Frustração na Série C, parecia um acesso, terminou como grande frustração.
Recém rebaixado no Campeonato Paulista e vivendo a mesma situação financeira precária, o Guarani apostou na contratação de Tarcísio Pugliese que trouxe consigo boa parte do elenco de sua última equipe, a Caldense-MG, sexta colocada no Campeonato Mineiro que havia acontecido no primeiro semestre.
O Departamento de Futebol foi todo reformulado, saiu Isaías Tinoco, saíram praticamente todos os profissionais que haviam trabalhado na péssima campanha do início da temporada, e o Bugre parraria, por decisão da Diretoria Executiva, a ter um Diretor de Futebol. Era Rogério Giardini, vice-presidente do Conselho Deliberativo, quem assumia a função.
Veio a estreia e um período em que o Bugre parecia estar pronto para subir. Na primeira partida, fora de casa, o time não saiu de um 0x0 com o Madureira, na escalação muitas caras novas . O time que entrou em campo teve Juliano; Jefferson Feijão, Júlio César, Paulão e Renan Oliveira (Felipe Merlo); Edmílson, Wellington Simião, Rossini (Everton), Romarinho (Laionel, 10/2º) e Ewerton Maradona; Nena. Técnico: Tarcísio Pugliesi.
Ficou claro a partir dali, era um time que mais marcaria do que jogaria. A prioridade era não deixar o adversário jogar, e a partir dai, tentar uma jogada, jogar por uma bola, se der, vencer por 1×0, se não der, empatar a partida e somar ao menos um ponto.
No segundo jogo veio a primeira vitória, estreando em casa o Bugre venceu o Mogi Mirim por 1×0, marcou seu primeiro gol e pela segunda rodada seguida não sofreu nenhum. A equipe: Juliano; Jefferson Feijão, Júlio César, Paulão e Rodolfo Testoni (Careca); Edmílson, Wellington Simião (André Alves), Rossini, Romarinho (Fumagalli) e Ewerton Maradona; Nena. Wellington Simião cobrando pênalti, aos 38 minutos do primeiro tempo, marcou o gol da vitória.
Depois desta vitória, mais uma sequência de dois jogos sem vencer, mas também sem perder. O Bugre empatou fora de casa com o Caxias e a Torcida lamentou muito o segundo empate consecutivo, desta vez em casa, com o Grêmio Barueri, ambos os jogos terminaram em 0x0. Era pouco, o Guarani precisava chegar no mínimo na quarta colocação para se classificar à segunda fase e após a quarta rodada, com três empates e uma vitória, ocupava a sexta colocação.
Na quinta rodada veio a primeira vitória fora de casa. O Bugre foi a Macaé-RJ e venceu o time local por 1×0, nesta partida saiu o primeiro gol de um atacante quando aos 31 minutos do segundo tempo Laionel, que havia acabado de entrar em campo, macou e deu a vitória ao Bugre. A escalação: Juliano; Jefferson Feijão, Júlio César, Paulão e Rodolfo Testoni (Léo Costa); Edmílson, Wellington Simião, Rossini, Fumagalli e Ewerton Maradona (Laionel); Nena (Henan).
Pronto, uma vitória fora de casa e o Bugre estava na quarta colocação, era o mínimo necessário, e mais um detalhe, já se passaram cinco jogos e o time não sofreu nenhum gol.
O time jogava daquele jeito, não adiantava esperar nada diferente, a proposta era aquela. Até o gramado do Brinco de Ouro havia sido reduzido a pedido da comissão técnica, o argumento era que com dimensões menores seria mais fácil marcar e tirar espaços do adversário, mesmo que isso custasse ao próprio Bugre esses mesmos espaços para buscar o ataque.
A certeza doa cesso veio nas rodadas seguintes, foram mais três vitórias consecutivas sobre Duque de Caxias no Brinco e Betim, fora de casa, todas por 1×0 e o maior placar até então, uma vitória por 2×0 sobre o Vila Nova-GO no Brinco de Ouro que levou o Guarani à liderança do seu grupo na Série C. O Torcedor estava feliz, não pelo futebol, mas pelos resultados, e o Bugre encerraria o primeiro turno empatando fora de casa com o CRAC-GO por 0x0, resultado que manteve a equipe na liderança do grupo.
Foram nove jogos, a primeira metade do caminho já havia sido percorrida e o time sequer havia tomado gols. Juliano havia batido os recordes de invencibilidade na meta Bugrina que pertenciam a Neneca e ampliaria esses números nas duas rodadas seguintes.
Infelizmente para o Guarani ainda tinha o segundo turno… na abertura do returno um dia de homenagens. Com Carlos Alberto Silva e Neneca presentes ao Brinco, Juliano foi homenageado pelo hoje saudoso ex-goleiro Bugrino e recebeu uma placa comemorativa pela sequência de jogos sem sofrer gols, mas dentro de campo o time desagradou e decepcionou o público de 4.299 pagantes ao apenas empatar por 0x0 com o Madureira-RJ.
Resultado ruim, mas o time ainda se mantinha na primeira colocação, parecia apenas mais um tropeço que não influenciaria na campanha e na classificação. Apenas parecia, foi um jogo sintomático, o último sem sofrer gol, e a partir dali foi ladeira abaixo.
Sem sofrer gols por 10 rodadas a imprensa nacional voltou seus olhos ao Guarani. Matérias vieram enaltecendo o trabalho da defesa e do goleiro Juliano, as manchetes das TVs e Jornais diziam que “o Guarani navegava em mares calmos rumo ao acesso na Série C”, fazendo um comparativo com o Palmeiras, outro paulista de uniformes verdes, que naquela temporada havia sido rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Infelizmente isso acabou ali.
Na rodada seguinte um resultado que pode ser considerado bom, um novo empate, mas acabava ali a invencibilidade da defesa Bugrina. Parecia mais uma vitória por 1×0, aos 31 minutos do segundo tempo o Bugre abriu o placar sobre o Mogi Mirim fora de casa com Laionel. Antes porém, aos 06 minutos do segundo tempo, com uma lesão na coxa, Juliano pediu substituição, em seu lugar entrou Leo, que pouco depois do gol de Laionel sofreria o primeiro gol pelo Bugre na Série C .
Aos 35 minutos do segundo tempo Gilberto Alemão marcou o gol de empate. Mogi Mirim 1×1 Guarani e 11 jogos depois o Bugre não estava mais sem saber o que era sofrer gols, mas mantinha-se líder do seu grupo. Faltava pouco, só mais sete jogos e viria a chance de disputar o acesso nas quartas de final do Campeonato Brasileiro, aparentemente era apenas uma questão de tempo.
Não foi! O que pareceu foi que sofrer o primeiro gol desestabilizou a equipe e com isso uma das classificações mais contadas da história, acabou se transformando numa das maiores frustrações já vividas.
Na rodada seguinte veio a primeira derrota e o pior, ela aconteceu em casa. Jogando contra o Caxias-RS o Bugre perdeu por 1×0, gol marcado pelo zagueiro Jean aos 15 minutos do primeiro tempo. Juliano que estava de volta ao gol sofria ali seu primeiro de muitos que viriam em seguida e o Bugre conhecia o sabor da derrota, e pior, despencaria da primeira para a terceira colocação. A estrutura que parecia ser forte, mostrava-se frágil, os resultados de vitórias magras e muitos empates por 0x0 não haviam dado ao Bugre gordura nenhuma, logo na primeira derrota isso ficou evidente.
O time daquela derrota, a primeira na Série C, teve: Juliano; Wânderson Cafu (Roninho), Júlio César, Paulão e Léo Costa; Edmílson, Careca (Thiago Souza), Rossini, Fumagalli e Ewerton Maradona (Laionel); Henan.
Fora de campo o time passou, coincidentemente, no mesmo mês de setembro, a conviver com salários atrasados. Os vencimentos de agosto só seriam pagos em outubro, tarde demais para o acesso.
Depois de perder para o Caxias o Bugre voltou a empatar, agora com o Barueri, fora de casa, por 1×1. O resultado não era excepcional, mas vejam como a competição era equilibrada, esse pontinho devolveu ao Bugre a primeira colocação no seu grupo, era só se recuperar jogando a próxima partida em casa contra o fraco Macaé!
Que nada, o time teve um resultado emblemático naquela próxima partida em casa. A equipe que em 13 jogos havia sofrido apenas três gols, inexplicavelmente diante da sua Torcida sofreu para apenas empatar, por quanto? Por 4×4! Depois de abrir o placar, sofrer o empate, marcar o segundo e retomar a frente do marcador, o Bugre permitiu ao adversário virar para 3×2, buscou novamente o empate, pouco depois sofreu o quarto gol e apenas aos 48 minutos Roninho, cobrando falta, marcou o quarto gol. Guarani 4×4 Macaé-RJ, no Brinco. Resultado, nova queda na tabela da primeira para a terceira colocação.
A pressão da Torcida após esta partida, ficou insuportável, mas cabe uma tentativa de explicação. O técnico Tarcísio Pugliese havia montado sua equipe para empatar os jogos por 0x0 e se possível acertar uma única bola e vencer o jogo. A receita deu certo, foi assim, jogando feio, que o Bugre chegou à liderança da competição, mas muito questionado pela Torcida e pela imprensa, Pugliese tentou mudar, passou a soltar o time, ou ao menos tentar, e a defesa que até então estava protegida, não descobriu uma maneira de jogar diferente.
Estava ruim, mas estava bom, faltavam apenas quatro jogos, talvez com mais uma vitória o time garantisse sua classificação, no máximo precisaria de um empate e uma vitória, e para isso teria dois jogos fora e dois jogos em casa. Nada impossível.
Não, o time já não tinha mais nada a dar, o treinador estava abalado, a pressão era muito grande e ele foi mantido. Deveria ter sido trocado, mas como justificar a troca de um treinador que passou 11 jogos invictos e que até uma rodada atrás, liderava o Grupo B?
Diante desta armadilha e com parte da Diretoria Executiva exigindo a saída de Pugliese enquanto o Presidente Álvaro Negrão defendia e garantia sua permanência, o time entrou em queda livre e fora de casa perderia para o Duque de Caxias por 2×1 e assustadoramente, faltando três jogos, deixava o G4, era o quinto colocado.
Em desespero, mas ainda dependendo só de si, era vencer em casa o Betim, voltar ao G4 e administrar as duas últimas rodadas, a decisão aconteceria na última rodada contra o CRAC, em casa, mas realmente o time não tinha mais o que dar, o ambiente havia mudado, parte pelos salários atrasados, parte pelas críticas e cobranças da imprensa, e até mesmo vivendo já protestos da Torcida, o Bugre entrou em campo no Brinco para pegar o Betim, era vencer o jogo, voltar ao G4 e pronto.
Resultado: Guarani 1×2 Betim, e o pior, de virada, em um jogo inacreditável. O Bugre abriu o placar com Fumagalli aos 11 minutos e viu o Betim empatar no minuto seguinte, mas para piorar, aos 14 minutos, viu, porque o time apenas assistiu aqueles lances, o adversário virar o placar. Em pouco mais de dois minutos o acesso foi jogado no lixo e o Guarani terminaria a antepenúltima rodada na sexta colocação. Apenas com duas vitórias nos dois jogos finais, poderia sonhar com alguma coisa, mas para piorar, não podia perder a partida seguinte para o Vila Nova em Goiânia, se perdesse, matematicamente não teria mais chance de subir.
Veio a penúltima rodada e num jogo nervoso, mas de muito pouca qualidade técnica por parte do Guarani, que, viu Thiago Marin acertar um belo chute de fora da área no canto esquerdo de Thomazella aos 11 minutos do segundo tempo e marcar o gol da vitória do Vila. Sem conseguir nenhum tipo de reação o Bugre ainda veria o técnico Tarcísio Pugliese ser expulso de campo aos 20 minutos por ter se desentendido com um jogador adversário na cobrança de um arremesso lateral e assim o acesso mais contado dos últimos anos, virou pesadelo.
Um amontoado de problemas, salários de jogadores, comissão técnica e funcionários atrasados, restando quase três meses para acabar o ano, o Guarani encerrava sua temporada sem subir, sem dinheiro e sem saber o que seria do seu futuro.
Na rodada seguinte, apenas para encerrar a Série C e diante de inúmeros protestos, merecidos, diga-se de passagem, e diante de uma mágica que fez o público oficial chegar a 838 pagantes, mas visivelmente não ultrapassando 200 pessoas, o Bugre não conseguiu sequer vencer na despedida da competição. Não que valesse alguma coisa, mas na última partida a equipe apenas empatou por 1×1 com o CRAC de Catalão e encerrou a temporada 2013 da pior maneira possível.
A equipe que entrou em campo nesta última rodada teve: Thomazella; Jefferson Feijão, Júlio César, Afonso e Murilo; Edmílson, Felipe Merlo, Rossini e Fernandinho (Roninho); Ray (Laionel) e Macena (Nena). Técnico: Tarcísio Pugliesi.
Marcos Ortiz
Planeta Guarani

