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Marcos Ortiz

Análise: O que falta ao Guarani não é preparo físico – Veja os números da equipe

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Nos últimos dias surgiram contestações por parte da imprensa e de alguns Bugrinos, estes pelas redes sociais, sobre a preparação física da equipe. Claro, o assunto fica efervescente principalmente pelo fato de o time sofrer gols nos minutos finais das partidas, então resolvemos dar uma aprofundada no assunto fazendo um raio-x da minutagem dos gols marcados pelo terceiro melhor ataque da Série B e dos gols sofridos pela quarta pior defesa da competição.

Gols Marcados

Com 29 gols marcados em toda a Série B, como dissemos acima, o Guarani tem o terceiro melhor ataque da Série B, mas isso se deve muito mais ao meio de campo do que ao ataque, propriamente dito. Tendo atuado a enorme maioria dos jogos com apenas um atacante e cinco homens no meio de campo, acaba sendo natural que o meio de campo marque mais gols.

O Guarani marcou 13 dos seus 29 gols no primeiro tempo e 16 no segundo tempo, aprofundando a análise, vamos dividir em ciclos de 30 minutos sendo:

0 a 30 minutos – 06 gols marcados (20,69%);
31 a 60 (15 do 2º tempo) – 13 gols marcados (44,83%);
61 (16 do 2º tempo) até o final – 10 gols marcados (34,48%).

Portanto, pelos números, não podemos afirmar que o Guarani esteja mal preparado fisicamente, pelo contrario, primeiro porque a maioria dos gols marcados pela equipe aconteceu nos 45 minutos finais, sendo 10 (mais de um terço dos gols) marcados entre os 16 minutos e os minutos finais dos jogos. Mas uma coisa fica evidente, o Guarani, ofensivamente, é muito mais efetivo entre os 30 minutos da primeira etapa e os 15 minutos da segunda etapa, neste período o time marcou 13 gols, quase metade dos 29 gols marcados em toda a competição.

Gols Sofridos

Vamos aos gols sofridos? Com 26 gols sofridos a defesa do Bugre é a quarta pior da competição, mas a coisa é tão dividida quanto nos gols marcados, o Guarani sofreu 12 gols na primeira etapa e 14 gols nos 45 minutos finais, aprofundando, vamos dividir os gols sofridos  nos mesmos ciclos de 30 minutos:

0 a 30 minutos – 08 gols sofridos (30,77%);
31 a 60 (15 do 2º tempo) – 11 gols sofridos (42,30%);
61 (16 do 2º tempo) até os minutos finais – 07 gols sofridos (26,93%).

Analisando friamente os gols sofridos e quando eles aconteceram fica claro que o equilíbrio é total, mas que o Guarani, apesar de ter nos gols sofridos nos minutos finais das partidas, perdido pontos importantíssimos e doloridos, é muito mais irregular no segundo terço dos jogos. Entre os 30 minutos do primeiro tempo e os 15 minutos do segundo o Guarani sofreu nada menos que 11 gols, ou 42,31% do total de gols sofridos pela equipe em toda a competição.

Pela produtividade ofensiva não é possível apontar deficiência ou queda no nível de preparação física da equipe durante os jogos, afinal,  a maioria (16) dos seus gols marcados aconteceu na segunda etapa, sendo que 10 desses 16 gols foram marcados no terceiro terço do jogo, entre os 16 e os minutos finais da segunda etapa.

Isso também não acontece quando analisamos que a equipe sofreu 14 gols (53,85%) nos minutos 45 minutos finais e 12 gols (46,15%) nos primeiros 45 minutos dos jogos que disputou. O equilíbrio é muito grande.

Mas o que os números mostram? Na verdade eles mostram que a equipe Bugrina é pouco efetiva nos minutos iniciais das partidas, exatamente quando o time, em tese, está com melhor preparo físico, pois o Bugre balançou as redes adversárias apenas 20,69% das vezes nesses primeiros minutos de jogo. Ainda no ataque, mesmo tendo feito a maior parte dos seus gols (44,83%) entre os 30 minutos e os 15 minutos do segundo tempo, marcou também no terço final da partida (entre os 16 e o final da partida foram marcados 34,48% dos gols Bugrinos), o que mostra um time bem condicionado do meio para a frente, capaz de marcar gols inclusive no terço final, quando em tese os jogadores já estão mais desgastados em campo.

Mas e a defesa? Esta mostra toda sua instabilidade e os números comprovam que o sistema defensivo é o “calcanhar de Aquiles” da equipe. Os números são muito equilibrados, a defesa Bugrina toma gols quase que na mesma proporção, sendo 30,77% nos primeiros minutos de jogo, 26,93% nos minutos finais quando a partida é decidida e principalmente, toma gols entre os 30 minutos e os 15 minutos do segundo tempo, quando os atacantes adversários balançaram as redes Bugrinas em 42,30% das vezes.

Este é o número que precisa ser analisado, é com ele que a comissão técnica deve trabalhar, e certamente a comissão tem esses dados em mãos.

O que o Guarani precisa melhorar? Seu aproveitamento nos minutos iniciais dos jogos e principalmente aquilo que todos nós já sabíamos, seu sistema defensivo que destoa do ataque e prejudica a campanha da equipe até aqui na Série B do Campeonato Brasileiro.

Mas questionar a condição física do elenco é tudo o que não podemos fazer, repito, analisando os números que são frios e reais.

 

Marcos Ortiz

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Marcos Ortiz

Opinião: Juntar os cacos não resolve, planejar e executar sim!

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Depois de perder para o Avenida, resta ao Guarani literalmente juntar os cacos e pensar na próxima partida contra o Santos pelo Paulistão. Página virada? Não pelo contrário, é hora de aprender com os erros que na verdade já deviam ter trazido algum aprendizado.

Nós assistimos quase todos os jogos do Guarani nesta temporada, a exceção foi esta partida pela Copa do Brasil, mas graças às transmissões de rádio e às opiniões dos profissionais que estiveram acompanhando e transmitindo a partida, algumas conclusões podem ser tomadas.

Primeiro – Estamos insistindo em jogadores que absolutamente não tem a dar. Nossa defesa vem falhando, só não falhou no jogo contra o São Paulo, ou melhor, falhou, mas o goleiro Klever conseguiu evitar uma derrota e transformou o resultado em vitória.

Em praticamente todas as partidas até aqui o técnico Osmar Loss insiste com dois atletas específicos, e não dá pra omitir os nomes, são eles Romisson e Lucas Crispim, o primeiro um volante duvidoso que sequer estava nos planos do clube, não chegou a ser relacionado pra uma partida sequer da Série B do Brasileiro, mas quando não está entre os titulares, tem se transformado no 12º jogador titular de Osmar Loss, resultado até agora das participações de Romisson, nenhum, pelo contrário.

Já Lucas Crispim não tem posição definida em campo, não sabe se é meia, se é atacante, se joga bola ou não. O atleta até hoje conhecido principalmente por ser amigo de Neymar começou a jogada que custou ao Guarani a eliminação da Copa do Brasil, foi com o pé mole, perdeu a bola que acabou no cruzamento pro gol. Um simples bico pra fora resolveria.

Até quando teremos essa insistência? Parece praga, todo treinador que chega por aqui tem suas pragas de estimação. Umberto tinha Denner, a diferença é que Denner vez ou outra fazia um golzinho, Crispim e Romisson não.

Segundo – O Guarani está cometendo um erro grave de comunicação. Já o fez no caso do lateral direito Lenon e repetiu nesta semana, e a gente só descobre quando alguma pergunta é feita, pois bem, o motivo divulgado pela não viagem de Victor Ramos era poupar o atleta, mas em sua entrevista coletiva Osmar Loss foi obrigado a revelar que Victor ramos na verdade está contundido e, muito dificilmente, estará em campo contra o Santos na segunda feira. Qual a vantagem disso? Pra que esconder estado clínico de jogador?

Terceiro – O baixíssimo custo benefício de dois atletas específicos, o próprio Victor Ramos e o atacante Anselmo Ramon. Ramon chegou ao Guarani ainda na Série B, jogou pouco e sofreu uma grave lesão, foi operado e o prazo de recuperação era longo, mas quando a preparação para o Paulistão começou ele estava entre os atletas liberados pra treinamentos, tanto que participou de jogos treino e de outras atividades com bola. Seu salário é alto para os padrões do Guarani, se ficou teria que estar pronto pra jogar, a pergunta é, Anselmo Ramon não está pronto pra jogar, ou tem algum outro problema ai que a gente não sabe? Me desculpe, mas quem esconde lesão de dois jogadores pode muito bem esconder outro motivo qualquer.

Já Victor Ramos quando foi anunciado encheu a Torcida de esperanças, nome de destaque, jogou por grandes times, conquistou Copa do Brasil há não muito tempo, mas vinha de uma série de problemas extra campo que o fizeram cair demais de rendimento e qualidade. E no Guarani ele só fez comprovar que seu maior inimigo é esse, chegou, treinou e quando estava quase pronto pra jogar pediu uma suspensão contratual pra resolver problemas familiares em Salvador… voltou, foi reintegrado, voltou aos treinamentos, não foi a Mirassol porque te3ve seu carro roubado? Agora está lesionado… não devo mentir se disser que estes dois são dois dos maiores salários do elenco Bugrino, assim, também não vou errar se disser que o custo/benefício é nulo.

Quarto – Osmar Loss. Ainda não vi uma substituição feita por ele durante os jogos dar resultado, entra Romisson, entra Crispim, entra Inácio e o time cai drasticamente de rendimento. Além disso o treinador irritantemente esconde time, treino, esquema e até aqui tem confirmado o que se diz sobre ele, é mais dado à defesa do que ao ataque. De todos os casos citados até aqui creio que Loss seja o único que consegue ser resolvido, basta colocar a cabeça no travesseiro, rever conceitos, convicções e abandonar essa mania que alguns treinadores tem de recuar o time pra manter resultado. O que mantem resultado é o contrário, é agredir o adversário, não chama-lo pra te agredir.

Quinto – Álvaro/Matheus Davó. Aqui é o que eu vi contra o que alguém disse que viu, e eu confesso que até agora não entendi a contratação desse menino. Jogador de 21 anos, um ano mais velho que Matheus Davó, portanto, no mínimo tão promessa quanto, mas o Guarani que tinha á sua disposição e poderia ter gastado a inscrição que gastou trazendo uma “promessa do Inter” com a sua promessa da base. Já que inscreveríamos um jogador jovem que poderia ou não dar certo, inscrevêssemos então aquele que nos encheu os olhos na Copa São Paulo, a gente viu, ninguém nos falou que ele joga bola, a gente viu que ele tem bola pra jogar.

Sexto – O prejuízo. Ao ser eliminado pelo Avenida na primeira fase da Copa do Brasil o Guarani perdeu minimamente R$ 1.5 milhão, explico: Além da cota de mais de R$ 600 mil pela segunda fase da competição, o Guarani enfrentaria o Corinthians na fase seguinte em Itaquera, claro, poderia ser eliminado, mas pelo regulamento da Copa do Brasil o time eliminado fica com 40% da renda líquida e as rendas líquidas do Corinthians tem girado em torno de R$ 2 milhões em Itaquera, esses valores somados chegariam a 1.5 milhões, sem contar o fato de ainda poder vencer o jogo e avançar pras próximas fases, o Guarani minimamente receberia essa quantia para poder respirar, investindo talvez numa contratação relevante pra Série B, ou até mesmo no próprio campeonato Paulista.

O prejuízo é do clube, da entidade, vai além do financeiro, repercute muito mal ser eliminado pelo Avenida e a gente não pode, nem deve, achar isso normal. Foi difícil voltar à Copa do Brasil neste ano e acreditem, será difícil estar nela no ano que vem, isso graças a esta eliminação.

E agora? Quem vai arcar com estes prejuízos? Claro, o Guarani, porque os demais vão dizer que agora o foco é no Santos, é no Paulistão e a vida segue… me desculpem, mas eu não acho isso normal e, se um dia achar, o problema serei eu também.

Não, não se trata de transformar tudo em território arrasado, se trata apenas de, como Torcedor, tentar entender algumas coisas, essas seis ai de cima já seriam um bom começo, tem mais, mas essas ai já ajudariam bastante.

 

E não adianta jogar tudo o que não sabe contra Corinthians, São Paulo e Santos, quem faz isso é jogador de time pequeno querendo contrato pra sequência do ano, jogador do Guarani não precisa disso, está num clube tradicional, tem vitrine de sobra e conquista pelo conjunto da obra, jamais por uma ou outra partida.

 

Marcos Ortiz

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Marcos Ortiz

Opinião: Bugre dispara no campeonato do ego, mas precisa se recuperar no Paulistão

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Duas vitórias nos clássicos, duas derrotas nos outros jogos - Foto: Letícia Martins - Guarani FC.

No futebol a cultura geral diz que o importante são os três pontos, ganhou tá bom, perdeu tá ruim e pronto!

Se olharmos por esse ponto de vista então, o Guarani tá mais ou menos no Paulistão, afinal, ganhou metade, perdeu metade… bom vamos lá, há vitórias e vitórias. O Bugre estreou perdendo fora de casa pro Bragantino num jogo onde jogou apenas 45 minutos, nos outros 45 não aguentou o ritmo da estreia e perdeu. Poderia ter ganho porque teve grandes chances na primeira metade do jogo, não fez e pagou o preço, perdendo, mas se tivesse ganho o jogo, ou não perdido, a atuação seria menos criticada do que foi? Sim, seria, porque torcedor quer ganhar e pronto.

Depois veio o Corinthians, o jogo era em casa, a desconfiança era imensa depois da derrota na estreia e o time saiu perdendo, virou o placar e conseguiu segurar qualquer ímpeto de reação corintiana. Ganhou, tá tudo certo, ganhou, melhor do mundo e pronto, torcedor quer ganhar, lembra? Ganhamos e vamos atropelar o Oeste!

Não, não atropelou, pelo contrário. Quando todo mundo esperava a segunda vitória em casa seguida veio o tal do Oeste, debaixo daquela chuva toda na primeira etapa e com um gramado extremamente pesado na segunda o Bugre perdeu por 2×1, perdia por 2×0, diminuiu, mas não conseguiu ao menos empatar. Tá tudo errado, pior do mundo, perdeu porra, não pode perder.

E em seguida veio outro clássico, o primeiro fora de casa, foi no Pacaembu contra o São Paulo e o jogo começou de um jeito totalmente inesperado. Com um minuto de jogo tava 1×0 pro Bugre, depois foram 96 minutos de defesa contra ataque, o Bugre defendeu, o São Paulo atacou, e o Bugre venceu, tá ótimo, melhor do mundo de novo, ganhamos do São Paulo fora de casa.

Mas e a análise por trás da análise, será que o Torcedor Bugrino quer fazer? Pra que estragar um dia que tá tão gostoso, afinal, já fazia muito tempo…

Bom, primeiro temos que aprender que estamos de volta a um campeonato de elite depois de um bom tempo e que em campeonatos de elite enfrentaremos times tradicionais, entre eles os clássicos contra os times da capital. Às vezes venceremos, outras empataremos e outras ainda, perderemos, isso é o futebol, mas o campeonato tem 12 jogos, enfrentaremos 12 times, três chamados grandes (já vencemos dois) e nove times do interior (já perdemos pra dois).

Ao Guarani e ao Torcedor Bugrino as vitórias nos dois clássicos trouxeram uma redenção, uma lavada de alma, um reencontro com o gosto doce da vitória no tal confronto “Davi x Golias”. Ainda falta o Santos, o último dos chamados grandes que enfrentaremos nessa primeira fase, mas qualquer que seja o resultado, o Bugre já ganha esse placar por 2×1, no mínimo. Que gostoso, como é bom ver meu time ganhar de novo desses times.

Mas não vai adiantar muito falando em campeonato, ainda que vençamos o Santos faremos 09 pontos, insuficiente até pra livrar o time dos riscos de rebaixamento cuja meta estipulada é de 11 pontos. Falta mais ainda se pensarmos em classificação onde a meta mínima é de 15 a 16 pontos.

Antes do jogo contra o Oeste conversando com um amigo no Brinco disse a ele, esse jogo e o dérbi definirão onde vamos fazer o jogo de volta das quartas de final contra o Palmeiras, ganhando hoje brigamos pela liderança do grupo, ganhando o dérbi ganhamos a gordura necessária na penúltima rodada pra podermos chegar à liderança e decidirmos em casa. As coisas mudaram um pouco, claro, mas mudaram muito mais porque o Guarani não ganhou, e o pior, perdeu.

Com isso o Palmeiras abriu largos quatro pontos na nossa frente e a gente nem é o segundo, tem o Novorizontino entre nós e a classificação. Com um empate em casa contra o Oeste seríamos segundo, perdemos, somos terceiro, e agora, o que fazer? Simples, trocar um resultado ruim em casa por um resultado bom fora de casa… mas já fizemos, afinal, vencemos o São Paulo ontem à noite. Não, não conta, o São Paulo, o Santos e o Corinthians representam um outro campeonato dentro do campeonato, eles valem o título do ego, os outros nove valem a vaga nas quartas de final.

O que resta? Resta vencer o Mirassol no próximo domingo, ai sim o Guarani estará de volta ao plano, chegará aos 09 pontos, restarão apenas dois pontos para fugir de qualquer risco de queda, e em sete jogos é praticamente impossível não conseguir dois pontos. Lá na frente faltarão seis ou sete pontos pra chegar às quartas de final, serão 21 em disputa, entenderam? Se vencer o Mirassol, o Bugre precisará de um aproveitamento de apenas 33% pra chegar na última rodada brigando pela classificação, precisará de sete pontos em 21 que disputará e ai sim terá um aliado importante, os jogos em casa.

Jogando no Brinco o Guarani terá na ordem: Botafogo, São Caetano, Ferroviária e Red Bull, ou seja, decidirá sua vaga nestas quatro partidas e contra times que não estão entre os favoritos à segunda vaga dos seus respectivos grupos.

Entenderam o recado? Nossa, como eu tô feliz por termos vencido Corinthians e São Paulo, mas nossa, como nós precisamos vencer ao menos três ou quatro dos outros times em busca do bem maior, a classificação para enfrentar o Palmeiras, e ai sim, a gente entrará num campeonato onde tá levando vantagem, porque teremos pela frente Palmeiras e, muito provavelmente, Corinthians e Santos.

Como seria meu Guarani ideal? Ele teria a velocidade do primeiro tempo contra o Bragantino, a precisão ofensiva da vitória sobre o Corinthians e a defesa da vitória sobre o São Paulo. Dá? Dá!

Tá só começando o Paulistão? Não, o Paulistão já tá quase na metade! As duas colocações são aceitas, todos os times ainda precisam de ritmo de jogo, entrosamento, condicionamento físico, técnico e tático, mas nenhum deles terá mais que oito jogos na primeira fase e terá que chegar ao nível máximo dentro desse prazo, são oito jogos pra ganhar mais dois, depois mais dois e depois mais dois, pronto, acabou!

Como acabará? Se a gente fizer o papel contra os outros nove times da primeira fase acabará bem, do contrário terá sido mais um campeonato onde fugimos do rebaixamento e comemoramos vitórias sobre os chamados grandes, apesar de não ser pouca coisa, parece pouco pro Guarani, não acham?

Mirassol x Guarani, domingo, 11 da manhã em Mirassol, essa é a primeira das oito finais que o Bugre tem pela frente, se ganhar dará um salto gigantesco rumo a classificação e voltamos ao planejamento inicial: O dérbi poderá definir onde jogaremos contra  Palmeiras o jogo de volta das quartas de final.

Simbóra?

Em tempo: CHUPA BAMBY, AQUI É GUARANI, PORRA!!!

 

 

Marcos Ortiz

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Marcos Ortiz

Crônica: Era Guarani x São Paulo… hoje a noite é São Paulo x Guarani

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Na foto do Diário Gaúcho Tite, Ricardo Rocha, Tosin e Evair no primeiro jogo da final de 1986.

Aquela quarta feira amanheceu diferente, muito calor, e confesso que as aulas no boa e velha “Ana Rita” não tinham a menor importância, a cabeça tava em outro lugar, à noite tinha jogo. Era 25 de fevereiro, o ano era 1987. O ego do Torcedor Bugrino estava insuflado, quem era o favorito? Claro, era o Bugre que tinha melhor campanha, jogava em casa, o dia do Bi Brasileiro tinha chegado.

16 anos de idade, sonhos, planos, tanta coisa ainda por fazer, por realizar, mas uma coisa absolutamente não mudou ao longo desses quase 31 anos, o amor, a paixão, a dedicação ao Guarani Futebol Clube.

Assim o dia foi se arrastando, ninguém em Campinas falava de outra coisa, uns torcendo a favor, outros torcendo contra, mas Campinas respirava Guarani x São Paulo, a final do Campeonato Brasileiro de 1986. Eu não via a hora de acabar a tarde, o jogo era as 21:30, mas a gente sairia lá do Varejão do Seu Mauro às 18, e por volta das 16:30 eu já estava lá, tínhamos tanta coisa pra arrumar.

Os sacos de farinha já estavam separados, sim, a gente fazia fumaça com farinha de trigo, os pacotes de papel higiênico estavam separados, as bandeiras, a faixa da antiga TUB, os mastros, enfim, tinha que deixar tudo prontinho pra ver o Bugrão de noite.

A gente ia pro Brinco num camburão, pra quem não sabe, camburão era o carro usado pela Polícia pra levar preso. O nosso (na verdade do Marquinhos) era azul, velhinho, e tinha um problema, não pegava na partida. Devagar todo mundo foi chegando, íamos em cerca de 10 pessoas espremidos ali e de cara uma boa notícia: Arrumaram a partida do camburão! Pode subir e vamô embora… que nada, todo mundo lá dentro, vira a chave e nada… risos, simbóra empurrar.

Desceram todos, eu estava sentado bem no meio, bastou colocar o pé no chão e alguém já estava empurrando o camburão, resultado, o bicho passou em cima do meu pé direito, putz, doeu pra caramba, mas ai alguém já gritou “vamô embora, tamô atrasado”, nossa passou rapidinho, vamô pro Brinco!

Chegamos, toca descer tudo do porta malas. Eu não tinha uma camisa boa pra usar naquele dia, lembro que o Silvinho me deu uma, era uma camisa do Guarani de 1976, diferente, mas linda, e como eu usei aquela camisa, acho que por uns dois anos seguidos era com ela que eu ia pros jogos. E o batuque? A, o pessoal do Embarsamados do Samba” ia tocar pra gente, a noite era especial.

Tobogã, lado esquerdo (bem esquerdo mesmo), faixa no lugar, bandeiras nos mastros, farinha, papel, tudo arrumado, Brinco lotado e lá vem o Bugre de Sérgio Neri; Marco Antônio, Ricardo Rocha, Valdir Carioca e Zé Mário; Tosin, Tite e Boiadeiro; Catatau, Evair e João Paulo.

Nem bem começou o jogo, a gente ainda tava se recuperando da festa da entrada, limpando a farinha de trigo do corpo e lá veio o Zé Mário pela esquerda cruzando a bola, claro que o Evair já tava pronto pra tocar pro gol, mas ai veio um tal de Nelsinho e empurrou pro fundo das redes. Nossa, dois minutos de jogo, Guarani 1×0 São Paulo, não tinha jeito, o Bi Brasileiro chegou!

Não foi bem assim, o São Paulo empatou logo depois, o gol foi do Bernardo, um volante grandalhão, não faz mal, a gente faz outro já já. Não, a gente não fez, dentro de campo tinha um tal de Aragão cuidando de tudo pra que o nosso Bi Brasileiro não viesse, no tempo normal só ele não viu o pênalti em cima do João Paulo e depois, quando o jogo já tava na prorrogação, só ele sabe porque expulsou o Vagner. A prorrogação mal tinha começado e veio um susto, Pita, um dos melhores jogadores do São Paulo, o camisa 10 virou o jogo aos 02 minutos.

A Torcida Bugrina tinha tanta confiança no time que o Brinco não ficou quieto, e não era quem tava ganhando que festejava não, era a gente que tinha certeza que ia ganhar, não deu outra, escanteio cobrado da direita e veio o Boiadeiro, caramba, gol de cabeça do Boiadeiro, é, o Bi Brasileiro tinha chegado mesmo! Quer mais? Tinha! Começou o segundo tempo da prorrogação e la se foi o João tocar terror na defesa do São Paulo, o cara tinha turbo, aquela velocidade não era normal, parecia alguém andando de moto contra alguém a pé atrás dele, faca cortando manteiga, golaço, Guarani 3×2 São Paulo, 03 minutos do segundo tempo da prorrogação e de novo era noite do nosso Bi Brasileiro, não tinha jeito, nosso time era uma máquina, eram 15 jogos invictos até ali, maior pontuação, melhor aproveitamento, menor número de derrotas em toda a competição, melhor ataque, melhor defesa e o goleiro menos vazado, que não era o Sérgio Neri, era o Robson. É Campeão!

E eu? Ah, eu tava lá no meu cantinho do Brinco, o lado esquerdo do tobogã fazendo muita festa, pulando, gritando, rouco demais, feliz demais. O jogo tava acabando, faltava um minutinho só, o Bi Brasileiro era nosso. Pronto, apaga tudo, o cara do primeiro título brasileiro do Guarani tava do outro lado, tava empatado com o Evair, ambos tinham 25 gols na artilharia do Brasileiro de 1986 e depois de um chutão lá de trás a bola foi desviada e sobrou pra ele, não tinha ângulo, não tinha como, mas teve! Gol do São Paulo, 3×3, não dava tempo de tentar o quarto, acabou…

Fomos pros pênaltis, mas vai ser nos pênaltis então! Não, não foi…

De cara o Marco Antônio perdeu e quem foi bater? Ele, o Careca… a gente respirou fundo e viu lá de cima o Sérgio Neri defender, putz, ele pegou o pênalti do Careca, é hoje… não, não foi… de repente tava 1×1 no terceiro pênalti e quem vai cobrar? Ele, o cara do jogo, o melhor jogador em campo naquela final e, sem dúvida, um dos melhores de todo o campeonato. João Paulo respirou, encarou o Gilmar e bateu, go… parou no meio, a bola saiu.

Infelizmente pro Guarani ninguém mais errou, todos os Bugrinos do Brinco ainda se juntaram ao Sérgio Neri no último pênalti, Wagner Basílio bateu forte, rasteiro, no canto direito, o Sérgio ainda tocou na bola, a gente esboçou um sorriso, mas não teve jeito, ela entrou. O Bi Brasileiro tava adiado, o pé começou doer, a volta pra casa foi horrível, minha mãezinha, tadinha, passou a madrugada inteira cuidando do meu pé inchado, quebrou, e quando a adrenalina passou, doeu! Doeu muito.

Mas sabe o que a gente dizia um pro outro lá na saída do Brinco? Ano que vem a gente ganha!

Esse é um desenho curto do Guarani em 1987, a gente tinha até o termo pra chamar aqueles que só iam em jogos decisivos, eram os “Bugrinos de Final” e a gente tinha acabado de perder um Campeonato Brasileiro daquele jeito, mas conseguia olhar um pro outro e dizer: Ano que vem a gente ganha!

Hoje tem São Paulo x Guarani, nenhum Bugrino (uniformizado) estará nas arquibancadas do Pacaembu. Farinha de trigo? Papel Higiênico? Batuque? Bandeira de mastro? Nada. Eu confesso que não entendo essa evolução tão decantada que transformou a alegria do povo em algo extremamente mais triste. Os jogos, de festa popular, se transformaram em eventos esportivos, chegando ao cúmulo de não permitirem que o adversário se faça representar nas arquibancadas.

Mas hoje a noite tem São Paulo x Guarani e não adianta, toda vez que essas duas camisas se encontram desde 25 de fevereiro de 1987 eu fecho os olhos, lembro de tudo isso, sinto meu pé direito doer e me pergunto: 32 dias depois a gente pegou o São Paulo de novo, era Libertadores da América, era no Brinco, e foi 3×1 pro Guarani, não eram os mesmos jogadores, mas o resultado mostra que, se Guarani e São Paulo se enfrentassem 10 vezes seguidas, o Bugre ganhava sete, empatava duas e perdia uma… não dava pra ser uma depois?

Não é decisão de campeonato, mas é decisão pro campeonato, é Paulista, não é Brasileiro, mas é Guarani x São Paulo, hora de ser de novo Guarani. É fora de casa, a gente tá longe de ser favorito, longe mesmo, mas é Guarani e do outro lado tem o São Paulo.

Vamos lá, façam aquele menino de 16 anos soltar aquele grito que ficou preso lá atrás. Os cabelos tão brancos, a barriga cresceu, ele começou fumar, nunca mais parou, se desgastou, sofreu, sorriu, mas continua aqui, torcendo pelo Guarani e hoje é contra o São Paulo.

A gente se fala depois, agora vamos torcer!

 

 

Marcos Ortiz

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Guarani 2×0 Botafogo – Imagens do PG


	
	
	

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Próxima Partida – 23/02 – 16:30

Campeonato Paulista

Guarani X São Caetano

Estádio Brinco de Ouro da Princesa

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Classificação – Grupo B

PosTimeJVSGPG
174514
273012
373-110
470-83

Classificação – Geral

PosTimeJVSGPG
1761018
274514
374514
473312
573012
673510
773-110
873-110
97329
107229
117209
1272-39
1371-85
1471-44
1570-74
1670-83

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