se a parte 6 desta série foi a mais criteriosa, sem dúvidas este sétimo capítulo fará você viver um verdadeiro carrossel de emoções. E já no início peço desculpas, gostaria muito, mas enquanto escrevia, ao chegar à 14ª página, decidi que preciso de mais um capítulo, o oitavo da Série “Na vitória ou na Derrota”, isso porque estes quatro primeiros anos da volta de Leonel Martins de Oliveira exigem uma atenção muito especial a todos os seus detalhes. São momentos de extrema felicidade, misturados a frustrações e fracassos extremos na mesma proporção. Desculpem, terão que me aguentar mais um pouquinho.

Depois de 19 anos de afastamento, Leonel Martins de Oliveira reassume a presidência para mandato tampão de 19 meses entre junho/2006 e dezembro/2007.

Depois de 19 anos de afastamento, Leonel Martins de Oliveira reassume a presidência para mandato tampão de 19 meses entre junho/2006 e dezembro/2007.

Vamos por partes… e reencontramos o Guarani sendo administrado por Leonel Martins de Oliveira novamente após 19 anos desde a saída de seu grupo em 1987, e a posse para o mandato tampão que começaria em 05 de junho de 2006 e terminaria em dezembro de 2007. Ao lado de Leonel foram eleitos José Carlos Meloni Sícoli como Vice Presidente Administrativo e Carlos Francisco Correia como Vice Financeiro, mas em seu primeiro gesto Leonel teve que contrariar o Estatuto Social do Clube, isso porque com o pedido irrevogável de renúncia apresentado por Carlos Correia, o Presidente Bugrino convocou uma Assembleia Geral de Associados para pedir autorização (e conseguir) para eleger José Vitorino dos Santos, o Zézo, como vice presidente. Por que isso foi preciso? Porque Zézo havia acabado de se tornar sócio do Clube novamente e não tinha um ano de exigência mínima estatutária para se candidatar a cargos eletivos.

Tempos difíceis sim, mas sem dúvidas muito melhores que outros que ainda virão. Leonel assume o Clube disputando a Série B do Brasileiro, que já havia começado e no início do ano seguinte teria pela frente o desafio de disputar pela primeira vez em sua história uma Série A2 de Campeonato Paulista.

Carlos Gainete - Depois de 20 anos treinador reassume o Guarani. 1º erro da nova gestão Leonel. Foto: GazetaPress.

Carlos Gainete – Depois de 20 anos treinador reassume o Guarani. 1º erro da nova gestão Leonel. Foto: GazetaPress.

Dentro de campo surge o primeiro erro da nova gestão. O Guarani vinha em uma campanha boa comandado por Waguinho Dias e com um time recheado de jogadores das categorias de base até pouco tempo comandadas pelo próprio Waguinho, mas num lapso temporal incrível a nova diretoria decidiu anunciar um novo treinador. Chegava ao clube, ou melhor, voltava, Carlos Gainete Filho, técnico que 20 anos antes havia comandado o Guarani na campanha do vice brasileiro de 1986, mas que também havia parado por ali, sem jamais conseguir repetir uma boa campanha na sequência de sua carreira. Dúvidas, protestos e sinal de um clima temeroso no Brinco pelos meses seguintes.

A estreia de Gainete aconteceu em uma noite melancólica, mas de bom resultado dentro de campo. O Guarani enfrentaria o Gama-DF em partida válida pela 11ª rodada, já que a competição ficou paralisada durante o período de disputa da Copa do Mundo da Alemanha. Nos bastidores, o time teve que pedir para o adversário jogar de verde. Motivo: o estoque de camisas verdes fornecidos pela Finta havia se esgotado. Só restavam as camisas brancas, e assim o time entrou em campo com Fernando, Parral, Rogério, Felipe e Ademar; André Conceição, Umberto, Juliano e Deyvid; Edmílson e Marcelo Peabiru. Técnico: Carlos Gainete Filho.

Final de jogo e com gols do zagueiro Felipe, do meia Deyvid e do atacante Edmilson o Bugre vencia o Gama por 3×1 e terminava esta rodada na 5ª colocação. Será que a volta ao passado havia dado certo? Não, não foi o que se viu dali em diante, e o Bugre, além dos problemas dentro de campo, se viu punido pela FIFA por conta de uma transferência mal sucedida envolvendo o ex lateral esquerdo Gilson para um clube da Turquia.

A transferência de fato nunca ocorreu. Segundo noticiado na época, Gilson nunca aceitou a negociação e permaneceu atuando pelo Guarani, mas o clube da Turquia entrou com um processo no tribunal arbitral da FIFA na Suíça pois havia creditado ao Guarani o valor referente às passagens e primeiras despesas do jogador para sua mudança de país. O valor de 8 mil dólares jamais foi devolvido e o processo correu com várias e várias notificações sendo feitas pela FIFA à CBF, exigindo que o Guarani fizesse o ressarcimento das despesas devidamente corrigidas, todas elas ignoradas pela diretoria comandada por José Luís Lourencetti.

Resultado: Julgado culpado e sem sequer ter se defendido, o Guarani teve, por ordem da FIFA, três pontos descontados em sua classificação na competição, e isso custaria muito caro ao Clube ao final da Série B de 2006. A situação era irreversível, segundo parecer do Departamento Jurídico do Clube, e mesmo tendo imediatamente pago o valor cobrado, o Guarani é, até os dias atuais, o único clube do futebol mundial a ter pontos descontados por ordem da FIFA sem ter descumprido um item sequer do regulamento da competição que disputava. Por falta de dinheiro, sequer houve recurso. Nem para se alegar que os regulamentos da CBF não previam essa possibilidade de perda de pontos por ordem da FIFA.

Na Ilha do Retiro Gainete se despede em humilhante goleada. Sport 8x1 Guarani. Foto: GazetaPress.

Na Ilha do Retiro Gainete se despede em humilhante goleada. Sport 8×1 Guarani. Foto: GazetaPress.

Com essa perda, restava ao Guarani recuperar o prejuízo dentro de campo, mas o time comandado por Gainete não conseguia resultados. Nas oito partidas em que comandou a equipe ele colecionou apenas duas vitórias (3×1 sobre o Gama e 2×1 sobre o Ceará), três empates e três derrotas, sendo a última delas o estopim para sua demissão: uma goleada humilhante em Recife para o Sport por 8×1. Com esta série de resultados, o Guarani, somados (ou melhor, descontados) os 03 pontos perdidos para a FIFA, despencou da quinta colocação para o 16º lugar. Na partida contra o Sport a equipe foi a campo com Fernando, Mariano, Danilo Silva, Felipe e Daniel (Parral); André Conceição, Kadu, Deyvid e Danilo (Juliano); Edmílson e Alex Afonso (Tuta).

Barbieri assume a equipe com João Paulo como auxiliar técnico. Rápida passagem. Foto: GazetaPress.

Barbieri assume a equipe com João Paulo como auxiliar técnico. Rápida passagem. Foto: GazetaPress.

Com fortes protestos da Torcida, a solução encontrada por Leonel foi buscar Barbieri, ex-jogador, ex-comandante das categorias de base e também ex-treinador da equipe. Mais uma vez o começo foi promissor. Logo na sua estreia a equipe consegue uma importante vitória por 2×1 sobre o Vila Nova-GO, jogando no Brinco, e encerrou o primeiro turno da Série B, que naquele ano passava a ser disputada em pontos corridos. A escalação Bugrina nesta partida teve Deola, Tuta, Felipe e Kadu (Juliano); Parral, Umberto, Kell (Éder), Deyvid e Ademar; Edmílson e Alex Afonso.

Mas Barbieri também não teria vida longa no comando da equipe. Seriam apenas nove partidas, acumulando mais três vitórias (2×0 no Vila Nova, 1×0 sobre o Coritiba e 3×1 sobre o São Raimundo), um empate e cinco derrotas, sendo a última delas uma goleada sofrida em casa para o Marília por 4×1, num sábado à tarde em que o goleiro bugrino Fernando foi um dos personagens negativos da partida. Após este resultado, Barbieri, que assumiu o comando da equipe na 16ª colocação pediu demissão, deixando a equipe na 17ª posição, já na zona do rebaixamento. O time neste jogo contra o Marília foi a campo com Fernando, Danilo Silva, Felipe (Odair) e Eloy; Mariano, Márcio Martins (Léo Macaé), Kell, Deyvid e Ademar; Edmílson e Alex Afonso (Éder).

Faltando 12 jogos para o fim da Série B, o Bugre mais uma vez se via sem treinador e teria que buscar uma solução rápida. A decisão foi corrigir um erro, e o escolhido foi Waguinho Dias, o técnico dispensado quando da posse da nova diretoria. Waguinho voltava ao Clube com uma difícil missão, recuperar um time psicologicamente abatido e mal formado, com contratações que absolutamente não trouxeram resultado e com dispensas de jogadores que fizeram muita falta no decorrer da competição. O maior exemplo desse elenco mal formado foi a contratação do atacante Marcelo Peaberú, talvez o nome mais contestado de todos.

Logo na sua estreia um duelo dificílimo, o Bugre teria pela frente o Atlético Mineiro, no estádio Mineirão. Resultado: mais uma derrota, mais uma goleada por 4×1, e poderia ser pior se não fosse a grande atuação do goleiro Bugrino Deola. As coisas estavam ficando complicadas, e o Bugre caia para a 18ª colocação.

Trazendo Waguinho Dias de volta, diretoria tenta corrigir erro, mas já era tarde. Foto: Cedoc/RAC.

Trazendo Waguinho Dias de volta, diretoria tenta corrigir erro, mas já era tarde. Foto: Cedoc/RAC.

Nas mãos de Waguinho Dias o time conseguiu ao menos se manter regular, mas perderia ainda duas outras partidas (1×0 para o Santo André e 2×1 para o América de Natal em casa, de virada). O problema foi a série de empates. O Bugre nas rodadas finais colecionou cinco empates até chegar à penúltima rodada, tendo conseguido apenas uma vitória (3×1 sobre a Portuguesa). Chegou à 38 rodada ocupando a 20ª e última colocação, mas ainda com chances de escapar do rebaixamento, e a Torcida voltou a ter esperanças quando o Bugre, na penúltima rodada, venceu o Sport no Brinco por 2×0, saltando uma posição e dependendo de uma vitória, além de uma série de combinações de resultados, para deixar o grupo dos 4 piores da competição.

Felipe zagueiro disputa bola no Brinco contra o Vila Nova pelo 1º turno. No 2º turno jogo melancólico com portões fechados e rebaixamentos.

Felipe zagueiro disputa bola no Brinco contra o Vila Nova pelo 1º turno. No 2º turno jogo melancólico com portões fechados e rebaixamentos.

Não deu, a vitória veio e por goleada, o Bugre venceu o Vila Nova-GO fora de casa por 5×1, mas dois dos resultados necessários não aconteceram e o Guarani voltou a Campinas rebaixado para a Série C do Campeonato Brasileiro de 2007, na 18ª colocação. Assim finalmente terminou o ano de 2006 para o Bugre, um dos piores de toda sua história, acumulando dois rebaixamentos, um no Paulista, outro no Brasileiro da Série B.

Em meio a muitos protestos da Torcida, mas ainda amparado por uma quota reduzida, mas muito bem vinda, do Clube dos 13, o Bugre teria uma temporada atípica em 2007, mas que poderia significar o início da sua volta por cima, se confirmasse seu favoritismo e vencesse as duas competições que teria pela frente: a Série A2 e a Série C. A diretoria apostou na continuidade de Waguinho Dias e o Bugre foi para campo acreditando que subiria.

Mais sofrimento. O início da Série A2 foi assustador, nas cinco primeiras rodadas, nenhuma vitória. Foram duas derrotas (3×1 para a Portuguesa e 1×0 para o Oeste em pleno Brinco) e três empates, deixando a equipe à beira da zona do rebaixamento, na 15ª colocação. Apenas na sexta rodada veio a primeira vitória: uma goleada sobre o Palmeiras B por 4×1, e na rodada seguinte outra vitória, agora sobre o Nacional por 2×0, resultados que levaram o Bugre a um salto de sete posições, deixando a equipe em oitavo lugar, entre os clubes que se classificariam para a segunda fase. O time que venceu o Nacional teve Buzzetto, Márcio Rocha, Cleiton Mineiro e Lino; Lucas, Macaé, Gustavo (Rone Dias), Lê (Fernandinho) e Rogério; Deyvid e Anderson (Tozin).

Experiente e muito regular, Buzzetto era um dos destaques da equipe na temporada de 2007. Foto: GazetaPress.

Experiente e muito regular, Buzzetto era um dos destaques da equipe na temporada de 2007. Foto: GazetaPress.

Mas a reação foi interrompida por uma derrota para a Portuguesa Santista fora de casa por 1×0, e a equipe perderia posições importantes, terminando a sétima rodada na 12ª colocação.

Naquele mesmo momento vinha a estreia na Copa do Brasil, e com uma derrota em Goiânia por 2×1 e um empate em casa por 0x0 o Bugre foi eliminado pelo Atlético-GO, ainda na primeira fase da competição.

Voltando a falar do Campeonato Paulista, um empate com o Taubaté por 0x0 e um novo empate com o Mogi Mirim por 1×1, no Brinco de Ouro, encerraram a passagem de Waguinho Dias no comando da equipe. O Bugre neste jogo foi a campo com Buzzetto, Lucas, Márcio Rocha, Lino e Adílio; Macaé, Vítor Rossini, Gustavo (Roberto) e Deyvid; Éder (Danilo Silva) e Anderson (Robson), e com este resultado terminaria a 10ª rodada na 13ª colocação, algo impensável para aquele que era apontado como o grande time da Série A2, ao lado da Portuguesa, e que, antes do campeonato começar, era apontado com o dono de uma das quatro vagas no acesso.

José Luiz Carbone é um dos responsáveis pelo acesso em 2007. Treinador chora ao final da última partida contra o São José. Foto: Junior Lago - Futura Press.

José Luiz Carbone é um dos responsáveis pelo acesso em 2007. Treinador chora ao final da última partida contra o São José. Foto: Junior Lago – Futura Press.

Torcida apreensiva, expectativa criada e a solução veio com mais um treinador que tinha grande história e passado no Clube. Quem assumiu o comando do Bugre foi José Luiz Carbone, vice-campeão Paulista em 1988 e que chegou a liderar o Campeonato Brasileiro com o Guarani em temporadas anteriores. Carbone chegou com um discurso animador, mas de paciência, era jogo a jogo, dizia o “professor”.  E na sua estreia, uma paulada: o Bugre foi a São José do Rio Preto enfrentar o Rio Preto, equipe que fazia boa campanha até então. Tendo pouco tempo para trabalhar, a decisão foi por manter a base do time que vinha sendo comandado por Waguinho Dias, e com esta escalação Buzzetto, Márcio Rocha, Lino e Danilo Silva; Lucas, Macaé, Vítor Rossini, Gustavo (Dimas) e Adílio (Rogério); Deyvid e Robson (Anderson), sairia de campo com mais uma vexatória goleada em sua história, 5×1 para o Rio preto de Luciano Dias, com a partida tendo sido encerrada aos 28 minutos da segunda etapa graças às fortes chuvas que caíram no local da partida. O caminho parecia apontar para outro rebaixamento. O Bugre terminava a 11ª rodada na 16ª colocação, e era apenas o primeiro time fora da zona do rebaixamento.

Mas o jogo virou. Sem contar com grandes contratações, a solução encontrada por Carbone foi promover vários garotos das categorias de base e mudar radicalmente a formação. Ele, que já havia levado Danilo Silva, Vitor Rossini, Dimas, Adílio e Anderson, depois de conversar com Cidinho, então treinador do Sub-20, mandou convocar já para a próxima partida alguns atletas que haviam ficado em Campinas como o zagueiro Xandão e o atacante Talles, de apenas 16 anos. Além deles, o meia Lê que havia sido cortado também foi relacionado e o Bugre iria a campo em Mirassol com a seguinte formação: Buzzetto, Xandão, Lino e Danilo Silva; Robinho (Vítor Rossini), Macaé, Umberto, Dimas e Rogério; Lê (Deyvid) e Talles (Robson). Eram seis pratas da casa entre o time que iniciou a partida e os que entraram no decorrer do segundo tempo, e deu certo. O Bugre só não venceu o jogo porque o volante Macaé perdeu um pênalti, mas mesmo com o placar de 0x0 e um ponto na bagagem, a equipe caia para a 17ª posição, entrando na zona do rebaixamento.

A Torcida entrou em desespero, mas Carbone, ao final desta partida, daria uma entrevista que seria emblemática. Uma verdadeira “coisa de maluco”. Ao final do jogo o treinador declarou com todas as letras: ”Nós vamos nos classificar e vamos conseguir o acesso!”. E não é que aconteceu?

Autor de um dos gols na vitória sobre a Inter de Limeira, Lê come a grama do Brinco em comemoração. Gesto viraria estampa de camiseta. Foto Elcio Alves - AAN.

Autor de um dos gols na vitória sobre a Inter de Limeira, Lê come a grama do Brinco em comemoração. Gesto viraria estampa de camiseta. Foto Elcio Alves – AAN.

Com os garotos da base e outros jogadores experientes em campo, o Bugre conseguiu uma série de invencibilidade incrível, contando com o empate com o Mirassol foram oito jogos invictos na primeira fase, com seis vitórias, sendo quatro seguidas – em negrito – (2×0 no União São João, 3×0 no Botafogo, 2×1 no Comercial, 1×0 no Osvaldo Cruz, 2×0 na Inter de Limeira e 5×2 no Atlético Sorocaba) , e apenas dois empates. Resultado, ao golear o Atlético Sorocaba, diante de uma verdadeira invasão de Bugrinos àquela cidade, o Bugre encerrou a primeira fase na quarta colocação, classificando-se par ao quadrangular decisivo que daria o acesso a duas das quatro equipes.

Na chave do Bugre, porém, duas pedreiras pela frente. Além do Guarani, disputariam o Grupo A a Portuguesa e o São José, juntamente com o Bandeirante de Birigui, e depois desta arrancada sensacional, as coisas não seriam assim tão tranquilas na fase final. O Bugre manteve sua série de invencibilidade chegando aos 11 jogos sem perder, mas iniciou o quadrangular conhecendo três empates, um 2×2 na estreia contra o São José fora de casa, um 0x0 debaixo de muita chuva no Brinco com o Bandeirante e um segundo empate seguido em casa, um 1×1 contra a Portuguesa, e encerrava o primeiro turno do quadrangular apenas na terceira colocação, sem nenhuma vitória. Para piorar, a série de invencibilidade seria interrompida logo na primeira rodada do returno quando o Bugre perderia no Canindé para a Portuguesa, caindo para o último lugar no seu grupo. Parecia que o acesso seria apenas um sonho, pois restavam duas rodadas, uma imediatamente fora de casa contra o Bandeirante e um último confronto em casa contra o São José. Detalhe, se o Bugre perdesse uma dessas duas partidas não conseguiria mais seu acesso.

A Batalha de Birigui

Xandão é outro prata da casa que se destacou. Na foto contra o bandeirante de Birigui, ainda na primeira fase, no Brinco. Foto: GazetaPress.

Xandão é outro prata da casa que se destacou. Na foto contra o bandeirante de Birigui, ainda na primeira fase, no Brinco. Foto: GazetaPress.

E lá fomos nós, literalmente, porque eu era um dos cerca de 40 Bugrinos presentes ao estádio em Birigui naquela quarta-feira à noite, diante de um público anunciado de apenas 2.246 pagantes, mas que ao simples passar de olhos percebia-se, eram cerca de 10 mil torcedores no acanhado estádio Pedro Marin Berbel. O jogo? Um carrossel de emoções sem fim. Era preciso, além de torcer muito em Birigui, ficar de ouvido atento ao resultado de São José x Portuguesa, no Vale do Paraíba, e lá o jogo também pegava fogo. Em Birigui o Bugre teve bola na trave que andou em ciam da linha e saiu do outro lado, teve chance de marcar e de sofrer o gol, e finalmente teve uma penalidade a seu favor, mas Gustavo acabou cobrando mal e o goleiro Ricardo defendeu. Para piorar a situação, no contra-ataque dessa jogada, o árbitro marcou uma penalidade para o Bandeirante. Isso tudo em pouco mais de cinco minutos de jogo. Para festa Bugrina, o grande Buzzetto caiu para o canto direito e defendeu a cobrança de Júlio Madureira, mas o sufoco não acabava ali. O jogo era lá e cá, o Bugre buscava a vitória, e no outro jogo, mesmo com um jogador a menos a Portuguesa conseguia segurar um empate por 2×2 com o São José. Resultados que se mantidos deixariam o Bugre ainda com chances de conquistar o acesso. E no último minuto, aos 48 do segundo tempo, após uma cobrança de escanteio o rebote cai com o atacante do Bandeirante que solta uma bomba, sem marcação e sem nenhuma chance de defesa para Buzzetto, mas, como profetizou Carbone, o Bugre brigaria pelo acesso, e a bola, desviada por todos os Bugrinos vivos ou que nos deixaram, explodiu no travessão com o jogo acabando com o placar em 0x0. O Bugre esteve em campo com Buzzetto, Xandão, Lino e Márcio Rocha (Cunha); Robinho (Éder), Macaé, Lucas, Gustavo e Adílio; Lê e Talles (Deyvid).

Primeira, primeira, time de primeira!

Lê disputa bola com zagueiro do São José - Vitória por 2x1 e acesso para a Série A1 de 2008. Foto: GazetaPress.

Lê disputa bola com zagueiro do São José – Vitória por 2×1 e acesso para a Série A1 de 2008. Foto: GazetaPress.

Ufa, depois daquele sufoco em Birigui, chegamos ao domingo, 29 de abril de 2007 (sim, é coincidência, disputamos o acesso no “Medina-Day”) ainda na quarta colocação, precisando, claro, vencer o São José no Brinco. Mas também torcer para que a Portuguesa, com o acesso já garantido e já classificada para a final da Série A2, não perdesse para o Bandeirante no Canindé. Só com essa combinação o Bugre subiria.

E não é que Carbone estava certo? Ao final da partida o Bugre venceu o São José por 2×0 no Brinco, e lá no Canindé a Portuguesa venceu o Bandeirante por 1×0. Festa no Brinco, explosão da Torcida que invadiu o campo para comemorar. O Bugre estava de volta à Série A1 do Campeonato Paulista!

A equipe que entrou em campo e venceu o São José naquele domingo à tarde: Buzzetto, Xandão, Lino e Danilo Silva; Robinho, Macaé, Lucas (Dimas), Gustavo (Vítor Rossini) e Rogério; Lê e Deyvid (Assunção).

Este campeonato ficou registrado por nós, dos sites Planeta Guarani e do então existente Plantão do Bugre, no DVD “A Reconquista da Honra”.

Depois do carrossel de emoções vividos na Série A2, e da conquista do acesso, era preciso ainda subir mais um degrau. O Bugre tinha pela frente a Série C do Brasileiro, um campeonato estranho, de fórmula complicada, dividido em quatro fases, três com grupos formados por quatro equipes, classificando-se sempre as duas primeiras para a fase seguinte, e a última onde se classificariam as oito melhores para decidirem as quatro vagas na Série B em um octogonal final.

A equipe era a mesma, a estreia aconteceu na cidade de Jaguaré-ES contra a equipe de mesmo nome. Com Carbone mantido, o Bugre foi a campo com Buzzetto, Xandão (Hugo), Lino e Danilo Silva; Robinho, Macaé, Dimas (Assunção), Gustavo e Rogério; Lê e Gil (Cris). E não começou bem, perdeu por 2×0.

Time Bugrino que iniciou a partida contra o Jaguaré, no Brinco - Foto Fernando Martinez.

Time Bugrino que iniciou a partida contra o Jaguaré, no Brinco – Foto Fernando Martinez.

A classificação para a segunda fase seria novamente dramática, o Bugre foi se recuperando e na rodada seguinte empatou com o América-RJ por 0x0 no Brinco, venceu o Tupi em Juiz de Fora-MG por 1×0, venceu o mesmo Tupi no Brinco por 3×1, perdeu para o América no Rio de Janeiro por 3×2, e chegou à última rodada precisando vencer o mesmo Jaguaré da estreia para chegar à segunda fase da competição. E venceu, mas com requintes de sofrimento: o Bugre abriu o placar com um gol do atacante Cris, aos 12 minutos de jogo, e parecia que seria fácil. Mas aos 36 minutos do segundo tempo Pardal empatou a partida e trouxe um sofrimento que parecia não ter fim, mas que explodiu em alegria aos 44 minutos, quando Talles fez uma bela jogada dentro da grande área e bateu forte para o fundo do gol. Guarani 2×1 Jaguaré, e que venha a segunda fase. O time que entrou em campo nesta partida teve Gisiel, Xandão, Hugo e Danilo Silva; Robinho, Lucas, Gustavo, Raul (Nata) e Rogério (PC); Talles e Cris. Técnico: José Luiz Carbone.

Na segunda fase o grupo era mais complicado, o Bugre teria pela frente um concorrente direto também apontado para conquistar o acesso que era o Vila Nova, mesma equipe rebaixada pelo próprio Guarani no ano anterior ao perder a última partida da Série B por 5×2. Além do Vila, completavam o grupo o CRAC de Catalão, também de Goiás, e o Rio Claro.

Time Bugrino que iniciou a partida no empate por 0x0 com o CRAC, no Brinco - Foto Orlando Lacanna.

Time Bugrino que iniciou a partida no empate por 0x0 com o CRAC, no Brinco – Foto Orlando Lacanna.

As coisas começaram bem, pois o Bugre estreou com uma vitória sobre o Vila Nova no Brinco por 2×1, mas em seguida o time começou a derrapar, e perdeu para o Rio Claro pelo mesmo placar. A recuperação não veio na terceira rodada, quando o time apenas empatou com o CRAC em Catalão por 0x0, nem na rodada seguinte quando o Bugre recebeu o mesmo CRAC e repetiu o placar no Brinco, mas a vitória veio na penúltima rodada, e o Guarani venceu o Rio Claro no Brinco por 3×1, chegando à liderança do Grupo. Foi então para Goiânia precisando apenas de um empate para conquistar uma das duas vagas na fase seguinte e seguir na sua luta para voltar à Série B.

Mas dentro de campo a equipe sofreria uma derrota duríssima. Depois de jogar praticamente toda a partida armado na retranca, sem sequer passar do meio de campo e tendo em Buzzetto seu principal jogador com defesas seguidas, aos 42 minutos veio o castigo por ter tido tanto medo em campo. Túlio (ele mesmo) que acabara de perder uma chance idêntica em mais uma grande defesa de Buzzetto, recebeu lançamento nas costas da zaga Bugrina e desta vez não errou, deu um tapa no canto esquerdo do goleiro Bugrino e fez o gol da vitória do Vila Nova. Com este resultado e a vitória do CRAC sobre o Rio Claro na última rodada, a equipe de Catalão ficou coma primeira colocação do Grupo 22, o Vila Nova com 09 pontos ficou em segundo e o Bugre com apenas 08 pontos estava eliminado na terceira colocação. A equipe que entrou em campo e não passou do meio de campo contra o Vila Nova-GO teve: Buzzetto, Xandão, Lino e Danilo Silva; Lucas, Macaé (Vítor Rossini), Nata, Gustavo e PC; Marquinho (Raul) (Assunção) e Talles. Técnico: José Luiz Carbone.

Terceirizado pelo treinador Michael Robin, este era o Guarani B que disputou a Copa Federação Paulista de 2007.

Terceirizado pelo treinador Michael Robin, este era o Guarani B que disputou a Copa Federação Paulista de 2007.

Restava ao Bugre muito pouco naquela temporada. A equipe que havia sido “terceirizada” para o treinador Michael Robin avançava na Copa Federação Paulista de Futebol e isto até era importante, pois por ter jogado a Série A2 de 2007, o Guarani poderia até mesmo ficar sem uma vaga na Série C de 2008. Para que isto não acontecesse teria que ser pelo menos vice campeão da Copa Federação (hoje Copa Paulista), o que também não aconteceria, pois a equipe de Michael Robin seria eliminada ainda nas quartas de final, após vencer o Linense no Brinco por 1×0 e perder a partida de volta pelo mesmo placar na cidade de Lins. Por ter melhor campanha, o Linense se classificou para a semifinal, no dia em que uma garrafa acertou a cabeça do treinador Bugrino no exato momento em que o Linense marcava seu gol, e ele acabou sendo hospitalizado.

O fracasso na Série C fez aumentar a pressão contra o Diretor de Futebol do Guarani, cargo ocupado por José Carlos Hernandes, vice campeão brasileiro em 1986 e 1987 e que reassumiu o cargo quando da volta de Leonel Martins de Oliveira. A pressão era grande e apenas uma boa campanha no Paulista da Série A1 de 2008 poderia amenizar a situação.

Jurandir Assis - Vice Presidente Financeiro era o homem forte da gestão Leonel a partir de 2008.

Jurandir Assis – Vice Presidente Financeiro era o homem forte da gestão Leonel a partir de 2008.

Para encerrar aquele ano cheio de altos e baixos, o Guarani ainda passaria por um processo eleitoral no mês de dezembro. Leonel Martins de Oliveira, que havia assumido com a missão de concluir o mandato de JLL tendo como vices presidentes José Carlos Sícoli e Carlos Francisco Correia, depois substituído por José Vitorino dos Santos, o Zézo; trabalhando para fechar as torneiras, sanar a situação financeira e administrativa, decide se lançar como candidato à reeleição. Do outro lado, o mesmo grupo que apoiava Edison Torres, sucedido por Maurício Bonzanini e que teria a chapa impugnada no processo eleitoral de 2006, novamente se apresentaria, tendo dessa vez como candidato a presidente o político Cid Ferreira de Souza. O resultado foi uma vitória folgada de Leonel, que garantia ali mais três anos de gestão. Porém, havia um estatuto renovado, obrigando a chapa a compor com, além do presidente, seis vice-presidentes, e foram eleitos ali José Vitorino dos Santos (1º Vice), Jurandir de Assis (Vice Financeiro), Walter Caetano (Vice Administrativo), Álvaro Negrão de Lima (Vice Comercial), Oduvaldo Luiz de Camargo (Vice Patrimonial) e Diamantino Mendes (Vice Social). CLIQUE E VEJA MATÉRIA DA ÉPOCA.

Roberval Davino - Péssima campanha, indiretas e discussões com Torcedores, demissão e Guarani afundando no Paulista de 2008.

Roberval Davino – Péssima campanha, indiretas e discussões com Torcedores, demissão e Guarani afundando no Paulista de 2008.

Mas dentro de campo o bom Paulistão 2008 não veio. O Bugre apostou em Roberval Davino, técnico de relativo sucesso no futebol do Norte e Nordeste e com passagens por alguns clubes menores do futebol paulista, e em um elenco modesto, muito pouco para quem sonhava com bons resultados e boa classificação. A equipe que estreou na competição, sendo derrotada pelo Corinthians por 3×0 no Morumbi, debaixo de muita chuva, teve: Bruno Prandi; Max Sandro, Danilo Silva e Jonathas; Maranhão (Fabinho Romão), João Paulo, Bruno Camargo (Dimas), Lucas (Marcinho) e Paulo Santos; Talles e Cris.

Resumo da Ópera: time ruim, campeonato ruim, pressão da Torcida, série de maus resultados e um milagre que salvaria o Bugre do rebaixamento. Foram três derrotas seguidas na competição deixando o Guarani na lanterna do Paulistão após a terceira rodada. Depois a equipe conseguiu um respiro vencendo dois jogos seguidos (3×2 no Barueri e 1×0 sobre o Marília), suficientes para livrar o time da lanterna, mas não da zona do rebaixamento, deixando o Guarani em 17º lugar. Depois disso, mais três partidas pelo Paulistão com uma vitória (1×0 sobre o Rio Claro) e duas derrotas (3×1 para o Guaratinguetá e 3×1 para o Palmeiras), levando o Bugre a uma assustadora 15ª colocação.

A pressão era forte demais e o Bugre teria pela frente a Chapecoense em sua estreia pela Copa do Brasil. Era a chance de garantir algum sucesso no primeiro semestre, mas ao final da partida mais uma derrota: Chapecoense 3×1 Guarani. No jogo de volta, que aconteceria apenas três semanas depois, as equipes ficariam num empate por 0x0 e o Bugre estava eliminado. A derrota por 3×1 em Chapecó foi o estopim. Roberval Davino foi demitido e Leonel Martins de Oliveira anunciou a saída de José Carlos Hernandez, o Diretor de Futebol. Mas a sucessão de erros não acabaria por ali. No seu lugar assumiria João Secco que até então desempenhava a função de Diretor de Futebol Amador, mas logo ao anunciar o novo nome veio o aviso, o Diretor de Futebol não daria entrevistas. Apenas um detalhe, com a saída de João Secco da base quem assumiu o cargo foi Marcelo Mengoni (ou Mingoni, como queiram).

A equipe que perdeu na estreia da Copa do Brasil teve Léo; Xandão, João Renato e Diego; Danilo Silva, João Paulo, Fabinho Romão (Lucas), Valdo (Juliano), Marcinho e Paulo Santos; Fábio Pinto (Talles).

Guilherme Macuglia - Passagem relâmpago, péssimos resultados e demissão - Bugre ainda mais afundando no Paulista de 2008. Foto:Estadão Fotos.

Guilherme Macuglia – Passagem relâmpago, péssimos resultados e demissão – Bugre ainda mais afundando no Paulista de 2008. Foto:Estadão Fotos.

Comandado interinamente por Cidinho, o Guarani ficou no empate por 1×1 no Brinco com o Sertãozinho, treinado por Barbieri. Em seguida, chegaria outro velho conhecido da Torcida: o experiente técnico Jair Picerni, que terminaria o Paulistão à frente do Bugre, mas estrearia com uma derrota por 3×1 para o Santos na Vila Belmiro, levando a equipe para a 18ª colocação, entre os quatro que seriam rebaixados. Na rodada seguinte, nova derrota, Portuguesa 1×0 Guarani, e o Bugre parecia não ter saída, estando fadado a mais um rebaixamento. Após empatar com o São Caetano por 0x0 no Brinco, chegava à 19ª, a penúltima, colocação ao final da 12ª rodada, restando apenas sete jogos para o final do Paulistão.

Henrique é o verdadeiro milagre de 2008. Com 07 gols marcados na reta final, atacante ajuda a livrar o time do rebaixamento. Foto: Agência Estado.

Henrique é o verdadeiro milagre de 2008. Com 07 gols marcados na reta final, atacante ajuda a livrar o time do rebaixamento. Foto: Agência Estado.

Na partida seguinte, outra derrota, mas o milagre de 2008 começou a surgir. O Bugre perdeu para o Mirassol por 3×1, em Mirassol, mas aos 19 minutos do 2º tempo entrou em campo o atacante Henrique, jogador que havia vindo das categorias de base do extinto Campinas FC para a base do Bugre, e seria dele o gol Bugrino aos 33 minutos, o primeiro dos sete gols marcados por ele na reta final do Paulistão, suficientes para livrar a equipe da degola. Picerni levou a campo nesta partida a seguinte formação: Gisiel; Maranhão (Robinho), Xandão, Danilo Silva e Alessandro; Roger Bernardo, João Paulo, Bruno Camargo (Fabinho Romão) e Paulo Santos; Cris e Selmir (Henrique).

Após os desastres Davino e Macuglia, Jair Picerni chega para "missão quase impossível" de livrar o Bugre do rebaixamento. Foto: Daniel Feliciano/Gazeta Press.

Após os desastres Davino e Macuglia, Jair Picerni chega para “missão quase impossível” de livrar o Bugre do rebaixamento. Foto: Daniel Feliciano/Gazeta Press.

Na rodada seguinte Henrique começaria a brilhar. O time finalmente venceria o Ituano pelo placar de 2×0 em mais uma noite de muita chuva no Brinco, com Henrique marcando os dois gols. Mas logo em seguida uma derrota dolorida em um derby. Como visitante, o Bugre perderia por 4×2, e Henrique, ao lado de Cris, marcariam os gols Bugrinos. Porém, a 17ª colocação mantinha o medo e a insatisfação da Torcida aumentaria ainda mais após a 16ª rodada e uma nova derrota, agora para o São Paulo no Brinco por 1×0, e com isso o Bugre chegava à 18ª posição na classificação.

Na rodada seguinte, se perdesse o jogo, o Bugre estaria praticamente rebaixado. Mas em Jundiaí, com um gol marcado por Henrique, o Bugre arranca um ponto do Paulista e vai para uma verdadeira final de campeonato, caindo mais uma posição, agora na 19ª colocação.

Foto da última partida disputada pelo Bugre na Rua Javari. Campeonato Paulista de 2008. Uma grande invasão e festa. Autor Desconhecido.

Foto da última partida disputada pelo Bugre na Rua Javari. Campeonato Paulista de 2008. Uma grande invasão e festa. Autor Desconhecido.

A decisão era em São Paulo, na Rua Javari contra o Juventus. Mais uma vez o Bugre não podia perder. Desta vez uma derrota matematicamente rebaixaria a equipe e a Torcida Bugrina marcou uma das mais lindas invasões em apoio à sua equipe. Resultado, em um jogo dramático, o Bugre viu o Juventus abrir o placar logo aos 3 minutos e, para piorar, teve o atacante Cris expulso logo aos 27 minutos do primeiro tempo. Mas a estrela de Henrique brilharia, e com dois gols, o primeiro marcado aos 11 minutos e o segundo aos 33 minutos, ambos no segundo tempo, o time virava o placar para uma explosão verde e branca na Mooca. Mas o sofrimento não acabaria. Aos 47 minutos Dedimar marcaria o gol de empate do Juventus, e no último minuto Gisiel faria uma grande defesa evitando o terceiro. Ufa, com a estrela de Henrique e muita superação em campo, o Bugre chegava à última rodada na 17ª posição e tinha um confronto direto contra o Rio Preto, bastando uma vitória para se manter na elite do futebol paulista.

Contando oficialmente com 10.620 pagantes, mas visualmente com mais de 16 mil Bugrinos empurrando a equipe, o Bugre foi a campo com Gisiel; Maranhão, Xandão, Danilo Silva e Alessandro (Robinho); Roger Bernardo, Lucas, Paulo Santos (Fabinho Romão) e Marcinho; Selmir (Andrezinho) e Henrique. E logo aos 3 minutos, com outro gol de Henrique, abriria o placar. Na segunda etapa o lateral-direito Robinho marcaria o segundo gol aos 33 minutos. E com a vitória por 2×0 o Bugre terminava a Série A1 do Paulistão na 16ª colocação, exatamente a primeira equipe fora da zona do rebaixamento.

Luciano Dias - Gaúcho chega para comandar o time depois de boa campanha pelo Rio Preto em 2007 conquistando o acesso na Série A2.

Luciano Dias – Gaúcho chega para comandar o time depois de boa campanha pelo Rio Preto em 2007 conquistando o acesso na Série A2.

Se a permanência na elite paulista foi muito comemorada, o segundo semestre do Bugre seria um grande passo para a volta à elite do futebol brasileiro. Com um time totalmente reformulado e apostando na contratação do promissor treinador Luciano Dias, o Bugre chegou para a disputa da Série C na campanha que consagraria o atacante das flechadas, Fernando Gaúcho.

Artilheiro da equipe com 17 gols, Fernando Gaúcho foi um dos destaques da Série C e do acesso de 2008.

Artilheiro da equipe com 17 gols, Fernando Gaúcho foi um dos destaques da Série C e do acesso de 2008.

A fórmula era a mesma de 2007, uma cansativa e interminável série de três fases de quatro equipe, classificando as duas primeiras até que chegassem à quarta fase, um octogonal, que daria aos quatro primeiros colocados as quatro vagas na Série B de 2009.

Classificado em segundo lugar no Grupo 14, que tinha também Madureira-RJ, Ituano e Linense, o Bugre avançou à segunda fase. O time que perdeu para o Madureira na última rodada teve Márcio; Maranhão, Augusto, Jonathas (Xandão) e Santos; Walter, Bruno Camargo (Assunção), Everton Severo (Dimas) e Almir; Dairo e Henrique.

Classificado para o Grupo 23, onde enfrentaria Ituiutaba, Ituano e Noroeste, na segunda fase o Bugre terminou na segunda posição e avançou à terceira fase. A equipe que terminou a segunda fase perdendo para o Ituiutaba-MG por 1×0, em Ituiutaba, teve Gisiel; Robinho, Wagner, Walter e Santos; Nunes, Dimas (Vítor Rossini), Lucas (Assunção) e Almir (Bruno Poá); Juari e Henrique.

Em Pelotas, contra o Brasil. Uma verdadeira batalha. Na foto o capitão da equipe, Glauber.

Em Pelotas, contra o Brasil. Uma verdadeira batalha. Na foto o capitão da equipe, Glauber.

Classificado para o Grupo 28, o Bugre enfrentaria Marcílio Dias-SC, Ituiutaba-MG e Brasil de Pelotas-RS. Nesta fase, o Guarani terminaria na primeira posição. A equipe que empatou com o Marcílio Dias por 1×1 na última partida desta terceira fase teve: Márcio; Robinho, Xandão (Marcelo), Walter e Bruno Camargo; Dimas, Maicon Sapucaia (Matheus), Mário César e Almir (Assunção); Samir e Henrique.

E no octogonal decisivo o Bugre teria desafios duros pela frente. Seriam disputados 14 jogos (pontos corridos em turno e returno) garantindo o acesso aos quatro primeiros colocados, estando classificados: Brasil de Pelotas-RS, Campinense-PB, Águia de Marabá-PA, Rio Branco-AC, Duque de Caxias-RJ, Confiança-SE e Atlético-GO. A campanha do Guarani no octogonal teve 6 vitórias, 5 derrotas e 3 empates, e após vencer o Águia de Marabá por 2×1 no Brinco de Ouro, diante de um público oficial de 19.742 pagantes, mas visivelmente com cerca de 30 mil torcedores em campo, o Bugre terminou a competição com o vice-campeonato, atrás do Atlético-GO, classificado para a Série B de 2009. Com 17 gols marcados em 21 jogos disputados, Fernando Gaúcho foi o artilheiro Bugrino e peça fundamental no acesso para a Série B de 2009. Que festa fez a Torcida Bugrina ao final daquela partida, e que lambança aprontou a Polícia Militar de Campinas naquela mesma tarde chuvosa. É melhor nem citar, pois levaria talvez mais páginas do que este mais do que longo resumo. O Bugre estava de volta à Série B e na Série A1 Paulista, restando apenas um degrau para voltar às elites estadual e nacional. A escalação daquela partida teve Gisiel; Maranhão, Walter, Jonathas e Roque; Nunes, Gláuber, Mário César e Maicon Sapucaia (Samir); Dairo (Almir) e Fernando Gaúcho. Técnico: Luciano Dias. Abaixo algumas fotos da partida decisiva contra o Águia, as fotos são de Fernando Martinez do site “Jogos Perdidos” (clique para ampliar).

2009 – Segue o carrossel de emoções

Vestindo camisa do Programa Sócio-Torcedor, Amoroso é apresentado em coletiva no Queijo. Atacante literalmetne estava de volta para a casa. Faltou respeito com o ídolo"

Vestindo camisa do Programa Sócio-Torcedor, Amoroso é apresentado em coletiva no Queijo. Atacante literalmente estava de volta para a casa. Faltou respeito com o ídolo”

Depois do sucesso no Brasileiro da Série C a diretoria Bugrina apostou na manutenção de Luciano Dias para a disputa da Série A1 do Paulistão de 2009. Além disso, e o quanto foi preciso trabalhar para que isso acontecesse, com que orgulho quem estava de volta para jogar pelo Bugre era ninguém menos do que Marcio Amoroso dos Santos, o eterno Amoroso, certamente motivo de alegria para todos os Bugrinos, e que merecia ter sido melhor tratado durante sua última temporada como atleta profissional.
Amoroso ainda buscava sua melhor forma física lutando para ter sua documentação liberada por um clube grego e para poder entrar em campo. Sentia fortes dores nos tornozelos, mas treinava duro para poder estar à disposição de Luciano Dias. A estreia na competição não poderia ser melhor. Apoiado por mais de 4.200 torcedores o Bugre entrou em campo com Douglas; Maranhão, Plínio, Augusto e Itaqui; Rafael Fefo, Gláuber, Mário César (Bruno) e Chiquinho (Claudiney Rincón); Cléverson (Dairo) e Fernando Gaúcho, e venceu a Portuguesa no Brinco por 1×0, gol de Fernando Gaúcho cobrando pênalti. Na rodada seguinte, mais uma vitória. Desta vez fora de casa o Bugre batia o Ituano por 1×0, com um belo gol marcado pelo então meia Bruno e estava entre os líderes da competição.

Mas veio uma sequência de três derrotas (2×0 para o São Paulo, 2×0 para o Barueri e 2×0 para o Botafogo, e a equipe caiu da quarta para a 12ª posição. Isso tudo até chegarmos à sexta rodada, o Derby, que só por isso já merecia toda a empolgação, mas que teve, ao menos para mim, um sabor mais do que especial, porque quem esteve em campo pela última vez como atleta profissional em sua carreira e vestindo o manto sagrado Bugrino foi ele, Amoroso. Esta seria a única atuação de Amoroso em 2009. Ninguém sabia, nem ele mesmo, mas essa partida marcaria a despedida de um dos maiores craques que já vestiram nosso manto sagrado, e que merecia ser mais respeitado pela diretoria e pela comissão técnica. Afinal, já com mais de 35 anos e com grandes problemas nos tornozelos, que precisariam depois de cirurgia, Amoroso não poderia ter sido tratado como apenas mais um atleta do elenco. Merecia tratamento especial, especialmente no ritmo de treinamentos, e atenção do departamento médico.

Debaixo de muita chuva, depois de muita fisioterápia e com muitas dores, Amoroso entra em campo pelo Bugre no Derby do Paulista de 2009 - Esta seria sua última partida como jogador profissional.

Debaixo de muita chuva, depois de muita fisioterápia e com muitas dores, Amoroso entra em campo pelo Bugre no Derby do Paulista de 2009 – Esta seria sua última partida como jogador profissional.

Em campo, no derby, um empate por 2×2 com direito a um golaço de Fernando Gaúcho e outro golaço marcado por Cleverson, muita chuva, e uma grande festa nas arquibancadas, e o Bugre só não venceu porque Fernando Gaúcho, por infelicidade, marcou um gol contra pouco depois de marcar o gol de empate, o segundo gol do adversário. A escalação da última partida de Amoroso como profissional teve Douglas; Maranhão, Plínio, Danilo e João Paulo; Rafael Fefo, Gláuber (Cléverson), Claudiney Rincón e Bruno; Amoroso (Dairo) e Fernando Gaúcho (Chiquinho). Obrigado, Marcio Amoroso dos Santos, VALEU CRAQUE!

A partir daí Amoroso não conseguiu mais jogar, ora se sentia bem e não era escalado, ora não reunia condições de jogo e o Bugre não soube se equilibrar na competição, com o técnico Luciano Dias permanecendo apenas mais três rodadas no comando da equipe e acumulando uma campanha de 3 vitórias, 4 derrotas e 2 empates. Após a quarta derrota para o Santo André ele foi dispensado, deixando o Bugre na 17ª colocação. Antes porém, o Guarani entrou em campo pela Copa do Brasil e conseguiu eliminar seu adversário na primeira partida da primeira fase ao vencer o J Malucelli em Curitiba por 2×0, com gols de Cleverson e Bruno, avançando para enfrentar o Internacional-RS.

No Paulistão, Cidinho comandou a equipe no empate por 0x0 com o Paulista, que deu duas posições ao Bugre levando a equipe para o 17º lugar, mas a aposta de Leonel Martins de Oliveira foi a chegada de outro técnico gaúcho, e o nome escolhido foi Guilherme Macuclia, que teria uma passagem relâmpago de apenas quatro jogos, com 3 derrotas e apenas um empate. Pronto, o Bugre estava definitivamente enterrado na briga contra o rebaixamento após perder para o Oeste em pleno Brinco por 2×0 e caindo para a 19ª posição, faltando apenas cinco jogos para o fim do Paulista. A equipe que entrou em campo nesta partida teve Douglas; Plínio, Maurício (Felipe Piovesan) e Walter; Maranhão, Claudiney Rincón, Rafael Fefo (Andrezinho), Bruno e João Paulo; Henrique e Fernando Gaúcho (Cléverson).

Cidinho - Ex zagueiro Bugrino na década de 1960 e treinador do Sub-20 por 6 anos. Infelizmente efetivado na hora errada.

Cidinho – Ex zagueiro Bugrino na década de 1960 e treinador do Sub-20 por 6 anos. Infelizmente efetivado na hora errada.

Decisão da diretoria: efetivar o técnico Cidinho (foto) até o final do Campeonato Paulista. Leonel abriu mão da competição faltando ainda cinco rodadas para o final, com 15 pontos em disputa, sendo ainda possível uma reação. A campanha de Cidinho foi de 1 vitória (2×1 sobre o Mogi Mirim, fora de casa), um empate (0x0 cm o Corinthians, no Brinco) e 3 derrotas (2×0 para o São Caetano, fora, 2×1 para o Mirassol, no Brinco, e 1×0 para o Bragantino, fora) e após este resultado o Guarani terminou o Paulistão na 19ª colocação, sendo rebaixado novamente para a Série A2 do Campeonato Paulista.

A equipe que perdeu para o Bragantino por 1×0 teve Gisiel; Plínio, Cássio (Rafael Fefo) e Walter; Maranhão, Claudiney Rincón, Gláuber, Mário César, Danilo Rios (Chiquinho) e Andrezinho; Fernando Gaúcho (Dairo).

Fora de campo a diretoria havia definido a contratação de Oswaldo Alvarez, o Vadão, que assumiria a equipe apenas depois do fim do Paulistão, e Vadão estreou comandando um time muito desfalcado na segunda fase da Copa do Brasil, no Brinco de Ouro contra o Internacional. Resultado: derrota por 2×1, que levou a decisão da vaga para Porto Alegre, mas não foi comemorada pela comissão técnica que esperava pelo fim da Copa do Brasil para poder começar a montar o elenco que disputaria a Série B do Brasileiro. Na partida de volta o Bugre foi a Porto Alegre e sofreu uma dura goleada de 5×0. O time que entrou em campo nesta partida, a despedida daquele elenco, teve Douglas; Maranhão, Maurício, Walter e Andrezinho; Claudiney Rincón, Gláuber, Chiquinho e Danilo Rios (Rafael Fefo); Dairo (Matheus) e Romário (Mário Lúcio).

Do inferno ao céu

Vadão e Gersinho assumem muito mais que o comando do time. Dupla gerencia o futebol Bugrino na Série B de 2009 com sucesso (Foto: Reprodução / EPTV).

Vadão e Gersinho assumem muito mais que o comando do time. Dupla gerencia o futebol Bugrino na Série B de 2009 com sucesso (Foto: Reprodução / EPTV).

A dupla Vadão/Gersinho assumia o Guarani depois de um rebaixamento e sob o olhar de desconfiança dos torcedores. A pressão nas arquibancadas era tanta que João Secco acabou afastado do cargo, com Leonel assumindo publicamente que o Bugre não teria mais a figura de um diretor de futebol. Realmente não era necessário, pois a partir dali o Bugre seria literalmente comandado por Vadão e Gersinho na montagem do elenco, e a comissão técnica que contava ainda com Walter Grassmman na preparação física e o psicólogo João Serapião teria pleno comando nos destinos do futebol da equipe. Era gente da bola, poderia dar certo, e deu!

Na estreia, um Bugre surpreendente encara o Fortaleza no Ceará e vence de goleada, um placar de 4×2 capaz de empolgar o Torcedor Bugrino à distância. O time que estreou na Série B de 2009 teve Douglas (Léo); Maranhão, Bruno Aguiar, Dão e Andrezinho; Cléber Goiano, Luciano Santos (Nunes), Rodriguinho e Walter Minhoca; Caíque (Fabinho) e Ricardo Xavier. Os gols Bugrinos foram marcados por Caique (2) e Ricardo Xavier aos 47 minutos do primeiro tempo, e Walter Minhoca aos 15 minutos da segunda etapa.

Jogadores e Torcedores comemoram a vitória no derby do primeiro truno com vitória do Bugre por 1x0, golaço de Caique!

Jogadores e Torcedores comemoram a vitória no derby do primeiro truno com vitória do Bugre por 1×0, golaço de Caique!

E a sequência inicial foi sensacional, o Bugre de Vadão conseguiu uma série de cinco vitórias consecutivas (além do Fortaleza,1×0 no América-RN, 2×1 sobre o Campinense-PB, 3×2 sobre o Bragantino e 1×0 sobre o Figueirense), até empatar cm o Vasco no Brinco por 0x0 que tirou os 100% de aproveitamento, mas não interrompeu a grande série invicta que duraria até a 11ª rodada. Logo na sétima rodada o Bugre ganhou mais um Derby (1×0, golaço de Caique no primeiro minuto de jogo) e depois venceria o São Caetano (1×0), empataria com o Vila Nova-GO (0x0), venceria o Brasiliense (2×1), empataria com o Duque de Caxias por 1×1 e só seria derrotado pelo Paraná no Brinco pela 12ª rodada por 2×1. Mas, mesmo com essa derrota, o Bugre mantinha-se na liderança da competição, firme rumo ao acesso!

No caminho, um momento de tropeços. O Bugre, que havia vencido pela última vez na 10ª rodada sobre Brasiliense, passou seis jogos sem vencer. Depois da derrota para o Paraná vieram o empate com o ABC-RN por 1×1, a derrota para a Portuguesa por 4×3 (um jogo cheio de emoções, com o Bugre chegando a vencer por 3×1 e cedendo a virada), derrota para o Atlético-GO por 3×1, derrota para o Ipatinga-MG por 1×0, até que na 17ª rodada a vitória voltou a sorrir com o placar de 2×1 sobre o Ceará, no Brinco. Mas essa série de resultados ruins custaram ao Bugre a primeira colocação e após vencer o Ceará o time chegou à terceira posição na classificação. A equipe que venceu o Ceará teve Douglas; Maranhão, Bruno Aguiar, Márcio Alemão e Andrezinho (Eduardo); Cléber Goiano (Fabinho), Gláuber, Luciano Santos e Walter Minhoca; Caíque (Nunes) e Ricardo Xavier.

Mais de 2 mil Bugrinos assistem o Bugre de volta ao Maracanã enfrentando o Vasco. Ao final, com Marcio Alemão expulso ao cavar pênalti, derrota por 1x0 que não desanima. O bugre segue rumo ao acesso!

Mais de 2 mil Bugrinos assistem o Bugre de volta ao Maracanã enfrentando o Vasco. Ao final, com Marcio Alemão expulso ao cavar pênalti, derrota por 1×0 que não desanima. O bugre segue rumo ao acesso!

A competição era difícil sim, mas a caminhada do Bugre foi tranquila. A competência de Vadão, a felicidade dele e seu auxiliar Gersinho na contratação de jogadores e o excelente trabalho motivacional comandado por Serapião e Grassmann garantiram o Bugre entre os quatro primeiros colocados durante todas as 38 rodadas da Série B. No segundo turno, além da caravana que levou cerca de dois mil Bugrinos ao Maracanã na partida contra o Vasco, com derrota por 1×0, logo em seguida a Torcida teve ainda mais certeza do acesso, pois a vitória imponente no Derby por 2×1 mostrava que era apenas uma questão de tempo, a Série A estava logo ali! CLIQUE AQUI PARA VER O VÍDEO DA PARTIDA.

Bruno Aguiar marca para o Bugre na vitória por 2x1 no Brinco. Uma das fotos mais lindas da história dos Derbys. Foto:

Bruno Aguiar marca para o Bugre na vitória por 2×1 no Brinco. Uma das fotos mais lindas da história dos Derbys. Foto: Globo Esporte.

A alegria da Torcida era tanta que reunidos, Bugrinos planejaram e confeccionaram uma enorme bandeira que cobria todo o tobogã do Brinco de Ouro da Princesa, e deram a ela o nome de “A Capa do Gigante”. Muito trabalho e competência dentro de campo acabou coroado na combinação de resultados da penúltima rodada quando o Bugre, depois de ter sido roubado em Fortaleza diante do Ceará e apenas empatado por 3×2 com um gol legítimo de Léo Mineiro, anulado pela arbitragem, adiou a matemática para a 37 rodada, quando mesmo perdendo em campo para o Bahia por 2×0 o Bugre garantiu matematicamente o acesso para a Série A de 2010 e a Torcida Bugrina que estrearia “A Capa do Gigante” no jogo seguinte, o último da Série B contra o Juventude, proporcionou um espetáculo até hoje não visto em nossa cidade com mais de três mil torcedores indo até o Aeroporto Internacional de Viracopos receber seus heróis do acesso, e de lá seguiram em carreata até o Brinco de Ouro, fazendo uma enorme festa. Algo que Campinas jamais havia visto.

Batizada pela Torcida de A CAPA DO GIGANTE, Torcida estreia seu presente ao clube na vitória por 2x1 sobre o Juventude. É festa, o Bugre estava de volta à Série A do Brasileiro. Foto: Hugo Toschi.

Batizada pela Torcida de A CAPA DO GIGANTE, Torcida estreia seu presente ao clube na vitória por 2×1 sobre o Juventude. É festa, o Bugre estava de volta à Série A do Brasileiro. Foto: Hugo Toschi.

Na última rodada, nada de corpo mole, o Bugre venceu o Juventude por 2×1, gols de Glauber e Adriano Gabirú, e nas arquibancadas oficialmente 16.751 pagantes, mas visualmente mais de 25 mil pessoas assistiram e se emocionaram com a estreia da sexta maior bandeira do futebol brasileiro, sem dúvida nenhuma A MAIOR DO INTERIOR. O time titular desta última partida teve: Douglas (Léo); Maranhão, Bruno Aguiar (Márcio Alemão), Dão e Eduardo; Luciano Santos, Glauber, Léo Mineiro e Adriano Gabiru (Carlos César); Fabinho e Ricardo Xavier. Técnico: Oswaldo Alvarez.

E Leonel Martins de Oliveira havia conseguido! Com sua teimosia, suas decisões equivocadas, seu jeito antipático e já há dois anos batendo na tecla de que só uma venda de patrimônio seria capaz de reverter a grave crise financeira que o Clube vivia, o Guarani estava de volta à Série A do Campeonato Brasileiro. Não fosse o insucesso da equipe no primeiro semestre o Guarani finalmente estaria de volta aos seus devidos lugares, a elite no Paulista e no Brasileiro, mas a Torcida nem pensava nisso, só queria, e como merecia, comemorar seu acesso, afinal, voltar para a Série A1 era só uma questão de tempo, pois o atual vice campeão brasileiro da Série B atropelaria todos os adversários na Série A2 de 2010.

Que pena, não foi bem assim, mas isto é história para a próxima, porque o que vem depois é muita coisa para caber em pouco espaço e já se vão 14 páginas de documento nesta coluna.

Desculpem, vou precisar de mais um capítulo para que possamos juntos visitar e analisar os anos de 2010 e 2011, os últimos de Leonel Martins de Oliveira à frente do Guarani, a ascensão de Marcelo Mingone em 2011 e tudo o que envolveu sua queda antes de completar um ano de mandato e a chegada daquilo que tinha tudo para ser a solução para o Guarani, mas ficou muito longe disso, a “Coalisão” aclamada que trazia Álvaro Negrão como presidente e Horley Senna como vice, juntando vários grupos políticos Bugrinos ao comando, esperança de dias melhores que terminou com uma briga de egos sem igual.

Mas e a conclusão? Prometo fazer ao final do último capítulo, há tanto a dizer sobre este período que ainda não terminamos de relatar,mas o pior de tudo estava por vir, seriam os anos de 2010 e 2011. Agora, sobre estes relatos da parte 7 quem escreve é você, comente e relembre seus momentos e alegrias ou decepções com o Bugre entre os anos de 2006 e 2009, uma verdadeira gangorra, um sobe e desce sem fim, que caminhava para um final feliz em 2010. Observem que nossa série que começou em 1973 com o Bugre disputando o Campeonato Brasileiro pela primeira vez já percorreu 37 anos, restam apenas cinco temporadas para terminarmos esta análise, as problemáticas e oscilantes 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014.

Prometo não demorar com o capítulo final. Até a próxima pessoal.

Marcos Ortiz
Planeta Guarani

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Na Vitória ou na Derrota

Na Vitória ou Na Derrota, o começo do caos – Parte 06/08

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Mais técnicos que Beto Zini, mais jogadores do que se possa contar e uma infinidade de processos trabalhistas. Essas são marcas registradas de José Luis Lourencetti, que presidiu o Guarani de julho de 1999 a abril de 2006. Ele foi o único presidente condenado na Justiça a restituir o Clube por má gestão e condenado pelo não recolhimento de encargos sociais. A seguir, em síntese, a história do futebol do Guarani durante sua gestão:

José Luis Lourencetti - Presidente do Bugre entre 1999 e 2006. Foto - Galeria de Presidentes do Guarani F.C.

José Luis Lourencetti – Presidente do Bugre entre 1999 e 2006. Foto – Galeria de Presidentes do Guarani F.C.

Talvez o maior erro da Gestão Beto Zini tenha sido não permitir o surgimento de novas lideranças, novos dirigentes que pudessem conhecer de futebol. Com sua saída, e a recusa do Vice José Carlos Cabrino em concorrer à presidência, buscou-se no clube alguém que pudesse recolocar o trem nos trilhos, mas não havia. A solução foi criar um “Grupo Gestor”, onde cada um comandaria um segmento, com autonomia, a partir de julho de 1999 até o final do ano. Quase todos os escolhidos haviam sido vices nas gestões de Beto Zini. Na presidência formal, para completar o mandato, ficaria José Luis Lourencetti (ex-diretor da Singer, aposentado, e na época comerciante – Foto). Sua experiência se limitava ao Depto. Social; outro comerciante (com graduação em Educação Física), André Ciarelli, comandaria o futebol; Milton Fernandes Alves, também comerciante, ficaria com o Social; Antonio Carlos Seccacci com o Marketing. Na presidência do Conselho Deliberativo, em substituição a Raul Celestino, que se demitiu em solidariedade a Beto Zini, entrava o também ex-vice Samuel Ribeiro Rossilho (que atualmente é Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Social e de Turismo).

Como técnico, Carlos Alberto Silva foi trazido de volta, substituindo Estevam Soares. André Ciarelli, que depois convidou Roberto Constantino para auxiliá-lo, conseguiu, com uma equipe barata, chegar às quartas-de-final do Campeonato Brasileiro, sendo eliminado pelo Corinthians. Na partida decisiva, no Morumbi, o capitão Marcelo Souza ainda perdeu um pênalti. O time bugrino naquele 24/11/1999: Gléguer, Marinho, Marcelo Souza e Edu Dracena; Luciano Baiano, Valdir Souza (Ramos), Renatinho, Silvinho (Luiz Fernando) e Rubens Cardoso; Marcinho e Gilson Batata (Rodrigo Jaú).

Corinthians X Guarani disputam vaga no Brasileiro de 1999 - Foto: Vidal Cavalcante-AE.

Corinthians X Guarani disputam vaga no Brasileiro de 1999 – Foto: Vidal Cavalcante-AE.

O oitavo lugar, de qualquer forma, era a melhor classificação desde 1996, e a torcida estava feliz. Enquanto Ciarelli, Constantino e Carlos Alberto Silva comandavam o time, Lourencetti trabalhava nos bastidores para conseguir recursos. E conseguiu algo realmente importante: que o Guarani fosse admitido (o anúncio foi no final do ano), no “Clube dos 13” (a mesma entidade que tanto prejuízo trouxera ao Clube em 1987). Beto Zini garante que essas negociações vinham do “seu tempo”, mas o mérito caiu para JLL.

Entrando no Clube dos 13, o Bugre passaria a ganhar uma quota de televisão 9 vezes maior do que a dos clubes que não pertenciam à entidade. O fim da “Lei do Passe” foi até esquecido momentaneamente. Aí começava algo que não podia ter acontecido: com a expectativa de bons recursos financeiros, os contratos de vários jogadores foram renovados para o ano 2000 com até 100% de aumento. A folha de pagamento disparou.

Veio então a eleição de dezembro de 1999, para o quadriênio 2000/2003. Lourencetti se apresentou como candidato único e foi eleito por aclamação, mas acabava o “Grupo Gestor”. Quem mandaria seria o presidente, com os poderes que o estatuto lhe outorgava. Samuel Rossilho deixou o Conselho, sendo substituído por Carlos José Tozzi. Chegaram ao clube alguns amigos do presidente no Rotary Club, sem qualquer vivência no futebol ou mesmo no Guarani, assumindo cargos importantes.

Naquele ano de 1999, pela primeira vez se falava em vender parte do patrimônio para a construção de um Shopping, que garantiria uma renda vitalícia no futuro. Um grupo de empresários havia apresentado, ainda a Beto Zini, uma proposta pela área do CT, mas o político Antonio da Costa Santos abriu uma guerra contra a ideia, ameaçando tomar de volta o terreno, que havia sido doado pelo Poder Público. A proposta depois passou para a área das piscinas, ao longo da Av. Princesa D’Oeste, mas “Toninho” não aceitava em hipótese alguma um Shopping naquela região, considerada por ele histórica por ser antigo ponto de parada de tropeiros e Bandeirantes, e os investidores desistiram, indo construir um Shopping em Ribeirão Preto.

Chegamos ao ano 2000, naqueles primeiros dias Lourencetti era endeusado pela torcida e pela imprensa, e decidiu retomar a construção da Sede Social, iniciada por Beto Zini em 1989. Outro erro que iria acabar levando para o ralo mais alguns milhões. De positivo o Clube resolveu comprar, em parcelas, o terreno que estava sendo oferecido para a construção de um novo CT, à beira da Rodovia Bandeirantes.

No futebol, Ricardo Gomes veio para substituir Carlos Alberto Silva. JLL resolve contratar em definitivo o pequeno atacante Marcinho, junto ao América de Rio Preto, e dias depois recusou uma oferta milionária feita pelo Grêmio/RS por esse mesmo jogador. Até hoje é condenado por alguns por isso.

Prata da casa, Gleguer era o goleiro do Bugre. Na época usando uniformes da Rebook.

Prata da casa, Gleguer era o goleiro do Bugre. Na época usando uniformes da Rebook.

No Campeonato Paulista de 2000, dividido em várias fases, este foi o time da estréia: Gléguer, Rafael, Edu Dracena, Sorlei e Gustavo Nery (Renato Ferreira); André Gomes, Renatinho, Lindomar e Luiz Fernando (Luís Fernando Martinez); Marcinho e Romualdo (Fumagalli). Mas depois de uma derrota em casa para o União de Araras, o técnico Ricardo Gomes deixou o cargo e José Luiz Carbone foi trazido de volta. Não adiantou. O time chegou à segunda e à terceira fases, mas não chegou às semifinais, que era o prometido à torcida. Paralelamente, na Copa do Brasil, eliminou o Figueirense, mas parou no Flamengo, perdendo no Brinco e empatando no Rio.

Vieram as primeiras críticas ao futebol e, como resultado, em julho, André Ciarelli pede demissão, seguido pelo Diretor de Futebol Roberto Constantino. Para o lugar deste foi contratado o ex-ídolo Barbieri, mas sem poder para contratar ou dispensar ninguém. O futebol ficaria na mão do presidente e de seus auxiliares mais diretos, Antonio Seccacci e Luiz Alberto Ferrari.

Elano (à direita). Prata da casa, volante foi pedir aumento e dirigente o mandou voltar a plantar cana. Resultado, campeão brasileiro pelo Santos no ano seguinte, e titular do Brasil na Copa do Mundo de 2010.

Elano (à direita). Prata da casa, volante foi pedir aumento e dirigente o mandou voltar a plantar cana. Resultado, campeão brasileiro pelo Santos no ano seguinte, e titular do Brasil na Copa do Mundo de 2010.

Veio a “Copa João Havelange”, um campeonato brasileiro organizado pelo “Clube dos 13” que reuniu 116 clubes (a CBF, por um problema jurídico, foi proibida de organizar o Brasileirão sem o Gama de Brasília, que não aceitou seu rebaixamento em 1999). O Guarani começou mal. Havia trazido Darío Pereyra como técnico, mas ele resistiu somente por seis rodadas, e sem vencer nenhum jogo, Carlos Alberto Silva foi chamado de volta. O Bugre teve uma reação, mas não se classificou para as oitavas-de-final. O time na despedida da “Copa João Havelange” contra o Palmeiras no Parque Antartica: Gléguer, Edu Dracena, Gilmar Lima e Gláuber; Rafael (Márcio Rocha), Otacílio, Renato (Mabília), Fumagalli e Luís Fernando Martinez; Marcinho e Jaques (Marcus Vinícius). Técnico: Carlos Alberto Silva.

A administração JLL já apresentava desgastes, e as sucessivas trocas de treinadores não surtiam efeito. O dinheiro não era tanto como se pensara e o clube teve que responder a processos inesperados, como dois da Receita Federal cobrando verbas não declaradas corretamente quando das vendas de atletas ao exterior na gestão anterior, e até de uma empresa de manutenção de gramados, que fora proibida de entrar no Clube pelo ex-administrador Eduardo José Farah Filho, e ganhou na justiça o pagamento integral previsto no Contrato…

2001 seria um ano fatídico dentro de campo. Nas sete primeiras rodadas, o Guarani conseguiu 4 vitórias (contra AAPP, Corinthians, Portuguesa e União Barbarense), empatou duas (Mogi e Inter de Limeira) e só perdeu na estréia, para o Santos por 1 x 0, na Vila. Parecia tudo normal. Mas daí para a frente veio uma sequência de maus resultados absurda. No meio do caminho, ainda eliminou o Caxias (RS) pela Copa do Brasil, mas perdeu em casa para o Atlético/PR por dois gols de diferença e foi eliminado da Copa.

No futebol surgiram problemas sérios, e Carlos Alberto Silva afastou da equipe o lateral Marcinho, o atacante Jocivalter e o zagueiro/capitão Marcelo Souza, que teria ido cobrar salários atrasados dos jogadores ao presidente quando este anunciou a contratação do atacante Zé Carlos, antecipando luvas e três meses de salários.

Fumagalli entrou na segunda etapa desta partida no lugar de Renato. Bugre de Umbro, patrocinado pela Center Lider.

Fumagalli entrou na segunda etapa desta partida no lugar de Renato. Bugre de Umbro, patrocinado pela Center Lider.

Desde 1950 o Guarani disputava a 1ª Divisão de Profissionais do Campeonato Paulista, sem nunca ter sido rebaixado, e chegou à última rodada com esse risco. Enfrentaria a Portuguesa Santista, no Brinco, uma equipe que só “cumpriria tabela”, e o Bugre tinha uma pontuação que lhe permitiria escapar com um simples empate em 1 x 1, desde que vencesse (como venceu) a disputa de penalidades, pois o regulamento daquela competição garantia um ponto a cada equipe que empatasse marcando gols e dava mais um ponto ao vencedor das penalidades, mas não dava pontos por empates com placar de 0x0, neste caso apenas o time vencedor das penalidades levava um ponto. Se conseguisse no mínimo este resultado o Bugre jogaria o União Barbarense para o abismo (o Mogi Mirim já estava rebaixado, em último). Só não podia perder ou empatar em zero a zero. Nos bastidores o medo dos torcedores era grande. Uns sugeriam ao presidente combinar com a Portuguesa que cada time faria um gol no início, e depois a partida seguiria normalmente; outros recomendavam uma visita ao presidente da FPF, convidando o bugrino Eduardo José Farah para estar presente na partida, preferencialmente sentado no banco de reservas… Palpites não faltavam. Mas o presidente JLL garantia a todos: “Calma! Vai dar tudo certo!”. Mas não deu. O time nada produziu em campo e o placar final foi zero a zero… Até ganhou o ponto extra nos pênaltis, mas depois de 52 anos o Guarani estava rebaixado no Campeonato Paulista.

O trauma foi muito grande. Carlos Alberto Silva, inconformado com o golpe que o destino lhe pregara e aos prantos, deixou o Clube e foi substituído por Hélio dos Anjos para a disputa do Campeonato Brasileiro. Mas já havia também uma crise financeira instalada, que se tornou pública. Mesmo antes da chegada do novo técnico, cinco jogadores foram dispensados, sem receber salários de quatro meses, segundo eles (André Gomes, Marcelo Souza, Jorge Luís, Márcio Rocha e Henrique). JLL garantia que os salários estavam 3 meses atrasados, mas que os pagaria com um empréstimo bancário que a FPF ajudaria a conseguir. Um novo Gerente de Futebol foi contratado, Túlio Cunha Lima, que garantia a contratação de 5 reforços para o Brasileirão, com a quota de 2,1 milhões que o Bugre receberia do Clube dos 13 e com uma possível venda do zagueiro Edu Dracena que não foi concretizada.

Veio o Brasileiro e, logo de cara, uma derrota em casa para o Palmeiras (3 x 1) e depois uma goleada do Vasco (7 x 1) no Rio. O clima foi ficando cada vez mais pesado e Hélio dos Anjos, após a 4ª rodada sem vitória, foi substituído por Luiz Carlos Ferreira, o “Ferreirão”. Em 20 de agosto de 2001 o Guarani, em crise, anunciava a contratação do ex-meia Neto, como Gerente de Futebol, em substituição a Cunha Lima. Neto acalmava a torcida em entrevistas, elogiava o presidente e garantia dias melhores. O Bugre venceu pela primeira vez 10 dias depois, na oitava rodada (2×1 na Lusa, na Capital), mas perdeu em seguida para o Grêmio em Porto Alegre por 1×0 e essa foi a quinta e última partida de Ferreirão no comando do time, substituído por Zé Mário, que conseguiu terminar a competição numa posição intermediária (19º entre 28 equipes).

Lance da Partida Santos x Guarani pelo Rio São Paulo de 2002 - Foto:Ivan Storti/Lancepress

Lance da Partida Santos x Guarani pelo Rio São Paulo de 2002 – Foto:Ivan Storti/Lancepress

Nesse meio tempo, surgiu uma novidade. O presidente da FPF Eduardo José Farah, liderou a criação da “Liga Rio-São Paulo” e foi eleito seu presidente, prometendo para 2002 uma competição entre os melhores clubes dos dois estados que teria mais sucesso financeiro que os campeonatos estaduais e o próprio Campeonato Brasileiro. Seriam 16 clubes, os sete melhores do Rio e os nove melhores de São Paulo, incluindo-se o Guarani. Esses clubes não disputariam os campeonatos estaduais, que perdiam cada vez mais sua importância histórica. Com isso, o Bugre não disputaria a Série A2 em 2002, o que foi um alívio para a torcida. O Bugre havia tropeçado, sim, mas não caiu… E se o novo “Rio – São Paulo” fosse sucesso, o Paulistão “já era”.

Edu Drancena - Prata da casa que ficou marcado por pênalti perdido no último minuto do derbi no Paulista de 2001.

Edu Drancena – Prata da casa que ficou marcado por pênalti perdido no último minuto do derbi no Rio São Paulo em 2002.

Os clubes paulistas dominaram o Torneio Rio-São Paulo, em 2002. Corinthians, Palmeiras, São Paulo e São Caetano se classificaram para as semifinais. Os quatro últimos, em ordem decrescente, foram: Flamengo, Americano, Bangu e América. Mas o regulamento previa que o último paulista e o último carioca estariam rebaixados para o ano seguinte, e o Guarani empatou com Portuguesa e AAPP em número de pontos, mas teve um gol a menos de saldo que a “Xita”, gol esse marcado no final da partida contra o Palmeiras, na última rodada, e foi o último paulista. O alívio mais uma vez se transformou em tristeza.

Uma coisa não se pode negar: JLL tinha uma grande capacidade de fazer bons relacionamentos com dirigentes. Num desses encontros, conheceu o presidente do clube espanhol Villarreal, e o convenceu a convidar o Bugre para realizar uma partida na Espanha. Mas, na volta dessa viagem, antes do início do Campeonato Brasileiro, o time participou de um torneio em Marília e conseguiu empatar com o MAC e perder do União de Araras. Zé Mário acabou demitido e foi substituído por Jair Picerni, que resistiu durante todo o Brasileirão/2002, terminando na 16ª colocação, entre 26 clubes.

Guarani vence o Grêmio por 2x0 fora de casa no Brasileiro de 2002. Na foto pode-se ver a marca Magnum estampada na camisa.

Guarani vence o Grêmio por 2×0 fora de casa no Brasileiro de 2002. Na foto pode-se ver a marca Magnum estampada na camisa.

Um detalhe que pouca gente deve se lembrar. Em 2002, sem patrocinador master nas camisas, o presidente José Luis Lourencetti resolveu presentear o empresário Roberto Graziano, e mandou estampar sem cobrar nada em troca a marca “Magnum” nas camisas do Bugre. Se não me engano foram cinco partidas com esta cortesia, a aposta era que ao final a empresa voltasse a patrocinar o Bugre, mas isso não aconteceu.

Chegou 2003, o último ano do primeiro mandato da gestão JLL. Por pressão dos clubes e da própria CBF, que não via com bons olhos o crescimento de Eduardo Farah, a “Liga Rio-São Paulo” fora extinta. Os clubes voltariam a disputar os campeonatos estaduais, que tiveram melhores quotas de TV, graças a uma disputa entre SBT e Globo. Ocorre que no ano anterior, pela ausência dos “grandes” no Paulista, o Mogi-Mirim (lanterna no ano anterior) tivera seu rebaixamento cancelado. O Guarani, portanto, também tinha direito de participar da 1ª Divisão. Giba, com ótimo trabalho como técnico, principalmente no Paulista e no Santos, assumiu o comando da equipe. Com 21 clubes, o Paulistão foi dividido em três grupos de 7, e o Guarani terminou em segundo no Grupo 1. Nas quartas-de-final empatou em 0 x 0 com a surpreendente Portuguesa Santista do técnico Pepe, em Santos, e foi eliminado pela melhor campanha do adversário. Mas tudo tinha voltado ao “normal”, ao menos em termos de resultados no campo.

O Guarani também jogava pela Copa do Brasil. Eliminara o Pelotas na primeira fase e passou pelo Vila Nova de Goiás na segunda. Mas o Vila Nova ingressou na Justiça Desportiva alegando que o atleta bugrino Leandro Guerreiro não tinha condições de jogo, por não ter sido citado no recém-criado BID – Boletim Informativo Diário (que dá problemas até hoje). O Bugre apresentou documentos da CBF liberando o jogador e assumindo o erro, mas acabou sendo eliminado pelo STJD.

No Couto Pereira Bugre enfrenta o Coritiba usando camisas douradas.

No Couto Pereira Bugre enfrenta o Coritiba usando camisas douradas.

Em maio, sempre com o apoio da parceira Medial Saúde, a Diretoria aproveita o momento e lança a camisa dourada (pelos 50 anos do Brinco), fazendo grande festa. A prateada (pelos 25 anos do título de 78) viria em agosto.

Pepe, semifinalista do Paulista com a Portuguesa Santista, foi contratado para o Brasileirão de 2003 e resistiu até a 15ª rodada. Após uma derrota para o São Paulo, no Brinco, deixou o clube, sendo colocado em seu lugar o ex-atleta e treinador do time “B”, Barbieri. O Guarani terminou a competição em 13º lugar, entre 24 clubes.

Mas a quatro rodadas do final do Brasileiro (em 14/11/2003) havia explodido uma bomba que mudaria os destinos do Clube. Os jogadores bugrinos anunciaram uma greve, alegando estarem há dois meses sem receber os salários, premiações e direitos de imagens. Criticado publicamente até pelo diretor da Medial Saúde, o Gerente de Futebol Neto, acusado de não ter se empenhado para contornar a situação, pediu demissão e deixou o Clube. O fato é que o time estava bem montado e a expectativa era de que 2004 seria um bom ano para o Clube, mas todos os considerados “líderes da greve” acabaram sendo dispensados ao final da temporada, quebrando o entrosamento existente. Pior, trazendo uma leva de novas ações trabalhistas e de novas contratações duvidosas.

Mesmo com o tumulto, em dezembro ocorreu nova eleição e a chapa liderada por JLL foi a única a se inscrever, sendo reeleita novamente por aclamação. O estatuto havia sido alterado, pela entrada em vigência do novo Código Civil e o sistema de eleição passava a ser direta pelos votos dos sócios em Assembléia, e não mais pelo Conselho Deliberativo.

Joel Santana era o treinador do Bugre em 2004 - Foto: Gazeta Press.

Joel Santana era o treinador do Bugre em 2004 – Foto: Gazeta Press.

Depois de um mau início no Campeonato Paulista, Barbieri deixava o comando da equipe e em 08/02/2004 estreava o 14º técnico da administração JLL: Joel Santana. O recordista havia sido Zé Mário, que durou 11 meses. A média era de 3,8 meses… Não, não é “brincation”, como diria hoje em seus comerciais o grande Joel Santana… Como grande “jogada de Marketing” o Guarani, com apoio da Medial Saúde, contratou seu ex-algoz em 1988, Viola, que estava tão “forte” que os calções não serviam. Chegou a jogar com bermudas de passeio até que a Umbro fizesse alguns em tamanho especial. Mas o novo time teve um rendimento bem diferente daquele do ano anterior.

O Campeonato Paulista de 2004 teve novamente 21 clubes, divididos em dois grupos. No Grupo B, com 11 equipes, o Guarani teve uma campanha sofrível, com apenas 1 vitória em 10 jogos, e 8 pontos ganhos, graças a 5 empates. Mas foi o suficiente para não ser rebaixado. O time na última rodada. : Jean, Carlinhos (Jônatas), Paulo André e Tiago; Marlon, Roberto (Adílio), Loscri (Reinaldo), Alexandre e Patrick; Roncatto e Viola. Técnico: Joel Santana.

Na Copa do Brasil, passou pela Cacoalense com dois empates, graças a um gol marcado fora de casa (foi 1 x 1 lá e 0 x 0 no Brinco). Depois da eliminação no Paulista empatou com o América-MG em BH e venceu por 1 x 0 em Campinas, passando à terceira fase, onde empatou com o Santo André (que seria o campeão da competição) no Brinco por 1 x 1 e por 0 x 0 no ABC, sendo eliminado pelo gol que tomou em casa.

Viola, contratado com salários de cerca de R$ 80.000,00 em 2004.

Viola, contratado com salários de cerca de R$ 80.000,00 em 2004.

Pelo Brasileirão o Guarani jogou três vezes com uma camisa rubi, em homenagem aos 40 anos do seu patrocinador máster, a Medial Saúde (mediante uma “compensação financeira”). Dia 02/05/2004, contra o S. Paulo, em 08/05, contra o Atlético/PR (último jogo de Joel Santana como técnico) e em 16/05 contra o Corinthians, no Pacaembu, com Lino Facchini Jr no banco como treinador interino. Na partida seguinte, Zetti já seria o técnico. Zetti resistiu até a 18ª rodada, quando foi substituído por Lori Sandri. Lori durou 8 rodadas, e veio Agnaldo Liz. Viola estava afastado da equipe por indisciplina e Liz o perdoou, reintegrando-o ao elenco. Não adiantou, oito rodadas depois e quem se sentava no banco interinamente era Renato Frederico (que treinava a equipe B). Na partida seguinte estava Jair Picerni. Ele tinha 10 rodadas para conseguir o milagre de livrar a equipe do rebaixamento, mas não conseguiu. Em antepenúltimo entre 24 clubes, o Bugre acabou rebaixado para a Série B. No último jogo, contra o Grêmio (também rebaixado) entraram em campo: Jean, Mariano (Netinho), João Leonardo, Nenê e Patrick; Marcos Paulo, Simão (Roberto), Harison e Sandro Hiroshi (Adriano); Catatau e Roncatto. O time B disputou a Copa FPF (atual Copa Paulista) e foi vice-campeão, perdendo para o “Santos B”, mas e daí?

Para honrar seus compromissos, JLL conseguiu vários empréstimos na Federação Paulista de Futebol, mas como herança, além dessa dívida, o ano de 2004 ainda traria depois uma série de processos trabalhistas e, como seria descoberto, muitos sequer tiveram defesa ou a representação de um Preposto do Clube nas audiências, correndo à revelia. Viola, por exemplo, deixou o clube chamando publicamente o presidente JLL de “Peidão” e outros adjetivos impublicáveis por não honrar seus compromissos.

Paulo André, hoje mentor do "Bom Senso Futebol Clube" era uma grande promessa.

Paulo André, hoje mentor do “Bom Senso Futebol Clube” na época era uma grande promessa.

O zagueiro Paulo André, uma das maiores promessas do elenco, ganhou na Justiça o direito de reduzir dois anos do seu contrato, por ter pago do próprio bolso uma cirurgia no púbis.

O atacante Jonas era um dos envolvidos, mas no início de 2006, denunciando falsificação de assinatura em contrato consegue se transferir ao Santos.

O atacante Jonas era um dos envolvidos, mas no início de 2006, denunciando falsificação de assinatura em contrato consegue se transferir ao Santos.

O Presidente anunciou ainda uma estranha parceria com o Atlético-PR, que injetou R$ 1 milhão no Clube em troca de 50% dos direitos econômicos de seis jogadores das categorias de base do Alviverde (os escolhidos pelo clube curitibano foram Juninho, Simão, Adam, Jonas, William e Roberto). O contrato previa ainda a injeção de recursos do exterior de um grupo formado na Suíça, mas esse grupo jamais apareceu. Algum tempo depois, em reunião do Conselho Deliberativo do Clube o contrato foi apresentado e constatou-se que o valor era de R$ 2 milhões a serem pagos em duas parcelas, mas o Atlético-PR se recusou ao segundo por conta da ação movida pelo atacante Jonas que conseguiu sua liberação e se apresentou ao Santos no início de 2006. Detalhe 20% do valor total do acordo (R$ 400 mil) foram pagos a um empresário que teria intermediado a negociação, assim, restaram ao Guarani pífios R$ 600 mil e mais nada.

Picerni foi prestigiado e foi anunciado que permaneceria para o Paulistão de 2005. O Guarani perdeu a Umbro (dizem que por não pagar material adquirido para a loja do Clube, e por colocar uniformes usados à venda, prejudicando a venda de novos) e fechou com a Lotto como sua nova fornecedora de uniformes.

Já vivendo as consequências de seus problemas financeiros/administrativos, o Guarani passou por uma grave crise política no início de 2005 com a renúncia do então Vice Presidente Cid Ferreira, do Diretor de Marketing Marcio Cecacci, do diretor de patrimônio Norberto Secacci e do pedido de licença médica do Presidente do Conselho Deliberativo Carlos Tozzi. Clique aqui e leia matéria da época.

A oposição pressionava e JLL, cada vez mais sozinho, acabou concordando em abrir espaço, na administração, para um “Conselho Gestor” de cinco pessoas: os vices José Carlos Sícoli e Luiz Alberto Ferrari, Carlos Correia, Valdemir de Paulo e Álvaro Negrão, que prometiam reorganizar o Clube e reestruturar suas finanças, antes que fosse tarde. Os cinco, mais o presidente, tomariam todas as decisões por maioria de votos. Se dizia: “seis cabeças pensam melhor do que uma…”.

Não foi bem assim. O Conselho Gestor entrou e foi acusado de se “fechar” dentro do chamado “Queijo”, passando a tomar decisões sem o conhecimento do presidente e sem ouvir os diretores de área. Também foi acusado de demitir antigos funcionários sem nenhum critério e ter criado um ambiente de muito pessimismo e terror entre os que ficavam. Resultado: criou inimigos por toda parte e principalmente, pelo Clube. Pela primeira vez em sua história o Guarani tinha seus problemas tratados de forma pública com informações sobre sua dívida, suas receitas, a situação financeira, a necessidade de cortes nas despesas e os indícios de má gestão finamente estavam ali apresentados a todos de forma pública através da imprensa, para quem quisesse saber. Claro que não duraria muito tempo, não daria certo.

E realmente não deu. No dia 23 de maio, após uma entrevista de Álvaro Negrão a uma emissora de Rádio, Lourencetti – que já aceitava a idéia de renunciar – bateu na mesa e decretou o fim do Conselho Gestor, que durou apenas 81 dias no poder. Muitos sócios comemoraram. Lourencetti que tinha no quadro social talvez seu maior apoio declarou à imprensa: “Durante a presença do CG, cerca de 60 funcionários foram demitidos, entre eles o ex-goleiro Neneca, campeão brasileiro pelo Bugre em 1978, e que trabalhava nas categorias de base. O Neneca é um ídolo, jamais poderia sair assim. Essas pessoas (do CG) não sabiam nem o que estavam fazendo aqui. Mandaram embora até um funcionário com câncer”. JLL recontratou vários, inclusive Neneca (recém falecido). Por outro lado, Pedro Pires de Toledo, ex-Preparador Físico nos anos 70, havia sido colocado como Gerente de Futebol sem remuneração, e mesmo assim acabou demitido por JLL.

Já o grupo formador do agora extinto “Conselho Gestor” denunciava que a dívida aumentara de R$10 milhões para R$28 milhões em seis anos, e, para piorar, o Bugre tinha cerca de 120 ações trabalhistas na Justiça. Entre elas, algumas milionárias como a do goleiro Hiran (R$ 1 milhão) e do lateral-esquerdo Gustavo Nery (3 milhões), além de o processo do volante argentino Liberman, que esteve no Brinco de Ouro em 2003, com outros R$ 3 milhões de condenação em primeira instância. Cerca de 80 erros administrativos teriam sido encontrados por uma auditoria realizada pela Price.

Já estava em vigor a Lei Pelé, que previa pagamento da cláusula penal (200 vezes o salário anual do jogador) para rompimento unilateral do contrato. Como o Guarani não se defendia, a Justiça condenou o clube ao pagamento da cláusula penal para jogadores que saíram sem receber salários, considerando que isso significava quebra unilateral do contrato. O Guarani foi o único clube do Brasil que não conseguiu reverter essas decisões da Justiça, exatamente por não ter se defendido nem recorrido das sentenças. Daí surgiram os valores milionários que o Guarani deve para alguns ex-jogadores.

O fato é que, além de rendas e de algumas cotas do Campeonato Brasileiro, o Guarani já tinha sido alvo de penhoras em veículos, imóveis, contas bancárias e até o toboágua da parte social. Perdia jogadores por falta de pagamento de encargos sociais, como os meias Elano e Dinélson, o atacante Rafael Silva e o volante Émerson.

Jair Picerni não consegue evitar o rebaixamento. Pouco depois, mais um técnico demiitido.

Jair Picerni não consegue evitar o rebaixamento em 2004. Pouco depois, mais um técnico demitido.

Enquanto isso, nas primeiras 7 rodadas do Paulistão, duas vitórias, duas derrotas e três empates… Veio a Copa do Brasil e o Bugre eliminou o CRAC de Catalão, empatando lá e vencendo por 2 x 1 no Brinco. Por essa altura o time era: Jean, Mariano, Paulo André, João Leonardo e Adalto; Marcos Paulo, Careca (Nilson Sergipano), Héverton (Catatau) e Tucho; Cidimar e Roncatto. O time foi melhorando no Paulista, mas acabou eliminado pelo Santa Cruz na 2ª fase da Copa do Brasil, e Jair Picerni não aguentou. Flamarion respondeu interinamente na partida contra o Palmeiras, em 17/04, pela última rodada do Paulistão (Guarani ficou em 11º entre os 20 clubes). Nessa partida um jogador titular bugrino estava escalado para jogar quando um dos bandeiras avisou que ele estava suspenso pelo terceiro cartão amarelo. Caso ele tivesse jogado, o Guarani teria perdido 6 pontos e teria sido rebaixado.

Na foto o zagueiro Valdir Souza usando uniforme da Finta, patrocinado pela Furacão.

Na foto o zagueiro Valdir Souza usando uniforme da Finta, patrocinado pela Furacão.

Na estréia da Série B do Brasileiro assumia José Carlos Serrão. Graças ao presidente do Conselho, foi conseguido um acordo com a Auto-Peças Furacão como patrocinador máster, já que a Medial Saúde decidira não renovar com o Clube. A Furacão já patrocinava os calções do time.

Luiz Alberto Ferrari e José Carlos Sícoli, que eram vice-presidentes nomeados, pediram demissão com o fim do Conselho Gestor, e foram substituídos por Edison Torres, empresário de 35 anos com profundo conhecimento de Marketing Esportivo (e que tinha trazido a Medial Saúde) e Eurides Coutinho, ex- Diretor Social e ex-Vice Presidente do Conselho Deliberativo.

Luiz Carlos Ferreira comanda uma reação e leva o Bugre à segunda fase da Série B. Time fracassa no quadrangular decisivo.

Luiz Carlos Ferreira comanda uma reação e leva o Bugre à segunda fase da Série B. Time fracassa no quadrangular decisivo.

Na sétima rodada da Série B quem estava de volta era Luiz Carlos Ferreira, o “Ferreirão”. Ele indicou uma série de jogadores que também acabariam não rendendo o esperado, mas o Guarani, que chegou a estar na penúltima colocação, escapou do rebaixamento, mas não se classificou para a terceira fase da Série B. Mais um ano fora da elite. O time na última partida: Fernando, Mariano, Paulão, Andrei e Adílio; Márcio Araújo, Rodrigo Sá, Adeílson (Willian) e Ênio (Emerson Guaranésia); Jonas e Edmilson (Adriano). Para fechar o ano o Guarani foi a Três Rios (RJ) onde disputou um Torneio de Verão. Venceu por 3 x 1 o Sub-20 do Botafogo do Rio e por 1 x 0 o Volta Redonda, conquistando o título.

Ferreirão foi mantido para 2006, e indicou mais uma leva de jogadores. O Guarani não renovou com a Lotto e acertou com a Finta e a equipe mantinha-se numa posição intermediária no Paulistão, enquanto disputava a Copa do Brasil onde os resultados não vieram como a diretoria esperava. Depois de apenas empatar com o Estrela do Norte, em Cachoeiro do Itapemirim/ES, pela Primeira fase e perder em casa para o Paulista de Jundiaí, ele saiu, entre outras coisas revelando problemas de bastidores relacionados à “parceria” que o Clube anunciara e que não aceitava a indicação de jogadores. Renato Frederico dirigiu a equipe principal interinamente contra Marília e Noroeste (com duas derrotas) e na vitória por 3 x 0 sobre o Estrela do Norte, no Brinco, passando para a 2ª fase da Copa do Brasil. Foi então anunciada a contração de Toninho Cerezo como técnico, uma contratação que seria bancada por um grande parceiro que se apresentava, a “multinacional” Turbo System SLR.

Quando desembarcou no Brinco de Ouro, o “empresário italiano” Nino Nicolleti, representante no Brasil da tal “Turbo System”, prometeu contratações do porte dos italianos Gianluca Pagliuca, Roberto Baggio e Alessandro Del Piero. Foi prometido também a apresentação de um contrato de parceria em 30 dias, com aplicação imediata de um milhão de dólares. No entanto, nem o contrato nem o dinheiro apareciam. Sem contrato e sem dinheiro, foram então apresentados como reforços o volante Zé Elias (ex-Corinthians) e o treinador Toninho Cerezo, que iria receber R$ 170 mil mensais da Turbo System, uma fortuna se um Guarani endividado tivesse que pagar. Os dois reforços acabariam não recebendo um centavo sequer da Turbo System. Descobriu-se que até a festa de lançamento da parceria, que aconteceu no salão nobre do Tênis Clube de Campinas, foi paga com um cheque sem fundos pelo “italiano”. Descobriu-se também que Nino Nicoletti era brasileiro (José Leria Nicoletti) e respondia a processos na Justiça Criminal, inclusive por estelionato. Lourencetti sabia de tudo ou também foi vítima, é o que se perguntava.

Toninho Cerezo no Guarani. Técnico seria um dos primeiros a explodir esquema da parceria fantasma. Foto: Sérgio Assis/Gazeta Press

Toninho Cerezo no Guarani. Técnico seria um dos primeiros a explodir esquema da parceria fantasma. Foto: Sérgio Assis/Gazeta Press

Como técnico, Cerezo estreou vencendo o Santos no Brinco em 12 de março e duas semanas depois eliminou o Potiguar, de Mossoró (RN), pela Copa do Brasil, vencendo o jogo de ida por 4 x 0, mas o time não ganhava de ninguém no Paulista. Parecia mesmo nem se esforçar para isso. Terminou inapelavelmente rebaixado para a Série A2. E desta vez não haveria um Rio-São Paulo para dar um jeito… O time do rebaixamento em 9 de abril (0 x 0 com o Mogi, no Brinco): Fernando, Mariano (Elvis), Rogério, André Conceição e Adílio; Goeber, Juliano (Rodrigo Sá), Gustavo e Bilu; Adeílson (Éder) e Edmílson.

Veio então, em 12 de abril, a partida pela 3ª fase da Copa do Brasil e o Bugre foi goleado por 5 x 1 para o Flamengo, no Maracanã. O ambiente político estava insuportável no Brinco de Ouro, com a oposição tendo até montado uma sede na Avenida Norte-Sul. Começou no dia 15 de abril a Série B do Brasileiro e veio uma vitória sobre o CRB em casa, mas esse foi o último jogo de Toninho Cerezo como técnico, que teve que buscar a Justiça para receber seus salários. Do Guarani, é claro…

Uma reunião do Conselho Deliberativo foi marcada para 18 de abril, terça-feira, e Lourencetti deveria mostrar que a parceria com a Turbo System era real ou o Conselho iria convocar uma Assembléia para destituí-lo. No meio da reunião, por telefone, sabendo da decisão em favor de uma Assembleia, ele comunicou sua demissão ao 1º Vice-Presidente, Edison Torres, que assumiria interinamente, enquanto não acontecesse uma nova eleição.

Waguinho: Bom trabalho, mas demissão.

Waguinho: Bom trabalho, mas demissão.

No dia seguinte, o Bugre venceu o Flamengo, no Brinco, por 1 x 0, mas pela goleada já sofrida, foi eliminado da Copa do Brasil. No banco, como técnico, estava Waguinho Dias, que acabaria sendo efetivado na função, e conseguiria alguns bons resultados até a 10ª rodada, a última em que dirigiu o time, vencendo a Portuguesa no Canindé e colocando o Bugre em 11º lugar na classificação.

A eleição foi marcada para 5 de junho, uma segunda. A oposição havia buscado em Leonel Martins de Oliveira um nome que, na teoria, poderia reagrupar antigos bugrinos e recuperar o apoio perdido nos últimos anos. Edinho Torres montou uma chapa ao lado de Maurício Bonzanini, outro jovem empresário, mas desgastado e envolvido em uma denúncia de alteração de datas de adesão de títulos de sócios para que estes associados pudessem votar, (CLIQUE E LEIA MATÉRIA DA ÉPOCA) abriu mão de sua candidatura no final da sexta anterior à eleição. Bonzanini, inconformado, apresentou-se como candidato a presidente pela chapa já inscrita, mas Leonel e sua chapa pediram a impugnação da chapa concorrente na abertura da Assembleia Geral de Associados, o que foi aceito. Três foram as alegações: não havia reconhecimento de firma nas fichas de inscrição, Bonzanini não tinha completado dois anos como sócio e a desistência de Edinho havia sido irregular. Sem eleição, Leonel foi empossado, já anunciando o veterano Carlos Gainete como técnico. O time acabou entrando novamente em parafuso e, com o agravante de perder 3 pontos por ordem da FIFA, por mais um “descuido” de JLL e seu Departamento Jurídico, acabaria novamente rebaixado. Mas essa é outra história, que será descrita na última parte desta retrospecção…

Conclusão

A gestão JLL foi, sem sombra de dúvidas, a que mais dinheiro movimentou a frente do Guarani, mas em contrapartida foi a gestão que mais contribuiu para o aumento das dívidas do Clube. A falta de zelo e critério nas contratações de funcionários, na gestão dos recursos e no acompanhamento dos novos processos trabalhistas trouxe prejuízos que até hoje são imensuráveis e, sem dúvida nenhuma, pesam na situação financeira atual do Guarani Futebol Clube.

Em 2005 rebaixado no Paulista, era hora de jogar a Série A2 pela primeira vez na história.

Rebaixado no Paulista de 2005, era hora de jogar a Série A2 pela primeira vez na história.

Dentro de campo o Guarani, que até então lutava para se manter na elite das competições que disputava, despencou. Lourencetti assume o clube ao lado do Grupo Gestor e no seu primeiro semestre conquista uma oitava colocação no Campeonato Brasileiro de 1999, um início promissor, mas entrega o clube ao seu sucessor pela primeira vez desde 1950 disputando a Série A2 do Campeonato Paulista e a Série B do Campeonato Brasileiro. Não que isso não pudesse ser piorado (e foi), mas representa uma queda incrível se comparado ao Guarani tradicionalmente incomodando os chamados grandes e, via de regra, beliscando resultados de respeito e vagas em fases e decisões importantes.

Méritos: Foi na sua gestão que o Clube conseguiu finalmente adentrar ao Clube dos 13 e com isso, mesmo com uma quota muito menor que outros integrantes, inegavelmente se manteve até 2012 quando a entidade seria desfeita.

Outro mérito da gestão JLL foi a aquisição por um valor muito menor que o atual avaliado, do terreno às margens da Rodovia dos Bandeirantes. Valor da compra: R$ 806 mil, pagos em 13 parcelas de R$ 62 mil. Valor atual de avaliação: Superior a R$ 20 milhões. (CLIQUE E LEIA MATÉRIA DA ÉPOCA)

JLL assumiu o Guarani com uma aprovação de mais de 90% e deixou o clube envolvido em uma negociação até hoje nebulosa e nunca concretizada com o “empresário italiano Nino Nicolleti” que desmascarado publicamente soube-se à época tratar-se de José Leria Nicolleti e a empresa multinacional que ele representava, a Turbo System SRL que, pior ainda, nunca existiu.

Estima-se que nos anos em que o clube contou com o patrocínio da empresa Medial Saúde, aliado às quotas do Clube dos 13 e outras verbas de patrocinadores diversos, a receita era maior que R$ 13 milhões anuais, valor no mínimo três vezes maior que o disponível nos melhores momentos da gestão Beto Zini, claro, sem envolver a negociação de atletas, porém, talvez iludido, mal acompanhado ou mal assessorado, mas certamente incompetente, gastou muito mais do que arrecadou. Em alguns momentos de sua gestão estima-se que a folha salarial apenas do Futebol Profissional beirava a cifra de R$ 2 milhões mensais, gerando um déficit só deste departamento da ordem de R$ 900 mil mensais.

Alex em campo pelo Bugre contra o Flamengo. Brasileiro de 2003. Negociação nunca teve valores divulgados.

Alex em campo pelo Bugre contra o Flamengo. Brasileiro de 2003. Negociação nunca teve valores divulgados.

Outro fato marcante da gestão JLL no Guarani foram as poucas e conturbadas negociações de pratas da casa por valores muito menores do que os praticados pelo mercado da época, e a isso soma-se a perda, graças à falta de pagamento de salários ou de demais encargos sociais, de praticamente todas as revelações das categorias de base do Guarani Futebol Clube.

O que sobrou, JLL conseguiu mal negociar com o Atlético Paranaense em um contrato que envolvia os direitos dos mais promissores atletas da base por parcos R$ 600 mil.

Uma pena, era a grande oportunidade de um salto econômico/financeiro gigantesco na história do Guarani que, para continuar parecendo clube rico, se endividou cada dia mais.

Mas o maior “pecado” cometido nesta gestão não foi a perda de atletas valiosos, a má gestão dos recursos obtidos, a contratação de jogadores de qualidade duvidosa ou o sonho de uma parceria golpista que jamais se concretizou. O maior leso causado pela gestão JLL ao Guarani foi, sem sombra de dúvidas, a falta de representação nas audiências das reclamações trabalhistas movidas contra o Clube, pois com isso, alguns valores que teriam sido consolidados em algumas dezenas de milhares de reais, tornaram-se indenizações milionárias. Exemplo disso: O caso Lieberman, o Guarani devia ao atleta cerca de R$ 23 mil referente a salários atrasados, mas graças ao não comparecimento à audiência foi julgado a revelia e o jogador, representado pela advogada Gislaine Nunes, acabou tendo reconhecida uma dívida total de mais de R$ 3 milhões, valor este que, mais tarde corrigido, quase custaria ao Bugre seu Centro de Treinamentos em leilão público..

Este prejuízo talvez jamais consiga ser recuperado.

Ufa, depois de encerrarmos este “resumão” extenso de uma das épocas mais conturbadas da história do Guarani, vamos para outros momentos não menos conturbados, a volta de Leonal Martins de Oliveira, sua destituição e sucessão por Marcelo Mingone e a chegada de Álvaro Negrão, tudo isso em um único capítulo, a última parte de Na Vitória ou na Derrota.

Não se esqueça, é você quem ajuda a fazer esta história, foi você quem viveu tudo isso e a sua participação é extremamente importante para as conclusões que pretendemos chegar.

Até a próxima!

Marcos Ortiz
Planeta Guarani

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Na Vitória ou na Derrota

Na vitória ou na derrota – A era Beto Zini, o Bugre versus o Clube dos 13 até a Lei Pelé – 05/08

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Quantas histórias, quantas alegrias e que torcida feliz! Sem dúvida é isso o que encontramos nas colunas anteriores ao falarmos das décadas de 1970, 1980 e em um bom trecho da década de 1990, os mais experientes dirão “quanta saudade”, já os mais novos podem dizer “que inveja”.

Primeiro peço a vocês que me permitam. Ao iniciar esta série de colunas eu pretendia dividi-la em seis matérias, mas vou precisar criar mais uma, a sétima coluna que vai tratar do Bugre entre os anos de 2012 até a metade de 2014. No próximo texto vou abordar o Guarani entre os anos de 1999 e 2011, as gestões José Luiz Lourencetti e Leonel Martins de Oliveira.

Seguindo nosso rumo, a partir daqui existe um marco nessa história, podemos dizer que depois desta fase o Bugre nunca mais seria o mesmo? Nunca é muito tempo, mas estamos ainda numa fase de resultados aceitáveis e algumas boas campanhas, num futebol diferente e que vai mudar ainda mais daqui a pouco.

Dentro de campo o Bugre seguia fazendo relativo sucesso em 1995 nos campeonatos que eram disputados em fases classificatórias. As equipes se enfrentavam numa primeira fase e os oito melhores disputavam o direito de, geralmente em quadrangulares, chegarem à decisão da competição, algo muito diferente dos atuais pontos corridos no Brasileiro, mas algo preservado no Paulistão que, salvo algumas exceções, preservou esta formula na maioria das temporadas.

Como vamos falar muito de outras coisas, vou tentar citar sim o futebol, mas deixar as coisas mais atentas ao extra campo, e começamos com uma informação, antes da lesão o La Coruña da Espanha havia enviado uma proposta ao Guarani por Amoroso, a oferta, se não me engano, era de 6.5 milhões de dólares e foi recusada, o atleta não sairia do clube por menos de 8 milhões de dólares. Começamos 1995 sem Amoroso, operado e em recuperação, mas com um reforço importantíssimo, sem receber os valores devidos pela transferência ao futebol japonês no ano anterior, Djalminha estava de volta ao Bugre, com direito a desfile em carro dos bombeiros.

Em 1995 o Bugre chegaria à segunda fase do Paulistão, mas com uma campanha ruim no quadrangular que tinha São Paulo, Palmeiras e Mogi Mirim, não avançou. A equipe que iniciou a competição foi: Hiran, Marcinho, Cláudio, Amaral e Dedé; Fernando, Fábio Augusto, Uéslei e William (Valdeir); Fabinho e Leonardo (Jean). Técnico: Oswaldo Alvarez.

A equipe que encerrou o Paulistão de 1995 jogando contra o São Paulo tinha: Narciso, Uéslei, Cláudio, Carlinhos e Júlio César; Fernando, Fábio Augusto (Valdeir), Silvinho e Djalminha; Adriano Fernandes e Luizão (Amaral). Técnico: Pepe.

Lembram das trocas de treinador? O Bugre começou o Paulista com Vadão que ficou cinco rodadas no comando e foi demitido depois de um problema entre o treinador e o meia Djalminha, depois veio Givanildo Oliveira que comandou a equipe por apenas quatro jogos, assumindo Celinho como interino por duas rodadas e Pepe foi o treinador que mais tempo ficou, terminou a competição comandando a equipe por 19 partidas.

Logo após o Paulistão o Bugre disputou um amistoso internacional no Brinco de Ouro. Guarani e Lazio jogaram, com uma derrota Bugrina por 3×2, mas uma grande festa para cerca de 8 mil torcedores presentes. As escalações foram:

GUARANI – Hiran, Ronaldo Alves (Uéslei), Cláudio, Índio e Silvinho (Alex); Fernando, Valdeir (Adriano Fernandes), Fábio Augusto (Fabinho) e Djalminha; Luizão (Jean) e Nélio. Técnico: Pepe.
LAZIO – Orsi, Negro, Favalli, Chamot e Bonomi; Di Matteo (Venturin), Fuser e Winter (Piovanelli); Rambaldi (Colucci), Casiraghi (De Sio) e Signori (Grandoni). Técnico: Zdenek Zeman.

No Brasileiro Pepe estava mantido, mas apenas oito rodadas depois, Gersinho assume o comando interinamente por duas rodadas e Nicanor de Carvalho chega e termina a competição.

Guarani e Atletico – Duelo na primeira fase da Copa Conmebol.

No segundo semestre, durante a disputa do Brasileiro, mais uma competição internacional na história do Bugre, a Copa Conmebol (hoje Copa Sulamericana), mas no confronto com o Atlético-MG um empate por 1×1 no Mineirão e uma derrota no Brinco por 1×0 eliminaram a equipe ainda na primeira rodada da competição.

Voltando ao Brasileiro, o Bugre enceraria sua participação ainda na primeira fase, sem se classificar para as fases decisivas. A equipe que iniciou a competição tinha: Narciso, Davi, Renato Carioca e Sangaletti (Fabinho); Anderson, Fernando, Sérgio Soares (Valdeir), Jean (Alex) e Júlio César; Djalminha e Fernando Diniz. Técnico: Pepe.

Já a equipe titular que encerrou a participação tinha: Léo, Anderson, Renato Carioca, Davi e Júlio César; Valdeir, Sérgio Soares, Silvinho e Fernando Diniz; Leonardo e Alex. Técnico: Nicanor de Carvalho.

Luizão e Amoroso, negociados com o Palmeiras/Parmalat em 1996.

E o início de 1996 traria mais uma polêmica, o Guarani negociou seus dois principais jogadores com o Palmeiras-Parmalat. Saíram juntos Djalminha e Luizão, acabando com o sonho da torcida em ver o trio Amoroso, Djalminha e Luizão enfim jogar junto, porque Amoroso estava de volta, recuperado da cirurgia no joelho. Me lembro bem das palavras do jornalista Juca Kfouri, então apresentador do programa Cartão Verde da TV Cultura: “O Guarani abriu mão de ser grande”, ao anunciar a transferência, e parecia uma profecia.

No Brasileiro vem uma boa campanha, o Bugre inicia a competição comandado pelo uruguaio Sergio Ramirez com Léo, Zelão, Carlinhos, Souza e Júlio César (Maninho); Fernando, Fábio Augusto, Alberto (Pestana) e Adil; Amoroso e Adalberto (Fabinho). Carlinhos é o mesmo Carlinhos hoje treinador do Sub-20, Júlio Cesar e Amoroso são os outros pratas da casa em campo.

Sergio Ramirez dura apenas três rodadas e Gersinho assume o time interinamente por uma rodada até a chegada de Fito Neves que pasmem, comanda o time por apenas dois jogos, em seu lugar chega Cabralzinho. Junto a isso o Bugre sofre um desfalque importantíssimo. Tentando uma valorização, a diretoria resolve emprestar Amoroso ao Flamengo que naquele ano vivia seu centenário e montava uma equipe de estrelas que nunca se firmaria, mas conquistaria o Campeonato Carioca. Amoroso pouco jogou, foram 16 jogos pelo Flamengo, com seis gols marcados.

Voltando ao campo, ou melhor ao banco, Cabralzinho comanda a equipe por nove partidas e dá lugar ao técnico Carlinhos que comanda a equipe por outras nove rodadas e deixa a equipe. Com a saída do treinador a decisão é formar um colegiado, onde o próprio presidente Beto Zini também trabalharia na preparação da equipe e Gersinho iria para o banco de reservas nos jogos, a decisão durou quatro rodadas, após o terceiro jogo o clube contratou Julio Cesar Leal que não comandou o Bugre no primeiro jogo e assume na partida seguinte, restando apenas dois jogos para o final do Paulistão.

Dinei em campo pelo Bugre na Rua Javari contra o Juventus. Foto GazetaPress.

Enquanto mais uma vez o Bugre não conseguiria chegar à segunda fase do Paulistão a Torcida via o time de aspirantes atropelar todos os seus adversários e, depois de vencer o primeiro e o segundo turno do Paulista da categoria (os jogos eram disputados nas preliminares dos jogos principais), conquistar o Campeonato Paulista de Aspirantes de 1996.

Esta foi a escalação que iniciou o Paulistão: Léo, Zelão, Carlinhos, Souza e Júlio César (Maninho); Fernando, Fábio Augusto, Alberto (Pestana) e Adil; Amoroso e Adalberto (Fabinho). Técnico: Sérgio Ramirez.

Esta foi a escalação que encerrou o Paulistão: Edervan (Léo), Índio II, Hélton, Goiano e Wallace; Fernando, Marcelo, Pestana (Maninho) e Cairo; Aloísio e Sílvio. Técnico: Júlio César Leal.

Antes do Brasileiro o Guarani vai ao Japão fazer uma série de dois amistosos, os adversários foram o Verdy Kawasaki e o Kashima Antlers, conseguindo uma vitória por 2×1 na primeira partida e uma derrota por 3×1 na segunda.

Em 1996 Amoroso segue para a Udinese e começa sua carreira na Europa. Artilheiro na Itália e Alemanha.

Antes do Campeonato Brasileiro mais uma notícia, Amoroso que havia sido emprestado ao Flamengo foi negociado com a Udinese da Itália. Valor da negociação: Aproximadamente 1.2 milhão de dólares.

Já carente de boas campanhas o Bugre precisava de um bom Campeonato Brasileiro para tranquilizar sua torcida e ele veio. O Bugre começou a campanha trazendo Julio de Toledo Piza (pai de Evaristo Piza), treinador de muito sucesso nas categorias de base, mas sua passagem duraria apenas dois jogos e a diretoria foi buscar um velho conhecido, o vice-campeão Paulista pelo Bugre em 1988 José Luiz Carbone.

Em 1996 e 1997 Ailton era o cara. Artilheiro do Bugre e destaque no Brasil – Foto: Gazeta Press.

O time que iniciou a competição tinha: Hiran, Marcinho, Sangaletti, Nenê e Júlio César; Elson, Valdeir (Goiano), Fabinho (Leonardo) e Cairo; Marcelo Carioca (Gilson) e Ailton. Destaques para o goleiro Hiran, a dupla de zagueiros formada por Sangaletti e Sorlei e o atacante Ailton (Ailton Queixada) que depois se transferiria para o futebol alemão, onde seria ídolo e artilheiro.

Carbone assumiu o comando Bugrino na partida contra o Paraná pela terceira rodada, uma derrota por 3×0 em Curitiba e permaneceria no clube por apenas 10 jogos, colecionando 07 vitórias, duas derrotas e um empate. O time que iniciou mal a competição conseguiu reagir e ocupava a liderança até o confronto contra o Sport no Recife, quando mais uma vez o hábito de dispensar treinadores voltou a fazer parte da história. O Guarani perdeu a partida por 1×0 e Beto Zini soube de um encontro para um jantar entre Carbone e Hélio dos Anjos que aconteceu na capital pernambucana e pronto, demitiu o treinador, mesmo com sua excelente campanha.

Quem assumiria em seu lugar seria o mestre, a lenda, o grande Carlos Alberto Silva que iria com a equipe até o final da competição e continuaria com a grande campanha. Em entrevista durante a competição Carlos Alberto Silva afirmou: “Eu nunca assumi um time tão bem montado e com um trabalho tão bem feito”.

Depois de vencer o Vasco da Gama em São Januário por 2×0, o Bugre conseguia se classificar para a fase de quartas de final, a competição havia mudado e os clubes se enfrentavam em sistema de mata-mata, fazendo quartas de final, semifinal e final. O adversário era o Goiás e o Bugre por ter melhor campanha, decidiria em casa sua classificação.

Sorlei que jogava ao lado de Sangaletti. Segurança na defesa.

Na primeira partida um resultado ruim, uma derrota por 3×1 em Goiânia e a obrigação de reverter o placar jogando com o apoio de sua torcida. O Guarani precisava de uma vitória por dois gols de diferença e assim Carlos Alberto levou a campo a seguinte equipe: Hiran, Marcinho (Luciano Baiano), Sangaletti, Sorlei e Robinson; Dega, Valdeir, Edu Lima (Alexandre Gaúcho) e Gilson; Marcelo Carioca (Fabinho) e Ailton.

Começa o jogo com a presença de 15.306 pagantes, o Guarani sai com tudo para cima do Goiás e a Torcida festejaria logo nos minutos iniciais o que seria uma grande chance de conquistar a vaga e disputar mais uma semifinal de Brasileiro. Aos 03 minutos Ailton marca o gol Bugrino, pronto, restava ainda um jogo inteiro para conseguir mais um gol e ficar com a vaga, mas não foi isso o que aconteceu. Aos 27 minutos as coisas ficariam difíceis, o atacante Gilson cometeria uma falta e acabaria expulso, deixando o Guarani com um homem a menos.

Mesmo com um jogador a menos o jogo era praticamente um ataque contra defesa, o Guarani tomava as iniciativas e buscava o resultado, o Goiás pouco ameaçava, sempre nos contra-ataques, mas a bola Bugrina não entrava de jeito nenhum.

Final de jogo e para frustração da Torcida o placar aponta: Guarani 1×0 Goiás. O Goiás segue para as semifinais e o Bugre encera sua participação no Brasileirão. Foi um resultado muito lamentado.

A partir de 1997 a história muda, o Guarani passa a disputar competições sem sucesso, não conseguindo se classificar, e pior, algumas vezes lutando contra rebaixamentos, como aconteceria no Brasileiro de 1997.

Treinadores de muito renome atualmente também marcaram este momento Bugrino. Apenas para termos uma ideia, quem encerrará o Paulistão comandando a equipe é Muricy Ramalho.

No início do Paulista estava no banco de reservas Geninho que deixaria a equipe após uma das piores derrotas da história Bugrina, uma goleada sofrida para o Corinthians por 8×2 no estádio do Morumbi.

Geninho seria substituído por Abel Braga, mais um dos treinadores em destaque no futebol atual, ele permaneceria pouco, apenas cinco rodadas e Muricy assumiria em seu lugar fazendo as últimas 12 rodadas e encerrando exatamente com uma vitória sobre o São Paulo (coincidência) por 2×0 no Brinco de Ouro da Princesa. Nesta partida Muricy levou a campo
Pitarelli, Jefferson (Dega), Goiano, Vaguinho e Rubens Júnior; Carlinhos, Renatinho, Ricardo Mendes e Paulo Isidoro; Gilson (Jocivalter) e Ailton (Adailton).

A equipe que iniciou a competição comandada por Geninho tinha: Hiran, Luciano Baiano, Sorlei, Nenê e Vaguinho; Elson, Ricardo Mendes (Dega), Carlinhos e Paulo Isidoro (Irani); Gílson e Aílton (Fabinho). Detalhe, nesta equipe apenas o lateral-direito Luciano Baiano era formado nas categorias de base, já ao final da competição aparecem alguns outros como Pitarelli, Rubens Junior e Renatinho, além de Jocivalter que entraria no decorrer da partida.

Aos 46 minutos Hiran sobe mais que a zaga e empata para o Bugre. Guarani 3×3 Palmeiras, Paulistão de 1997.

E como esquecer do gol de cabeça marcado por Hiran (foto), o goleiro Bugrino, no empate por 3×3 com o Palmeiras na quinta rodada do Paulistão de 1997? Clique aqui e veja o vídeo.

E depois do Paulistão veio o Brasileiro, campanha onde o Bugre conseguiria fugir de um rebaixamento apenas nas últimas rodadas e com uma reação incrível!

Depois dos bons resultados nas 12 rodadas do Paulistão Muricy Ramalho foi mantido, fato raro na época, e começaria a campanha comandando o Guarani. O time da estreia, uma derrota para o Cruzeiro no Mineirão por 3×1 teve: Hiran, Renato Paulista, Marinho, Vaguinho e Rubens Júnior; Elson (Rodrigo Jaú), Carlinhos, Mineiro e Jean Carlo; Gílson (Dinei) e Aílton. Observem que durante a partida Dinei (ex-Corinthians) entra no lugar de Gilson no ataque.

A passagem de Muricy dura 13 rodadas e depois de mais um mal resultado, uma goleada de 5×0 sofrida contra a Portuguesa no Canindé, ele foi substituído por Lula Pereira que comanda a equipe por oito jogos e deixa o Bugre na zona do rebaixamento faltando apenas cinco rodadas para o término da competição. Quem assume? O técnico que seria recordista de permanência no Bugre durante a gestão Beto Zini, Oswaldo Alvarez, o Vadão!

Comissão técnica do bugre em 1997 tinha os auxiliares Gersinho e Estevan Soares e o treinador Osvaldo Alvarez.

Em campo o Guarani precisava vencer, não podia mais perder, e só assim evitaria o rebaixamento para a Série B. E foi assim, nas cinco partidas finais foram dois empates e três vitórias, a primeira uma goleada por 4×1 sobre o Grêmio em Porto Alegre, a segunda um jogo inesquecível e uma vitória sobre o União São João em Araras e a última uma vitória por 3×2 sobre o Vasco que seria o Campeão Brasileiro da temporada, no Brinco de Ouro da Princesa.

Todos são jogos incríveis, mas a partida de Araras é inesquecível, até pelo grande número de Bugrinos presentes ao estádio. O Guarani precisava vencer para manter as chances de não ser rebaixado e a partida foi dura, o sofrimento durou até os 46 minutos do segundo tempo quando o volante Edinho Goiano, um jogador com pouco mais de 1.60 metros de altura marcou, de cabeça o gol da vitória do Bugre. Uma festa começou imediatamente com a Torcida Bugrina ganhando as ruas de Araras com suas camisas e bandeiras e um enorme desfile de ônibus. Inesquecível, mas lembremos, estávamos comemorando um não rebaixamento.

guarani_1997_time

Time Bugrino em 1997 no Mangueirão.

A equipe que conseguiu esta vitória entrou em campo com Gléguer, Júlio César (Luciano Baiano), Sorlei e Vaguinho; Ferreira, Edinho Goiano, Jean Carlo (Moreno), Paulo Isidoro e Rubens Cardoso (Marcão); Dinei e Samuel. Técnico: Oswaldo Alvarez.

E aqui se foi mais uma temporada, o ano de 1997, e para poder chegar ao novo ponto peço para que 2008 seja apenas comentado. A receita foi a mesma, treinadores chegaram e saíram como em todos os anos anteriores, jogadores também, e apenas para não deixar de citar, em 1998 o Bugre tinha em seu elenco um atacante chamado Robson Ponte contratado junto ao Juventus e que fez muito sucesso junto à torcida por suas jogadas de muita habilidade, era sem dúvida um grande jogador. A escalação do Bugre na última partida desta temporada, a derrota para o Sport no Recife por 2×1 teve: Pitarelli, Luciano Baiano, Sorlei, Marcelo Souza e Rubens Cardoso; Marcelinho Paulista, Renatinho, Paulo Isidoro (Derlei) e Jean Carlo (Silvinho); Robson Ponte e Gílson Batata (Júlio César). Técnico: Estevam Soares.

Agora chegamos a um ano marcante, 1999! A temporada chegou e com ela chegou também a Lei Pelé, mesmo com algumas alterações, em vigor até os dias atuais. Resumindo, os clubes não teriam mais o “passe dos atletas”, teriam contratos e multas rescisórias para a negociação de jogadores e, quem deixasse de pagar salários ou encargos trabalhistas perderia o vínculo com o jogador.

Parabéns, criaram a figura do empresário de jogador de futebol e transformaram nos novos ricos do futebol brasileiro, enquanto os clubes foram, com raras exceções, ficando cada dia mais pobres, e este estágio de empobrecimento aumenta a cada ano, até os dias atuais.

Qual era a fórmula do Bugre? Formar jogadores, valorizá-los em seu elenco e depois de valorizados, vende-los, ou então, contratar jovens promessas de outros clubes, valoriza-los em seu elenco e depois negociar seu passe… poxa, isso acabou, e agora?

O “E agora” é uma receita que até hoje o Guarani não descobriu.

Junto a isso surge um escândalo. Beto Zini, então presidente do Guarani teve seu nome citado nas investigações de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara Federal dos Deputados que investigava o roubo de cargas.

O Bugre que sempre se viu amplamente divulgado na imprensa por seus feitos e conquistas, desta vez estava sim em notícia, mas em outras páginas e seções.

Beto Zini foi inocentado durante a investigação, mas em junho de 1999, pediu licença do cargo e esta é a informação que poucos sabem, isso mesmo, Beto jamais renunciou, pediu afastamento sem determinar tempo, mas sua saída seria irreversivelmente tratada como uma renúncia graças a declarações do próprio Beto Zini à imprensa na época onde ele afirmava que havia se demitido, e pronto, uma era se encerrava ali, mas deixaria sequelas até os dias atuais.

Saldo da gestão: Muitos jogadores contratados, alguns jogadores revelados, vários e vários jogadores negociados e um clube empobrecido e disso vou tratar na minha conclusão.

Conclusão

Uma coisa não podemos negar, o Guarani de Beto Zini conseguiu muito espaço na mídia. Sempre nos bastidores haviam informações, o presidente era convidado em grandes programas de televisão de repercussão nacional e ele chegou até mesmo a chefiar uma delegação de Seleção Brasileira em amistoso internacional.

Mas o Guarani da gestão Beto Zini foi obrigado a conviver com uma realidade completamente diferente financeiramente falando. O Bugre tinha contra si um dopping que favorecia todos os seus grandes rivais, as cotas de televisão pela transmissão das partidas de futebol, enquanto ele Guarani, sem acesso a esta festa, vendia, contratava, tentava revelar, vendia de novo, buscava dali, buscava daqui para tentar fazer frente aos seus principais rivais. E os rivais não eram outros senão os maiores clubes do futebol brasileiro, eram os gigantes todos do futebol brasileiro, pois na maior parte desta fase em Campinas só existia uma equipe, a outra passou 12 anos jogando a Série A2 e tentando seu acesso em vão.

Resultado: O clube que estava entre os mais ricos do Brasil, pela primeira vez apresentou uma dívida consideravel em seus resultados financeiros. Todos os jogadores que vieram, os que foram revelados, os que foram negociados não conseguiram fazer frente à nova realidade do futebol brasileiro representada pelo Clube dos 13 e seus integrantes.

A dívida? Cerca de pouco mais de 8 milhões de dólares, mas ainda haveria uma série de outras ações que só se concretizariam nos anos seguintes.

Beto Zini se foi. Foi o mais folclórico dos presidentes do clube, sem dúvida. Foi e ainda hoje é uma pessoa que merece respeito por seu conhecimento do mercado da bola, sabe olhar um menino e dizer se tem futuro no campo. Comandou o Guarani com mãos de ferro por 11 longos anos e não conseguiu o que sonhou e prometeu ao assumir: Um título.

Mas o Guarani jamais seria o mesmo. A nova realidade já havia causado estragos irrecuperáveis que nos atingem até os dias atuais.

Ficou longo, mas acho que deu para falar sobre tudo. Se você se lembra de algo faça esta série você mesmo, poste seu comentário, divida seu conhecimento, suas lembranças, mas antes é preciso deixar claro novamente que, mesmo falando de futebol, o objetivo desta série é tentar encontrar nossos erros para conseguirmos achar nosso caminho.

Até a próxima com José Luiz Lourencetti e a volta de Leonel Martins de Oliveira. A política Bugrina nunca falou tão alto nesta história!

Marcos Ortiz
Planeta Guarani

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