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Marcos Ortiz

Análise: Os desafios do Guarani e de Roberto Fonseca – Arrumar tudo e recuperar o tempo perdido

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Se é que essa paralisação para a disputa da Copa América pode ser o “super trunfo” tão apregoado durante os oito primeiros jogos da Série B, algumas coisas precisam ser ditas e o técnico Roberto Fonseca terá que encontrar um relato similar a este quando assumir o comando da equipe na próxima quarta feira.

Ao contrário de veículos jornalísticos, o Planeta Guarani não está interessado na notícia a qualquer preço, não nos importa trazer o tal furo de reportagem, nos importa é construir material de modo a ajudar de alguma forma o Guarani Futebol Clube, por isso vamos apresentar um resumo do que foi o Bugre nestes oito primeiros jogos pra que, confrontando os números, os dados e as constatações abaixo, possamos contribuir para que o fracasso observado até aqui possa se transformar em uma campanha no mínimo aceitável daqui pra frente.

Os nove gols que o time sofreu aconteceram em momentos distintos dos tempos de jogo, mas também podemos ver uma concentração de gols sofridos em momentos determinantes, senão vejamos:

Oito jogos, 1 vitória, 2 empates e 5 derrotas, 04 gols marcados e 09 gols sofridos, saldo negativo de cinco gols. O que aconteceu até aqui? Vamos ver:

O Guarani sofreu apenas três gols no primeiro tempo dos jogos, um aos 28 minutos contra o Oeste, outro em casa na vitória sobe o Vitória aos 29 minutos e o último gol sofrido na primeira etapa foi contra o Criciúma, aos 10 minutos de jogo.

Em compensação o time sofreu o dobro de gols no segundo tempo das partidas, um no chamado de primeiro terço (1 a 15 minutos), dois no segundo terço (16 aos 30 minutos) e três no terço final (31 ao final do jogo), mas neste caso é bem final mesmo, sendo dois aos 45 e um aos 46 minutos da segunda etapa.

Mas o que esses números nos mostram? Mostram primeiro aquilo que a gente vê durante os jogos transformado também em números, o Guarani joga melhor as primeiras etapas das partidas e cai demais nas segundas.

Se mantidos os resultados dos primeiros tempos de cada jogo, o Guarani teria uma posição muito melhor na classificação, teria mantido o empate por 0x0 com o Figueirense, teria empatado com o Vitória por 1×1, manteria o empate por 0x0 com o Paraná, venceria o Brasil de Pelotas por 1×0, empataria com o Atlético-GO e também empataria com o Coritiba por 0x0. Chegaria aos 08 pontos ganhos com uma vitória, cinco empates e duas derrotas.

Claro, é difícil acreditar que o time consiga manter os resultados de um tempo pra outro, afinal são dois tempo de 45 minutos cada e isso é determinante pro jogo, mas se o Guarani tivesse conseguido evitar os três gols que sofreu após os 44 minutos da segunda etapa, também teria uma pontuação maior, teria vencido o Vitória-BA por 3×1 e aumentaria o saldo de gols, teria empatado com o Brasil de Pelotas por 1×1 e teria empatado com o Coritiba por 0x0, estaria com 07 pontos e com um saldo de gols melhor, ainda que negativo seria -2, contra -5 que de fato tem, mas seria insuficiente pra equipe deixar a zona de rebaixamento, o Guarani estaria atrás do Operário-MT na 17ª posição, empatado em pontos, mas perdendo no primeiro critério de desempate, o número de vitórias (2×1).

Analisando esses dados podemos mostrar ao técnico Roberto Fonseca os pontos cruciais que ele precisa trabalhar nestes pouco mais de 20 dias que terá de preparação até a retomada da Série B do Brasileiro. Seu primeiro desafio está diretamente ligado ao trabalho da preparação física, o time precisa encontrar equilíbrio físico entre os dois tempos de jogo, e pra isso a inter temporada é crucial.

O segundo ponto a ser trabalhado pelo treinador é o desempenho do seu sistema ofensivo que marcou gols em apenas duas partidas, três na única vitória conquistada até aqui e um na derrota de virada para o Brasil de Pelotas. Média de meio gol marcado por jogo não vai levar nenhuma equipe a lugar nenhum na competição, ou vai, ao lugar que o time hoje ocupa, o que piora ainda mais se analisarmos que em seis dos oito jogos disputados o Guarani passou em branco, ou seja, em 75% dos jogos o time não saiu do zero no placar.

E se não é o que traz alegria ao Torcedor que precisa comemorar gols da sua equipe, inegavelmente um dos pontos mais fracos do Guarani neste primeiro recorte de oito jogos da Série B é o sistema defensivo que sofreu nove gols em oito jogos,média superior a um gol por partida.

Desafios de Roberto Fonseca:

Corrigir a saída de bola da equipe no meio de campo acabando com os erros de passe ou erros individuais na condução da bola na intermediária tanto ofensiva quanto defensiva que custaram ao time ao menos quatro dos nove gols sofridos, ajustar a marcação da cabeça de área, das duas laterais e principalmente o miolo de zaga porque com todas as alternativas tentadas até agora, o Guarani sofreu gols tanto em falhas de marcação pela direita quanto pela esquerda.

Encontrar uma formação que permita ao Guarani ter dois meias, um deles capaz de fazer bem a ligação com o setor ofensivo, outro que possa aparecer como elemento surpresa no ataque.

E por último aprimorar as finalizações da equipe que até cria boas chances de gol, mas não tem competência ou tranquilidade na hora do arremate que ou acaba consagrando o goleiro adversário, ou termina fora do gol.

Enfim, o Guarani perdeu o final do mês de abril, o mês de maio inteiro e o começo do mês de junho. Não arrumou um sistema defensivo coeso, um meio de campo capaz de marcar e sair bem pro jogo e muito menos um ataque capaz de fazer gols

Se dá pra arrumar a casa com o que tem em mãos ou se terá que buscar reforços no mercado caberá à comissão técnica e ao departamento de futebol decidirem, mas não podemos nos esquecer que há limite de 40 atletas para o elenco, ele já está quase esgotado e pra chegar gente nova, alguém terá que sair.

Realmente o trabalho e o tempo foi praticamente todo desperdiçado na transição entre o Campeonato Paulista e a Série B do Brasileiro. O Guarani insistiu com atletas que já haviam demonstrado no estadual que não estavam á altura do Brasileiro, contratou e contratou errado em posições carentes e a preparação física não conseguiu dar fôlego ao time, ao menos até aqui.

Marcos Ortiz

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