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Marcos Ortiz

Análise: Não é só corrigir detalhes, agora é hora de acabar com os erros

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Erro de marcação e Everton Sena cabeceia livre na origem do gol do Novorizontino. Imagem: Reprodução - SporTV.

O Bugre mais uma vez deixou o resultado escapar em casa contra o Novorizontino no último sábado e voltou a torcer na sequência da sexta rodada da Série A1.

A torcida até deu certo, mas a rodada afunilou ainda mais a disputa, isso porque o RedBull venceu o fraquíssimo Oeste por 3×0 e encostou de vez na classificação. Agora com 8 pontos na classificação, o time de Bragança já briga diretamente por uma das duas vagas, está empatado com o Corinthians e apenas um pontinho atrás do Guarani.

Sim a campanha segue sendo muito boa, mas poderia ser muito melhor, não fossem as vaciladas do time que absolutamente não consegue segurar o resultado. Até aqui a única vez em que o Bugre não saiu na frente do placar foi na segunda rodada quando enfrentou o Santos em casa, saiu perdendo por 1×0, buscou o empate, poderia ter vencido o jogo, mas no último lance, num gol contra de Pablo, perdeu.

Com exceção a estreia quando venceu com tranquilidade a Inter de Limeira por 4×0, em todas as outras partidas o Bugre abriu o placar e acabou cedendo o empate durante o jogo. Foi assim em Mirassol, abriu o placar aos 26 minutos do segundo tempo e cedeu o empate aos 39 minutos numa bola levantada na grande área em que a defesa não conseguiu marcar (e isso também aconteceu no primeiro gol da vitória santista por 2×1).  Depois disso o time não conseguiu voltar à frente do placar.

O problema se repetiu contra o Santo André, o Bugre abriu o placar aos 25 minutos com Rafael Costa cobrando pênalti, mas cedeu o empate  ainda na primeira etapa, aos 34 minutos, em mais uma bola levantada na grande área que a defesa não conseguiu se posicionar corretamente. A diferença é que nesta partida o Guarani conseguiu, já nos acréscimos da partida, chegar ao segundo gol com Bidu aos 47 minutos.

Em Barueri contra o Oeste o desenho se repetiu, abrimos o placar aos 16 minutos com um gol de Rafael Costa e tomamos o empate aos 39 minutos numa fatalidade, um chute de Éder Sciola de fora da área que acabou entrando numa falha de Jefferson Paulino, mais um empate amargo pra Torcida Bugrina que na segunda etapa não viu seu time brigar pela vitória e pior, poderia ter sofrido o segundo gol no último lance da partida quando Éder Sciola escorou um cruzamento em outra falha da defesa Bugrina idêntica aos gols das partidas anteriores, a sorte foi que desta vez a cabeçada saiu.

E o problema se repetiu na última rodada, jogando no Brinco de Ouro, o Guarani abriu o placar com Igor Henrique de cabeça aos 08 minutos de jogo e não segurou o resultado, cedeu o empate. Como? Em outra falha de marcação do sistema defensivo dentro da grande área que permitiu, após uma cobrança de escanteio do lado esquerdo, primeiro a cabeçada sem marcação do zagueiro Everton Sena, Jefferson Paulino fez uma grande defesa em cima da linha, mas espalmou a bola para a entrada da pequena área e Bruno Aguiar apareceu, outra vez sem nenhuma marcação e chutou forte pro fundo do gol.

Erro de marcação e Everton Sena cabeceia livre na origem do gol do Novorizontino. Imagem: Reprodução – SporTV.

Contra o Novorizontino o Bugre repetiu um fato que já havia acontecido em Barueri, na segunda etapa o futebol do time caiu muito e outra vez o adversário poderia ter conquistado a vitória, desta vez quem impediu foi Jefferson Paulino que operou três verdadeiros milagres em lances cara a cara, dois deles no mesmo lance.

Ou seja, em três jogos o Guarani deixou a vitória escapar, o time não conseguiu definir o jogo quando teve a chance, viu o adversário chegar ao empate em suas próprias falhas e depois não teve competência para voltar à frente do marcador. Resultado, seis pontos desperdiçados em seguida, e, se com 09 pontos a equipe lidera seu grupo, poderia ter uma folga muito maior na tabela de classificação.

São os Detalhes?

Em suas entrevistas, tanto Thiago Carpini quanto os jogadores atribuem aos detalhes o fato de a vitória ter escapado, mas será que são detalhes mesmo, ou nós temos problemas que já podem ser tratados como crônicos e precisam ser corrigidos? Vamos analisar:

Contra Santos, Mirassol, Santo André e Novorizontino o time sofreu gols em falhas de marcação, se o amigo tiver a paciência de rever todos os lances perceberá que são praticamente idênticos. Vamos aqui deixar como “fatalidades” dois lances, o gol contra de Pablo contra o Santos e a falha e Jefferson Paulino contra o Oeste, e até por isso não vou condicionar esses pontos, porque eles vieram em erros individuais, algo imprevisível durante uma partida de futebol, e quando o imponderável entra em campo, ele decide as partidas.

Porém tratar como detalhe a redundância de erros do sistema defensivo Bugrino nas bolas aéreas está correto? Não, não está, isso é erro de posicionamento e posicionamento se corrige com repetição, com treinamento. Assim como os gols perdidos pelo Guarani em muitas vezes também são algo corrigível em repetições, em treinamentos, neste caso de posicionamento e repetição ofensivos.

O que consegui constatar revendo incansavelmente estes lances é que uma máxima do futebol não acontece no Guarani quando as bolas são levantadas para a pequena área, bola alta na área é do goleiro, dizem. No nosso caso não tem sido, o goleiro não sai, confia no posicionamento dos zagueiros, e pode ser exatamente a falta da saída do goleiro que esteja causando este buraco na marcação entre os dois zagueiros Bugrinos, ou quais sejam os jogadores que estejam fazendo as vezes na marcação. O fato é que existe um buraco entre os dois zagueiros Bugrinos e todos os adversários já perceberam isso.

Mas como corrigir? Alguns fatores são necessários, o primeiro é fazer valer a máxima de bola levantada na pequena área ser do goleiro e ai entra o trabalho do novo preparador de goleiros Bugrino Gilberto Felix que precisa dar aos goleiros Bugrinos a repetição necessária para que eles tenham confiança de sair do gol nos cruzamentos e evitarem que a bola chegue ao adversário como tem chegado. Isso é repetição pura, só repetindo incansavelmente cruzamentos para a pequena área e saídas de gol o goleiro Bugrino, seja ele quem for, estará condicionado a fazer esta ação da forma que ela precisa ser feita.

É só o goleiro? Não, está muito longe de ser, mas pra isso temos que olhar de forma mais aprofundada a formação da nossa defesa: Pablo é o lateral direito, foi lateral direito na base mas perdeu seu condicionamento durante sua carreira ao atuar na função de segundo atacante. A culpa é dele? Não, não é, e até acho que ele é hoje uma das principais válvulas de escape do time, ao lado de Bidu, mas inegavelmente um jogador mais adaptado à função de marcação de um lateral direito pode fazer o sistema defensivo funcionar mais adequadamente na marcação de bolas aéreas. Tem que  tirar o Pablo do time então? Pelo contrário, tem que potencializar sua maior característica, o ataque, e pra fazer isso ou Carpini desloca um dos volantes para a cobertura da lateral direita, ou terá que escalar Cristovam, mexer na formação do time e dar ao Guarani, com dois laterais, um que marque, outro que ataque com qualidade.

E o mesmo vale para a lateral esquerda, porém nesse caso a única solução possível é escalar um volante reforçando a marcação do setor para que Bidu possa fazer o que melhor sabe, avançar, partir pra cima da marcação, ganhar a linha de fundo e dar mais e mais passes para gols.

Mas o principal problema do sistema defensivo Bugrino está num fato que pode passar despercebido. Quando o elenco foi sendo montado uma coisa me chamava atenção, todos, absolutamente todos os zagueiros do elenco Bugrino jogavam pelo lado direito. Bruno Silva, Romércio, Ednei (que acabou deixando o clube) e até mesmo Pedro Moraes (que voltou a base).

O Guarani percebeu isso, contratou Leandro Almeida, zagueiro experiente e que joga pelo lado esquerdo e me atrevo a dizer que a volta de Pedro Moraes à base também seja uma forma de corrigir esse problema porque ao mesmo tempo subiu ao profissional Victor Ramon, zagueiro que formava dupla com Moraes no Sub-20 marcando pelo lado esquerdo.

Qual é o problema? O problema é que nenhum deles está jogando e enquanto isso Bruno Silva continua sacrificado marcando pelo lado esquerdo, o que por um lado propícia a Romércio algum destaque, pois ele está jogando do lado certo, mas por ouro lado sacrifica Bruno Silva que pelo lado direito renderia muito mais do que está rendendo pelo lado esquerdo.

Desculpem pelo tamanho do texto, mas sobre isso eu na verdade só queria dizer uma coisa: O improviso que deu certo não pode deixar de ser o que originalmente é: Um improviso, algo que deixaria de acontecer na medida em que os equívocos constatados fossem sendo corrigidos. Ou nós contratamos um zagueiro que joga pelo lado esquerdo do campo para ser reserva de um improvisado que jogue pelo lado direito, mas aceite ser sacrificado jogando pelo lado esquerdo?

O fato: O sistema defensivo Bugrino precisa funcionar, sob risco de a boa largada na primeira metade do Paulistão acabar sacrificada e desperdiçada exatamente na hora do crescimento, a segunda metade, a reta final da competição.

Repetição, condicionamento e acima de tudo, posicionamento correto, que na maioria das vezes não é simplesmente dizer ao jogador “fique aqui” ou “fique lá”, pode ser simplesmente colocar um jogador em cada posição na qual sempre jogou.

E prometo voltar com outro texto falando sobre a decantada posse de bola Bugrina de mais de 70% nos jogos, mas nos dois últimos jogos nos proporcionou “apenas” dois empates. Erros repetidos constantemente não são mais detalhes, são redundâncias, e redundâncias são repetições, não são detalhes.

 

Marcos Ortiz

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