114 anos, na vitória ou na derrota, hoje e sempre Guarani”

114 anos, na vitória ou na derrota, hoje e sempre Guarani”

Hoje me peguei imaginando algumas conversas fictícias entre pessoas que fizeram parte do início da história do Guarani Futebol Clube, fundado em 02/04/1911, que nesta quarta feira completa 114 anos de existência, mas essas conversas aconteciam como se eles fossem vivos nos dias atuais.

Numa delas, Pompeu de Vito conversava com seu irmão Romeo e perguntava a ele porque das cores verde e branco. Romeo respondeu: “Pompeu, veja toda essa história que o Guarani escreveu, você realmente consegue ver nosso bravo Bugre com outras cores que não o verde e o branco? Já imaginou nosso Brinco de Ouro pintado de vermelho? De azul? Tinha que ser verde, branco e pronto. Além disso, a tarde realmente estava tão clara e a grama da praça, verde, como nunca“.

Outro dia me veio a cabeça um diálogo de Vicente Matallo, o mais velho de todos, com José Trani. O debate era; por que Guarani? E Trani prontamente respondeu:

Vicenzo, você acha que se fosse Paulistano ou Internacional, a gente teria chegado tão longe? Além disso, tinha o maestro Carlos Gomes, o Teatro Escala de Milão, e eu estava atrasado, então tinha que fazer alguma coisa, senão vocês me expulsariam do grupo“.

Numa outra, Vicente Matallo conversava com Pompeu de Vito, e dizia: “Meu grande amigo, veja o tamanho daquilo que nós ajudamos a criar. Acredito que nenhum de nós, em momento algum, vislumbrou tamanha grandeza. Veja os olhos de todas essas pessoas marejando nas arquibancadas quando o time ataca e marca um gol. Já se passou tanto tempo, e cá está nosso Bugre, vivo, e contando com esta legião de apaixonados“.

Pompeu imediatamente respondeu: “É o alicerce sólido que foi feito graças às nossas famílias. Graças ao respeito que sempre tivemos um com o outro, graças ao zelo que empregamos no trato das coisas do Guarani… e depois eles aprimoraram essa obra com um hino maravilhoso que diz “na vitória ou na derrota, hoje e sempre Guarani“.

Em outra roda de conversa estavam Julio Palmieri, Antonio de Lucca, Luiz Bertoni e José Giardini, sentados na arquibancada do Brinco, vendo descer o bandeirão, a “Capa do Gigante”. Prontamente Giardini se lembrou do dia em que pediu à sua irmã que costurasse, pela primeira vez, uma bandeira verde, com o distintivo do Guarani bordado em branco:

Atravessei a cidade inteira com ela nos ombros, eu precisava voltar ao clube. Minha família inteira era Guarani, continua sendo até hoje, e quando ouço o hino atual dizendo “Eu levo sempre comigo, em todo campo que eu for, a bandeira do verde e branco, símbolo do Torcedor”, me emociono demais“.

Em outro grupo, Miguel Grecco conversava com Hernani Felippo Matallo, Alfredo Seifert Jabobi Junior e Ângelo Panattoni, e neste momento todos se resignaram ao lembrar que em 1920, enquanto caminhavam para um treinamento, porque o time havia começado muito mal o ano, numa brincadeira que fez com Juca, Grecco acabou sendo vítima de um disparo acidental, falecendo dias depois, no dia 13 de março:

A gente precisava melhorar, íamos disputar o 2º Campeonato do Interior, pra variar, a gente era Campeão Campineiro, mas nosso time não estava bem. Nesse dia eu deixei de estar com vocês fisicamente, mas garanto, continuei sendo Guarani, junto com toda minha família, que até hoje veste essa camisa e torce muito a cada nova partida“.

De repente Pompeu gritou: “Chega de conversa, vai começar o jogo!“. Lá ao fundo alguém resmungou: “Mas é Série C, Guarani x Maringa…“.

Prontamente, como se tivessem ensaiado, todos os 12 disseram em uma só vós: “É o Guarani Futebol Clube“.

Esta é uma pequena homenagem a eles, o alicerce, a base, a estrutura, os criadores, os 12 Guerreiros, a quem devemos tudo o que somos, tudo o que temos e tudo o que ainda seremos.

A todas essas famílias, nosso muito obrigado, em nome de toda a Família Bugrina. E que os sucessores deles todos que hoje cuidam do nosso Bugre, se lembrem sempre que  a “nossa família Bugrina, tem raça e tradição”, então, “avante, avante meu Bugre, com fibra e destemor, a cada nova jornada, Guarani é mais amor. Avante, avante meu Bugre, que nós vibramos por ti, na vitória ou na derrota, hoje e sempre, Guarani!”

Parabéns, Bugrão!

Marcos Ortiz