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Marcos Ortiz

Já dá pra ficar preocupado e pedir que algo seja feito, ou ainda é cedo?

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Por melhor que seja um carro, ele não anda sem rodas e sem motorista.

Como a gente já havia previsto, a sétima rodada da Série B terminou no fim da semana e os resultados trouxeram um prejuízo muito maior ao Guarani que já vinha numa posição muito ruim e agora ocupa uma posição vexatória na classificação.

Depois de abrir a rodada na 17ª colocação,a primeira na zona do rebaixamento, o Bugre encerrou a rodada na 19ª, a penúltima posição. Bastou ao América-MG vencer sua primeira partida e pronto, saiu da lanterna e ultrapassou o Guarani, que já havia sido ultrapassado pelo Criciúma no saldo de gols e agora, com o empate dos catarinenses, está um ponto à frente do Bugre.

A coisa só não ficou pior porque o Sport venceu o Vitória por 3×1, com esse resultado só existe uma equipe atrás do Bugre na classificação, o Vitória, não por acaso a única equipe que conseguiu perder pro Guarani até aqui na Série B.

Essa campanha horrorosa é consequência de uma série de fatores. Já no início da preparação havia na Torcida Bugrina a convicção de que o time precisava de uma reformulação total, o elenco não havia correspondido num Campeonato Paulista e já vinha ali de uma série de seis jogos muito ruins, com resultados ruins derrotas consecutivas e uma série de jogos sem vencer.

Não foi essa a convicção do Guarani, permaneceram atletas demais, alguns como Jefferson Nem e Carlinhos, por exemplo, apesar da vontade do clube, permanecem no Brinco de Ouro. Isso é custo, é falta de planejamento, é dinheiro jogado no ralo diante de um time que,mesmo estando sendo remontado durante a competição, já mostra outros erros de planejamento.

Esta é uma consequência da manutenção de um goleiro contestado no time titular, de um zagueiro igualmente contestado durante todo o Paulistão que recebeu como parceiro outro zagueiro que, apesar de boa aposta, vinha de um ano sem entrar em campo e da saída de um lateral esquerdo que, se não era a joia do elenco, era regular, tanto que voltou ao Coritiba e lá tem sido, via de regra, titular, mas vamos além, isso também é consequência da renovação de contrato com Rondinelly que sim, jogou bola na Série A2, mas depois viveu uma Série B horrível e um Paulista ainda pior, já estava credenciado a deixar o clube com o fim do seu contrato, mas não, antes disso acontecer, teve seu contrato renovado e por iniciativa do Guarani.

Vamos analisar a escalação do Guarani no último jogo que valeu alguma coisa no Paulistão e comparar com a atual? Era o dérbi, todos sabemos o que aconteceu dentro de campo, mas vamos relembrar quem estava lá entre os titulares: Giovanni; Léo Príncipe, Ferreira, Giaretta e William Matheus; Deivid, Ricardinho, Felipe Amorim e Thiago Ribeiro; Diego Cardoso e Anselmo Ramon.

Enquanto isso a escalação do Guarani na penúltima partida teve Giovanni; Lenon, Ferreira, Xandão e Inácio; Deivid, Ricardinho, Arthur Rezende, Felipe Amorim e Éder Luís; Diego Cardoso.

Quem saiu do time? Léo Príncipe não foi titular, apesar de se manter no elenco, Giaretta não foi titular, mas ainda permanece no elenco, William Matheus deixou o clube e alterna a titularidade no Coritiba, Thiago Ribeiro é um dos destaques da campanha do Red Bull que hoje se traveste de Bragantino e Anselmo Ramon deixou o Guarani mesmo com a insistência do clube em renovar seu contrato, oque se vê pelo futebol do centroavante em Salvador que era mais um erro de planejamento.

Pra piorar a situação, o Guarani ainda namorava o técnico Vinícius Eutrópio e a quase unanimidade da Torcida repudiava a possível contratação. A média de permanência dele nos últimos trabalhos era curta, os resultados eram ruins demais e a tábua de salvação era uma disputa de Libertadores da América por um time boliviano que acabou eliminado na fase de grupos da competição.

Enfim, os jogos foram acontecendo, os resultados não vieram e a campanha do Bugre virou isso que estamos vendo. Erros do goleiro, do lateral esquerdo, do zagueiro pela direita, do zagueiro pela esquerda, da marcação dos volantes, dos meias na saída de bola e lá na frente ninguém faz gol. São sete jogos disputados e o Guarani só marcou gols em dois deles, nos outros cinco saiu de campo sem balançar as redes e o Guarani está na penúltima colocação à frente apenas da única equipe que conseguiu vencer até aqui, ou seja, só tem um time pior que o Guarani na Série B até agora e esse time é o único que conseguiu perder pro Guarani.

E agora? O que espera a Torcida, o que espera este Torcedor que vos escreve? Não, essa parada pra disputa da Copa América que acontece depois da rodada que marca o confronto entre Guarani x Coritiba não é um período de milagres e não é suficiente pra transformar o segundo pior time da competição na força ascendente depois da volta dos jogos.

Ela só serve pra uma coisa, pra avaliar erros e corrigi-los. Eutrópio deve permanecer? Não, não deve, mas sua saída não é capaz de transformar por completo um time que é torto, mal montado, num time que finalmente jogue bola, mas além disso há outras questões a serem analisadas.

O Guarani tem condições de remontar o elenco com a competição em andamento ou está praticamente esgotando, se é que já não está extrapolando seu parco orçamento? A segunda possibilidade é a correta e mais ainda, há um limite de 40 jogadores por elenco e o Bugre hoje está à beira de completar esse número. O que vai acontecer? Simples, alguns jogadores devem ser dispensados, terem seus contratos rescindidos e isso custará alguns processos trabalhistas ao Guarani e alguns bons recursos financeiros que o clube não tem.

Então eu pergunto, isso é planejamento? Não, não é, isso é apostar num grupo na base da confiança de quem já estava lá e viu nesse grupo a tal família tão falada nos dias de hoje num futebol cada vez mais chato, e no caso do Guarani, cada vez mais com arquibancadas vazias. Se isso não justifica uma substituição não apenas do treinador, como de todo o departamento de futebol profissional, eu não vejo o que mais justificaria.

Querem um exemplo claro de que o Guarani, apesar de estar à véspera do seu oitavo jogo na competição ainda não ter um time titular? Vamos esboçar a escalação titular ideal?

Jefferson Paulino; Lenon, um zagueiro, outro zagueiro e Armero; um volante, Ricardinho, Igor Henrique, um meia e outro meia; um centroavante. Perceberam? O goleiro tem que ser trocado, a dupla de zaga tem que ser encontrada, o lateral esquerdo ideal estreou na partida anterior, um volante de marcação tem que ser achado, uma dupla de meias tem que ser encontrada e um ataque tem que ser montado.

Isso é tudo, menos o sinal de um bom trabalho feito no planejamento do elenco e feito pelo treinador no trabalho do dia a dia. Em oito jogos a cúpula do futebol profissional Bugrino não conseguiu enxergar que o time está torto e mal montado e o treinador não conseguiu enxergar quais as melhores peças que tem no elenco?

O que vai fazer o Guarani? Se atolar em novas dívidas e trocar todo o elenco, trocar o treinador e tentar se recuperar no Brasileiro da Série B, ou vai fortalecer o poder do trio que comanda o futebol profissional do clube formado por Fumagalli, Marcus Vinícius e Gabriel Remédios que, aparentemente, entende que tudo está no caminho certo?

É, o Guarani é o vice lanterna da Série B, mas calma, isso ainda pode mudar depois das 23:00 de amanhã. Infelizmente também pode mudar pra pior quando terminar o reencontro do Bugre com o técnico Umberto Louzer, atual comandante do Coritiba.

A gente já pode dizer que tá tudo errado, ou precisa esperar um pouco mais por resultados que podem, e devem, não vir se tudo continuar assim? Com a palavra o Conselho de Administração do Guarani, porque essa bomba não vai estourar nas costas de profissionais contratados, por mais competentes ou incompetentes que eles se mostrarem, essa bomba sempre vai estourar em quem os contratou.

Salvem o Guarani, porque por maior que seja o estrago causado em gestores, dirigentes, superintendentes, treinadores e jogadores, a que explode no colo e na cabeça do Torcedor é muito maior.

Marcos Ortiz

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