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Marcos Ortiz

Do que eu mais me lembro hoje e do que eu quero lembrar depois desse dérbi?

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Tenho 48 anos de idade e 43 anos de estádios, minha primeira vez num estádio foi no Brinco de Ouro da Princesa no dia 04 de julho e 1976 num Guarani 3×1 São Bento. Senhores, de lá pra cá já vivi 69 Dérbis, esse será o 70º dérbi do qual tenho lembrança. E desde criança aprendi que Torcedor vai ai estádio, desde criança meu pai e minha mãe e depois minha mãe sozinha me levavam a praticamente todos os jogos do Guarani, mas um especial não passava em branco, o dérbi, fosse no Brinco, fosse fora.

Deixei de ir ao primeiro no dia 23 de fevereiro de 2003, Peruada 1×3 Guarani. Sim, eu não estava lá, fui convidado a ser padrinho de casamento de uma prima que morava fora e tive que ir, depois disso fui deixar de ir ao estádio num dérbi algumas outras vezes, uma por decisão pessoal, foi em 24 de março de 2012, Peruada 1×1 Guarani, gol de pênalti do Fumagalli no finalzinho do jogo, e não fui ao estádio porque optei por transmitir o jogo, naquela época fazíamos radio web no Planeta Guarani.

É, hoje já não é mais possível estar em todos os dérbis, tive que ficar de fora dos últimos três… não, não decidi ficar de fora, fui proibido porque sou Bugrino e o Ministério Público me considera criminoso quando um dérbi é disputado no campo do adversário e proíbe a minha ida. Você não tinha parado pra pensar né? Sim, os três últimos dérbis foram jogados lá em cima.

Cara, que coisa louca né? Como pode, três dérbis seguidos sem nossa Torcida presente! Nosso time, por mais limitado ou não que fosse, entrou em campo em três dérbis seguidos sem nenhum Bugrino sentado na arquibancada do estádio, a última vez que pudemos assistir um dérbi no estádio faz mais de um ano, foi frustrante dentro de campo, mas foi sensacional fora do estádio, na chegada do time e depois nas arquibancadas. carga total de ingressos esgotada, 18 mil Bugrinos no Brinco.

Perdemos porque jogo é assim, você ganha, empata ou perde, não conseguimos vestir o espírito do dérbi dentro de campo e perdemos o jogo mesmo com todo aquele ambiente a nosso favor. Vamos desistir? Não, nunca!

Meu amigo, esse será o 70º dérbi do qual me lembro, será o 65º no qual estarei no estádio, não onde eu gosto, nas arquibancadas fazendo festa, mas lá, transmitindo o jogo Deus sabe pra quantos Bugrinos na radio web, mas será meu 65º dérbi no estádio e acredite, cada um teve um gosto diferente, não houve um que fosse igual ao outro. Quando criança eu chorava ao perder, cresci, parei de chorar e hoje, já quase velho voltei a sentir as lágrimas ao final de um dérbi que termina em derrota. Coisas da vida, dizem que quando a gente envelhece vira criança de novo.

Me lembro de um especial, um dia que hoje, depois de não ter mais minha mãe comigo, não me sai da cabeça. Era 04 de novembro de 1984, eu tinha 13 naos, já ia ao estádio sozinho, mas naquele dia minha mãe quis ir comigo, dizia que tinha que cuidar de mim, coisa que só mãe vai dizer pra você a sua vida inteira, acredite. E lá fomos nós, sentamos ali onde hoje fica a Fúria Independente, naquela época era a Guerreiros que ficava lá, fomos a um dos últimos degraus, eu queria ficar perto da Torcida e ela não queria porque o barulho era muito grande, é, ela ganhou, subimos muitos degraus acima de onde eu queria estar, mas eu estava lá.

Fazia um tempinho que a gente não ganhava um dérbi, mas a expectativa nem durou tanto, logo aos 08 minutos um tal de Neto, praticamente uma criança dentro de campo, ajeitou uma bola quase no meio do campo pelo lado esquerdo e soltou o pé na cobrança de uma falta. O grito de gol saiu muito forte, mais ainda porque o goleiro, um tal de Sérgio Guedes, aceitou, a bola passou no meio das pernas dele e como eu gritava. A mãezinha só pulava, batia palmas e sorria muito, do jeito que só ela conseguia sorrir nesse mundo.

A Torcida fazia uma festa inesquecível, tava saindo um entalado enorme da garganta naquele jogo, pouco depois, aos 14 minutos saiu o segundo gol, p… q… pariu, o tal do Neto, quase uma criança em campo fez de novo, o tobogã parecia que ia cair de tanto que tremia e olha que ele não estava lotado naquele domingo. O jogo foi se desenrolando, a Torcida comemorando e ai eu entendi porque a mãezinha quis ir comigo, de repente começou uma briga dentro de campo, o juiz expulsou um de cada lado e o pau comeu dentro de campo, mas a coisa ficou pior, o lado sujo da arquibancada começou a tumultuar, lembro bem, invadiram o gramado, alguns pegaram as traves de treinamento e colocaram entre o muro e a grade da cabeceira, outros usaram aquilo pra passar pra dentro do campo.

Polícia, bomba, briga, elas começaram a quebrar as caixas de som, o placar, e ai minha mãe me abraçou e falou: “tá vendo porque eu tinha que vir?”. Boba, a briga era lá embaixo e a gente tava lá em cima. Lembro que o jogo ficou um bom tempo parado, quando recomeçou já estava bastante escuro, luzes acesas, de repente saiu um golzinho do outro time, caramba, 2×1. A Torcida ficou quieta por alguns instantes, mas logo todos lembraram que tava acabando e a gente tava ganhando, a festa recomeçou, e logo que o batuque voltou a tocar, como que por encanto, o Guarani fez o terceiro gol! Chiquinho Carioca, o menino Neto já tinha saído.

Acabou o jogo, abracei aquela mulher tão forte, gritei, pulei e fomos pra casa. Como? De busão… chegamos em casa e o jogo não saía da cabeça, foi assim a semana inteira, na verdade é assim até hoje, nenhum dérbi me saiu da cabeça, mas esse, ultimamente, não sai de jeito nenhum.

É isso, por que eu quis falar desse jogo? Sei lá, é dérbi, eu poderia falar do Eterno 3×1 que todo mundo lembra, eu poderia falar dos gols de Luizão, do gol de bicicleta do Edmilson, ah, eu poderia falar de tantos outros dérbis, mas o que não me sai da cabeça hoje é esse…

É, esse será o 70º dérbi do qual me lembro, e sabe do que eu quero me lembrar? Da festa da Torcida que dessa vez só vou ver em vídeos, do Bandeirão e, principalmente, da vitória do Bugrão por 1×0 com gol do Diego Giaretta.

E se não for dele? Não tem problema, que seja gol do Guarani. E se sair mais que um gol? Não tem problema, desde que o Guarani vença… ah, eu quero lembrar de outra coisa também depois de sábado, quero lembrar que você também estava lá e depois a gente vai contar nossas lembranças juntos, combinado?

É dérbi meus amigos, não tem como, a gente tem que estar lá!

 

Marcos Ortiz

 

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