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Marcos Ortiz

Análise: Os abismos entre o constatado e o desejado pelo Guarani

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De um não rebaixamento a um acesso, tudo passa por PLANEJAMENTO.

Sonhar é o que motiva o Torcedor do Guarani, um povo que nos últimos anos tem vivido muito mais de sonhos do que de realidade, apesar de, inegavelmente, a situação, ao menos dentro de campo, ter melhorado muito de 2016 pra cá com os acessos para a Série B do Brasileiro e Série A1 do Paulistão.

Claro, o sonho maior existe, ver o time outra vez disputando todas as primeiras divisões nas competições que participa e pra isso falta um último degrau, porém este é o maior e mais desafiador degrau de todos, voltar à Série A do Campeonato Brasileiro.

Sonho é isso, é sonho, é vontade, é desejo, é ambição, mas antes de mais nada é planejamento, não é discurso, não é promessa, é planejamento puro e simples.

Eu acredito nisso, em planejamento e concretização, e por mais que isso possa descontentar alguns, entendo que um campeonato longo como é o Brasileiro, seja Série A ou B, precisa de objetivos curtos, rápidos e que tragam a todos, Torcedores, jogadores, dirigentes e comissões técnicas o prazer a curto prazo. É mais fácil dividir uma corrida de 10 quilômetros em cinco percursos de 2 quilômetros cada, do que enxergar uma reta simples de 10 KM, você consegue perceber que a cada 2 KM percorridos diminuiu a quilometragem a percorrer, e isso só serve pra ilustrarmos aquilo que conseguiu levar o Guarani pela última vez a disputar uma Série A de Brasileiro: AS MINI METAS.

Pois bem, precisamos lembrar como elas funcionam: São seis tiros curtos de seis partidas e os dois dérbis tratados como campeonatos a parte. A meta? Conquistar ao menos 10 pontos a cada 18 disputados pra subir, vencer ao menos um dos dérbis e chegar ao número mágico de 63 pontos. E pra não cair? Seis mini metas de 07 pontos cada e uma vitória em um dos dérbis, 45 pontos atingidos e todos concordam ser a meta mínima necessária à permanência.

Vamos analisar a situação do Guarani nesse ambiente de seis mini metas?

Primeiro preciso deixar claro a vocês que hoje eu prefiro trabalhar com este primeiro cenário, uma pífia permanência. Se vou sonhar com algo mais? É o Guarani quem dirá.

Para fugir do rebaixamento o objetivo é 45 pontos, algo matematicamente reconhecido como suficiente pra que uma equipe permaneça com folga na Série B. Pra isso o objetivo são seis mini metas de 07 pontos e neste cenário o Guarani está atrasado, mas pode se recuperar, precisa conquistar 09 dos 12 pontos que disputará até chegar ao 12º jogo. Precisará chegar ao final da 12ª rodada com 14 pontos, terá se recuperado e dificilmente estará entre os quatro priores da classificação, mas precisará vencer três de quatro jogos, ao menos um fora e os dois que fará em casa.

Depois terá quatro metas curtas de seis jogos e precisará ao menos vencer dois e empatar um, claro, precisando vencer um dos dérbis da temporada. Acabou a Série B, o Guarani se manteve nela pra 2020, ao menos terá se mantido como começou 2019.

Mas e se quisermos sonhar com algo mais? Ai é coisa de gente grande, vamos ver:

Já jogamos oito jogos, então estamos na segunda mini meta, dos primeiros 18 pontos disputados conquistamos apenas cinco e encerramos a primeira mini meta com apenas 50% do objetivo alcançado. Resultado, aumentou em muito o desafio.

Mas pior que isso, o Guarani já percorreu dois dos seis jogos da segunda mini meta e tem um aproveitamento de 0 ponto, isso mesmo, nenhum ponto acumulado em seis disputados. Restam quatro jogos, 12 pontos, talvez os 12 pontos mais difíceis desse encerramento de “primeiro terço” das mini metas e infelizmente ao Guarani só resta uma saída, diminuir o prejuízo.

Em quatro jogos o Guarani precisa no mínimo vencer três e empatar um, terá dois jogos fora de casa seguidos e dois jogos em casa seguidos, o que representa que terá que ficar invicto e mais, vencer ao menos três e empatar um. O ideal seria quatro vitórias. Muito difícil…

Se conseguir ao menos atingir segunda mini meta e chegar aos 15 pontos ao final da 12ª rodada, o Guarani terá um saldo negativo de 05 pontos e terá apenas quatro mini metas pela frente, a conta é simples, terá que superar ao menos em um ponto todas elas e chegar aos 11 pontos dos 18 possíveis. Repito, é muito difícil, mas é menos difícil do que planejar atingir 58 pontos em 90 a disputar.

Caso o Guarani consiga atingir os 10 pontos nestes quatro jogos que restam, terá que fazer quatro mini metas de 11 pontos. Qual será o diferencial? Os dois dérbis que podem representar a diferença abismal entre o acesso e a permanência. É difícil, claro que é, mas se o Guarani se apequenar ao ponto de não considerar possível vencer dois dérbis numa mesma competição, temos que reconhecer, não merece sonhar com nada mais do que uma simples permanência numa Série B de Brasileiro.

Se eu fosse Roberto Fonseca olharia com atenção estes gráficos e prognósticos, isso pode representar a diferença entre o sucesso e o fracasso, mas é fundamental que ele e o Guarani tenham no mínimo isso, algum planejamento, seja pra chegar a 45 pontos, seja pra chegar a 63 pontos, só algum planejamento poderá dar ao clube qualquer dos objetivos acima detalhados.

Tudo o que podemos fazer é isso, demonstrar em números. Primeiro demonstrar que perdemos tempo até aqui e depois, demonstrar que se não planejar, o Guarani poderá chegar às 10 rodadas finais precisando de um aproveitamento de praticamente 100% pra não ser rebaixado.

Não, essa não é a função do Torcedor, essa é a função de quem é pago pra fazer isso e não é o treinador, são os que comandam o departamento de futebol profissional. Com a palavra Fumagalli, Marcus Vinícius e Gabriel Remédios, o Guarani vai planejar qual dessas metas? Porque se não planejar, vai ficar difícil conquistar alguma cosia.

Marcos Ortiz

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